Fundamentos da Fotometria
Aula 1
Fundamentos de Fotometria
Fundamentos de Fotometria
Olá! Nesta aula, vamos revelar os princípios da fotometria, essenciais para sua jornada na fotografia profissional. Conhecer os conceitos e compreender os três pilares da exposição (abertura, velocidade do obturador e sensibilidade Isso) possibilitará que você domine o controle da luz em diferentes cenários fotográficos, alcançando resultados extraordinários em suas imagens. Está pronto para dominar o jogo da exposição?
Ponto de Partida
Olá!
A fotografia impactou você em um momento especial e o inquietou, não é verdade? Era uma mensagem escrita com luz, sombra, texturas, cores e uma variedade de elementos para imaginar. É dessa forma que se inicia uma jornada na fotografia! Com um olhar curioso, uma câmera na mão e disposição para aprender uma nova forma de comunicação: a das imagens. Você já tem tudo de que precisa para começar e, a partir de agora, vamos auxiliá-lo nessa nova caminhada.
A palavra “fotografia” tem origem grega e significa “escrita com luz”. Estudar iluminação é como alfabetizar seu olhar para compor imagens que comunicam ideias e sentimentos. Ao compreender os princípios da fotometria, você terá autonomia para capturar imagens bem expostas em diferentes condições de iluminação.
Portanto, nesta aula, vamos estabelecer os conceitos fundamentais da fotometria e explorar os três pilares da exposição: abertura, velocidade do obturador e sensibilidade ISO, também conhecidos como “triângulo de exposição”. Examinaremos como esses parâmetros se relacionam entre si e as consequências de não os ajustar adequadamente, resultando em subexposição ou superexposição.
Lembre-se sempre de que a fotometria é uma ferramenta poderosa para expressar sua visão criativa como profissional da fotografia. Então libere espaço em seu cartão SD e aproveite ao máximo esta aula experimentando!
Bons estudos!
Vamos Começar!
Compreendendo a luz na fotografia
“Luz, câmera, ação!” Quem nunca ouviu essa famosa expressão e se perguntou sobre seu significado? Comumente usada no cinema, ela marca o início ou a preparação para a gravação de uma cena. Na fotografia podemos nos preparar do mesmo modo: avaliando a fonte de luz, checando os equipamentos e seus mecanismos de regulagem para então fotografar. Mas por que a luz é o primeiro item? Qual é sua relação com a fotografia? Segundo Präkel (2015, p. 6), a “luz é o meio do fotógrafo”. Isso significa que o ato de fotografar depende diretamente da presença de fontes de luz; além disso, é essencial que profissionais e entusiastas da fotografia dominem os conceitos de iluminação para se destacarem na área.
Para a fotografia, a luz é o ingrediente principal. E, para quem fotografa, “um conhecimento bem desenvolvido sobre como a iluminação funciona e as melhores maneiras de explorá-la são mais importantes do que qualquer outro fator na habilidade de produzir fotografias de alta qualidade consistentemente” (Hurter, 2010, p. 17). Sem uma compreensão adequada da fotometria, pode ocorrer sub ou superexposição de suas imagens, resultando em perda de detalhes nas áreas de sombra ou destaques.
Dessa forma, quando você se deparar com uma cena que deseja fotografar, analise a luz do ambiente, pois a quantidade de luz pode variar significativamente, dependendo de fatores como hora do dia, condições climáticas e ambiente de iluminação. Para isso, você pode utilizar sua câmera para avaliar se a iluminação está adequada e, em seguida, ajustar a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade ISO de acordo com as leituras do fotômetro.
Primeiros passos
Para compreender os fundamentos da fotometria, é preciso estabelecer os conceitos de diafragma, velocidade do obturador e ISO, para então identificar como eles podem influenciar diretamente nos resultados da exposição de suas fotografias.
A fotometria envolve medir a quantidade de luz que entra no equipamento fotográfico e é capturada pelo sensor da câmera ou filme fotográfico, o que é chamado de exposição. Para ajustar a exposição, é necessário configurar os dispositivos da câmera para receber mais ou menos luz, “que serve para a correta escolha de um par de velocidade/abertura em função do ISO escolhido para determinada cena, permitindo que as fotos obtidas, a partir daí, possuam uma boa condição de exposição, nem clara e nem escura demais” (Pereira, 2019, p. 54).
Triângulo de exposição
Os três componentes que integram o conceito de triângulo de exposição (Figura 1) são a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade ISO. Aprofundar o conhecimento de cada uma dessas técnicas é essencial para saber como controlar a exposição da câmera fotográfica, independentemente da presença de pouca ou muita luz.
1. Diafragma
A abertura do diafragma é aquele número acompanhado da letra “f” que aparece no visor da câmera; refere-se à medida da abertura da lente, controlando a quantidade de luz que entra no sensor (Figura 2).
