Psicologia da Aprendizagem

Aula 1

O Behaviorismo

O behaviorismo

Olá, estudante! Nesta aula, mergulharemos na teoria chamada behaviorismo, explorando as contribuições de grandes mentes que contribuíram para sua elaboração. Aprofundaremos em conceitos como condicionamento clássico e operante, desvendando como os comportamentos são condicionados. Compreender os termos como reforçamento, esquiva, fuga, extinção e punição é crucial para entender essa teoria e como esses direcionamentos estão presentes nos ambientes educacionais. Prepare-se para enriquecer seus conhecimentos e relacionar essa teoria a situações que você já observou. Estamos ansiosos para guiá-lo nessa jornada de aprendizado!

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Bons estudos!

Ponto de Partida

Na aula de hoje, exploraremos os fundamentos da psicologia comportamental, começando pelos precursores do behaviorismo. Compreenderemos as contribuições de figuras notáveis que elaboraram essa teoria, proporcionando uma base sólida para nossos estudos subsequentes. Em seguida, mergulharemos nos conceitos do condicionamento clássico e operante, desvendando como os comportamentos são adquiridos e modificados.

Nossas discussões envolverão a aplicação prática desses conhecimentos em contextos reais. Como esses princípios podem ser empregados para moldar comportamentos desejados ou extinguir padrões indesejados? Como o reforçamento, a esquiva, a fuga, a extinção e a punição se entrelaçam na dinâmica comportamental? Fique atento a essas questões, pois serão pontos importantes para a compreensão prática do conteúdo.

Esses conceitos não são apenas teóricos, são ferramentas valiosas na prática profissional. Imagine identificar estratégias de condicionamento ou utilizar técnicas de reforçamento para promover mudanças positivas. Esse conhecimento não apenas enriquecerá sua compreensão da psicologia comportamental, mas também se tornará uma habilidade valiosa em sua bagagem profissional.

Estimulamos você a se envolver ativamente, questionar e conectar esses conceitos ao seu cotidiano profissional. A psicologia comportamental está intrinsecamente ligada à compreensão humana, sendo uma ferramenta poderosa para quem busca influenciar e entender o comportamento. Ao embarcar nessa jornada de aprendizado, você não apenas ampliará seu conhecimento, mas também transformará sua abordagem profissional. Estamos empolgados para guiá-lo nessa jornada transformadora!
 

Vamos Começar!

Quando um comportamento do outro é considerado inadequado, é possível modificá-lo? Como? Muitas pessoas já fizeram esse questionamento e, hoje, vamos conhecer o bahaviorismo ou comportamentalismo, destacando principalmente as contribuições de Skinner para a compreensão do comportamento e dos processos de aprendizagem considerados relevantes para a educação.

Os behavioristas, na busca por compreender o comportamento (behavior, em inglês) observável ou manifesto, enfatizam as relações entre esse e o ambiente, ou seja, enfocam em seus estudos o papel e a influência dos estímulos ambientais na determinação de nossas ações (Piletti, 2012).

A opção teórica e metodológica do behaviorismo, de apenas estudar (observar e descrever) o comportamento observável como forma de ajustá-lo ao meio, pode ser entendida em razão de que nos anos 1950, os Estado Unidos (palco central do behaviorismo) vivenciavam um crescente processo de urbanização, com o avanço industrial e a expansão do sistema escolar. Processo que contribuiu para que a psicologia tivesse um papel ativo em conformidade com a exigência de adequação dos indivíduos às escolas, às fábricas, colaborando nos exames, na classificação, na seleção e no controle sobre o indivíduo, necessários nesses novos espaços.

Na busca de métodos objetivos embasados na experimentação, Edward Lee Thorndike (1874-1949) ficou conhecido por sua “Lei do efeito”, a qual preconizava que o indivíduo responde à punição ou à recompensa. Veja bem, há uma ênfase nas sensações agradáveis e desagradáveis, como importantes fixadoras das respostas dadas pelos indivíduos. O efeito do prazer é o que fixa a resposta. (Piletti, 2013, p.14)

John Broadus Watson (1878-1958), o primeiro a usar o termo behaviorismo em 1913, declarava que o grande foco da psicologia, enquanto ciência objetiva, deveria ser o comportamento concreto do ser humano, visando à sua previsão e ao seu controle. Assim, segundo Piletti (2013), essa ciência do comportamento, fundada por Watson, veio a ser chamada de análise comportamental.
 

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Condicionamento clássico

Também chamado de condicionamento respondente, o condicionamento clássico é um conceito importante na psicologia que foi desenvolvido pelo psicólogo russo Ivan Pavlov (1849-1936). Vamos entender isso de uma maneira didática!

Imagine um cachorro que começa a salivar quando vê comida. Isso é uma resposta natural, certo? Agora, se toda vez que o cachorro é alimentado, tocam uma campainha, e isso acontece repetidamente, o cachorro começa a associar a campainha à comida. Eventualmente, o simples som da campainha faz com que o cachorro salive, mesmo sem a presença da comida.

Aqui, a comida é um estímulo natural que provoca uma resposta natural de salivar. A campainha, inicialmente neutra, torna-se um estímulo condicionado porque, ao longo do tempo, ela passa a provocar a mesma resposta que a comida, agora chamada de resposta condicionada. Essa foi uma experiência realizada por Pavlov.

Portanto, no condicionamento clássico, há uma associação entre um estímulo que naturalmente evoca uma resposta e outro estímulo inicialmente neutro. Essa associação leva a uma mudança no comportamento, em que o estímulo neutro passa a evocar a resposta originalmente associada ao estímulo natural.

Em resumo, o condicionamento clássico é um processo de aprendizado por associação, em que um estímulo inicialmente neutro se torna capaz de provocar uma resposta, devido à sua associação repetida com um estímulo que naturalmente provoca essa resposta.

Condicionamento operante

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) acrescentou o seu conceito-chave de condicionamento operante ao condicionamento clássico de Pavlov. Skinner foi um dos psicólogos mais conhecidos dos Estados Unidos, realizou experimentos com ratos em laboratório colocando-os em caixas-gaiolas, sua teoria resulta na crença de que os comportamentos podem ser moldados. Nesse sentido, é necessário considerar as contingências, ou seja, como ocorre a relação desse indivíduo com o meio, as contingências permitem entender o comportamento do sujeito.

Vamos descomplicar o condicionamento operante!

Imagine um rato em uma caixa. Agora, sempre que o rato pressiona uma alavanca, recebe um pedaço de queijo. Nesse cenário, o ato de pressionar a alavanca é o comportamento, e o queijo é a recompensa.

A palavra-chave aqui é "operante", pois o comportamento do rato opera sobre o ambiente para receber uma consequência. Se o rato percebe que pressionar a alavanca resulta em uma recompensa agradável (o queijo), é mais provável que ele repita esse comportamento no futuro.

Mas e se o rato pressionar a alavanca e nada acontecer? Ou se algo desagradável acontecer? Nesses casos, o rato pode ser menos propenso a pressionar a alavanca novamente. Isso é o básico da punição e extinção no condicionamento operante.

Os reforçadores considerados básicos (primários) são os relacionados à sobrevivência, como água, comida, roupa quando se está com frio. Por outro lado, há diversos eventos ambientais que não são baseados na sobrevivência biológica e que, no entanto, funcionam como reforçadores, são estímulos que foram associados a um reforçador primário e que são denominados reforçadores condicionados, como o dinheiro, a atenção, o elogio. (Piletti, 2013, p. 19)

Em resumo, no condicionamento operante, os comportamentos são moldados pelas consequências que os seguem. Recompensas aumentam a probabilidade de repetição do comportamento, enquanto punições ou a ausência de recompensas podem reduzir essa probabilidade.

  • Reforçador positivo (recompensa) = aumento da resposta.
    • Retirada = redução da resposta.
  • Reforçador negativo = aumento da resposta, podendo direcionar à fuga, esquiva ou alívio.
    • Punição (castigo, penalidade) = redução da resposta.

