Métodos e Tipos de Pesquisa

Aula 1

Teoria e Prática Científica

Teoria e prática científica

Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!

Ponto de Partida

Olá, estudante!

Você está cursando a disciplina de metodologia científica e, com certeza, já se perguntou qual a função dessa disciplina na construção do conhecimento e para a sua profissão. Por isso, convidamos você a trilhar pelos caminhos e avanços do conhecimento científico, colocando em prática os conhecimentos e as metodologias da ciência.

Nesta aula, Teoria e Prática Científica, vamos entender qual a relação entre a teoria e os métodos do pensamento científico, pois eles são cruciais para a compreensão e aplicação eficaz da metodologia científica. Contudo, você já deve ter presenciado alguns comentários depreciativos em relação a esses conhecimentos, tais como: “na prática a teoria não acontece da forma como esperamos” ou “essa aula é muito teórica... a vida é diferente...o cotidiano é outra coisa e não tem nada a ver com livros ou ideias”. Ou mais: “este professor é muito teórico, vive nas nuvens da abstração”!

Baseado nessa perspectiva de questionamentos, vamos procurar pistas no campo de conhecimento da disciplina de metodologia científica, teorias e métodos, abordagens que permitem a construção das pesquisas científicas e acadêmicas de forma rigorosa e eficaz.

Vamos ao estudo?

Vamos Começar!

O que é teoria

Você já presenciou alguns colegas de universidade questionando o porquê de estudar a teoria. Afinal, para que serve a teoria no desenvolvimento do conhecimento? Essas discussões nos convidam a aprofundar os conhecimentos do que é teoria. Certos questionamentos fazem parte do desenvolvimento dos conhecimentos, principalmente acadêmicos, sendo a teoria um guia para a estruturação, explicação, análise crítica e evolução do conhecimento em diversas áreas do saber. A teoria, a abstração e o conhecimento estão interligados, sendo a teoria um arcabouço conceitual que ajuda a fundamentar e estruturar o conhecimento, gerando novos conhecimentos.

[...] a teoria se refere a relações entre fatos ou, em outras palavras, à ordenação significativa desses fatos, consistindo em conceitos, classificações, correlações, generalizações, princípios, leis, regras, teoremas, axiomas etc. (Lakatos; Marconi, 2023, p. 115).

A palavra teoria deriva do termo grego theoria (θεωρία), que pode ser traduzido como contemplação ou observação. Na antiga Atenas, a palavra theoria estava associada ao ato de observar ou contemplar cerimônias religiosas, festivais e eventos públicos. Com o tempo, o termo theoria foi adotado pelos romanos e, eventualmente, foi incorporado às línguas modernas, como o inglês (theory), o francês (théorie), o espanhol (teoría) e o português (teoria). Ao longo dos séculos, o significado da palavra evoluiu para se referir a um sistema organizado de ideias, princípios e hipóteses destinados a explicar um conjunto de fenômenos ou fatos observáveis.

[...] “Theorein”, a palavra grega para “teoria”, relaciona-se literalmente à “ação de contemplar”. No Latim, “contemplar” refere-se ao ato de examinar profunda e atentamente algo. Remete também a este entrecruzamento etimológico a possibilidade de dizermos, nos dias de hoje, que uma determinada teoria “contempla” este ou aquele assunto. Os antigos gregos costumavam ainda estabelecer uma distinção entre a theoria, que remetia à já referida “contemplação”, e a práxis, que remetia à “ação” propriamente dita – e já Aristóteles, na Ética a Nicômaco, opunha a teoria a qualquer atividade que não tenha a contemplação como seu objetivo último (Abbagnano, 2007, p. 952).

Observe que as palavras teoria e abstração, num primeiro momento, foram utilizadas pelos gregos com o mesmo significado, assim, teorizar, no entendimento clássico, passou a significar abstrair, e é por isso que os dicionários apresentam o significado de teoria à contemplação. Um exercício abstrato do raciocínio distante do concreto, do real. Teorizar tornou-se apenas uma arte de trabalhar a mente com a ideia enquanto divorciada de uma realidade mais ampla (Pereira, 1990).   

Com o avanço da ciência moderna, a teoria passou a ser entendida como uma explicação abstrata, sistêmica e lógica de algum fenômeno ou conjunto de fatos observáveis. Na ciência moderna, a teoria vinculou-se à experiência, ao objeto de estudo, à relação causa-efeito, mas não abandonou a abstração mental.

Minayo et al. (2002) demonstram que o significado de theorein também pode ser interpretado como ver, e a associação entre ver e saber é uma das bases da ciência ocidental. Por isso, a teoria é arquitetada para explicar ou compreender um fenômeno, um processo. Num contexto mais amplo e científico, uma teoria é o conjunto de princípios e leis que buscam explicar um aspecto particular do mundo natural ou social, frequentemente baseado em observações, experimentos e análises rigorosas. Estudar a teoria é fundamental para diversos campos de estudo, tais como ciência, matemática, filosofia, sociologia, antropologia, psicologia, entre outros. É nesses territórios teóricos, definidos por cada uma das diversas ciências, que encontraremos, em graus diferenciados, as linguagens conceituais específicas de cada campo de saber e a maneira com a qual enxergam a realidade, os paradigmas, os objetos de estudo típicos do campo de saber em questão. Contudo, nenhuma teoria, por mais sofisticada que seja, dá conta de explicar todos os fenômenos e processos. O investigador separa, recorta determinados aspectos significativos da realidade para trabalhá-los, buscando interconexão sistemática entre eles (Minayo et al. 2002).

Isso nos leva à compreensão de que toda teoria são explicações parciais da realidade e cumprem a função de colaborar para esclarecer o objeto de investigação, assim como levanta importantes questões, problemas e hipóteses, organizando os dados levantados e permitindo a construção da análise dos conhecimentos apreendidos. De modo geral, quando iniciamos uma pesquisa científica, existe uma relação harmônica fundamental entre teoria, métodos e metodologia, porque cada um desses componentes desempenha um papel específico no processo de investigação, sendo que a teoria fornece o enquadramento conceitual e explicativo dos fenômenos para a pesquisa. Os métodos são as ferramentas usadas para coletar os dados e as informações, e a metodologia é o plano geral que orienta a pesquisa, incluindo as escolhas de método e a abordagem de análise.

Siga em Frente...

Diferença entre método e metodologia

Inicialmente, cabe refletirmos sobre o termo metodologia. Em sua origem, o termo significa caminho, forma, meio utilizado para se realizar determinada tarefa, e, no caso específico de nosso estudo, é o caminho para se construir o conhecimento. Do ponto de vista acadêmico, pode significar o estudo dos métodos, ou também pode ter um sentido mais abrangente, agregando tanto o método quanto os procedimentos deste decorrentes. Como você pode perceber, não há um único entendimento. Assim, se a metodologia é a forma pela qual se constrói o conhecimento ou se realiza alguma coisa, é preciso reconhecer que ela segue determinado percurso, com uma apurada organização e um acurado processo. Nossas inquietações frente aos fatos e fenômenos da natureza e da sociedade nos faz procurar caminhos para as respostas dos problemas que nos incomodam. Para isso, recorremos a um conjunto de meios e procedimentos. No âmbito científico, é possível afirmar que o método tem sua origem na crença de que “pelo uso da razão o homem é capaz de conhecer o mundo e transformá-lo” (Dencker; Da Viá, 2001, p. 21).

Já o método científico é uma abordagem específica para a aquisição do conhecimento e compreensão do mundo, diferenciando-se das outras formas de conhecimentos, como o senso comum, a religião, a filosofia e a intuição. Apesar de historicamente ser a preocupação dos indivíduos descobrir e explicar a natureza a partir das forças sobrenaturais ou divindades, ou através da compreensão da forma e das leis da natureza, é somente a partir do século XVI que se inicia uma “linha de pensamento que propunha encontrar um conhecimento embasado em maiores garantias, na procura do real[...]”( Lakatos; Marconi, 2023, p. 82). Esse conhecimento não se prende mais às causas absolutas ou à natureza íntima das coisas, como o conhecimento filosófico, mas, “procura compreender as relações entre elas, assim como a explicação dos acontecimentos, através da observação científica aliada ao raciocínio” (Lakatos; Marconi, 2023, p. 83). Na Grécia e Roma Antiga (cerca de 600 a.C. – 400 d.C.), os filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles estabeleceram os fundamentos do raciocínio lógico e da investigação sistemática. Foram os pioneiros a entender o mundo natural e resolver os problemas complexos. Na Idade Média (séculos V–XV), o conhecimento científico, juntamente com a teologia e a religião, dominaram o pensamento intelectual, preservando os avanços científicos de muitos cientistas árabes e persas, como Alhazen e Avicena, importantes contribuições no campo da óptica e medicina. No Renascimento (séculos XIV–XVII), com o ressurgimento do interesse pela ciência, figuras como Galileu Galilei, Nicolaus Copernicus e Johannes Kepler, além dos avanços na astronomia, na física e matemática, tornaram-se elementos-chave para o desenvolvimento do método científico. Percorrendo ainda a história da humanidade, podemos observar que a Revolução Científica (séculos XVI–XVIII) dá formas ao método científico. O filósofo Francis Bacon apresentou a importância da observação sistemática e do raciocínio indutivo na formulação de teorias científicas. Isaac Newton, com suas leis do movimento e da gravidade também consolidou a importância do método científico baseado na matemática e na experimentação. Desse modo, a Revolução Industrial e os avanços das ciências naturais levaram o conhecimento científico a um crescimento exponencial. Figuras como Charles Darwin, Mendel e Louis Pasteur deixaram contribuições revolucionárias aos métodos científicos. Assim como as ciências sociais, a sociologia, a antropologia, a psicologia social, a economia, a geografia humana, entre outras ciências (Bumge, 1990).

O homem inventou um mundo de procedimentos para fazer de tudo, desde naves espaciais até teorias sobre teorias. Alguns desses procedimentos são regulares e foram formulados explicitamente como outros tantos conjuntos de regras. Neste caso costumam ser chamados de métodos. Nem toda atividade racional, porém, foi regulamentada. Em particular, ninguém encontrou, e talvez nem possa encontrar, métodos (ou conjuntos de regras) para inventar coisas ou ideais. A criação original, ao contrário das tarefas rotineiras, não parece ser regulamentável. Em particular, não há métodos (regras) para inventar regras (métodos) (Bunge, 1990, p. 33). 