Ela é medida em valores de f-stop, como F2.8, F5.6, F8, entre outros. Mas o que é um f-stop? Também conhecido como f-number, trata-se de uma medida que representa a abertura relativa do diafragma de uma lente fotográfica. É uma forma padronizada de descrever a abertura da lente em relação à distância focal. Quanto menor o valor do f-stop, maior é a abertura do diafragma e maior é a quantidade de luz que entra na câmera. Por exemplo, F2.8 representa uma abertura maior do que F5.6. As lentes mais comuns variam o f-stop de F1.8 a F22, mas há lentes específicas que podem ter aberturas muito luminosas com F1.0, e outras muito escuras com F64.
A Figura 3 mostra a relação entre as aberturas mais ou menos luminosas e suas respectivas características de profundidade de campo.
O f-stop é uma parte importante do controle da exposição na fotografia, pois afeta não apenas a quantidade de luz que atinge o sensor da câmera, mas também a profundidade de campo da imagem, determinando o quão nítidos serão os objetos em diferentes planos da cena.
Por exemplo, o f-stop mais alto corresponde a maior profundidade de campo, perfeito para fotografar paisagens e retratos com muitas pessoas, mas necessita de ambiente bem iluminado porque é uma abertura que permite pouca entrada de luz. Observe a Figura 4.
Já o f-stop de menor número tem pouca profundidade de campo e é excelente para desfocar elementos que não contribuem para composição das fotos (Figura 5).
2. Velocidade
Você já deve ter desativado todos os sons emitidos por sua câmera para não chamar a atenção enquanto fotografa, mas há um som que inevitavelmente o entrega: o do obturador se fechando. O obturador é o elemento responsável por determinar por quanto tempo o sensor ficará exposto à luz. Ou seja, enquanto a abertura define a quantidade de luz que chega ao sensor, a velocidade do obturador determina por quanto tempo a luz incidirá sobre ele, sendo medida em segundos ou frações de segundo, como 1/500, 1/250 etc. Se a velocidade do obturador da câmera estiver ajustada para 1/100s, o sensor da câmera ficará exposto à luz por apenas um centésimo de segundo; se estiver ajustada para 0”30, ficará exposto por 30 segundos.
Uma velocidade do obturador mais rápida, 1/4000 por exemplo, é ideal para congelar movimentos ágeis, mas pode resultar em imagens mais escuras, pois permite que menos luz atinja o sensor (Figura 6).
Por outro lado, uma velocidade do obturador mais lenta permite mais luz, resultando em uma imagem mais clara. O simples fato de você respirar enquanto fotografa com velocidades abaixo de 20 segundos de exposição pode causar efeito tremido ou borrado em suas fotos. Com auxílio de um tripé ou apoio, pode realizar fotos noturnas, de galáxia, lightpainting, efeito véu de noiva em cachoeiras, entre outros (Figura 7).
Na Figura 8, você pode observar a relação entre o tempo de exposição do obturador e os efeitos de congelamento e de borrar movimento.
3. Sensibilidade ISO
A sensibilidade ISO indica a capacidade do sensor da câmera de responder à luz. Essa sensibilidade é classificada por números: quanto maior o número, mais sensível será a câmera para capturar a luz; quanto menor o número, menos sensível ela será no momento de capturar a luz. Dependendo do modelo da câmera fotográfica, o valor mais baixo pode ser de 50, 100 ou 200, enquanto o maior pode variar de 6.400 em câmeras de entrada até 25.600 para alguns modelos de câmeras Full Frame, podendo ultrapassar 100.000.
E como determinar qual ISO utilizar? O ISO 100, por exemplo, é ideal para condições de boa iluminação, produzindo imagens mais saturadas e com menos ruído (Figura 9).
Por outro lado, um ISO mais alto, como ISO 1600, é adequado para situações de baixa luminosidade, mas pode introduzir mais ruído na imagem, além perder a nitidez. Essa escolha cabe a você, pois é necessário encontrar um equilíbrio entre a sensibilidade ISO e os outros dois elementos da exposição para obter o melhor resultado possível (Figura 10).
Para dominar o controle do ISO, é importante experimentar os níveis de sensibilidade disponíveis no equipamento em um mesmo cenário. Dessa forma, você ficará mais confortável para lidar com as diferentes condições de iluminação que enfrentará ao longo dos trabalhos. Observe a Figura 11.
Agora que você já sabe como esses três elementos trabalham em conjunto, influenciando no resultado de luminosidade e nitidez das fotografias, tenha mente esses conceitos ao adaptar a exposição de sua câmera para obter os melhores resultados!
Siga em Frente...
Subexposição e superexposição
A fotometria na fotografia surgiu no século XIX, acompanhando o desenvolvimento das primeiras câmeras fotográficas. Com o passar do tempo, tornou-se uma ferramenta essencial para medir e controlar a quantidade de luz que sensibilizou por muito tempo o filme fotográfico e, hoje, atinge os sensores das câmeras digitais. Por meio da fotometria, é possível garantir exposições precisas, evitando áreas subexpostas, onde há falta de luz, ou superexpostas, onde há excesso de luz, resultando em imagens equilibradas e detalhadas.