Portanto, pense no condicionamento operante como um processo de aprendizado onde as ações que levam a resultados positivos são fortalecidas, enquanto as que levam a resultados negativos podem se enfraquecer. Lembre-se que os reforçadores e punidores são diversificados, diferem de cultura para cultura e, ao longo da vida, a pessoa pode mudar em relação a eles – o que era reforçador pode deixar de sê-lo.

Eventos consequentes

1. Reforçamento:

  • Reforçamento é um processo no qual um estímulo aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento.
  • Pode ser positivo, quando um estímulo é adicionado para aumentar a frequência do comportamento, ou negativo, quando um estímulo é removido para o mesmo fim.

2. Esquiva:

  • Esquiva é um comportamento que ocorre para prevenir a apresentação de um estímulo aversivo.
  • O indivíduo se envolve em uma ação para evitar a ocorrência de consequências desagradáveis.

3. Fuga:

  • Fuga é um comportamento que ocorre para cessar um estímulo aversivo já presente.
  • O indivíduo se envolve em uma ação para escapar de consequências desagradáveis que já estão ocorrendo.

4. Extinção:

  • Extinção é o processo de enfraquecimento de um comportamento previamente reforçado.
  • Isso ocorre quando o reforçador é removido, resultando na diminuição da frequência do comportamento ao longo do tempo.

5. Punição:

  • Punição é um processo no qual a apresentação de um estímulo aversivo diminui a probabilidade de ocorrência de um comportamento.
  • Os behavioristas propuseram a substituição definitiva de práticas punitivas por procedimentos de construção de comportamentos desejáveis.

Esses conceitos são fundamentais para entender como os comportamentos são modificados por meio do condicionamento operante, conforme proposto pela teoria behaviorista de Skinner.
 

Vamos Exercitar?

Você percebeu que na teoria behaviorista, proposta por Skinner, os princípios do condicionamento operante são fundamentais para compreender como os comportamentos podem ser moldados e modificados. Para tanto, é essencial compreender como os conceitos de reforçamento, punição, extinção, esquiva e fuga funcionam na modificação comportamental.

Para moldar comportamentos desejados, o reforçamento positivo é uma ferramenta eficaz. Ao oferecer um estímulo agradável após a ocorrência de um comportamento desejado, aumentamos a probabilidade de que esse comportamento se repita. Por exemplo, elogiar um aluno sempre que ele participar ativamente em sala de aula pode aumentar sua motivação para contribuir mais frequentemente.

Além disso, o reforçamento negativo também pode ser utilizado para moldar comportamentos desejados. Ao remover um estímulo aversivo após a ocorrência de um comportamento desejado, incentivamos a repetição desse comportamento. Por exemplo, permitir que um aluno termine uma tarefa mais cedo após demonstrar um bom comportamento em sala de aula pode aumentar sua motivação para continuar agindo de forma positiva.

Por outro lado, para extinguir padrões de comportamento indesejados, a extinção pode ser uma estratégia. Ao deixar de reforçar um comportamento indesejado, seja através da remoção de reforçadores positivos ou negativos, pode-se enfraquecer gradualmente a ocorrência desse comportamento. Por exemplo, se uma criança chora para chamar a atenção dos pais, ignorar esse comportamento pode eventualmente levar à sua extinção.

No entanto, é importante mencionar que a punição também pode ser utilizada para suprimir comportamentos indesejados. Ao apresentar um estímulo aversivo após a ocorrência de um comportamento indesejado, diminuímos a probabilidade de que esse comportamento se repita no futuro. No entanto, é crucial utilizar a punição com cautela, pois pode levar a efeitos colaterais indesejados, como o desenvolvimento de ansiedade ou agressividade.

O comportamento que ocorre para escapar de um estímulo aversivo que já está presente é chamado de fuga. Exemplo: Cão saltando para fora do sofá para evitar um som desagradável. Na esquiva é caracterizada como o comportamento que ocorre para prevenir a exposição a um estímulo aversivo antecipado. Exemplo: Estudante seguindo um cronograma de estudo e usando técnicas de relaxamento para evitar ansiedade extrema antes das provas.

De modo geral, os princípios do condicionamento operante oferecem um conjunto de ferramentas poderosas para moldar comportamentos desejados e extinguir padrões indesejados. Ao entender como esses princípios funcionam e aplicá-los de maneira estratégica, podemos promover mudanças positivas no comportamento humano.
 

Saiba Mais

Para a elaboração desse material, utilizamos o livro Psicologia da Aprendizagem, a obra está disponível na nossa Biblioteca Virtual 3.0. Sugiro que amplie seus conhecimentos realizando a leitura do Capítulo 1, nele são abordados todos os conceitos desta aula. 

Referências Bibliográficas

BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 16. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2023.

LEITE, L. S. Psicologia comportamental. São Paulo: Editora Saraiva, 2020.

PILETTI, N.; ROSSATO, S. M. Psicologia da aprendizagem: da teoria do condicionamento ao construtivismo. São Paulo: Contexto, 2012.
 

Aula 2

O Behaviorismo e a Educação

O behaviorismo e a educação

Olá, estudante! Na nossa videoaula de hoje, vamos mergulhar nos conceitos do behaviorismo de Skinner. Vamos falar sobre como adquirimos novos comportamentos, entender o que são máquinas de ensinar e discutir a aplicação da punição em sala de aula. Esses temas são super relevantes para a prática profissional, então, não perca! Está pronto para dar um up nas suas estratégias de ensino? Vamos assistir! 

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Ponto de Partida

Espero que esteja gostando de aprender sobre o behaviorismo. Na aula de hoje, vamos explorar temas fascinantes relacionados à aquisição de novos comportamentos, uma área essencial no universo da Psicologia Educacional, sob a perspectiva do renomado behaviorista B.F. Skinner.

Entender como adquirimos novos comportamentos é como desvendar os mistérios por trás do processo de aprendizagem. Vamos mergulhar fundo nesse assunto, desvendando as nuances que moldam nossas ações cotidianas e, consequentemente, impactam a maneira como ensinamos e aprendemos.

Ao longo da aula, vamos nos deparar com a criação de máquinas de ensinar, uma proposta de Skinner que revolucionou a forma como concebemos métodos de instrução. Como podemos criar ambientes que favoreçam a aprendizagem de maneira eficaz?

Além disso, exploraremos a delicada questão da punição em sala de aula. Como ela influencia o comportamento dos alunos? Qual é o papel desse elemento no processo educacional?

Para tornar nossa jornada ainda mais interessante, propomos uma reflexão: onde podemos encontrar esses conhecimentos aplicados no nosso cotidiano profissional? Vamos ser mais específicos: qual tipo de plataforma educacional pode ser considerado análogo às máquinas de ensinar de Skinner? Fique atento aos detalhes, pois vamos discutir estratégias práticas que podem transformar a sua abordagem na sala de aula.

Estamos animados para compartilhar essas descobertas com você! Vamos iniciar essa jornada de aprendizado juntos e descobrir como a teoria de Skinner pode ter um impacto no nosso trabalho diário. Vamos começar?
 

Vamos Começar!

Skinner propôs pensar a filosofia da ciência do comportamento – do Behaviorismo, sob o nome Behaviorismo Radical. A posição assumida por Skinner é a de um sujeito que questiona “o porquê” do comportamento, muito mais do que um sujeito que busca conhecer o “como”, assentado pela ciência.

Assim, ele alvitrou, como horizonte compreensivo do comportamento, um modelo de seleção pelas consequências. Aqui, muito mais do que compreender aquilo que é anterior ao comportamento, o estímulo no qual se dedicaram a estudar Pavlov e Watson, estava o desejo em desvendar a relação entre consequência e comportamento e o quanto essa relação produz subsídios capazes de compreender a manutenção de comportamentos e/ou a extinção comportamental. (Neves; Kruguer; Frison, 2019, p. 496)

Os elementos fundamentais desse processo são:

  1. Estímulo: inicia-se com a apresentação de um estímulo, um evento ou uma situação que desencadeia uma resposta comportamental.
  2. Resposta: a resposta é a reação do organismo ao estímulo, sendo observável e passível de mensuração.
  3. Reforço: Skinner enfatiza a relevância do reforço na formação de comportamentos. Reforço pode ser positivo, envolvendo a introdução de algo agradável, ou negativo, caracterizado pela remoção de algo aversivo. O reforço positivo aumenta a probabilidade de repetição da resposta, enquanto o reforço negativo fortalece a resposta pela retirada de um estímulo aversivo.
  4. Punição: a punição positiva implica a introdução de algo aversivo, enquanto a punição negativa consiste na remoção de algo positivo.
  5. Condicionamento operante: a aprendizagem ocorre por meio do condicionamento operante, no qual as consequências do comportamento exercem influência direta na probabilidade de sua recorrência futura.
  6. Programação de reforço: Skinner introduziu a concepção de programação de reforço, uma abordagem sistemática que envolve a administração cuidadosa e planejada de reforço para modelar comportamentos desejados.