Vamos conhecer um pouco mais os métodos desenvolvidos na história da humanidade. Galileu estabeleceu as bases da experimentação, sendo o método por ele estabelecido conhecido como indução experimental, pois é a partir da observação de casos particulares que é possível chegar a uma lei geral. O método indutivo é uma abordagem de julgamento lógico que envolve a formulação de generalizações a partir de observações específicas. Geralmente, o método indutivo é usado na ciência para formular teorias ou leis gerais com base nas observações específicas. Exemplos: 1. Observação específica: todas as maçãs vistas até agora são vermelhas; 2. Padrão identificado: todas as maçãs podem ser vermelhas; 3. Conclusão geral: todas as maçãs são provavelmente vermelhas. Bacon, contemporâneo de Galileu, também afirmava serem importantes a observação e a experimentação. Ele acreditava que uma abordagem indutiva, baseada na coleta cuidadosa de evidencias empíricas, poderia levar a um conhecimento mais confiável e objetivo.

As bases do método científico moderno foram dadas por Descartes, que afirmava que a natureza deveria ser modificada em favor do homem sem, contudo, se fazer valer dos sentidos que, segundo ele, poderiam não conduzir ao conhecimento verdadeiro. Seu método é, muitas vezes, considerado um modelo de julgamento dedutivo. O método dedutivo, em geral, é um processo lógico no qual as implicações são derivadas de premissas aceitas como verdadeiras. Baseia-se na aplicação de regras lógicas para inferir conclusões com base em proposições conhecidas como propostas. Um exemplo clássico de raciocínio dedutivo é o silogismo: Todos os homens são mortais; Sócrates é homem; portanto, Sócrates é mortal. Nesse caso, as indicações gerais levam a uma concluso específica.

Avançando nossos conhecimentos acerca dos métodos, Popper defende que a ciência começa e termina com problemas, ou seja, na defesa do método hipotético-dedutivo, o filósofo acreditava que a ciência não avançava por meio de teorias, mas sim por meio de falsificação. Seu pensamento se baseava no seguinte esquema: expectativa ou conhecimento prévio – problema – conjecturas – falseamento. Para o filósofo, o processo de investigação parte de um problema que, em vez de confirmar as teorias, tenta demonstrar que ela é falsa, submetê-la à possibilidade de refutação. Esse método envolve a formulação de hipóteses com base em suposições iniciais ou observações, seguidas de testes experimentais para avaliar a validade das hipóteses. Um exemplo clássico do método hipotético-dedutivo na ciência é a teoria da relatividade, de Albert Einstein, cuja hipótese era de que as leis de física deveriam ser as mesmas para todos os observadores, independentemente de sua velocidade relativa.

Chegamos ao método dialético, uma abordagem filosófica que compreende o mundo por meio da análise de contradições, mudanças e desenvolvimentos contínuos. Ele foi defendido por Georg Wilhelm Friedrich Hegel e, posteriormente, desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels. Para a dialética, “as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa está ‘acabada’, encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro” (Lakatos; Marcondes, 2023). Esse método desempenha um papel fundamental na filosofia, na sociologia e nas ciências sociais. A dialética pode ser descrita em termos de tese, antítese e síntese, sendo que o método enfatiza a importância das contradições e conflitos na sociedade, na natureza e no pensamento humano. Seu movimento contínuo entre a tese, a antítese e a síntese representa a essência do progresso e da evolução. Sendo assim, todas as coisas implicam um processo.

Todo movimento, transformação ou desenvolvimento opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa - essa negação se refere à transformação das coisas. Dito de outra forma, a negação de uma coisa é o ponto de transformação das coisas em seu contrário. Ora, a negação, por sua vez, é negada. Por isso se diz que a mudança dialética é a negação da negação  (Lakatos; Marcondes, 2023, p. 119). 

Por fim, é importante ressaltar que a metodologia é o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade, a articulação entre os métodos, que são a alma das teorias e os conteúdos, os pensamentos e “deve dispor de um instrumental claro, coerente, elaborado, capaz de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da prática” (Minayo et al.,2002, p. 16). Num sentido amplo, a metodologia refere-se ao estudo dos métodos utilizados em determinada área do conhecimento, disciplina ou campo de pesquisa. É o conjunto de procedimentos, técnicas e ferramentas empregadas para a realização de uma investigação. Nessa dimensão, você deve ter percebido que a disciplina de metodologia científica se propõe ao planejamento, execução e avaliação da pesquisa científica, incluindo o estabelecimento dos objetivos, a coleta e análise de dados, e a interpretação dos resultados.

Sabendo de tudo isso, que tal aprimorarmos nossas pesquisas?

Vamos Exercitar?

No início desta aula, convidamos você a pensar sobre os diversos questionamentos, muitas vezes, de modo pejorativo, a respeito dos conhecimentos do campo da disciplina de metodologia científica, teoria e métodos. Frequentemente, o senso comum acredita que a teoria não se aplica à prática da realidade, que teorizar é somente abstrair. Dessa maneira, os professores, principalmente da área de humanas e sociais, são colocados como “viajantes”, ou seja, suas aulas, são definidas como “viagens a um mundo não real”. Essas interpretações estão relacionadas à maneira como a filosofia da ciência ficou conhecida em um primeiro momento, isto é, como um elemento que não é prático, porque não fala das coisas concretas.

No entanto, observamos uma relação intrínseca entre a teoria, a prática científica, os métodos e as metodologias para a realização das pesquisas científicas e acadêmicas. Por meio da teoria é fornecido o arcabouço conceitual e explicativo que consiste nas leis, conceitos, princípios e explicações abstratas para chegarmos ao entendimento de determinado problema, fenômeno ou área de estudo. A prática científica é o aspecto empírico da pesquisa, é quando aplicamos concretamente a teoria no mundo real. Ela envolve coleta de dados, experimentações, observações, análise e interpretação dos resultados. O método é influenciado pela natureza da pesquisa, pelas perguntas de pesquisa e o arcabouço teórico. Enfim, a metodologia é o plano geral que orienta a investigação, descrevendo os caminhos seguidos para a realização de uma pesquisa de maneira sistemática e controlada.   

Saiba Mais

Assista ao depoimento de Kawoana Vianna, 23 anos, que fala sobre sua trajetória e aprendizado na pesquisa, acessando o episódio A Curiosidade e o Método Científico, no TEDx Talks.

Responsável por suas conquistas e prêmios, o projeto Beta busca aproximar os jovens a realizar pesquisas científicas.

Para aprofundamento dos métodos de pensamento científico, leia o quarto capítulo do livro de Marconi e Lakatos: Métodos científicos, quando as autoras apresentam o conceito de método e suas principais categorias.

Referências Bibliográficas

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

A CURIOSIDADE e o método científico | Kawoana Vianna. 2017. Vídeo (15min29s). Publicado pelo canal Tedx Talks. Disponível em: https://www.ted.com/tedx. Acesso em: 15 nov. 2023.

BARROS, J. A. Uma teoria é um modo de ver: considerações sobre as especificidades do teórico na construção do conhecimento. Revista Interfaces da Educação. Paranaíba, v. 10, n. 28, 2019.

BUNGE, M. Epistemologia: curso de atualização. 2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz: Editora da Universidade de São Paulo, 1980. Disponível em: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/a/a5/Epistemologia_M%C3%A1rio_Bunge_Parte1.pdf. Acesso em: 23 out. 2023.

KOCHE, J. C. Fundamentos de metodologia cientifica: teoria da ciência e iniciação a pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2011.

MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M.. Fundamentos de metodologia científica. 9. ed. 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026580/epubcfi/6/28[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml12]!/4. Acesso em: 23 out. 2023.

MINAYO, M. C. de S. (org.) et al. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

PEREIRA, O. O que é teoria. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990. (Coleção Primeiro Passos).

Aula 2

Os fundamentos teórico-metodológicos da ciência

Fundamentos teórico-metodológicos da ciência

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Bons estudos!

Ponto de Partida

Olá, estudante!

Vamos aprofundar nossos conhecimentos nos fundamentos teórico-metodológicos da ciência, mobilizando os conhecimentos dos principais paradigmas das ciências sociais, uma vez que as abordagens nos permitem uma forma de interpretação dos fenômenos a serem estudados pelas pesquisas.  Mas, você deve estar se perguntando: como adotar um princípio na análise de fenômenos sociais nos quais a incerteza, a diversidade e a mudança são aspectos centrais? É possível descrever os fenômenos sociais estabelecendo princípios gerais por meio dos quais possam ser explicados?

Com o avanço dos conhecimentos e a complexidade do mundo moderno, muitos são os problemas a serem analisados pelas ciências sociais. Eles colocam, de maneira objetiva, a possibilidade de estudo dos fenômenos sociais por meio de caminhos próprios, de métodos que permitam a compreensão da realidade humana através de mecanismos que lhe são específicos. Dessa forma, a relevância dos paradigmas metodológicos da ciência social reside na sua capacidade de fornecer estruturas teóricas e metodológicas sólidas que orientam os pesquisadores na análise sistemática e na compreensão de uma ampla variedade de características naturais e sociais.

Para conhecermos esses paradigmas na prática, vamos resolver a seguinte situação-problema: Imagine que a ONG Sementes do futuro, por meio de seus integrantes, busca a melhoria das condições de vida para a comunidade na qual está inserida. Essa ONG é resultado das atividades dos seus moradores e está relacionada ao aproveitamento do lixo, uma vez que a maioria deles trabalha ou exerce alguma atividade vinculada à empresa de reciclagem de lixo. Este ano, a ONG foi selecionada para receber um recurso financeiro que deverá utilizar para resolver algum problema premente da comunidade. Para o recebimento do recurso, a empresa financiadora exigiu um relatório no qual estejam presentes as características da comunidade e o que desejam como melhoria, desde que não sejam os mesmos serviços prestados pelo Estado. Luzia é líder dos voluntários e age com transparência e ética. Reuniu-se com a equipe e, juntos, decidiram fazer um relatório que apresente as necessidades da comunidade, por meio dos métodos científicos.

Nosso desafio será colaborar com Luzia na escolha da abordagem teórico-metodológica. Qual será a abordagem teórica a ser adotada na pesquisa? Para isso, precisaremos responder o que são paradigmas das ciências sociais.

Bons estudos!

Vamos Começar!

Prontos para conhecer alguns dos principais paradigmas das ciências sociais?

Positivismo

Você já percebeu que as crises sociais, políticas e econômicas frequentemente desempenham um papel crucial na condução de mudanças significativas na sociedade? Isso ocorre uma vez que elas impõem desafios econômicos, políticos, sociais, culturais, ambientais e de saúde que precisam ser enfrentados, motivando ações e reformas que podem moldar o futuro de uma sociedade. Assim, nascem as ciências modernas, num contexto de grandes transformações provocadas por modificações na forma de organização da vida material. As respostas existentes naquele momento não eram adequadas para as novas demandas decorrentes das modificações impulsionadas pelas Revoluções do Atlântico do final do século XVIII. As ideias do Iluminismo, a Revolução Americana (1775-1783) e a Revolução Francesa (1789-1799) impulsionaram o modelo burguês de produção.