Subexposição e superexposição são dois problemas comuns que podem ocorrer em uma fotografia. A subexposição acontece quando a imagem é capturada com pouca luz, resultando em áreas escuras e falta de detalhes nas sombras. Isso pode acontecer quando a exposição é muito curta, o ISO é baixo ou a abertura do diafragma é pequena (Figura 12).
Por outro lado, a superexposição ocorre quando há excesso de luz na imagem, resultando em áreas muito claras e detalhes perdidos nas altas luzes. Isso pode ocorrer com exposição prolongada, ISO alto, grandes aberturas do diafragma ou fontes de luz inesperadas, como flashes e demais fontes (Figura 13).
Nem tudo é imagem subexposta ou superexposta
Na fotografia não existe certo ou errado; existe o resultado indesejado. Se você pretende criar um retrato com silhueta, expor o ambiente e o assunto fotografado com a mesma iluminação não lhe permitirá alcançar seu objetivo. Por isso, a subexposição, quando planejada, não é um erro, mas um recurso, pois, no caso de silhueta, texturas e detalhes não são bem-vindos, apenas seu contorno (Figura 14).
Tudo depende do olhar fotográfico, das referências, do conhecimento e das práticas. Tanto a técnica fotográfica quanto a criatividade são influenciadas por esses fatores, independentemente das condições de iluminação ou do equipamento fotográfico. Nas redes sociais, muitas pessoas têm buscado replicar uma estética característica das câmeras com flash frontal, popularizadas na fotografia de moda da década de 1990, como as obras da fotógrafa alemã Ellen von Unwerth. Essa estética pode parecer superexposição, mas na verdade é um efeito intencionalmente criado para fins estilísticos e expressivos (Figura 15).
Na fotografia contemporânea, a busca por estilos e técnicas específicas, como o uso de flash frontal, reflete a diversidade de abordagens e recursos e a liberdade criativa dos fotógrafos. Ao praticar todas as técnicas desta aula, você pode começar a criar seu próprio estilo, que reflita suas visões individuais e narrativas estéticas.
Vamos Exercitar?
No decorrer desta aula, exploramos os fundamentos da fotometria, compreendendo como os três pilares da exposição — abertura, velocidade do obturador e sensibilidade ISO — influenciam a captura da luz em uma imagem fotográfica. Esses parâmetros, conhecidos como o “triângulo de exposição”, são essenciais para alcançar uma exposição equilibrada.
Propomos um desafio a você: experimentar diferentes combinações dos recursos apresentados para começar a desenvolver suas habilidades criativas. Anote as combinações de velocidade, diafragma e ISO para analisar os resultados.
Saiba Mais
Indicamos a leitura dos capítulos 9 e 11 do livro Fotografia: teoria e prática para aprofundar seu conhecimento sobre obturador e diafragma.
PALACIN, V. P. Fotografia: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2012.
O artigo Belezas e mazelas naturais e humanas nas fotografias do livro Bahia, de Mario Cravo Neto proporciona reflexões sobre o uso de sombras, silhuetas e desfoques, explorados nas fotografias como expressão artística.
CASTANHEIRA, R.; KIELING, A. Belezas e mazelas naturais e humanas nas fotografias do livro Bahia, de Mario Cravo Neto. Discursos Fotográficos, Londrina, v. 15, n. 26, p. 115-153, 2019.
Para aplicar o conhecimento teórico, recomendamos o simulador de câmera DSLR Camerasim, que permite exercitar o controle de iluminação, distância focal, abertura, velocidade do obturador e ISO. Experimente diferentes combinações para aprimorar suas habilidades e compreender melhor as configurações de sua câmera.
Referências Bibliográficas
CASTANHEIRA, R.; KIELING, A. Belezas e mazelas naturais e humanas nas fotografias do livro Bahia, de Mario Cravo Neto. Discursos Fotográficos, Londrina, v. 15, n. 26, p. 115-153, 2019. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/39014/pdf. Acesso em: 26 jun. 2024.
EOS TRAINING ACADEMY. EOS Photography tips. 2024. Disponível em: https://www.eostrainingacademy.co.uk/articles/173-q-screen-canon-camera. Acesso em: 8 mar. 2024.
HURTER, B. A luz perfeita: guia de iluminação para fotógrafos. 2. ed. Balneário Camboriú, SC: Photos, 2010.
PALACIN, V. P. Fotografia: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788502175327/pageid/0. Acesso em: 3 jul. 2023.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
PETERS, D. Hamburger-fotospots. 2024. Disponível em: https://www.hamburger-fotospots.de/kostenloser-download-foto-cheatcard-fuer-fotografen.html. Acesso em: 8 mar. 2024.
PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582603093/pageid/2. Acesso em: 8 março. 2024.
REGINA, C.; TAKAZAKI, S. Dicas de fotografia. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.academia.edu/34576266/Dicas_de_Fotografia_por_Claudia_Regina?source=swp_share. Acesso em: 13 mar. 2024.
UNWERTH, E V. Getting ready for the private paw-ty! 7 abr. 2023. 1 fotografia. Disponível em: https://www.instagram.com/ellenvonunwerth. Acesso em: 8 mar. 2024.