Perceba que a compreensão e aplicação desses princípios pelos educadores são importantes para a criação de ambientes propícios à formação e modificação de comportamentos, aprimorando, assim, o processo de aprendizagem. 
 

Siga em Frente...

Máquinas de ensinar

As "máquinas de ensinar" criadas por Skinner referem-se a dispositivos mecânicos ou sistemas projetados para facilitar o ensino e a aprendizagem, aplicando os princípios do condicionamento operante. Skinner desenvolveu essas máquinas como uma extensão prática de sua teoria behaviorista. Duas máquinas notáveis são o "ensino programado" e o "projeto de máquina de ensinar".

Skinner propôs o "ensino programado", um método sistemático que dividia o conteúdo em pequenas unidades de aprendizagem. Os alunos avançavam passo a passo, recebendo feedback imediato e reforços positivos ao completar cada unidade. Essa abordagem visava individualizar a aprendizagem, permitindo que os alunos progredissem em seu próprio ritmo.

Ele também trabalhou no design de uma máquina de ensinar mecânica. Essa máquina consistia em uma caixa com alavancas, botões e luzes. O aluno interagia com a máquina, recebendo estímulos e fornecendo respostas. Dependendo da resposta dada, a máquina fornecia reforço positivo ou encaminhava o aluno para a próxima etapa do conteúdo.

Um dos modelos descritos na literatura consiste em um aparato de tamanho aproximado ao de uma máquina de escrever, que possui uma abertura superior por onde o aluno visualiza a tarefa a ser resolvida. Em uma abertura, à direita da máquina, o aluno escreve a resposta da atividade. Após ter respondido a atividade, é necessário acionar uma alavanca que imprime a resposta do aluno junto a sua respectiva questão e, em seguida, o aluno deve girar um botão. Se a resposta estiver correta, o botão gira com facilidade, e uma nova questão surge para ser resolvida, se o botão não girar, significa que a resposta está incorreta, e que o aluno precisa fazer uma nova tentativa até solucionar a questão. (Neves; Kruguer; Frison, 2019, p. 496)

Segundo as autoras, as atividades que o aluno resolve são cuidadosamente programadas de modo que a resolução de cada questão depende da resposta da questão anterior, proporcionando, assim, que o aluno faça um progresso contínuo, partindo de atividades simples até atingir um nível desejado de complexidade. Vamos entender melhor o funcionamento?

  • Estímulo e resposta: as máquinas de ensinar seguiam a lógica do estímulo e resposta, onde o aluno recebia estímulos (perguntas ou problemas) e respondia de acordo.
  • Reforço: o reforço positivo era aplicado quando o aluno fornecia a resposta correta, incentivando a repetição do comportamento desejado. Esse reforço podia ser imediato e personalizado.
  • Autodirecionamento: a ideia era que, ao avançar em pequenos passos, os alunos podiam autodirigir seu aprendizado, promovendo a autonomia e a eficiência no processo educacional.
  • Utilização: inicialmente, as máquinas de ensinar foram concebidas para serem utilizadas em ambientes educacionais formais, como escolas e universidades. Além do ensino acadêmico, algumas máquinas foram usadas em contextos de treinamento profissional para desenvolver habilidades específicas.

Embora as máquinas de ensinar tenham enfrentado críticas e não tenham se popularizado como inicialmente previsto, contribuíram para o desenvolvimento de estratégias educacionais mais personalizadas e tecnologicamente avançadas nos anos subsequentes.

A punição em sala de aula

B.F. Skinner, embora tenha contribuído significativamente para a compreensão do comportamento humano e o desenvolvimento da teoria behaviorista, apresentou críticas consideráveis ao uso da punição em sala de aula. Suas preocupações foram principalmente direcionadas aos efeitos negativos e limitações associadas ao emprego da punição como estratégia educacional.

Skinner argumentava que a punição muitas vezes resultava em efeitos temporários no comportamento. Embora a punição possa suprimir o comportamento indesejado a curto prazo, ela não oferece uma solução duradoura e não promove a aprendizagem significativa. Ele observou que a punição muitas vezes leva os indivíduos a aprenderem a evitar a punição, em vez de compreenderem por que determinado comportamento é indesejado. Isso poderia resultar em uma falta de compreensão real das consequências do comportamento.

Nesse sentido, destacou a possibilidade de efeitos colaterais indesejados da punição, como ressentimento, medo e hostilidade. Essas reações emocionais podem prejudicar o relacionamento entre o educador e o aluno, comprometendo o ambiente educacional.

Mas o que fazer em situações de indisciplina, por exemplo? Skinner enfatizava a importância de explorar alternativas à punição, como o reforço positivo. Argumentava que reforçar comportamentos desejados seria mais eficaz na promoção de uma mudança comportamental sustentável.

Chegamos ao final de mais uma aula, espero que você tenha percebido que as críticas de Skinner à punição em sala de aula destacam a necessidade de abordagens mais positivas e instrutivas para promover a aprendizagem e a modificação de comportamentos. Essas críticas continuam a influenciar as práticas educacionais contemporâneas, incentivando métodos mais centrados no reforço positivo e na compreensão dos alunos.
 

Vamos Exercitar?

Atualmente, uma analogia contemporânea às máquinas de ensinar de Skinner seria a utilização de plataformas e aplicativos de aprendizagem adaptativa. Essas ferramentas incorporam princípios semelhantes, visando personalizar o processo de ensino de acordo com as necessidades individuais dos alunos. Um exemplo notável é a "Khan Academy".

A Khan Academy é uma plataforma on-line que oferece aulas e exercícios em uma variedade de disciplinas. Ela adota uma abordagem de ensino programado, dividindo os conceitos em unidades menores. Os alunos avançam no material à medida que demonstram compreensão, recebendo feedback imediato e reforços positivos. A plataforma adapta o conteúdo com base nas respostas dos alunos, personalizando a experiência de aprendizagem.

Funcionamento:

  • Estímulo e resposta: os alunos interagem com a plataforma, respondendo a perguntas e completando exercícios, que funcionam como estímulos.
  • Reforço positivo: respostas corretas são seguidas por feedback positivo, e os alunos são encorajados a progredir para níveis mais avançados.
  • Autodirecionamento: a plataforma permite que os alunos avancem no material de forma independente, revisando conceitos conforme necessário.

Essas plataformas representam uma evolução das ideias de Skinner, incorporando avanços tecnológicos para oferecer uma abordagem mais flexível e personalizada ao ensino. Elas continuam a moldar a educação contemporânea, destacando a importância da adaptação do ensino às necessidades individuais dos alunos.
 

Saiba Mais

Que tal continuar aprendendo sobre o tema? No artigo indicado a seguir, a obra de Skinner é utilizada como parâmetro para analisar o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação (Brasil, 2007). Com base na leitura e análise dos textos de Skinner e do Compromisso, quinze temas foram identificados, dentre eles: avaliação do aluno, ritmo de ensino, permanência do aluno na escola, evasão, formação de profissionais do ensino e avaliação do professor.

Constataram-se compatibilidades entre as propostas de Skinner e o Compromisso, o que, por um lado, aponta para a possibilidade de que a nova prática educacional gerada pelo Compromisso produza a melhoria do ensino; e, por outro lado, sugere uma possível contribuição da análise do comportamento para a proposição e avaliação de políticas públicas.

Assim, este trabalho aponta um caminho para se concretizar a aproximação de analistas do comportamento aos programas governamentais, sugerindo como propostas produzidas pela análise do comportamento poderiam ser aplicadas para atingir os objetivos de tais programas.