A preocupação com o caos em que as sociedades europeias estavam mergulhando após a Revolução Francesa determinou a valorização de uma postura em que o conhecimento científico passasse a ser utilizado para a restauração da ordem social. Nesse contexto é que aparecem os estudos elaborados por Augusto Comte (1778-1857) (Gil, 2011, p. 17). 

Buscando promover as reformas necessárias para o estabelecimento da ordem social dos séculos XVIII e XIX, Comte, influenciado pelas ideias do socialista utópico Saint-Simon e de Francis Bacon, Galileu e Descartes, propôs a reforma da sociedade e a reforma intelectual do ser humano, pois acreditava que “modificando a forma de pensar dos homens, por meio do método científico, chegar-se-ia à reforma das instituições” (Gil, 2011, p.17).

Nesse contexto, o desenvolvimento das ciências sociais como disciplina acadêmica ocorreu no século XIX, no cenário das mudanças sociais, políticas e econômicas da Revolução Industrial (1760-1840) e na crescente complexidade das sociedades modernas. Naquele momento da história, tudo era novo: novas formas de produção, novas relações de produção, regras da vida social, dentre outras coisas. Podemos perceber o quão profundas foram as transformações, uma vez que, se antes o produtor era livre, naquele momento ele passa a ser assalariado, e isso trouxe grandes impactos na forma como as relações de produção se estabeleciam. Outro aspecto bastante importante é que se antes as pessoas se distribuíam nas áreas rurais, agora se aglomeram nos centros urbanos em função do trabalho nas indústrias, o que impacta a realidade social de maneira bastante complexa.

Consequentemente, muitos cientistas e estudiosos, preocupados com os problemas da sociedade, tomaram como objeto de estudos e pesquisas as interações humanas, as estruturas sociais, o comportamento coletivo e as características culturais. Num primeiro momento, as ciências sociais buscaram os mesmos métodos utilizados nas ciências da natureza para investigação dos fenômenos sociais, destacando-se o Positivismo de Auguste Comte (1798-1857), que propôs adotar nas ciências sociais os mesmos métodos que, com êxito, tinham possibilitado compreender a cientificidade das ciências. Nas ciências da natureza, a cientificidade repousa, principalmente, em dois critérios: a dedução racional e a verificação experimental, ou seja, só há conhecimento científico se for possível repeti-lo ou prever com certeza seu aparecimento sob determinadas condições. A doutrina filosófica de Comte procurou identificar na sociedade os mesmos princípios que explicavam a vida natural e buscavam responder aos conflitos sociais da época, como a exaltação à coesão, à harmonia, e ao bem-estar social. Para Comte, a física social, que mais tarde passou a se chamar sociologia, não se limitava à análise, mas também a apresentar formas de comportamentos. Sua famosa fórmula para as crises foi “saber para prever, a fim de prover”.

Assim, para o positivismo lógico, os males decorrentes do processo de construção do sistema capitalista seriam eliminados com o avanço da ciência, que teria condições de superá-los. Era o primado da ciência: reforçar que há necessidade de unificar o método científico e que por ele se alcançaria todo o conhecimento necessário à humanidade. O método estaria baseado nas leis causais e no domínio dos fatos. A ciência deveria se preocupar com as leis que regem os fenômenos, pois, com isso, haveria condições de prevê-los e modificá-los em benefício próprio. Somente uma ciência livre de juízos de valor pode lograr êxito quando se fala em verdade científica. Para isso, bastaria aplicar o método clássico delineado no âmbito das ciências naturais, mesmo para os fenômenos sociais. Esse método se fundamentava em buscar as leis que regessem os fenômenos, buscar a objetividade, rejeitar toda explicação metafísica, utilizar a observação e a experimentação como critérios de validade. Só existem duas formas de conhecimento científico: a das ciências lógicas e matemáticas e a das ciências empíricas, mesmo quando se trata de ciências sociais. Enfim, a análise dos fenômenos sociais só poderia ser objetiva se realizada por instrumentos padronizados que possibilitassem, por meio de dados quantificáveis, prever e determinar a ação humana. Disso decorre que as análises baseadas no positivismo estarão centradas apenas nos aspectos observáveis dos fenômenos, sem chegar à sua essência, o que, por si só, já seria um problema para o estudo dos fenômenos sociais em face da própria dinâmica e do fato de existirem aspectos subjetivos que precisam ser considerados no estudo desses fenômenos. As aplicações empíricas positivistas no campo das ciências sociais se concretizam com Émile Durkheim e com a objetividade científica.

Siga em Frente...

Estruturalismo

Você já se questionou sobre as motivações dos pesquisadores para desenvolver os princípios e as características do método estruturalista? A abordagem analítica estruturalista surge no início do século XX para compreender e analisar questões complexas por meio da identificação das estruturas subjacentes que os compõe, ou seja, busca identificar padrões, relações e elementos essenciais na compreensão de características culturais, sociais, linguísticas ou mesmo de outras áreas do conhecimento.

O estruturalismo nas ciências sociais foi inicialmente aplicado pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009), partindo das premissas do estruturalismo linguístico de Ferdinand de Saussure (1857-1913), linguista e filósofo suíço. Suas abordagens de pesquisa destacavam a importância das estruturas mentais universais subjacentes a mitos e sistemas de parentesco em diversas culturas e também da dinâmica e significado das palavras, que são derivadas de outras relações com outros elementos em um sistema linguístico. Outra importante contribuição para o desenvolvimento do método estruturalista foi do pensamento linguístico de Roman Jakobson (1896-1982), pensador russo. Seus estudos sobre a relação entre a linguagem, cultura e sociedade influenciaram a antropologia e os estudos literários.

Pensadores como Lévi-Strauss, Lacan, Foucault (num primeiro momento), Althusser aplicaram os fundamentos epistemológicos estruturalistas a diversos campos do conhecimento, sempre apoiando-se no pressuposto de que todas as formas da vida social se organizam sob o modelo de sistemas estruturados, sempre de acordo com regras de ordenação e de transformação (Severino, 2013). 

Desse modo, o estruturalismo parte do pressuposto de que todo sistema se constitui de um jogo de oposições de presenças e ausências que formam uma estrutura e interdependência entre as partes. De acordo com Thiry-Cherques (2006, p. 142):

Por definição, uma estrutura é um sistema relacional ou um conjunto de sistemas relacionais, tais como as relações de parentesco, os esquemas de controle de tráfego, os códigos de etiqueta, etc. Uma estrutura é um todo formado de fenômenos solidários. Cada um dos seus elementos depende dos outros e é determinado por sua relação com eles. A alteração, acréscimo ou supressão de um elemento implica acomodação e reajuste na posição dos demais (Thiry-Cherques, 2006, p. 142). 

O autor acrescenta que não se deve confundir o conceito de estrutura com o de sistema, pois a e estrutura é um modelo abstrato que descreve propriedades relacionais entre os objetos. Muitos teóricos afirmam que o estruturalismo desconsidera os aspectos históricos, contudo seus defensores reforçam que não é possível reconstruir a história dos fenômenos desde seus fundamentos. Assim, reconhece que existem relações causais, porém não reconhece que essas relações possam ser determinantes na compreensão do mundo e da realidade.

A preocupação do estudo científico pautado no estruturalismo é a descrição em termos relacionais, independentemente do seu processo evolutivo ou das relações externas. Richardson (1999) explica que, para uma análise estruturalista, é preciso descrever exaustivamente os fatos observados, analisá-los em si mesmos e em relação ao conjunto. Com isso, busca-se a decomposição do fenômeno estudado, visando elementos que variem, produzindo modificações no conjunto. Depois, é preciso construir a estrutura, partindo das menores partes do fenômeno estudado, estabelecendo regras de associação entre os elementos pertinentes. Finalmente, isso deve levar à composição da estrutura do fenômeno, considerando suas manifestações visíveis e aquelas que forem teoricamente estabelecidas.

Os defensores do estruturalismo afirmam que tal abordagem permite estudar esses processos como manifestações de regras presentes em outras estruturas das quais se pode tirar o seu significado, descrevendo-as cientificamente. A chave desse argumento é a crença de que existem estruturas mentais e linguísticas universais que se subjazem a diversas culturas e sociedades, revelando o que está além do aparente, uma vez que busca (re) construir estruturas inteligíveis para explicar seu funcionamento.

Materialismo histórico dialético

A construção do método materialismo histórico dialético está intimamente ligada ao contexto histórico dos séculos XIX e XX, período marcado pelas mudanças impostas pela Revolução Industrial, pelo capitalismo moderno, pela expansão do proletariado industrial e pelo aumento das tensões sociais e políticas. Num contexto histórico de grandes contradições e condições de exploração, desigualdades e luta de classes, Karl Marx (1818-1883) e Frederich Engels (1820-1895) propõem o método do materialismo histórico dialético como uma resposta às condições de desigualdades e explorações que observavam ao seu redor. Dessa forma, a abordagem do método está enraizada em duas teorias principais: o materialismo histórico, que enfatiza a importância das condições materiais e econômicas na determinação do desenvolvimento histórico, e a dialética, que aborda as contradições e o conflito como impulsionadores do progresso histórico.

Agora, vamos aprofundar essas duas concepções, começando pelo materialismo histórico.

Na abordagem do materialismo histórico, a ênfase se dá na importância dos fatores materiais econômicos e de classe na formação e na transformação da sociedade. E a matéria que antecede a ideia e a construção do homem e de suas relações ocorre a partir das condições materiais em que esse sujeito histórico é inscrito, sendo que até seus quadros subjetivos mais profundos foram constituídos por meio das relações objetivas do sujeito com o mundo. “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência” (Marx; Engels,1979, p. 37). Isso pressupõe que as relações de produção são uma base sobre a qual se ergue a superestrutura da sociedade, incluindo suas instituições políticas, ideológicas e culturais.

Sendo assim, rompendo com as bases do idealismo, que coloca sua ênfase nas ideias e nos ideais para a compreensão da realidade, Karl Marx, procura equalizar a cisão entre sujeito e objeto a partir da dialética:

[...] o materialismo histórico dialético designa um conjunto de doutrinas filosóficas que, ao rejeitar a existência de um princípio espiritual, liga toda a realidade à matéria e às suas modificações. É uma tese do marxismo, segundo a qual o modo de produção da vida material condiciona o conjunto da vida social, política e espiritual (Alves, 2010, p. 3). 