Aula 2
Fotômetros
Fotômetros
Olá! Nesta aula, vamos aprofundar os estudos sobre os fundamentos da fotometria, essenciais para sua jornada na fotografia. Aprenderemos sobre os diferentes tipos de fotômetros, embutidos e de mão, suas funcionalidades e técnicas de utilização. Dominar esses conceitos permite obter exposições precisas em diversos cenários fotográficos. Você já experimentou utilizar o fotômetro? Saiba como essa habilidade pode melhorar suas fotografias!
Ponto de Partida
Olá!
Você já percebeu como a fotografia é uma linguagem fascinante, capaz de transmitir emoções, contar histórias e registrar momentos únicos, não é mesmo? Seja você entusiasta ou profissional da fotografia, lembre-se de que a busca pelo conhecimento sobre iluminação é essencial para dominar essa arte de escrever com luz.
Mas como podemos utilizar os fotômetros de forma eficaz para obter exposições precisas e consistentes em nossas fotografias? Para responder a essa questão, exploraremos os fotômetros de mão e embutidos, compreendendo suas características, aplicações e limitações.
Além disso, vamos nos aprofundar nas funcionalidades dos fotômetros, entendendo quais tipos podem auxiliar na leitura de luz refletida e luz incidente e como interpretar corretamente as leituras dos fotômetros para ajustar as configurações de sua câmera e alcançar a exposição ideal em suas fotografias.
Por fim, discutiremos técnicas práticas de utilização dos fotômetros em diferentes cenários, como paisagens, retratos e objetos em estúdio. Você terá a oportunidade de experimentar e aplicar seus conhecimentos em situações reais, desenvolvendo sua sensibilidade fotográfica e aprimorando suas habilidades técnicas.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Mantenha em segundo plano
Na aula anterior, exploramos os princípios básicos da fotografia, entendendo como a abertura de diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade ISO afetam a exposição da imagem. Agora que você está familiarizado com o funcionamento desses elementos, vamos avançar para o estudo da fotometria e sua aplicação prática.
Fotômetros e suas funcionalidades
Fotômetro é um dispositivo fundamental em fotografia, presente em todas as câmeras, responsável por medir a quantidade de luz que atinge o sensor. Funcionando por meio da conversão da luz em corrente elétrica, o fotômetro fornece valores que indicam se a exposição está adequada.
Talvez você já tenha notado esse elemento em sua câmera ou até mesmo em seu celular, embora possa não ter utilizado ainda. Geralmente representado por uma escala que varia de até -3 a +3, o fotômetro é uma ferramenta indispensável na fotografia e no cinema, permitindo aos profissionais ajustarem as configurações da câmera para capturar imagens de alta qualidade.
Existem dois tipos principais de fotômetros: os embutidos, que operam dentro da estrutura da câmera, e os externos, conhecidos como fotômetros de mão, que são dispositivos separados. Ambos os “fotômetros são projetados para medir a luz refletida pelo assunto (no caso do fotômetro da sua câmera) ou a luz que incide sobre ele (fotômetro de mão de luz incidente)” (Präkel, 2015, p. 28-29). Observe a Figura 1.
Luz incidente
É a luz que atinge diretamente uma superfície ou um objeto, iluminando o assunto antes de ser refletida de volta para a câmera. Em outras palavras, é a luz que vem diretamente da fonte de iluminação para o objeto ou a cena sendo fotografada, antes de qualquer reflexão ou absorção.
Ao medir a luz incidente com um fotômetro de luz incidente, você obtém uma leitura precisa da quantidade de luz que está alcançando o objeto ou a cena, independentemente das características específicas do objeto, como cor, textura ou brilho.
Os fotômetros de luz incidente são portáteis, separados das câmeras, e geralmente apresentam uma cúpula ou um domo que cobre a célula fotossensível. São amplamente utilizados em estúdios fotográficos por sua capacidade de proporcionar uma medição precisa da luz, seja de fontes como flash, seja de iluminação natural.
Para utilizar um fotômetro de luz incidente, você deve primeiramente ligar o fotômetro, selecionar o tipo de luz que deseja medir, configurar o ISO e a velocidade; em seguida, deve posicioná-lo próximo ao objeto ou à cena a ser fotografada e apontá-lo em direção à fonte de luz principal. O fotômetro então mede a quantidade de luz incidente e fornece uma leitura precisa em termos de exposição equilibrada, informando a abertura do diafragma adequada.
Esses fotômetros são especialmente úteis em situações em que a luz refletida pode ser enganosa, como em ambientes com superfícies muito claras ou muito escuras. Eles permitem uma medição mais precisa da luz disponível no ambiente, de disparos de flash, ajudando a evitar exposições incorretas e garantindo uma reprodução fiel de cores e detalhes da cena fotografada.
Luz refletida
É a luz emitida de uma fonte de iluminação que atinge um objeto, uma superfície ou uma cena, sendo refletida de volta para a câmera ou o observador. Quando a luz atinge um objeto, parte dela é absorvida pelo objeto (conforme suas características de cor e textura) e parte é refletida, e assim podemos perceber com nossos olhos ou capturar com uma câmera fotográfica.