MATHEUS, N. de M.; PEREIRA, M. E. M. Análise de uma política nacional de educação segundo Skinner. Psicol. educ. [on-line]. 2019, n. 48, pp. 99-109.
 

Referências Bibliográficas

BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 16. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2023.

LEITE, L. S. Psicologia comportamental. São Paulo: Editora Saraiva, 2020.

NEVES, J. G.; KRUGUER, V. de L. G.; FRISON, L. M. B. Ensaio sobre o comportamento: entre ciência, filosofia e educação. ETD - Educação Temática Digital Campinas, SP v. 21, n. 2 p. 459-478 abr./jun. 2019. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-25922019000200459. Acesso em: 7 fev. 2024.

PILETTI, N.; ROSSATO, S. M. Psicologia da aprendizagem: da teoria do condicionamento ao construtivismo. São Paulo, SP: Contexto, 2012. 
 

Aula 3

Lev Vigotski: Aprendizagem e Desenvolvimento

Lev Vigotski: aprendizagem e desenvolvimento

Olá, estudante! Na aula de hoje, mergulharemos na fascinante teoria histórico-cultural de Vigotski, explorando como essa abordagem molda nossa compreensão do desenvolvimento humano. Descubra a importância desses conceitos para a prática profissional, enriquecendo sua visão sobre aprendizado e interações sociais. Não perca a chance de aprimorar sua formação! Assista agora e amplie seu conhecimento.

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Bons estudos!

Ponto de Partida

Boas-vindas à nossa aula! Hoje, exploraremos conceitos que nos ajudam a compreender o desenvolvimento humano a partir da teoria histórico-cultural. Essa teoria está presente nas principais discussões, propostas pedagógicas e materiais pedagógicos na atualidade. Seu grande enfoque é a perspectiva de aprendizagem e o papel das interações sociais.

Ao tratar sobre o processo de humanização do homem, você irá entender o que são instrumentos e signos. As funções psicológicas superiores serão caracterizadas, destacando sua relevância no processo de aprendizagem.

Fique atento! Questionaremos como esses temas se entrelaçam e refletem em sua futura prática profissional. Cada ponto discutido será uma peça importante no quebra-cabeça do entendimento humano.

Para contextualizar a sua aprendizagem, analisaremos ao final desta leitura o cenário de uma sala de aula interativa, explorando os conceitos de instrumentos e signos. Como esses elementos são cruciais na mediação do processo de aprendizagem?

Mergulhe nesses conhecimentos, descubra como a teoria se traduz no dia a dia da sua profissão. A curiosidade é a chave para uma compreensão mais profunda e significativa. Vamos juntos nessa jornada de aprendizado!
 

Vamos Começar!

Lev Vigotski, renomado psicólogo e educador do século XX, desempenhou um papel fundamental no entendimento do desenvolvimento humano. Sua abordagem, conhecida como teoria histórico-cultural, trouxe contribuições significativas para a psicologia cognitiva e educacional. Ao mergulharmos nos conceitos de Vigotski, exploraremos o processo de humanização do homem: os instrumentos e signos, as funções psicológicas superiores e as complexas ações reflexas e intencionais.

A teoria de Vigotski propõe concepções diferentes de desenvolvimento e aprendizagem de outras matrizes epistemológicas, como as de Jean Piaget, Henri Wallon ou Freud, por exemplo. Nas práticas pedagógicas no Brasil, Jean Piaget é uma importante referência. Para Piaget, o sujeito se desenvolve e, por isso, aprende. Já para Vigotski, os sujeitos aprendem e, por isso, se desenvolvem.

Temos como exemplo algumas divergências nas relações entre desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky. Ambos são considerados teóricos interacionistas, mas o primeiro compreende que é necessário o desenvolvimento de determinados aspectos cognitivos para que, com a interação, a criança venha a aprender características condizentes com seu estágio de desenvolvimento, focando na gênese do conhecimento (daí a terminologia Epistemologia Genética). Para ele, determinados aspectos devem ser trabalhados em determinadas faixas etárias (apesar de tal característica não se dar de forma engessada).

Vygotsky, por sua vez, compreende que a aprendizagem "puxa" o desenvolvimento (para ele, aprender é se desenvolver), ou seja, com a interação, a pessoa irá desenvolvendo diferentes aspectos. Assim, este autor busca um trabalho focando em aspectos que o aprendente ainda não realiza sozinho, mas que com auxílio consegue aprender (o que caracteriza o que se denomina de aprendizagem prospectiva). (Melo, 2020, p. 354)

Lev Vigotski, nascido em 1896, foi um pioneiro na psicologia cultural e histórica. Sua obra, embora interrompida prematuramente por sua morte em 1934, influenciou gerações subsequentes. Seu foco na interação social e cultural como impulsionadores do desenvolvimento individual destaca-se como um marco na psicologia.
 

Siga em Frente...

A teoria histórico-cultural postula que o desenvolvimento humano é moldado pelo contexto sociocultural. Essa abordagem destaca a importância das interações sociais, linguagem e cultura na construção do conhecimento. A aprendizagem é vista como um processo social, em que a mediação é essencial para o desenvolvimento cognitivo.

A humanização é analisada através dos "instrumentos e signos". Instrumentos são ferramentas físicas ou conceituais que ampliam nossas capacidades, enquanto os signos, como a linguagem, representam significados compartilhados. Esses elementos são cruciais para a formação da identidade e da cultura.

As funções psicológicas superiores referem-se a processos mentais avançados, como pensamento abstrato e resolução de problemas. Vigotski destaca a importância da zona proximal (iminente) de desenvolvimento, onde a orientação e apoio social impulsionam a aquisição dessas funções.

As funções psicológicas superiores, conceito central na teoria de Vigotski, referem-se a processos cognitivos complexos que se desenvolvem ao longo da vida e são influenciados por fatores socioculturais. Aqui estão alguns exemplos de funções psicológicas superiores:

1. Linguagem

  • Descrição: a capacidade de usar a linguagem para expressar pensamentos complexos, comunicar ideias abstratas e formar conceitos.
  • Importância: essencial para o pensamento reflexivo e a comunicação avançada, a linguagem é uma função psicológica superior que se desenvolve com a interação social.

2. Pensamento abstrato

  • Descrição: a habilidade de pensar em conceitos e ideias que não estão diretamente ligados a objetos ou situações concretas.
  • Importância: o pensamento abstrato permite a resolução de problemas complexos, tomada de decisões e planejamento a longo prazo.

3. Memória de trabalho

  • Descrição: a capacidade de reter temporariamente e manipular informações necessárias para realizar tarefas cognitivas.
  • Importância: crucial para a aprendizagem, a memória de trabalho facilita a compreensão de informações e a resolução de problemas em tempo real.

4. Resolução de problemas

  • Descrição: a habilidade de enfrentar desafios complexos, identificar soluções e aplicar estratégias para superar obstáculos.
  • Importância: fundamentais em diversas áreas da vida, as funções psicológicas superiores de resolução de problemas contribuem para o desenvolvimento de habilidades práticas.

5. Atenção seletiva

  • Descrição: a capacidade de concentrar-se em estímulos específicos, ignorando distrações e focando em informações relevantes.
  • Importância: importante para o processamento eficiente de informações, a atenção seletiva é essencial em contextos em que a concentração é necessária.

6. Imaginação e criatividade

  • Descrição: a capacidade de conceber novas ideias, soluções inovadoras e expressar-se de maneira criativa.
  • Importância: fundamentais para a inovação e expressão artística, a imaginação e criatividade são funções psicológicas superiores que enriquecem a experiência humana.

Esses exemplos ilustram como as funções psicológicas superiores desempenham seu papel no funcionamento cognitivo e no comportamento humano, sendo moldadas e aprimoradas por meio de interações sociais e experiências culturais.

Diferenciamos as ações reflexas e intencionais, fundamentais para compreender o comportamento humano. As reflexas são respostas automáticas, enquanto as intencionais são guiadas por objetivos conscientes. A análise dessas ações fornece insights valiosos sobre a interação entre impulsos automáticos e escolhas deliberadas.