O método do materialismo histórico-dialético apropriou-se dos conhecimentos da relação de movimento exposto na filosofia hegeliana, no processo de tese, antítese e síntese, e agregou o componente de fundamental importância para a cisão proposta nesse percurso histórico.

O método dialético que desenvolveu Marx, o método materialista histórico dialético, é método de interpretação da realidade, visão de mundo e práxis. A reinterpretação da dialética de Hegel (colocada por Marx de cabeça para baixo), diz respeito, principalmente, à materialidade e à concreticidade. Para Marx, Hegel trata a dialética idealmente, no plano do espírito, das ideias, enquanto o mundo dos homens exige sua materialização (Pires, 1997, p. 86).

Reforçando essa ideia, Richardson (1999) elucida que dois são os princípios fundamentais do materialismo dialético: o princípio da conexão universal dos objetos e fenômenos e o princípio de movimento permanente e desenvolvimento. O primeiro princípio explica que todos os fenômenos estão interligados e são determinados mutuamente. O segundo diz que tudo está em constante movimento, e esse movimento ocorre em função das contradições internas desses fenômenos. Portanto, o que causa o desenvolvimento da sociedade não é algo que está fora dela, mas de transformações que ocorrem no seu interior, como resultado de mudanças qualitativas.

Para Marx, a ideia não existe antes do real, do que é material. Ela seria o próprio real transposto e traduzido no pensamento do homem. Nesse método de análise, parte-se da investigação preliminar do real e do concreto, que permitiria apreender dinâmicas e formular conceitos. Esse “real” é um processo histórico, regido por dinâmicas históricas específicas de cada momento expressas por meio de formas sociais concretas. Esse processo dinâmico é responsável por dirigir o movimento social compreendido como um processo que ocorre independentemente da vontade humana; contudo, tendo nos seres humanos os agentes que podem provocar as mudanças. O essencial em um estudo científico é descobrir, revelar as dinâmicas que regem e modificam os fenômenos em estudo.

Vamos Exercitar?

Vamos rever a situação-problema apresentada no início desta aula, para ajudarmos Luzia a resolvê-la. Para elaborar uma pesquisa e definir a destinação de recursos financeiros recebidos pela ONG que dirige, Luzia deverá decidir, juntamente com a equipe de voluntários, qual será a abordagem teórica a ser adotada no projeto de pesquisa. Para isso, eles deverão responder às seguintes questões: O que são paradigmas das ciências? Qual é a influência da abordagem teórica na pesquisa? Como definir qual será a mais adequada ao estudo?

Como você pôde verificar, os paradigmas são teorias, modelos construídos que servem para analisar outras pesquisas. Nesta aula, optamos por analisar as abordagens expressas nos paradigmas positivistas, estruturalistas e materialismo histórico-dialético. Observamos que cada um desses métodos oferece abordagens distintas para investigar e interpretar os problemas enfrentados por Luzia na construção do seu relatório de pesquisa.

Ficou evidente que as ciências sociais, a princípio, utilizaram os mesmos métodos das ciências naturais para a análise da sociedade e isso esteve presente, principalmente, no Positivismo, teoria que defende que a verdade só pode ser alcançada com a ciência e por métodos que sejam baseados na mensuração. Nesse caso, se Luzia e os integrantes da ONG optassem pelo método positivista, os elementos principais a serem destacados, de modo simplista, somente para exemplo, seriam: a observação empírica, hipóteses testáveis com base em observações e teorias anteriores, instrumentos de medição e mensuração com bases estatísticas e planejadas. No entanto, se Luzia optasse pela abordagem estruturalista, deveria focar suas observações no contexto e nas estruturas que moldam as características sociais, culturais e linguísticas da comunidade. Já se a escolha de Luzia fosse a abordagem do materialismo histórico dialético, ela se basearia nas condições materiais, econômicas e sociais da comunidade, apresentando seu contexto histórico, social, e as relações de classe e opressão.

Em síntese, é possível a compreensão de que o paradigma define a orientação teórica a ser adotada no estudo, e pode-se afirmar que isso é um dos aspectos mais importantes da pesquisa, pois por meio dessa definição é que são estabelecidos os parâmetros que conduzirão à análise do fenômeno investigado e dela decorrem os procedimentos, as técnicas que serão utilizadas para a coleta de dados e a organização das informações.

Para definir qual a melhor teoria, sem dúvida, há a necessidade de maior aprofundamento por meio do estudo, para que essa escolha seja coerente e signifique uma opção consciente do pesquisador. Entretanto, muitos teóricos afirmam que a opção teórica também revela uma opção política, não no sentido político-partidário, mas o político que interpreta o mundo com vistas à sua transformação. Dessa forma, quando adotamos uma teoria para iluminar nossos estudos, também expressamos o que compreendemos como modelo ideal de interpretação da sociedade. Junto a isso também se revela que sociedade desejamos, que tipo de homem pretendemos formar, quais princípios vamos adotar, e assim por diante.

Saiba Mais

Para aprofundar seus conhecimentos acerca dos paradigmas das ciências sociais e suas diferentes perspectivas teóricas e metodológicas para a interpretação dos processos sociais e humanos, sugerimos que você faça a leitura da obra Metodologia do trabalho científico, de Joaquim Severino, capítulo 3, seção 3.3. Disponível em sua biblioteca virtual.

Assista ao filme O Preço do Amanhã, do roteirista e diretor neozelandês Andrew Niccol, lançado em 2011. É uma obra de ficção-cientifica que passa em um futuro não muito distante da atualidade. Seu enredo faz uma crítica à sociedade moderna e burguesa, cuja dinâmica está na desumanização do ser humano. A temática trabalhada abrange o controle social, a divisão de classes e a opressão existente nelas e entre elas. O contexto social do filme demonstra o grande desnível social das diferentes classes e revela que enquanto poucos podem viver eternamente, o restante da população deve se sacrificar para conseguir nada mais do que um dia de vida.

Além disso, sugerimos que você leia o artigo científico Estruturalismo: história, definições, problemas, de Léa Silveira. A autora traça uma visão geral sobre o pensamento estruturalista, sua história e as críticas ao método. 

Referências Bibliográficas

ALVES, A. M. O método materialista histórico dialético: alguns apontamentos sobre a subjetividade. Revista de Psicologia da Unesp, v. 9, n. 1, 2010.

GIL, A. C. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 2011. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522489930/pageid/32. Acesso em:

MARX, K. O capital – Livro I – crítica da economia política: o processo de produção do capital. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. 2. ed. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, 1979.

PACÍFICO, M. Materialismo histórico-dialético: gênese e sentidos do método. Argumentos: Revista de Filosofia, Fortaleza, ano 11, n. 21, p. 220-231, jan./jun. 2019.

PASCHOAL, A. E. Metodologia da pesquisa em educação: analítica e dialética. Revista Diálogo Educacional, v. 2, n. 3, p. 161-169, jan./jun. 2001.

PIRES, M. F. C. O materialismo histórico-dialético e a educação. Interface: comunic. saúde, educ., p. 83-94. 1997.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 4. ed. rev. atual. e ampl.  São Paulo: Atlas, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597013948/epubcfi/6/10[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml4]!/4/36/1:24[Jar%2Cry. Acesso em: 

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788524925207/epubcfi/6/8[%3Bvnd.vst.idref%3DSection3.xhtml]!/4[Metodologia-do-trabalho-cient_fico-1]/2/10/1:18[de%20%2Cpes. Acesso em: 26 jan. 2024.

SILVEIRA, L. Estruturalismo: história, definições, problemas. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis: EDUFSC, n. 33, p. 159-88, abr. 2003. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/25371. Acesso em: 26 jan. 2024.

THIRY-CHERQUES, H. R. O primeiro estruturalismo: método de pesquisa para as ciências da gestão. RAC, v. 10, n. 2, abr./jun. 2006, p. 137-156. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v10n2/a08.pdf. Acesso em: 23 out. 2023. 

Aula 3

Pesquisa Qualitativa

Pesquisa qualitativa

Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!

Ponto de Partida

Olá, estudante!

Tornou-se comum observar a rapidez das mudanças sociais, econômicas e culturais de nosso tempo, naturalizando as nossas próprias perplexidades, em face da necessidade de nos adaptarmos ao processo que está em andamento. Deveríamos fazer perguntas como: O impacto da globalização e mundialização afeta e afetou as práticas culturais locais? Como as comunidades resistem ou se adaptam aos elementos culturais globais? Como os imigrantes resistem e adaptam suas identidades aos novos ambientes da cultura dominante? Como as redes sociais e a tecnologia digital estão influenciando o modo de as pessoas interagirem e expressarem suas identidades? Em tempos de guerras, como promover o entendimento mútuo e a cooperação entre diferentes povos, etnias e nações? Esses são questionamentos que ainda aguardam respostas. 

Você reparou que essas perguntas geram vários problemas de pesquisa? É por conta desses problemas que a abordagem qualitativa, que vamos conhecer nesta aula, nos permite interpretar a complexidade do contexto da diversidade cultural, da inter-relação entre as culturas e dos avanços tecnológicos. Ao realizar pesquisas nesse campo, é fundamental o papel do pesquisador e a escolha de abordagens, procedimentos, sujeitos, instrumentos que sejam sensíveis e compatíveis com a escolha do problema.

Nessa dimensão, convidamos você a imaginar a seguinte situação-problema: Aline, pesquisadora social, foi chamada pela Secretaria da Educação de um município para realizar um estudo que investigasse a experiência de estudantes de determinada escola em relação ao bullying. Aline começa a desenvolver o problema de pesquisa com base nos seguintes questionamentos: 

  • Como os estudantes definem o bullying
  • Como eles identificam situações de bullying na escola? 
  • Quais os efeitos psicológicos e emocionais do bullying sobre os estudantes afetados? 
  • Como eles lidam com o bullying? Quais estratégias eles utilizam para lidar com o problema? 
  • Como a escola e os professores lidam com casos de bullying
  • Os estudantes se sentem apoiados pela escola?

Agora é com você! Partindo da escolha da pesquisa qualitativa, que tipo de classificação de pesquisa – natureza – objetivos – procedimentos você irá utilizar?

Bom trabalho!

Vamos Começar!

O que é

Em nosso dia a dia, recebemos um excesso de informações das mídias virtuais, que, na maioria das vezes, leva a uma sobrecarga cognitiva, dificultando nossa capacidade de processar e compreender o que realmente importa para o nosso crescimento ou tomada de decisão. Mas, o que isso tem a ver com o que é pesquisa? Partindo da concepção de que toda pesquisa se origina de um problema, uma indagação, uma dúvida, então, podemos dizer, de forma simplificada, que a pesquisa científica constitui-se por um processo de questionamento e de busca de respostas para diferentes problemas, fatos ou fenômenos, com métodos específicos de investigação e procedimentos científicos que permitam ao pesquisador pistas ou respostas ao problema levantado.