De acordo com van Niekerk (2010, p. 40), “qualquer fotômetro oferece uma leitura baseada em tons cinza médio como parâmetro. […] Entretanto, com um fotômetro que lê luz refletida (como o fotômetro da câmera), temos que interpretar a leitura do mesmo em termos de tons do modelo/cena”.
Portanto, ao fotografar uma noiva, por exemplo, é essencial manter uma iluminação equilibrada do vestido para não perder os detalhes nas áreas mais claras. Essa leitura da luz refletida, quando feita corretamente, garante que outras áreas, como pele, flores e outros detalhes, também fiquem corretamente expostos.
Se você zerar o fotômetro da câmera no branco do vestido, ele parecerá cinza devido ao funcionamento inerente do medidor, que tende a gravar tudo como cinza médio (Figura 2). Portanto, é necessário “forçar” o vestido branco a aparecer como branco para o fotômetro, interpretando a luz refletida e ajustando o diafragma da lente para permitir mais luz no vestido, ou diminuindo a velocidade do obturador (Niekerk, 2010, p. 41).
Siga em Frente...
Fotômetro embutido
Os fotômetros internos estão incorporados à câmera e realizam a medição da luz pela lente da câmera. Eles oferecem conveniência e praticidade, pois estão integrados ao sistema da câmera. Comumente são utilizados em situações ao ar livre, como fotografia de paisagens ou retratos, onde a iluminação pode variar significativamente e a luz contínua e refletida é mais relevante. No entanto, sua precisão pode ser afetada em situações de alto contraste ou iluminação complexa, pois a medição baseia-se na luz refletida pela cena. Eles são ideais para situações cotidianas e de rápida captura de imagem (Figura 3).
Esses fotômetros desempenham um papel fundamental ao servir como um guia para perceber o equilíbrio de luz em determinada cena fotográfica. No entanto, você é quem deve tomar as decisões finais em relação à exposição da imagem, optando por subexposição, superexposição ou equilíbrio entre as fontes luminosas da situação. É essencial operar a câmera em modo manual para ter maior controle sobre os resultados, levando em consideração as sugestões do fotômetro e produzindo a imagem desejada.
Como o fotômetro embutido funciona?
O fotômetro interno das câmeras digitais é um sistema eletrônico que mede a luz da cena fotográfica. Ele analisa a cena enquadrada pela câmera e fornece informações sobre a adequação da exposição com base nas configurações dos parâmetros de exposição.
Podemos dizer que é um dispositivo utilizado pelo microcomputador da câmera para medir a luz da cena fotográfica. Esse dispositivo recebe uma “cópia” da cena que estamos enquadrando com a câmera e informa se a luz é ou não adequada para a capacidade de luz do sensor digital com base na configuração dos três principais parâmetros presentes na câmera naquele instante — ISO/ velocidade/diafragma (Pereira, 2019, p. 52).
Interpretando o fotômetro
Nas câmeras DSLR, o fotômetro embutido é exibido no visor LCD e no visor óptico, servindo como um guia com uma escala numérica (Figura 4). Em geral, é ativado quando pressionamos parcialmente o botão de disparo para realizar uma fotografia, momento em que a câmera busca um ponto de foco e mede a luz da cena enquadrada. Quando o medidor aponta “0”, temos teoricamente uma medida ideal. A escala varia de -3 a +3 pontos, indicando quantos pontos de luz estão acima ou abaixo do ponto médio. O símbolo central representa a exposição ideal, enquanto as marcações à direita e à esquerda indicam, respectivamente, mais luminosidade e mais escuridão. Um pequeno retângulo no visor se move de acordo com a luz ambiente e as configurações de obturador, diafragma e ISO.
Na Figura 5, por exemplo, o modelo estava próximo à fonte de luz, a janela. A iluminação natural causa um efeito degradê no ambiente, iluminando mais algumas áreas do que outras. Dessa forma, sem uma segunda fonte de luz para complementar a luz da janela, não haverá uma iluminação homogênea, e as áreas próximas à janela estarão mais iluminadas, enquanto seu oposto estará mais escuro. Com a câmera posicionada paralelamente a essa fonte de luz, o fotômetro interno receberá informações de luz refletida pelo modelo e pelo ambiente que o cerca. Dependendo do modo de leitura da câmera e do ponto selecionado, o fotômetro indicará se a cena está subexposta ou superexposta em relação ao ponto médio de luz representado pelo “0” na escala do fotômetro. O objetivo dessa foto é destacar o modelo, contrastando com o fundo; assim, a leitura da iluminação é realizada nos olhos do modelo, e as áreas mais escuras auxiliam na composição da imagem (Figura 5).
Fotômetro externo (de mão)
Os fotômetros de mão, também conhecidos como fotômetros externos, diferem dos fotômetros embutidos nas câmeras. Enquanto os fotômetros embutidos medem a quantidade de luz refletida pela cena, os fotômetros de mão avaliam a quantidade de luz que incide diretamente sobre o objeto ou cenário. Há alguns modelos de fotômetro externos que medem tanto luzes refletidas quanto luzes incidentes.