Em suma, a compreensão profunda de Vigotski e da teoria histórico-cultural é importante para profissionais em diversas áreas. Esses conceitos não são apenas acadêmicos, mas possuem implicações práticas. Ao correlacionarmos teoria e prática, enxergamos aplicações que determinam a ação pedagógica dos professores. Em sala de aula, por exemplo, entender o papel dos signos no desenvolvimento da linguagem pode orientar práticas pedagógicas mais eficazes.

Ao vincular os conceitos abstratos à realidade profissional, promovemos uma compreensão holística que impacta positivamente nossa atuação. Vigotski, com sua visão inovadora, nos convida a transcender a teoria, aplicando-a de maneira consciente e transformadora.
 

Vamos Exercitar?

Vamos explorar um exemplo prático da utilização de instrumentos e signos no contexto da educação, destacando como esses elementos são cruciais na mediação do processo de aprendizagem.

Exemplo: sala de aula interativa

  • Instrumento: tecnologia educacional.
  • Descrição: em uma sala de aula moderna, tablets ou computadores podem ser considerados instrumentos. Eles oferecem acesso a recursos digitais, como aplicativos educacionais, simuladores e vídeos interativos.
  • Signo: ícones e símbolos visuais
  • Descrição: ícones e símbolos visuais na interface dos dispositivos representam conceitos, ações ou direções. Por exemplo, um ícone de lupa pode significar busca, enquanto um símbolo de alto-falante indica áudio.

Como funciona:

  • Instrumento em ação: os alunos utilizam tablets como instrumentos para acessar um aplicativo de aprendizagem interativa.
  • Signos visuais: ícones na tela representam atividades específicas, como exercícios interativos, quizzes ou leituras adicionais.
  • Mediação pelo professor: o professor atua como mediador, fornecendo orientações, esclarecendo dúvidas e incentivando a participação ativa dos alunos.

Importância:

  • Engajamento: a utilização desses instrumentos digitais e signos visuais aumenta o engajamento dos alunos, tornando o processo de aprendizagem mais dinâmico e atraente.
  • Mediação social: o professor desempenha um papel fundamental na mediação, utilizando esses instrumentos e signos para conectar conceitos abstratos ao conhecimento prévio dos alunos.
  • Adaptação cultural: a escolha de instrumentos e signos pode ser adaptada à cultura e ao contexto dos alunos, facilitando a compreensão e a aplicação prática dos conceitos.

Nesse exemplo, os tablets (instrumentos) e os ícones/símbolos visuais (signos) não apenas proporcionam acesso a informações, mas também servem como mediadores que facilitam a compreensão e a assimilação do conhecimento. Essa abordagem reflete a interação dinâmica entre instrumentos e signos na promoção da aprendizagem, alinhando-se aos princípios da teoria histórico-cultural de Vigotski.

As aprendizagens que acontecem na zona de desenvolvimento proximal alavancam o desenvolvimento do indivíduo, criando uma nova zona, que promove novas necessidades de aprendizagem, etc. Por esse motivo, pode-se dizer que desenvolvimento e aprendizagem são processos indissociáveis na abordagem sócio-histórica. A aprendizagem vai ocorrer exatamente na zona de desenvolvimento proximal, com aquilo que o indivíduo ainda não é capaz de aprender sozinho. Nesse sentido, o papel do professor, de acordo com Vigotski, é mediar a relação entre o estudante e o mundo, favorecendo a aprendizagem.
 

Saiba Mais

O artigo indicado a seguir discorre sobre as contribuições da teoria histórico-cultural para a discussão das questões raciais no âmbito da educação escolar. Para tanto, aborda pontos relacionados com a constituição do sujeito, a importância da linguagem e a produção de sentido e significado a partir de autores contemporâneos que estudaram a perspectiva vigotskiana.
FILHO, E. F. S. MARTINS, E. Contribuições da teoria histórico-cultural para a compreensão das questões raciais na educação escolar. Educação e Pesquisa, v. 48, p. e239195, 2022.

No livro Imaginação e criação na infância, Vigotski estabelece relações entre a experiência e a vivência das crianças, e imaginação e criação como fenômenos psíquicos que se desenvolvem com base na reprodução e reelaboração de suas próprias experiências.
VIGOTSKI, L. S. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Expressão Popular, 2018.
 

Referências Bibliográficas

MELO, J. F. de. et al. Teoria histórico-cultural - contribuições para a prática psicopedagógica. Rev. Psicopedag. [online]. 2020, v. 37, n. 114, pp. 353-365. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862020000300008. Acesso em: 8 fev. 2023.

VIGOTSKI, L. S. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

VYGOSTY, L. S. A formação social da mente. 7. ed. 2ª tiragem. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
 

Aula 4

Teoria Histórico-Cultural e Educação

Teoria histórico-cultural e educação

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Ponto de Partida

Na aula de hoje, vamos continuar explorando os princípios da teoria histórico-cultural, focando especificamente na aprendizagem, desde o nível proximal (iminente) até o nível real. Além disso, abordaremos a periodização do desenvolvimento, que nos permite compreender as diferentes etapas pelas quais os indivíduos passam.

Compreender a teoria histórico-cultural e seus conceitos relacionados à aprendizagem é essencial para educadores e profissionais da área da educação. Essa abordagem nos permite entender como os indivíduos constroem o conhecimento em interação com o meio social e cultural, destacando a importância do ambiente e das relações interpessoais no processo de aprendizagem.

Ao longo da aula, vamos estabelecer conexões com os conhecimentos que você já teve contato na aula anterior. Além disso, estimularemos a análise crítica sobre como podemos aplicar esses conceitos em diferentes contextos educacionais e profissionais.

Especificamente, trabalharemos com a seguinte situação: em uma escola que adota a abordagem da teoria histórico-cultural de Vigotski, um grupo de alunos do primeiro ano enfrenta dificuldades em uma atividade de leitura. A professora percebe que a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é essencial para apoiar o progresso dos alunos, mas ela se depara com desafios na implementação efetiva da mediação, por exemplo: alunos com diferentes níveis de competência na leitura, diversidade cultural e limitação de recursos e tempo. Quais orientações você daria para a escola e a professora superarem esses desafios?

Prossiga com esta leitura para poder responder a este e outros questionamentos!
 

Vamos Começar!

Iniciaremos esta seção falando sobre Vigotski. Lev Semenovitch Vigotski (1896-1934) foi um psicólogo bielorrusso que, apesar da sua morte precoce, deixou um grande legado para a Psicologia e a Educação. O trabalho de Vigotski e de sua psicologia sócio-histórica são muito importantes para a Educação porque atribuem um papel fundamental às relações sociais para o desenvolvimento cognitivo dos indivíduos. A corrente pedagógica que se originou após sua proposta é denominada socioconstrutivismo ou sociointeracionismo, em oposição ao construtivismo de Piaget, que atribuía importância muito maior às questões internas de construção do conhecimento do que ao meio em que o indivíduo se insere (Oliveira, 1993).

Vigotski (1996) rejeitava as propostas teóricas que concentravam esforços somente nas capacidades inatas ou na constituição do indivíduo como produto do meio exterior. Para a psicologia histórico-cultural, a formação do indivíduo depende de uma relação dialética entre o sujeito e a sociedade em que ele se insere. Uma relação dialética ocorre quando o indivíduo modifica o ambiente e o ambiente modifica o indivíduo. Além disso, o trabalho de Vigotski dá ênfase ao processo histórico-social e ao papel da linguagem no desenvolvimento dos indivíduos (Vigotski, 1996).

Para Vigotski, todas as características individuais são construídas a partir da relação do indivíduo com o meio. Essas relações se dão pela mediação de instrumentos técnicos (por exemplo, ferramentas de trabalho) ou simbólicos (como a linguagem). De acordo com o autor, os instrumentos e os símbolos são construídos pela espécie humana para mediar a relação entre os homens e a realidade.

A linguagem, especialmente, faz parte de um sistema simbólico fundamental para as relações humanas e foi elaborada pelos indivíduos ao longo de sua história como sociedade. A linguagem funciona como um instrumento capaz de transformar nossa aprendizagem, pois, quando um indivíduo aprende a linguagem específica do seu meio sociocultural, ele é capaz de alavancar seu próprio desenvolvimento. Nesse sentido, a mediação das relações humanas por meio de símbolos, especialmente da linguagem, constitui um conceito central na psicologia sócio-histórica (Vigotski, 1998).