Vamos observar como alguns autores da disciplina de Metodologia Científica trabalham com o conceito de pesquisa. Cervo e Bervian (2002, p. 56) dizem “o homem não age diretamente sobre as coisas. Sempre há um intermediário, um instrumento entre eles e seus atos. Isso também quando faz ciência, quando investiga cientificamente. Ora, não é possível fazer um trabalho científico sem conhecer seus instrumentos”. De acordo com Lakatos e Marconi (2023, p. 15), pesquisar é “averiguar algo de forma minuciosa, é investigar [...] o ponto de partida da pesquisa reside no problema que deverá se definir, avaliar, analisar uma solução para depois ser tentada uma solução”. Para Gil (2021, p. 36), “A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informações suficientes para responder ao problema [...] é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos”. Demo (2011, p. 34) conceitua a pesquisa como uma atividade cotidiana e um “questionamento sistemático crítico e criativo [...] um diálogo crítico e permanente com a realidade em sentido teórico e prático”.           

Enfim, a pesquisa é uma

atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados (Minayo et.al. 2007, p. 23). 

           Você percebe a importância da forma de abordagem de um problema de pesquisa? A abordagem de um problema de pesquisa desempenha um papel crucial na definição do escopo e dos métodos utilizados para investigar e analisar um tópico específico. Em nossos estudos vamos conhecer duas das formas comuns de abordar os problemas de pesquisa: a pesquisa qualitativa e quantitativa. Nesta aula, vamos nos aprofundar na pesquisa qualitativa.

        A pesquisa qualitativa é uma abordagem que se concentra na compreensão aprofundada das experiências, perspectivas e significados complexos relacionados a um determinado aspecto social.

[...] a pesquisa qualitativa se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado [...] ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos [...] (Minayo et al. 2007, p. 21-22). 

     Para Günther (2006), os aspectos essenciais da pesquisa qualitativa estão na escolha dos métodos e das teorias, identificando as diferentes perspectivas, principalmente nas reflexões e observação dos pesquisadores, porque eles são parte do processo na variedade de abordagens e métodos.

Siga em Frente...

Sujeitos, instrumentos e procedimentos de coleta de dados  

A escolha do pesquisador para trabalhar com a abordagem qualitativa decorre, na maioria das vezes, da complexidade para se compreender perspectivas subjetivas e informar práticas e políticas baseadas em experiências e contextos sociais específicos. Dessa forma, é por meio da abordagem qualitativa que o pesquisador se aprofunda nos aspectos psicológicos, de opinião, de comportamentos, atitudes de sujeitos ou grupos. Frequentemente, a abordagem qualitativa é aplicada nos campos de conhecimento da antropologia, sociologia, ciências políticas, psicologia, ciências da educação e ciências da saúde.

Existem vários tipos de abordagem qualitativa, sendo que cada uma dessas pesquisas são classificadas segundo os objetivos, a natureza e os procedimentos, conforme podemos observar no quadro a seguir:

Abordagem

Natureza

Objetivos

Procedimentos

 

 

 

 

QUALITATIVA

 

Aplicada

 

Sua finalidade é a resolução de problemas necessários, concretos e imediatos.

 

Explicativa

 

Visa aprofundar o entendimento da realidade,

explicando a razão das coisas. Concentra-se na compreensão aprofundada e na exploração de questões complexas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Descritiva

 

Objetiva descrever as características de determinada população ou fenômeno, ou descobrir a existência de associação entre variáveis.

 

 

Bibliográfica

Desenvolvida com base em material já elaborado.

 

Documental

 

Utiliza fontes documentais para a construção do entendimento do objeto de estudos. Vale-se normalmente de material que ainda não recebeu tratamento analítico ou outras fontes documentais, tais como publicações em Diário Oficial e registros oficiais de uma organização.

 

Histórias de vida

 

Envolve coleta de narrativas da vida de um sujeito. Permite a compreensão das experiências, perspectivas e trajetórias de vida.

 

Análise de discurso

 

Centra-se na análise das estruturas e significados do discurso oral ou escrito, explorando como o discurso é usado para criar significado e construir realidades sociais.

 

Análise de conteúdo

 

Estudo sistemático e interpretativo de documentos, textos, imagens e outros materiais.

 

Estudos de campo

 

Focam em uma comunidade, sendo

desenvolvidas por meio da observação e interação direta das atividades do grupo estudado e realização de entrevistas com informantes.

 

Estudo de caso

 

Foca em grupos, sendo

desenvolvida por meio da observação direta das atividades; realiza entrevistas com informantes.

 

Pesquisa Participante/Pesquisa ação

 

Foca em uma comunidade, sendo

desenvolvida por meio da observação direta das atividades do grupo estudado; realiza entrevistas com informantes. A pesquisa participante tem um cunho transformador, envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante.

 

Etnográfica

 

Conduz a uma imersão profunda em uma cultura, comunidade ou ambiente social específico.

 

Etnometodologia

 

Estudo empírico das práticas do cotidiano por meio das quais ocorre a produção da ordem interativa.

 

Quadro 1 | Classificação dos tipos de pesquisa. Fonte: elaborado pela autora.

 

A dinâmica do mundo real e os sujeitos da pesquisa qualitativa são indissociáveis do mundo objetivo e da própria subjetividade. Assim, a interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são basilares nesse processo. Por isso, o ambiente natural é a fonte direta para a coleta de dados e o pesquisador é o instrumento para descrever a realidade observada. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente e o processo e seu significado são os focos principais de abordagem.

Podemos dizer que os sujeitos da pesquisa qualitativa incluem uma ampla variedade de participantes, dependendo do objetivo e do escopo da pesquisa. Ao selecionar os sujeitos da pesquisa, os pesquisadores consideram a relevância e a adequação dos participantes para fornecer insights significativos e perspectivas aprofundadas dos fenômenos estudados.

Para concluir, observe no segundo quadro algumas das classificações possíveis dos procedimentos, métodos e instrumentos da pesquisa qualitativa.

 

Procedimentos de coleta de dados

Procedimentos de análise de dados

Abordagens teóricas

Dados de coleta de dados

Entrevistas em profundidade

Conversas elaboradas com participantes para coleta de informação sobre as experiências, percepções e opiniões.

 

Observação participante

Coleta de dados direta obtida pelo pesquisador no campo da pesquisa.

 

Grupos focais

Discussões em grupo com participantes que analisam experiências ou perspectivas sobre um determinado tema.

 

Análise de documentos

Exame e análise de diferentes formas de registros históricos e de arquivo.

Análise de conteúdo

Identificação de temas e padrões nos dados encontrados.

 

Análise de discurso

Significa examinar as estruturas dos discursos e o significado das estruturas da linguagem.

 

Narrativas

Estudo das histórias e narrativas das experiências dos sujeitos das pesquisas.

 

Etnografia

Análise detalhada de interações e contextos culturais em estudos de campo.

 

Teoria fundamentada

Abordagem que busca desenvolver teorias com base nos dados encontrados, em vez de começar com uma teoria específica.

 

Estudo de caso

Investigação aprofundada.

 

Teoria crítica Abordagem que examina questões de poder, desigualdades e emancipação social.

Longitudinal

Coleta de dados ao longo do tempo para rastrear mudanças e desenvolvimento.

 

Comparativo

Coleta de dados de várias fontes ou grupos para fazer comparações e identificar semelhanças e diferenças.

 

Transcultural

Coleta de dados em contextos culturais diversos para examinar as influências culturais nas experiências humanas.

 

Quadro 2 | Classificação dos procedimentos, métodos e instrumentos. Fonte: elaborado pela autora.

 

Etnografia/ Estudo de caso/ Análise de conteúdo

As abordagens, conceitos e definições apresentados até agora vão permitir que você, ao estruturar uma pesquisa qualitativa, sinta-se seguro para atender aos requisitos necessários que a qualifica. Desse modo, vamos conhecer três pesquisas muito utilizadas na pesquisa qualitativa.

A pesquisa etnográfica, segundo Mattar e Ramos (2021), é descritiva, densa e mira a cultura de um grupo específico ou uma comunidade. Os etnógrafos procuram compreender o modo de vida, as opiniões, os costumes, as práticas sociais, as estruturas sociais, as tradições e a linguagem dos sujeitos observados. A tradição da pesquisa etnográfica remete aos estudos realizados no final do século XIX e início do século XX, de acordo com pesquisas realizadas por antropólogos como Franz Boas (1858-1942), Bronisław Malinowski (1884-1942) e Margaret Mead (1901-1978). Os etnógrafos geralmente partem de questões como: “Qual é a cultura desse grupo de pessoas?” e “Como a cultura explica suas perspectivas e seus comportamentos?”. Existem diversos tipos de etnografia cujo foco é a cultura: etnografia antropológica, clássica, tradicional ou realista; autoetnografia (tipo de história de vida); etnografia organizacional e institucional; etnografia de rua ou urbana; etnografia crítica; etnometodologia; e a netnografia, que é uma forma de pesquisa qualitativa que busca compreender as experiências culturais que abrangem e se refletem nos traços, práticas, redes e sistemas das mídias sociais” (Mattar; Ramos, 2021, p.147).

O estudo de caso é um tipo de pesquisa muito utilizado por diferentes campos do saber, tais como, medicina, psicologia, direito, administração, serviço social e outros, sendo definido, muitas vezes, como um design ou um foco, um processo, um método ou metodologia. Seguindo as ideias de Mattar e Ramos (2021, p. 276), são seis as características essenciais de um estudo de caso:

a) é uma pesquisa de campo; b) há categorias mais amplas, ou um contexto, de que o objeto de estudo é um caso, um exemplo ou uma instância — lembrando que podem ser estudados casos múltiplos; nesse sentido, para Lune e Berg (2017), poderíamos perguntar: “este é um caso de quê?; c) o caso deve ser delimitado, ou seja, pode ser definido e descrito em função de determinados parâmetros (Creswell; Poth, 2018); d) a investigação sobre o caso deve ser detalhada, rica e conduzida em profundidade; e) para atingir essa profundidade, o estudo de caso deve coletar múltiplas fontes de dados; f) a análise e interpretação dos dados deve realizar a triangulação entre essas múltiplas fontes de dados (Mattar e Ramos, 2021, p. 276). 