Os fotômetros de mão têm uma longa história e foram inventados no século XIX pelo físico alemão Hermann von Helmholtz. Desde então, esses dispositivos passaram por várias atualizações tecnológicas, tornando-se mais precisos e versáteis.
Amplamente utilizados em diversas situações fotográficas, incluindo retratos, paisagens, moda, publicidade e fotografia de estúdio, onde há luzes intermitentes, como os flashes. Também são úteis em ambientes com iluminação desafiadora ou situações de contraluz, onde a medição precisa da luz é essencial para obter exposições pontuais (Figura 6).
Como o fotômetro de mão funciona?
Esse tipo de fotômetro converte a luz em sinais elétricos por meio de um sensor sensível à luz, como fotodiodos ou fotossensores. Esses sinais são então processados e exibidos em uma escala de valores que representam a intensidade luminosa. Uma característica importante dos fotômetros é a escala de valores utilizada para representar a intensidade da luz. Tal escala é pautada no conceito de reflectância média, que estabelece que uma superfície típica reflete cerca de 18% da luz que incide sobre ela. Portanto, os fotômetros são calibrados para fornecer leituras que correspondem a essa reflectância média.
Por meio dessa escala, os fotômetros de mão indicam a quantidade de luz incidente de modo que uma superfície média, que reflete aproximadamente 18% da luz, seja adequadamente exposta.
No entanto, é importante ressaltar que, embora os fotômetros sejam calibrados para a reflectância média de 18%, eles podem não fornecer leituras precisas em todas as situações. Por exemplo, em condições de iluminação muito brilhante ou muito escura, pode ser necessário fazer ajustes na exposição com base no julgamento do fotógrafo.
Modelos de fotômetro de mão
Existem diferentes modelos de fotômetros de mão disponíveis no mercado, com uma variedade de recursos e funcionalidades. Alguns oferecem recursos avançados, como medição da temperatura de cor da luz, múltiplos modos de medição (luz ambiente, luz de flash) e capacidade de medir a diferença de exposição entre diferentes partes da cena.
Em certos modelos de fotômetros de mão, como o da Figura 7, a cúpula pode ser removida para permitir que o fotômetro seja apontado diretamente para o assunto, proporcionando uma leitura média da luz refletida. “Além disso, pode haver uma posição retraída para que a cúpula faça medidas quando se está fotografando um assunto achatado; esse ajuste pode ser usado para medir a luz vinda diretamente das lâmpadas no estúdio a fim de determinar os índices luminosos” (Präkel, 2015, p. 28-29).
Cada tipo de fotômetro possui suas próprias funcionalidades e características distintas, permitindo aos profissionais da fotografia escolher o mais adequado para cada situação. A escolha entre fotômetros de luz incidente e luz refletida, bem como entre fotômetros internos e externos, depende das necessidades específicas de cada situação fotográfica. Considere cuidadosamente esses fatores ao selecionar o fotômetro mais adequado para suas necessidades.
Vamos Exercitar?
Durante esta aula, exploramos os fotômetros com o objetivo de dominar sua utilização para obter exposições precisas e consistentes em nossas fotografias. Investigamos os diferentes tipos de fotômetros disponíveis, desde os de mão até os embutidos nas câmeras, compreendendo suas características, aplicações e limitações.
Aprofundamos nosso conhecimento nas funcionalidades dos fotômetros, aprendendo a interpretar corretamente suas leituras, que, aliadas aos conhecimentos adquiridos na aula anterior, nos permitem utilizar os fotômetros de forma eficaz para obter exposições ideais. Ao discutirmos técnicas práticas ligadas a fotômetros em diversos cenários fotográficos, identificamos quais fotômetros utilizar em situações de luz refletida e luz incidente.
Agora surge a questão sobre a necessidade de investir em um fotômetro de mão. Isso depende de seus objetivos e da prática. O fotômetro interno da câmera é versátil e, com o tempo, você se familiarizará com as leituras em diferentes cenários. Desafie-se escolhendo diferentes situações de luz e utilizando o fotômetro de sua câmera para testar seus conhecimentos.
Saiba Mais
Indicamos a leitura do capítulo 1, intitulado “O que é a luz”, do livro Iluminação, para aprofundar seu conhecimento sobre luz e fotometria.
PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
Além disso, a Canon College disponibiliza gratuitamente o e-book Entendendo câmeras e lentes. cujo primeiro capítulo aborda luz, cores e como esses aspectos são interpretados pelos fotômetros internos das câmeras DSLR.
CANON COLLEGE. Entendendo câmeras e lentes. 2024.
Se você gosta de assistir aos clássicos do cinema, recomendamos o filme Blow-Up (1966), dirigido por Michelangelo Antonioni. Ele retrata a história de um fotógrafo de moda em Londres na década de 1960, o qual constantemente ajusta suas câmeras e mede a luz para capturar as melhores imagens.