Para Vygotsky, é na interação entre as pessoas que, em primeiro lugar, se constrói o conhecimento que depois será intrapessoal, ou seja, será partilhado pelo grupo junto ao qual tal conhecimento foi conquistado ou construído (Martins, [s. d.]).

Na abordagem vigotskiana, a relação entre o desenvolvimento natural da criança e a aprendizagem está intrinsecamente ligada à vivência social da espécie humana. O desenvolvimento precisa ser impulsionado pelo meio e pelos processos de socialização. Sendo assim, as estruturas e os processos biológicos naturais do indivíduo são insuficientes para promover a aprendizagem se esse indivíduo não estiver inserido em um ambiente social e cultural permeado de práticas que facilitem seu aprendizado (Oliveira, 1993).

A criança não é capaz de se desenvolver somente por conta do passar do tempo, pois Vigotski considera que ela não possui os instrumentos técnicos e simbólicos necessários para isso. Esses instrumentos são adquiridos pelo meio social e cultural. Uma forma mais fácil de compreender como se dá o processo de desenvolvimento e aprendizagem na psicologia sócio-histórica é através do conceito de zona de desenvolvimento proximal ou iminente, você pode encontrar as duas nomenclaturas na literatura. Vigotski (1996) considera que qualquer indivíduo possui um nível de desenvolvimento real, ou seja, a capacidade de realizar determinada tarefa de modo independente, sem auxílio de terceiros.

A zona de desenvolvimento proximal (iminente) diz respeito à capacidade do indivíduo de realizar uma tarefa ou resolver um problema com a ajuda de outra pessoa mais experiente.

Para entender o papel da mediação e da zona de desenvolvimento proximal na aprendizagem, veja o exemplo a seguir:

Uma criança em processo de alfabetização já consegue identificar fonemas e formar sílabas (nível de desenvolvimento real), mas ainda tem dificuldade para ler palavras inteiras (nível de desenvolvimento potencial). A zona de desenvolvimento proximal diz respeito à distância entre o que a criança já sabe fazer e o que ela precisa aprender para evoluir na aprendizagem. Com o auxílio do professor (mediação), que lê as palavras com a entonação e pronúncias corretas, a criança passa a ler palavras inteiras sem dificuldade e alavanca seu desenvolvimento.

Quanto ao papel do professor-mediador na aprendizagem dos alunos:

É fundamental destacarmos que importante no processo interativo não é a figura do professor ou do aluno, mas é o campo interativo criado. A interação está entre as pessoas e é neste espaço hipotético que acontecem as transformações e se estabelece o que consideramos fundamental neste processo: as ações partilhadas, onde a construção do conhecimento se dá de forma conjunta. O importante é perceber que tanto o papel do professor como o do aluno são olhados não como momentos de ações isoladas, mas como momentos convergentes entre si, e que todo o desencadear de discussões e de trocas colabora para que se alcancem os objetivos traçados nos planejamentos de cada série ou curso (Martins, [s. d.]).

Para a psicologia sócio-histórica, o professor desempenha um papel ativo e determinante, visto que cabe a ele facilitar um processo que não pode ser construído apenas pelo próprio aluno, priorizando a interação social e a mediação. Para Vigotski (1998), a educação e os procedimentos de ensino precisam se antecipar ao que o aluno não sabe e não é capaz de aprender por conta própria. Cabe ao professor saber identificar o nível de desenvolvimento real e iminente e adequar seu processo de ensino ao percurso de cada aluno.
 

Siga em Frente...

Periodização do desenvolvimento

Elkonin, psicólogo soviético, discípulo de Vigotski, desenvolveu a ideia de periodização em relação ao desenvolvimento das funções psicológicas superiores, especialmente em crianças. Essa periodização de Elkonin é centrada nas mudanças qualitativas nas atividades mentais e reflete a evolução das formas de comportamento cognitivo.

A periodização de Elkonin inclui as seguintes fases:

A primeira infância, aproximadamente de 0 a 3 anos de idade, subdivide-se em primeiro ano de vida e primeira infância. No primeiro ano de vida, de 0 a 1 ano, a atividade principal é a comunicação emocional direta, ou seja, a criança necessita da atenção e cuidados do adulto. Na primeira infância, de 1 a 3 anos, a atividade principal é a atividade objetal manipulatória, onde a criança toma consciência da função social do objeto (Pasqualini, 2016).

A infância, que vai aproximadamente de 3 a 10 anos de idade, é subdividida em idade pré-escolar e idade escolar. Na idade pré-escolar, de 3 a 6 anos, a criança tem como atividade principal o jogo de papéis, isto é, por meio dos jogos e brincadeiras a criança constrói suas relações sociais. Na idade escolar, de 6 a 10 anos, a atividade principal é o estudo, marcado pela apropriação do conhecimento teórico (Pasqualini, 2016).

Na adolescência, destacamos o período da adolescência inicial, de 10 a 14 anos, em que a atividade principal é a comunicação íntima pessoal, e a adolescência, de 14 a 17 anos, tendo como atividade principal o profissional ou estudo (Pasqualini, 2016).

Figura 1 | Periodização do desenvolvimento psíquico. Fonte: Pasqualini e Eidt (2016, p. 107).
Figura 1 | Periodização do desenvolvimento psíquico. Fonte: Pasqualini e Eidt (2016, p. 107).

Essas fases na periodização de Elkonin representam um caminho progressivo no desenvolvimento cognitivo da criança, destacando a inter-relação entre atividade prática, linguagem e operações mentais. Essa abordagem é fundamental para compreender como as funções psicológicas superiores se desenvolvem ao longo do tempo e como a aprendizagem é mediada por meio de atividades específicas.


 

Vamos Exercitar?

Após os estudos que você realizou, analise a seguinte situação-problema:

Em uma escola que adota a abordagem da teoria histórico-cultural de Vigotski, um grupo de alunos do primeiro ano enfrenta dificuldades em uma atividade de leitura. A professora percebe que a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é essencial para apoiar o progresso dos alunos, mas ela se depara com desafios na implementação efetiva da mediação.

Os alunos apresentam diferentes níveis de competência na leitura e a professora precisa equilibrar as necessidades individuais de cada aluno dentro da sala de aula heterogênea. Alguns alunos estão prontos para avançar para o material mais desafiador, enquanto outros precisam de mais apoio para alcançar o próximo nível.

Além disso, a diversidade cultural na sala de aula influencia as experiências prévias dos alunos com a leitura, tornando a adaptação curricular uma tarefa complexa. A professora percebe que alguns alunos podem ter sido expostos a diferentes práticas de leitura em casa, enquanto outros podem enfrentar barreiras culturais específicas que afetam seu engajamento.

A situação é agravada pela limitação de recursos e tempo, com a professora tendo que equilibrar as demandas de ensinar o currículo padrão com a necessidade de proporcionar uma educação sensível à ZDP de cada aluno.

Perguntas para reflexão:

  1. Como a professora pode identificar e avaliar adequadamente a Zona de Desenvolvimento Proximal de cada aluno na área de leitura?
  2. Quais estratégias a professora pode empregar para mediar a aprendizagem de forma eficaz, considerando a diversidade de níveis de competência e experiências culturais dos alunos?
  3. Como a escola pode oferecer suporte adicional, como recursos educacionais e formação para professores, para facilitar a implementação bem-sucedida da teoria histórico-cultural na prática diária?
  4. Como os colegas de classe podem ser envolvidos de maneira colaborativa para criar um ambiente de aprendizado que promova a mediação entre pares, aproveitando a influência social na Zona de Desenvolvimento Proximal?
  5. Como a escola pode promover uma abordagem inclusiva que reconheça e valorize as diversas experiências culturais dos alunos, facilitando a adaptação curricular para atender às necessidades específicas de cada criança?

Possíveis respostas:

1. Como a professora pode identificar e avaliar adequadamente a Zona de Desenvolvimento Proximal de cada aluno na área de leitura?