No estudo de caso, portanto, o pesquisador se dedica a compreender os contextos complexos e os fatores inter-relacionados que moldam as experiências e os comportamentos dos sujeitos envolvidos.

Concluindo nossos estudos, poderíamos perguntar: qual a importância da abordagem da análise de conteúdos, uma vez que atualmente ela é essencial para entender a representação de determinados temas na mídia e nas plataformas de comunicação. A análise de conteúdo é uma ferramenta para a compreensão de opiniões, perspectivas e atitudes expressas em entrevistas, questionários abertos e outros dados qualitativos, possibilitando ao pesquisador entender e identificar nos temas recorrentes as narrativas e interpretar os significados, “a análise de conteúdo procura interpretar discursos, tanto a partir de seus significantes (como, por exemplo, no caso da análise lexical) quanto de seus significados (como, por exemplo, no caso da análise temática)” (Bardin apud Mattar; Ramos, 2021, p. 276).

Esperamos que você tenha alcançado a clareza intelectual a respeito da pesquisa qualitativa e o convidamos, a partir de agora, a colocar esses conhecimentos em prática. Vamos desenvolver uma pesquisa?

Vamos Exercitar?

Em posse dos conhecimentos da pesquisa qualitativa, Aline, nossa pesquisadora social, decidiu realizar a abordagem qualitativa, descritiva, porque os problemas da pesquisa envolvem um universo de significados, motivos, crenças, valores e atitudes, que correspondem à forma de relacionamento dos estudantes na escola. O campo teórico-crítico desse estudo leva a pesquisadora social ao conteúdo da psicologia social, fundamentando a interpretação e compreensão dos dados levantados da amostra selecionada, por meio de grupos focais e entrevistas em profundidade. A busca de interpretação das percepções e das experiências dos estudantes relatados na entrevista, faz com que Aline, por meio da análise de discurso, procure identificar a recorrência e os padrões de comportamento compartilhados pelos estudantes. A pesquisa apresentada por Aline à Secretaria da Educação foi útil não somente para compreender a dinâmica do bullying em um contexto escolar específico, mas também para informar a formulação de políticas e programas de prevenção do bullying, além de implementar estratégias de apoio e intervenção para os estudantes afetados.

Perceba que a descrição da situação-problema mobilizou nossos conhecimentos da abordagem qualitativa, os procedimentos, a natureza e os objetivos, bem como os instrumentos, e sujeitos. 

Agora é só praticar em outras pesquisas!

Saiba Mais

Para uma imersão nos estudos de pesquisa qualitativa de forma participativa, sugerimos que você leia o segundo capítulo O projeto de pesquisa como exercício científico e artesanato intelectual, do livro Pesquisa social: teoria, método e criatividade, de Minayo et al. As autoras colocam na prática como fazer uma pesquisa qualitativa. Disponível na Biblioteca Virtual.

Sugerimos também a leitura da parte III Métodos qualitativos, do livro Metodologias de pesquisa em ciências: análises quantitativa e qualitativa, disponível na Biblioteca Virtual. Os autores apresentam um olhar qualitativo sobre a contemporaneidade, discutem diversos temas e apresentam a pesquisa fenomenológica na psicologia. Como exemplo de pesquisa, falam a respeito das vozes dos adolescentes em conflito com a lei: um estudo sobre a produção de sentidos, aprofundam a pesquisa qualitativa com estudo de caso, realizam a análise de conteúdo e a etnografia.
Complementando a descoberta sobre a pesquisa qualitativa e suas ferramentas, recomendamos o artigo O uso de entrevista, observação e videogravação em pesquisa qualitativa, de Belei et al. O artigo de revisão trata do uso da entrevista, observação e videogravação (filmagem) na coleta de dados em pesquisa qualitativa, detalhando o caminho percorrido na utilização dessas três técnicas. As conclusões demonstram que a utilização dessas técnicas de forma complementar pode nortear o método utilizado pelos pesquisadores na coleta de dados.

Referências Bibliográficas

BAPTISTA, M. N., CAMPOS, D. C. de. Metodologias de pesquisa em ciências: análises quantitativa e qualitativa. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521630470/epubcfi/6/66[%3Bvnd.vst.idref%3Dpart03]!/4/14/2. Acesso em: 26 jan. 2024. 

BELEI, R. A. et al. O uso de entrevista, observação e videogravação em pesquisa qualitativa. Cadernos de Educação, FaE/PPGE/UFPel, Pelotas, n. 30, p. 187-199, jan./jun. 2008. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/caduc/article/view/1770. Acesso em: 26 out. 2023. 

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. 

DEMO, P. Praticar ciência: metodologias do conhecimento científico. São Paulo: Saraiva, 2011.  Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788502148079/pageid/3. Acesso em: 26 jan. 2024. 

GIL, A. C. Como fazer pesquisa qualitativa. Barueri: Atlas, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522489930/pageid/32. Acesso em: 26 jan. 2024. 

GÜNTHER, H. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: está é a questão. Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, maio/ago., v. 22, n. 2, p. 201-210, 2006. 

MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M.. Fundamentos de metodologia científica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026580/epubcfi/6/28[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml12]!/4. Acesso em: 23 out. 2023. 

MATTAR, J.; RAMOS, D. K. Metodologia de pesquisa em educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786586618518/pageid/277. Acesso em: 26 jan. 2024. 

MINAYO, M. C. de S. et al. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/209501. Acesso em: 26 jan. 2024. 

PITANGA, A. F. Pesquisa qualitativa ou quantitativa: refletindo sobre as decisões na seleção de determinada abordagem. Revista Pesquisa Qualitativa, v. 8, n. 17, p. 184-201, ago. 2020. São Paulo.

Aula 4

Pesquisa Quantitativa

Pesquisa quantitativa

Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!

Ponto de Partida

Em novembro de 2022, uma notícia nas redes sociais chamou a atenção do mundo: “Oficialmente, a ONU estima que o planeta Terra chegue aos 8 bilhões de humanos na próxima terça-feira (15), quando será celebrado o Dia Mundial da População. Só que, como esta é uma questão puramente estatística, este recorde poderá, muito possivelmente, ser batido alguns dias ou horas antes do esperado”. Essa informação carrega em seu cerne uma pergunta que muitas pessoas fazem: É possível quantificar a população mundial? Qual será o percentual dos jovens, e idosos do planeta terra? Qual a projeção desse crescimento para 2050 e 2100?

Você observa que esses questionamentos nos levam à pesquisa quantitativa, uma forma de abordagem científica que “parte do princípio de que tudo pode ser quantificável, ou seja, que opiniões, problemas, informações serão mais bem entendidos se traduzidos em forma de números” (Michel, 2015, p. 41).

Assim, convidamos você a mergulhar nos conhecimentos que formam a pesquisa quantitativa, seus métodos, procedimentos de coleta de dados, instrumentos e sujeitos que validam, por meio da mensuração de variáveis objetivas, as tendências e as relações de causalidade entre fenômenos, gerando padrões

Vamos Começar!

Pesquisa quantitativa

De modo geral, a proposta da abordagem quantitativa nas pesquisas tem como história o início do século XIX, quando os debates racionalistas avançavam no desenvolvimento científico e tecnológico. Os campos de conhecimento da física, biologia, matemática e seus representantes Galileu, Newton e Copérnico vão inspirar a teoria positivista de Auguste Comte na confecção de seus estudos sobre o mundo social. Assim, desenvolve-se a pesquisa quantitativa, com base na objetividade das observações, independentemente das crenças individuais, pois parte da existência dos fatos sociais como verdade absoluta e objetiva. Com o avanço dos conhecimentos científicos, Dilthey e James propõem que os conhecimentos da realidade, devido às limitações dos indivíduos, sejam descobertos com algum grau de probabilidade, pois o observador influencia o objeto pesquisado por fazer parte dos fenômenos analisados. Dessa forma, a pesquisa é influenciada pela teoria ou hipótese defendida pelo pesquisador, e a objetividade é apenas um guia para a pesquisa. Para o desenvolvimento de uma pesquisa quantitativa, é necessário uma coleta e codificação de informações em termos de valores de variáveis, análise de dados numéricos em termos de variação e comparação de dados por meio de técnicas estatísticas adequadas (Richardson, 2017).

Podemos considerar a pesquisa quantitativa como um método que utiliza a coleta e análise de dados de forma numérica e estatística, cujo foco é a mensuração das variáveis objetivas que permitem a análise de relações de causa e efeito entre as diferentes variáveis. Geralmente, a pesquisa quantitativa é utilizada pelos pesquisadores que buscam respostas precisas e generalizáveis para questões de observação específica.

Como o mundo é regido por leis invariáveis, a forma mais confiável de explicar os fenômenos naturais e sociais é através de uma análise objetiva e isenta, utilizando números extraídos de observações externas às pessoas e às situações. Por isso, a análise na pesquisa quantitativa se restringe à leitura e interpretação dos números; ela não considera a influência de fatores ligados ao contexto, à visão, valores dos sujeitos envolvidos, nem às variáveis humanas que interferem na sua vida (Michel, 2015, p. 43). 

A objetividade do pesquisador é um aspecto fundamental na pesquisa quantitativa, sendo que eles devem se propor a examinar rigorosas metodologias e conclusões, pois os padrões de validade e confiabilidade da investigação são muito importantes.

Sendo assim, a abordagem quantitativa tem como objetivo geral explicar e prever fenômenos e, para atender seus objetivos, procura identificar as relações de causa e efeito, medir, relacionar e comparar variáveis. Mas você deve estar se perguntando: o que são variáveis? As variáveis são atributos que podem ser medidos, observados e registrados de forma numérica. São elementos fundamentais na coleta de dados e na análise estatística. Geralmente, elas assumem diversas formas e variações. Vamos conhecer rapidamente algumas delas?

  • Variáveis independentes: representam causas ou fatores que podem influenciar outras variáveis.
  • Variáveis dependentes: são aquelas afetadas ou influenciadas pelas variáveis independentes. Elas representam os resultados, os efeitos ou respostas que o pesquisador deseja medir ou observar.
  • Variáveis de controle: podem ser controladas para evitar que interfiram nos resultados da pesquisa. Eles ajudam a isolar o efeito da variável independente nas variáveis dependentes. Exemplo: um pesquisador busca estudar o desempenho acadêmico dos estudantes. A quantidade de horas de estudo pode ser uma variável independente (VI), sendo observado pelo pesquisador como um efeito no desempenho dos estudantes. A variável dependente (VD) pode ser o desempenho acadêmico, pois é influenciada pelas horas de estudo. Dessa forma, a variável ajuda a estruturar as perguntas de pesquisa, a coleta de dados e a análise estatística, permitindo que os pesquisadores testem suas hipóteses e suas relações.