Referências Bibliográficas
CANON COLLEGE. Entendendo câmeras e lentes. 2024. Disponível em: https://www.canon.com.br/download/bloco/conteudo/item/33147/entendendocâmeraselentesv1.pdf. Acesso em: 15 mar. 2024.
HURTER, Bill. A luz perfeita: guia de iluminação para fotógrafos. Tradução: Tim Martin Stohrer. Balneário Camboriú, SC: Photos, 2009.
PALACIN, V. P. Fotografia: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788502175327/pageid/0. Acesso em: 3 jul. 2023.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582603093/pageid/2. Acesso em: 3 jul. 2023.
VAN NIEKERK, N. Flash dedicado: guia técnico para o fotógrafo de casamento e retrato. Tradução: Patrícia Melo. Balneário Camboriú, SC: Photos, 2010.
Aula 3
Processo de Mediação de Luz
Processo de Mediação de Luz
Olá! Nesta aula, vamos explorar os modos de medição de luz, incluindo ponderada ao centro, matricial e pontual. Além disso, discutiremos a interpretação do histograma, uma ferramenta valiosa para avaliar a exposição da imagem. Entender esses conceitos é crucial para garantir exposições precisas e equilibradas. Há um mundo de possibilidades para medir e fotometrar. Você vai continuar no modo matricial padrão?
Ponto de Partida
Olá!
Nesta jornada, vamos explorar os processos de medição de luz nas câmeras digitais. Você deve estar se perguntando: “Mas não foi o que vimos ao estudar a velocidade do obturador, a abertura do diafragma, o ISO e a relação entre eles para interpretar o fotômetro e conseguir a exposição desejada nas fotos? De que forma os modos de medição podem fazer alguma diferença?”. Compreender os diferentes métodos de medição e sua aplicação prática é essencial para determinar mais precisamente a leitura do fotômetro, no ponto exato de iluminação que você queira fotometrar, seja em uma fotografia de paisagem, um ensaio fotográfico em um cenário com contraste de luzes ou um retrato com uma luz de recorte pontual, garantindo exposições adequadas e resultados de alta qualidade.
Exploraremos as vantagens e limitações de cada método, aprendendo a escolher o mais apropriado para cada situação. Além disso, discutiremos como interpretar o histograma para ajustar as configurações da câmera de modo eficaz. Esse conhecimento não só enriquecerá sua prática fotográfica, mas também será fundamental em seu cotidiano profissional — como fotógrafo ou profissional de outras áreas que exijam habilidades de comunicação visual. Prepare-se para explorar os segredos das fotografias que mais impactam, seja nas redes sociais ou em seu portfólio.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Mantenha em segundo plano
Todos os conhecimentos adquiridos nas aulas anteriores nos preparam para mergulhar no processo de medição de luz em câmeras digitais. Desde os conceitos básicos de luz, fotometria e triângulo de exposição até a compreensão dos diferentes tipos de fotômetros e a interpretação das leituras, construímos uma sólida base teórica.
Métodos de medição de luz
Você já parou para pensar sobre os diferentes modos de fotometria de sua câmera? Você realmente compreende o que são os modos matricial, ponderada ao centro e pontual? E mais importante ainda: você sabe como esses modos funcionam e para que servem exatamente?
Os sistemas de medição de luz na fotografia têm uma história rica, influenciada por grandes nomes como Ansel Adams, que criou o sistema de zonas em 1940. Segundo Marques e Mello (2013, p. 67), esse sistema estabelecia relações entre os diferentes valores de luz do objeto e suas escalas de densidades registradas pelo negativo, criando diferentes zonas em uma fotografia. Ao todo, são 11 zonas de luz, do preto máximo ao branco puro, passando por todos os tons de cinza.
Embora tenha sido desenvolvida no período da fotografia, a ideia de Adams de nomear adequadamente a luz continua relevante nos dias de hoje. “Cada pixel tem um valor numérico determinado. A partir desse valor, é fácil determinar em que zona pode estar uma determinada porção da imagem, comparando o valor dos pixels com a escala estabelecida por Adams” (Molinari apud Marques; Mello, 2013, p. 69).
Desde então, os sistemas de medição de luz evoluíram, oferecendo aos fotógrafos ferramentas cada vez mais precisas para capturar a luz de forma acurada e alcançar resultados que correspondam exatamente às suas visões fotográficas.
Como vimos nesta unidade, a fotometria, essencialmente, consiste em medir a luz, e esses sistemas oferecem a oportunidade de alcançar resultados precisos e alinhados com sua visão fotográfica. Tanto a subexposição quanto a superexposição, sem um propósito específico, podem comprometer a qualidade da imagem e a comunicação visual desejada (Figura 1).
Diversos fatores influenciam na captura de luz, como a intensidade e os tons do objeto fotografado. Por exemplo, objetos mais claros refletem mais luz do que os mais escuros, o que impacta diretamente na medição de luz realizada pela câmera (Figura 2).