A professora pode identificar e avaliar a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de cada aluno através de uma combinação de observações diretas, avaliações diagnósticas e interações dinâmicas. Observando como os alunos lidam com tarefas de leitura com e sem ajuda, a professora pode identificar o ponto onde a assistência é necessária. Realizar avaliações informais, como conversas sobre leituras, exercícios de leitura guiada e discussões em grupo, pode ajudar a revelar as áreas onde os alunos estão prontos para avançar. Ferramentas como checklists de competências e registros de progresso também podem fornecer insights sobre a ZDP individual. Além disso, a professora pode utilizar feedbacks contínuos e ajustados, bem como atividades em que os alunos expliquem o que compreenderam, para avaliar seu nível de desenvolvimento atual e potencial.

2. Quais estratégias a professora pode empregar para mediar a aprendizagem de forma eficaz, considerando a diversidade de níveis de competência e experiências culturais dos alunos?

Para mediar a aprendizagem de forma eficaz, a professora pode empregar diversas estratégias:

- Grupos de Trabalho: Dividir a turma em pequenos grupos com níveis de competência variados para facilitar a mediação entre pares, onde alunos mais avançados podem ajudar os que estão com dificuldades.

- Instrução Diferenciada: Adaptar as atividades de leitura para atender às necessidades individuais, oferecendo textos de diferentes níveis de dificuldade e tipos de suporte.

- Cultura e Contexto: Incorporar materiais de leitura que reflitam as diversas experiências culturais dos alunos, promovendo um ambiente inclusivo e relevante.

- Ferramentas de Suporte: Utilizar ferramentas como gráficos de apoio, imagens e vídeos que podem auxiliar na compreensão de leitura.

- Feedback Contínuo: Fornecer feedback contínuo e específico para ajudar os alunos a progredirem e ajustarem suas estratégias de leitura.

- Leitura Compartilhada: Implementar sessões de leitura compartilhada onde a professora modela estratégias de leitura e pensa em voz alta para demonstrar processos de pensamento.

3. Como a escola pode oferecer suporte adicional, como recursos educacionais e formação para professores, para facilitar a implementação bem-sucedida da teoria histórico-cultural na prática diária?

A escola pode oferecer suporte adicional através das seguintes medidas:

- Formação Contínua: Prover formações regulares para os professores sobre a teoria histórico-cultural, focando em estratégias práticas para aplicar a ZDP e mediação.

- Recursos Didáticos: Disponibilizar uma ampla gama de materiais didáticos e recursos tecnológicos que atendam a diferentes níveis de competência e experiências culturais.

- Apoio Especializado: Ter especialistas em desenvolvimento infantil e educação inclusiva para apoiar os professores na adaptação curricular e no desenvolvimento de estratégias individualizadas.

-Tempo de Planejamento: Garantir que os professores tenham tempo suficiente para planejamento colaborativo e reflexão sobre as práticas de ensino.

- Comunidade de Prática: Estabelecer comunidades de prática entre os professores para troca de experiências e estratégias eficazes.

4. Como os colegas de classe podem ser envolvidos de maneira colaborativa para criar um ambiente de aprendizado que promova a mediação entre pares, aproveitando a influência social na Zona de Desenvolvimento Proximal?

Os colegas de classe podem ser envolvidos de forma colaborativa através de:

- Tutoria entre Pares: Implementar programas de tutoria entre pares onde alunos mais avançados ajudam aqueles com dificuldades, promovendo um aprendizado colaborativo.

- Projetos em Grupo: Designar projetos em grupo que incentivem a colaboração e a troca de conhecimentos entre alunos de diferentes níveis.

- Discussões e Debates: Facilitar discussões em grupo onde todos os alunos são incentivados a compartilhar suas opiniões e insights sobre os textos lidos.

- Jogos Educativos: Utilizar jogos educativos que incentivem a cooperação e o compartilhamento de estratégias de leitura.

- Feedback Construtivo: Encorajar os alunos a darem feedback construtivo uns aos outros, promovendo um ambiente de apoio mútuo.

5. Como a escola pode promover uma abordagem inclusiva que reconheça e valorize as diversas experiências culturais dos alunos, facilitando a adaptação curricular para atender às necessidades específicas de cada criança?

A escola pode promover uma abordagem inclusiva através de:

- Currículo Diversificado: Desenvolver um currículo que inclua materiais e atividades que reflitam a diversidade cultural dos alunos.

- Formação Cultural: Oferecer formação para os professores sobre sensibilidade cultural e estratégias inclusivas de ensino.

- Eventos Culturais: Organizar eventos e atividades que celebrem a diversidade cultural, promovendo o respeito e a valorização das diferentes origens dos alunos.

- Parceria com Famílias: Envolver as famílias no processo educativo, encorajando-as a compartilhar suas culturas e tradições na escola.

- Recursos de Apoio: Disponibilizar recursos como livros e materiais em diferentes idiomas e representativos de várias culturas.

- Adaptação de Métodos: Adaptar métodos de ensino para incorporar práticas culturais diversas, garantindo que todos os alunos se sintam representados e respeitados.

Ao implementar essas estratégias, a professora e a escola podem criar um ambiente de aprendizado que não só apoie o desenvolvimento individual dos alunos, mas também celebre e valorize suas experiências culturais diversas, promovendo uma educação inclusiva e equitativa.

Saiba Mais

O principal objetivo deste estudo é discutir relação entre educação escolar e desenvolvimento psicológico da criança de 0 a 6 anos à luz da psicologia histórico-cultural e pedagogia histórico-crítica.

SANTOS, O. M. R.; GONÇALVES, C. M. B.; RABATINI, V. G. O desenvolvimento da criança de 0 a 6 anos na perspectiva da psicologia histórico-cultural: algumas contribuições para o trabalho do professor. Revista Científica UMC, out. 2019.

Este livro contém sete aulas proferidas por Vigotski no final de sua vida. Para o leitor contemporâneo, a palavra pedologia pode soar estranha, mas foi um campo que abarcava estudos e pesquisas do desenvolvimento da criança.

VIGOTSKI, L. S. Sete aulas de L. S. Vigotski sobre os fundamentos da pedologia. Organização Zoia Prestes, Elizabeth Tunes. 1. ed. Rio de Janeiro: E-Papers, 2018.

Livro que destaca a importância da escola no desenvolvimento do psiquismo, subsidia de modo relevante a realização do trabalho dos professores com seus alunos em sala de aula.

MARTINS, L. M.; ABRANTES, Â. A.; FACCI, Marilda G. D. F. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas, SP: Autores Associados, 2016.
 

Referências Bibliográficas

MARTINS, J. C. Vygotsky e o papel das interações sociais na sala de aula: reconhecer e desvendar o mundo. [S. n.: s. l., s. d.]. Disponível em: http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/T2SF/Akiko/46-Vygotsky.pdf. Acesso em: 7 fev. 2024.

MARTINS, L. M. A.; ÂNGELO, A.; FACCI, M. G. D. F. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas, SP: autores associados. 2016.

PASQUALINI, J. C. Periodização do desenvolvimento psíquico à luz da escola de Vigotski: a teoria histórico-cultural do desenvolvimento infantil e suas implicações pedagógicas. In: MARSIGLIA, A. C. G. (org.). Infância e pedagogia histórico-crítica. 1. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2013. Cap 4.

PASQUALINI, J. C. Contribuições da psicologia histórico-cultural para a educação escolar da criança de 0 a 6 anos: desenvolvimento e ensino em Vigotski, Leontiev e Elkonin. 268f, 2006. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Araraquara, 2006.

PASQUALINI, J. C.; EIDT, N. M. Periodização do desenvolvimento psíquico e ações educativas. In: PASQUALINI, J. C.; TSUHAKO, Y. N. (eds.). Proposta pedagógica para a Educação Infantil do Sistema Municipal de Ensino de Bauru/SP. Bauru: Secretaria Municipal de Educação de Bauru, 2016. p. 101-144.

SANTOS, O. M. R.; GONÇALVES, C. M. B.; RABATINI, V. G. O desenvolvimento da criança de 0 a 6 anos na perspectiva da psicologia histórico-cultural: algumas contribuições para o trabalho do professor. Disponível em:
https://seer.umc.br/index.php/revistaumc/article/viewFile/858/639.  Acesso em: 7 fev. 2024.