Depreende-se que, identificadas as variáveis, o pesquisador passa a formular suas hipóteses ou a proposição que vai conduzir o estudo, com o objetivo de testar e validar suas suposições, dividindo-as em duas categorias. A primeira categoria é a hipótese nula (H0), é a afirmação de que não existe diferença ou relação significativa entre as variáveis estudadas. No exemplo anterior sobre o tempo gasto estudando (VI) e o desempenho acadêmico (VD) de estudantes, uma hipótese quantitativa poderia ser assim formulada:

  • Hipótese nula (H0): o tempo gasto estudando não tem impacto significativo no desempenho acadêmico dos estudantes (o pesquisador tenta refutar durante o estudo).
  • Hipótese alternativa (Ha): propõe a relação ou diferença significativa entre as variáveis; buscam-se as evidências. No caso em questão, o tempo gasto estudando tem um impacto significativo no desempenho acadêmico dos estudantes.

Em suma, para a realização de uma pesquisa quantitativa, diversos aspectos precisam ser atendidos para alcançarem a resposta que se procura, de forma objetiva, numérica, inquestionável, sendo o pesquisador responsável por descrever, explicar e predizer, validando os resultados (Baptista; Campos, 2016).

Mas, antes de partirmos para o aprofundamento da construção da pesquisa quantitativa, é necessário entender que não compartilhamos as ideias que hierarquizam a disputa entre a pesquisa quantitativa e a qualitativa, ou seja, autores que colocaram essas abordagens de forma competitiva e assíncrona na pesquisa social, muitas vezes polemizando sobre a superioridade qualitativa em detrimento da quantitativa, ou vice-versa (Günther, 2006; Richardson). Refutamos a polarização metodológica entre as abordagens quantitativas e qualitativas porque entendemos que existe uma complementariedade, um nexo entre elas. De acordo com Gramsci:

[...] Afirmar, portanto, que se quer trabalhar sobre a quantidade, que se quer desenvolver o aspecto “corpóreo” do real, não significa que se pretenda esquecer a “qualidade”, mas, ao contrário, que se deseja colocar o problema qualitativo da maneira mais concreta e realista, isto é, deseja-se desenvolver a qualidade pelo único modo no qual tal desenvolvimento é controlável e mensurável (Gramsci, 1995, p. 50-51).

Assim, compreendemos que objetividade e intersubjetividade são comuns a todos os pesquisadores e seres humanos e, portanto, estão ligadas e permitem a análise dos fenômenos concretos.

Siga em Frente...

Sujeitos, instrumentos e procedimentos de coleta de dados

Existe diferentes maneiras de se realizar uma abordagem quantitativa. Os tipos de pesquisa são aqueles que se baseiam na coleta de dados numéricos e na análise estatística desses dados. Para cada tipo de pesquisa, encontramos os sujeitos, instrumentos e procedimentos. Esses elementos precisam estar bem determinados e relacionados de forma coerente, demonstrando o caminho trilhado (Baptista, Campos, 2016). Podemos caracterizar como abordagens quantitativas a pesquisa experimental, correlacional, de corte transversal, longitudinal, opinião, satisfação, desenvolvimento de produto, epidemiológica, entre outras. (Mattar; Ramos, 2021). Vamos exemplificar duas possibilidades da pesquisa quantitativa.

Pesquisa experimental: estuda a manipulação de uma ou mais variáveis independentes para avaliar o efeito resultante sobre uma variável dependente, enquanto controlam outros fatores influentes. Permite estabelecer a relação de causa e efeito, testando hipóteses específicas. Os sujeitos da pesquisa são escolhidos aleatoriamente e os experimentos são frequentemente replicados. Exemplo: o pesquisador projeta um experimento para testar o efeito de diferentes estilos musicais no humor dos participantes.

  • Variável independente: estilo musical (clássica, pop, rap, eletrônica, funk).
  • Variável dependente: humor dos participantes, medido em escala de avaliação.
  • Grupo de controle: sujeitos não expostos aos estilos musicais.
  • Grupo experimental: sujeitos expostos aos estilos musicais e subdivididos em grupos. Procedimentos: os sujeitos são distribuídos aleatoriamente nos grupos. Após a exposição às músicas, o humor dos participantes é avaliado por uma escala.
  • Análise: os dados coletados são analisados estatisticamente e comparados ao grupo de controle que não foi exposto a nenhum estilo de música. O objetivo da pesquisa era determinar se a exposição a diferentes estilos musicais tem efeito significativo no humor.

Quadro 1 | Pesquisa experimental. Fonte: elaborado pela autora.

 

Pesquisa de corte transversal: tipo de estudo que coleta dados de uma amostra de uma população específica em um único ponto no tempo. A pesquisa é utilizada quando o pesquisador observa e descreve características comportamentais, opiniões e atitudes em determinado momento. Exemplo: o pesquisador visa indicar a prevalência de obesidade em determinada região.

  • Sujeitos da pesquisa: amostra representativa de adultos entre 18 a 65 anos.
  • Coleta de dados: através de questionários, entrevistas ou exames físicos.
  • Análise dos dados: os dados coletados são tratados estatisticamente, determinando as prevalências de obesidade e as possíveis correlações com as variáveis idade, gênero, renda, entre outras.
  • Interpretação dos resultados: a pesquisa tem como finalidade uma visão instantânea. O pesquisador faz inferência da obesidade e indica possíveis fatores associados a obesidade na região.

Quadro 2 | Pesquisa de corte transversal. Fonte: elaborado pela autora.

 

Quanto aos instrumentos mais utilizados de pesquisa quantitativa, observe a seguir:

  • Questionário: Forma padronizada de coleta de dados; contém perguntas estruturadas de forma fechada ou aberta.
  • Entrevista estruturada: Segue um roteiro predeterminado de perguntas. As respostas são categorizadas e comprovadas numericamente.
  • Escala de Likert: Mede atitudes e opiniões e apresenta-se em escala diminuindo o grau de concordância em uma escala ordinal.

Pesquisa de Levantamento ou Survey

Agora que você conhece alguns dos tipos de pesquisa quantitativa e percebe que a maneira como os dados serão coletados e analisados depende da hipótese ou problema do pesquisador e dos seus objetivos propostos, convidamos você a se aprofundar na pesquisa de levantamento, ou survey. Conforme descrevem em suas pesquisas Baptista e Campos (2016, p. 106), “alguns autores denominam as pesquisas que apresentam esse delineamento como pesquisas descritivas”, contudo, para os autores, levantamento e survey são sinônimos e, assim, será entendido por nós. 

As pesquisas de levantamento são as que mais atendem a partidos políticos, organizações educacionais, comerciais e instituições públicas e privadas, por identificarem comportamentos e atitudes. Os dados são informados diretamente pelas próprias pessoas, que respondem a solicitações do pesquisador, e costumam ser obtidos por meio de um instrumento de pesquisa, habitualmente um questionário (Baptista; Campos, 2016, p. 106). 

Observe que as pesquisas de levantamento estão, a todo momento, fazendo parte da nossa realidade, nas informações do censo demográfico, nas pesquisas de intenções de votos, entre outras situações. Esses levantamentos, ou survey, têm seus dados coletados com amostras ou com a população toda. Os participantes são interrogados diretamente ou por meio eletrônico, obtendo-se, assim, os dados que compõem as análises. São valiosas as contribuições das pesquisas de levantamento, pois elas permitem coletar dados quantitativos e qualitativos com o objetivo de descrever, explicar e/ou relacionar os fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis. A amostra representa uma parte da população que será estudada e o pesquisador não interfere na escolha (Baptista; Campos, 2016). As variáveis refletem a hipótese ou o problema da pesquisa e dos objetivos que o pesquisador pretende atingir.

Quanto aos instrumentos da pesquisa, geralmente o pesquisador opta pelos questionários (via telefone, pessoalmente, enviados de maneira eletrônica), entrevistas (estruturadas, semiestruturadas, abertas).

É importante ressaltar que o pesquisador deve ficar atento aos padrões éticos que envolvem a pesquisa, sendo necessário, no caso de pesquisas com seres humanos, a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes ou pelos responsáveis quando esses forem menores de idade.

Pesquisa correlacional

Vamos conhecer outro tipo de pesquisa quantitativa muito utilizada no campo de estudo da psicologia: a pesquisa correlacional. Ela é utilizada para verificar a relação entre variáveis como traços de personalidade e comportamentos, níveis de estresse e saúde mental ou habilidades cognitivas e desempenhos, sejam acadêmicos ou profissionais. Também é empregada nas ciências sociais, na economia, na educação, porque busca captar, determinar se e como as mudanças em uma variável estão relacionadas às transformações em outra variável sem estabelecer uma relação de causa e efeito entre ambas. Na pesquisa correlacional, os pesquisadores coletam os dados das variáveis propostas e analisam a natureza e a intensidade da relação entre elas. A abordagem correlacional está ligada às pesquisas descritivas, que procuram determinar opiniões, projeções futuras etc. As correlações são medidas estatisticamente, como, por exemplo: o teste t de Student e a análise de variância (ANOVA). Essas análises são as mais utilizadas na comparação de grupos para investigar possíveis diferenças entre eles e são realizadas por programas como o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) (Baptista; Campos, 2016). A lógica dos dois testes é equivalente: eles vão considerar o total da amostra, o desvio padrão e a diferença de médias entre os grupos.

Em síntese, a pesquisa correlacional em relação aos sujeitos da pesquisa, aos instrumentos utilizados para a coleta de dados e aos procedimentos para a realização da pesquisa é semelhante ao que é realizado nas pesquisas de levantamento. O que não se pode esquecer é o problema ou a hipótese da pesquisa (a pergunta que se deseja responder) e os objetivos, para que esses elementos sejam estabelecidos de maneira a possibilitar a melhor condução e obtenção da resposta esperada.

Vamos Exercitar?

Vamos retornar aos problemas propostos no início desta aula. Será que os dados apresentados pela ONU sobre a população do planeta têm validade científica? É possível quantificar a população mundial? Qual será o percentual dos jovens e idosos do planeta Terra? Qual a projeção desse crescimento para 2050 e 2100? Com base em nossa compreensão das abordagens quantitativas, seus instrumentos e procedimentos, podemos inferir que é possível trabalhar com grandes amostras de populações. Por meio dos métodos quantitativos, é possível fazer projeções das características demográficas, da distribuição de percentual de jovens e idosos, além de prever o crescimento populacional para o futuro utilizando as ferramentas quantitativas. Geralmente, isso é possível porque utilizamos análises estatísticas e de modelagem de dados demográficos disponíveis. Várias instituições nacionais e internacionais, como a ONU, o Banco Mundial e outros institutos de pesquisa demográficos realizam regularmente análises e projeções da população. Na maioria das vezes, os pesquisadores utilizam modelos matemáticos com variáveis históricas e suposições sobre o futuro. Contudo, não podemos nos esquecer de que essas projeções estão sujeitas às incertezas e podem variar, dependendo das hipóteses feitas e dos modelos aplicados na pesquisa.