VIGOTSKI, L. S. Sete aulas de L. S. Vigotski sobre os fundamentos da pedologia. Organização Zoia Prestes, Elizabeth Tunes. 1. ed. Rio de Janeiro: E-Papers, 2018.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1996.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1998.
 

Encerramento da Unidade

Psicologia da Aprendizagem

Videoaula de Encerramento

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Bons estudos!

Ponto de Chegada

Para desenvolver a competência desta unidade, que é analisar e caracterizar concepções de desenvolvimento e de aprendizagem que influenciam a educação, é fundamental mergulhar nos conceitos-chave relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento humano.

A aprendizagem, entendida como um processo dinâmico e contínuo, ocorre em diferentes níveis, desde o iminente, ou seja, o que está prestes a acontecer, até o real, que representa o estágio atual de desenvolvimento do indivíduo na teoria histórico-cultural. Essa ideia de níveis de aprendizagem nos remete ao conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, proposto por Vygotsky, que se refere à distância entre o nível de desenvolvimento atual, determinado pela capacidade de resolver problemas de forma independente, e o nível de desenvolvimento potencial, que pode ser alcançado com a orientação de um indivíduo mais experiente.

Por outro lado, o desenvolvimento humano é marcado por diferentes etapas ou períodos, cada um com suas características específicas que influenciam a forma como as pessoas aprendem e se desenvolvem. Essa periodização do desenvolvimento, proposta por teóricos como Elkonin, nos ajuda a compreender melhor as mudanças cognitivas, sociais e emocionais que ocorrem ao longo da vida.

Nesse contexto, as teorias de aprendizagem desempenham um papel fundamental ao fornecerem diferentes perspectivas sobre como o conhecimento é adquirido e construído. Do behaviorismo de Skinner ao construtivismo de Piaget, cada abordagem teórica oferece insights únicos sobre os processos envolvidos na aprendizagem.

Ao compreender esses conceitos e teorias, os educadores podem analisar criticamente as diferentes concepções de aprendizagem e desenvolvimento que permeiam a educação. Isso permite que eles adaptem suas práticas pedagógicas de acordo com as necessidades individuais dos alunos e os desafios específicos de cada contexto educacional.

Além disso, ao considerar as influências da sociedade contemporânea, marcada pela rápida mudança e complexidade, os educadores são desafiados a repensar constantemente suas abordagens de ensino e aprendizagem. A era digital, por exemplo, trouxe novas oportunidades e desafios para a educação, exigindo uma reflexão cuidadosa sobre como integrar a tecnologia de forma significativa e eficaz no ambiente educacional.

Portanto, para atingir a competência desta unidade, é essencial não apenas compreender os conceitos teóricos relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento, mas também refletir criticamente sobre como esses conceitos se aplicam à prática educacional e como podem ser utilizados para promover uma educação mais inclusiva, equitativa e eficaz.

Reflita

  1. Como as teorias de aprendizagem, como o behaviorismo, podem ser aplicadas na prática pedagógica para promover uma aprendizagem significativa?
  2. De que forma as características do desenvolvimento humano em diferentes estágios da vida influenciam as estratégias de ensino e aprendizagem?
  3. Quais são os desafios específicos enfrentados pelos educadores na era digital e como esses desafios podem ser superados para promover uma educação de qualidade?
  4. Como a compreensão das teorias de aprendizagem e do desenvolvimento pode contribuir para a promoção da equidade e inclusão na educação?


 

É Hora de Praticar!

Em uma escola de ensino médio, a professora de Biologia percebe que alguns alunos estão apresentando dificuldades significativas em compreender os conceitos de evolução e seleção natural. Após algumas observações em sala de aula, ela percebe que os estudantes têm dificuldade em relacionar os conteúdos teóricos com exemplos práticos do dia a dia. 

Reflita

Considerando a problemática apresentada, tente responder:

  1. Como promover a compreensão dos conceitos de evolução e seleção natural de forma mais significativa para os alunos?
  2. Quais estratégias pedagógicas podem ser adotadas para facilitar a aprendizagem dos alunos que estão enfrentando dificuldades?

Dê o play!

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Resolução do estudo de caso

Diante do cenário apresentado, a professora decide aplicar uma abordagem pedagógica baseada nos princípios da aprendizagem significativa e na compreensão do desenvolvimento cognitivo dos alunos. Ela começa a desenvolver atividades que conectam os conceitos abstratos de evolução e seleção natural com exemplos concretos e familiarizados pelos estudantes.

Para isso, a professora utiliza casos reais de adaptação e seleção natural, como a resistência de insetos a pesticidas ou a variação genética em populações humanas. Ela também incorpora elementos interdisciplinares, como vídeos, jogos educativos e debates em sala de aula, para tornar o conteúdo mais acessível e envolvente.

Além disso, a professora estimula a participação ativa dos alunos, promovendo discussões em grupo, atividades práticas e projetos de pesquisa sobre o tema. Dessa forma, os estudantes têm a oportunidade de aplicar os conceitos teóricos em situações reais, desenvolvendo habilidades de análise crítica e pensamento científico.

Ao longo do processo, a professora também oferece suporte individualizado aos alunos que estão enfrentando dificuldades, fornecendo materiais de apoio adicionais, sessões de tutoria e feedback construtivo sobre o seu desempenho.

Com essa abordagem pedagógica centrada no aluno e baseada na compreensão dos princípios de aprendizagem e desenvolvimento, a professora observa uma melhoria significativa no desempenho e na compreensão dos alunos em relação aos conceitos de evolução e seleção natural.

Essa resolução demonstra como a aplicação dos princípios da aprendizagem significativa e a compreensão do desenvolvimento cognitivo dos alunos podem contribuir para superar desafios educacionais específicos, como as dificuldades de compreensão em determinados conteúdos. Ao adotar uma abordagem pedagógica centrada no aluno e contextualizada, os educadores podem promover uma aprendizagem mais eficaz e significativa para todos os estudantes.
 

Dê o play!

Assimile

Behaviorismo

Reforçamento é um processo no qual um estímulo aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento. Pode ser positivo, quando um estímulo é adicionado para aumentar a frequência do comportamento, ou negativo, quando um estímulo é removido para o mesmo fim. 
Por sua vez, a punição pode ocasionar a supressão de comportamentos indesejados. Ela pode ser positiva, quando um estímulo aversivo é inserido no ambiente, ou negativa, quando um estímulo reforçador ou uma recompensa é retirada do ambiente.

Atenção!
Como estudamos, B.F. Skinner apresentou críticas consideráveis ao uso da punição. Ele destacou a possibilidade de efeitos colaterais indesejados da punição, como ressentimento, medo e hostilidade. Esse estudioso enfatizava a importância de explorar alternativas à punição, como o reforço positivo, a fim de promover uma mudança comportamental sustentável.

O esquema a seguir ajuda a compreender esse modelo de condicionamento.

Figura 1 | Modelo de condicionamento. Fonte: Carnier (2020). 

Referências

CARNIER, A. Behaviorismo: a psicologia comportamental de Watson e Skinner. Saúde Interior, 2020. Disponível em: https://saudeinterior.org/behaviorismo/#google_vignette. Acesso em: 16 abr. 2024.

PASQUALINI, J. C. Periodização do desenvolvimento psíquico à luz da escola de Vigotski: a teoria histórico-cultural do desenvolvimento infantil e suas implicações pedagógicas. In: MARSIGLIA, A. C. G. (org.). Infância e pedagogia histórico-crítica. 1. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2013. Cap 4.

PASQUALINI, J. C. Contribuições da psicologia histórico-cultural para a educação escolar da criança de 0 a 6 anos: desenvolvimento e ensino em Vigotski, Leontiev e Elkonin. 268f, 2006. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Araraquara, 2006.

PASQUALINI, J. C.; EIDT, N. M. Periodização do desenvolvimento psíquico e ações educativas. In: PASQUALINI, J. C.; TSUHAKO, Y. N. (eds.). Proposta pedagógica para a Educação Infantil do Sistema Municipal de Ensino de Bauru/SP. Bauru: Secretaria Municipal de Educação de Bauru, 2016. p. 101-144.