Saiba Mais

A pesquisa social tem como importante aliado em suas reflexões o desenvolvimento lógico das pesquisas quantitativas e as técnicas descritas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresenta dados abrangentes da população, do trabalho, da educação, da saúde, da habitação, dos rendimento, das despesas, do consumo etc. Para se aprofundar a respeito desses dados, utilize o site do IBGE, procure dados referente à região que você reside e faça uma comparação com os índices nacionais.

Sugerimos que você assista à palestra de Aaron Koblin, no TED Talks Visualizando a nós mesmos, com dados coletados coletivamente. O artista apresenta como desenvolveu uma grande quantidade de dados e pessoas, transformando-as em visualizações, tornando a tecnologia moderna mais humana.

Para o aprofundamento das pesquisas quantitativas, levantamento ou survey, recomendamos que leia os capítulos Delineamento de levantamento ou survey (p. 105) e Delineamento correlacional: definições e aplicações (p. 115), do livro Metodologias Pesquisa em Ciências - Análise Quantitativa e Qualitativa, dos autores Makilim Nunes Baptista; Dinael Corrêa de Campos. O livro está disponível na sua Biblioteca Virtual.

Referências Bibliográficas

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GRAMSCI, A. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. 

KOBLIN, A. Visualizando a nós mesmos...com dados coletados  coletivamente (Visualizing ourselves ... with crowd-sourced data). Palestra proferida no TED Talks, 2006. Vídeo (20min5s). 

MATTAR, J.; RAMOS, D. K. Metodologia de pesquisa em educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. Portugal: Grupo Almedina, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786586618518/. Acesso em: 26 jan. 2024. 

MICHEL, M. H. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais. 3. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-970-0359-8/. Acesso em: 26 jan. 2024. 

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 4. ed. rev. atual. e ampl.  São Paulo: Atlas, 2017. E-book.  Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013948/. Acesso em: 26 jan. 2024.

Encerramento da Unidade

Métodos e Tipos de Pesquisa

Métodos e tipos de pesquisa

Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!

Ponto de Chegada

Olá, estudante!

Nas aulas da metodologia científica, quase sempre nós, os professores desta disciplina, somos questionados a respeito da importância da construção da pesquisa científica, sua relevância na vida profissional e o porquê de diferentes métodos, abordagens, procedimentos e técnicas de investigação da realidade. É preciso o estudo da metodologia científica e por qual motivo? Esses questionamentos nos movem enquanto pesquisadores e professores e, por isso, convidamos você a desenvolver a competência de diferenciar pesquisa qualitativa de pesquisa quantitativa baseado no entendimento dos métodos e técnicas utilizados no desenvolvimento de cada uma delas, bem como apreender o conceito de teoria e sua aplicação no desenvolvimento de pesquisas científicas.

Na academia e no mundo moderno, a relação intrínseca entre teorias, métodos, metodologias e tipos de pesquisa desempenha um papel crucial no avanço do conhecimento e na compreensão aprofundada das características complexas que moldam nossa sociedade, a cultura, a política, a ética, a saúde e o ambiente.

Conhecer o processo de pesquisa, seus diferentes tipos e formas como uma das ferramentas de produção do conhecimento, e explicar os elementos que compõem a metodologia, os métodos, a pesquisa qualitativa e quantitativa são os objetivos deste estudo.

Esses elementos fundamentais formam a espinha dorsal das atividades acadêmicas e científicas, permitindo a investigação sistemática e a análise crítica de uma infinita variedade de tópicos.

Observe que as teorias científicas, como estruturas conceituais e explicativas, moldam a percepção dos pesquisadores sobre um assunto específico. É a lente através das quais temas complexos podem ser compreendidos e interpretados. Os métodos científicos indutivo, dedutivo e dialético têm suas raízes na filosofia e na lógica. Com o avanço das ciências naturais e sociais, as metodologias como o positivismo, o estruturalismo e o materialismo histórico dialético buscam explorar questões relacionadas ao comportamento humano, às interações sociais, às estruturas e mudanças sociais. Lembrando que toda escolha metodológica dependerá das questões, dos problemas, das hipóteses e dos objetivos do estudo, da natureza, da abordagem e das especificações que estão sendo investigadas. É possível o uso combinado dos métodos científicos e da metodologia das ciências sociais para alcançar uma interpretação abrangente dos problemas sociais (Demo, 2011). 

Depreende-se que quando se investiga a realidade, é possível recorrer a diferentes meios, técnicas, estratégias. Embora o método científico tenha definido um caminho que permite certa semelhança no percurso a ser seguido, as ciências sociais trazem elementos novos ao método científico clássico, uma vez que seu objeto é a sociedade e, em face de suas características, não permite uma única forma de interpretação. Dessa forma, na pesquisa científica existe uma metodologia própria para se construir o conhecimento. O método científico é composto de etapas que visam levar a resposta aos problemas para, assim, construir o conhecimento. Cada área científica tem um objeto e um método próprios. Com a especialização do saber, decorrente das necessidades da sociedade capitalista, as áreas se fragmentaram cada vez mais, de tal forma que hoje podem se encontrar as mais diversas especialidades que, para produzir os conhecimentos, buscam uma metodologia específica para atender a essa especificidade. Contudo, mesmo considerando a complexidade das pesquisas, é comum a todas percorrer uma estrutura: estabelecer objetivos; em seguida, desenvolver um modelo do que está sendo estudado; na fase seguinte, coletar informações ou mesmo recorrer a dados obtidos; depois, segue-se a avaliação, que é o processo de validar o modelo relacionando os dados e o modelo definido. Finalmente, se o modelo estabelecido não correspondeu aos dados obtidos, é feita sua modificação ou mesmo substituição (Richardson, 2017).

Seguindo nossa jornada de conhecimentos sobre a pesquisa científica, nos deparamos com os diferentes tipos de pesquisa, segundo a abordagem, a natureza, os objetivos e os procedimentos. Assim, ao definirmos a abordagem da pesquisa, seja qualitativa ou quantitativa, estamos expressando o caminho e as orientações que vamos seguir para investigar determinado problema ou questão. Um exemplo de pesquisa científica desenvolvida por um dos pioneiros das ciências sociais foi a pesquisa o suicídio, em 1897, de Émile Durkheim. O sociólogo, em sua obra O Suicídio, desenvolveu uma pesquisa quantitativa utilizando métodos empíricos e coleta de dados estatísticos de diferentes fontes e registros oficiais, estabelecendo uma amostra em diferentes grupos sociais e contextos. Analisou variáveis como a religião, status sociais e integração social buscando compreender os padrões de comportamento suicida. Sua pesquisa empregou técnicas estatísticas para estabelecer relações entre variáveis sociais e taxas de suicídio. Nesse exemplo, há uma interdependência entre as teorias, métodos e metodologias, bem como as abordagens, sujeitos, instrumentos e procedimentos da pesquisa.

O exemplo ilustrado é provocativo, no sentido de questionar a dualidade entre as abordagens de pesquisa quantitativa e qualitativa. Entendemos que ambas as pesquisas têm suas características e princípios, contudo devemos avançar os paradigmas, sendo que uma não exclui a outra pelo tipo de dado coletado. No campo das pesquisas científicas, é comum observar investigadores que, ao utilizarem a abordagem qualitativa, excluem o emprego de dados numéricos, às vezes imprescindíveis, ou pesquisadores quantitativos que somente apresentam os dados sem nenhuma interpretação.

Então, do ponto de vista metodológico é preciso desnaturalizar a oposição feita entre as abordagens qualitativas e quantitativas, pois, elas não são contraditórias e nenhuma é mais importante que a outra. Cada uma dessas abordagens apresenta especificidades não excludentes.

Portanto, desfeita a ideia de oposição entre abordagens quanti e quali, é possível e importante que tratemos de suas especificidades metodológicas. Assim posto, de maneira sintética e didática, a pesquisa quantitativa supõe um universo de objetos de investigação que são comparáveis entre si, ao tempo que utiliza de indicadores numéricos sobre determinado fenômeno investigável. Enquanto a pesquisa qualitativa trabalha com um universo de sentidos, significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um fazer científico focado nas relações, nos processos e nos fenômenos que não devem ser tratados pela racionalização de variáveis (Mussi et al., 2019, p. 427).

É Hora de Praticar!

A ONG da qual você faz parte solicitou seu auxílio para realizar uma pesquisa científica sobre o atendimento realizado à comunidade. Para melhor delineamento da pesquisa, você optou por relacionar qualidade e crescimento. Inicialmente, foi solicitada a apresentação de um planejamento prévio do que será investigado e você decidiu estabelecer o tema, problema, hipóteses e um plano prévio para a obtenção dos dados. Descreva como pensou nesse plano.

Reflita

Será que os conhecimentos mobilizados sobre as teorias, os métodos e as metodologias dão conta de responder às inúmeras mudanças e problemas das sociedades contemporâneas?
Com os recursos midiáticos, as redes e a inteligência artificial ainda é preciso o conhecimento dos métodos e dos tipos de pesquisa? Já não estão ultrapassados? 

Resolução do estudo de caso

  • Tema da pesquisa: Atendimento à comunidade como fator de qualidade e de crescimento na relação entre a ONG, voluntários e a comunidade atendida.
  • Problema da pesquisa: A qualidade no atendimento influencia concretamente as melhorias da comunidade como um todo? Como isso é verificado na ONG nos últimos dois anos?
  • Hipóteses: A quantidade de voluntários que trabalham na ONG tem relação com as melhorias realizadas na comunidade por meio das ações determinadas? A qualidade no atendimento é um fator determinante para manter os voluntários empenhados, bem como verificar melhorias na comunidade. Existe uma política de qualidade no atendimento?
  • Plano prévio para a obtenção de dados: Os dados serão obtidos por meio da observação por um período de tempo na ONG, entrevistas com equipes de voluntários e seus líderes, entrega de questionários fechados para pessoas que fazem parte da comunidade atendida e análise dos projetos da ONG.

Dê o play!

Assimile

Para visualizar os conhecimentos que formam a metodologia científica, observe o mapa mental a seguir.

 

Figura 1 | Métodos e tipos de pesquisa. Fonte: elaborado pela autora. 

Referências

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