Portanto, ao fotografar, é essencial ter em mente o que se deseja comunicar com a imagem. Se o objetivo é destacar a paisagem, a preocupação principal será a distribuição da luz no quadro; enquanto isso, se o foco está no objeto principal, a luz pode ser medida de maneira diferente. E essa seleção de prioridades de medição das luzes depende do modo (Figura 3).
Na maioria dos casos, as câmeras oferecem diferentes modos de medição de luz, como matricial, ponderada ao centro e pontual, embora os nomes possam variar de acordo com o modelo e o fabricante da câmera (Figura 4).
Modo de medição matricial
Também conhecido como medição avaliativa ou multi-zone metering, é a opção padrão definida em todas as câmeras DSLR. Ao dividir a cena em várias zonas e avaliar a luz em cada uma delas, esse método visa determinar a exposição ideal para toda a imagem. “E teoricamente se a cena possui uma quantidade distribuída igualmente em tons claros, médios e escuros, o medidor deve ser ‘zerado’” (Pereira, 2019, p. 56).
Embora seja amplamente utilizado, é importante ressaltar que a medição matricial não é ideal para cenas com variação extrema de luminosidade, onde diferentes áreas da imagem possuem brilho significativamente diferente. Nesses casos, pode resultar em áreas com excesso de brilho ou sombra, perdendo detalhes importantes. No entanto, em situações de luz mais uniforme, como na fotografia de paisagens com iluminação homogênea, o modo matricial é uma escolha confiável para garantir uma exposição equilibrada em toda a cena (Figura 5).
Ao utilizar o modo de medição matricial, a câmera faz uma varredura por toda a imagem, comparando as leituras de brilho em diferentes áreas para determinar uma exposição equilibrada. Cada zona de medição corresponde a uma parte específica do quadro, calculando sua exposição individualmente. Isso garante que a cena inteira seja considerada na determinação da exposição final.
Por exemplo, ao fotografar uma paisagem com áreas claras e escuras, o modo de medição matricial é ideal para garantir que todos os detalhes sejam capturados de maneira equilibrada, desde o céu até o terreno. Da mesma forma, em fotografias de grupo ou de arquitetura, nas quais diferentes elementos da cena podem ter diferentes níveis de luminosidade, o modo matricial é uma escolha confiável.
Modo de medição ponderada ao centro
A medição ponderada ao centro é um modo de medição de luz que considera toda a cena, mas dá maior peso à área central do quadro. Essa técnica “é usada quando somente a região mais central da cena é considerada. Nesse caso, um elemento muito mais escuro ou muito mais claro que esteja fora do local de medição, mas dentro do quadro, não será considerado no resultado” (Pereira, 2019, p. 56). Nesse modo, o centro da cena recebe prioridade máxima no cálculo da exposição, ignorando as zonas periféricas.
Na Figura 6, a orquídea, que é o assunto da fotografia, não está no centro da imagem e acaba por ficar levemente subexposta em relação ao céu, compondo uma leitura mais escura com a vegetação ao fundo.
Ao fotografar um retrato em que o rosto da pessoa está no centro da imagem, a medição ponderada ao centro garante que o rosto seja exposto de maneira correta, independentemente do brilho ou da escuridão do fundo. Em situações em que o assunto não está no centro, ainda é possível utilizar esse modo de medição, bastando colocar o objeto desejado no centro, fazer a leitura da exposição e depois recompor a cena antes de capturar a imagem.
Em resumo, o modo de medição ponderada ao centro é recomendado quando o assunto principal está centralizado na imagem e é essencial garantir uma exposição precisa para ele, especialmente em situações de iluminação complexa.
Modo de medição pontual
A medição pontual, também conhecida como spot metering, é um método de medição de luz que avalia a intensidade luminosa em uma área específica da cena; “apenas o ponto central (geralmente um pequeno círculo em volta do ponto de foco central) é utilizado para se medir a luz. O software da câmera irá considerar somente esse local como elemento de leitura de luz” (Pereira, 2019, p. 56). Esse modo é bastante útil quando se deseja expor corretamente uma parte específica da imagem, como em retratos, fotografias de espetáculos ou objetos em contraluz (Figura 7).
Ao contrário dos outros modos de medição, a medição pontual considera apenas o ponto de foco selecionado para o cálculo da exposição, ignorando o restante da cena. Isso garante que o objeto de interesse seja exposto de maneira correta, independentemente das condições de iluminação do ambiente ao redor.
Por exemplo, ao fotografar um retrato em que o rosto da pessoa é o ponto focal, a medição pontual garante que o rosto seja exposto com precisão, mesmo em situações de iluminação complexa. Esse modo de medição fornece uma leitura de luz extremamente precisa, cobrindo apenas cerca de 1% a 5% do quadro.
Em resumo, a medição pontual é ideal para fotografar objetos ou áreas específicas que requerem uma exposição precisa, enquanto o restante da cena pode ter uma luminosidade diferente.
Análise comparativa dos métodos de medição de luz
A escolha do melhor método de medição depende das condições de iluminação e do objetivo da fotografia. Para uma melhor compreensão das diferenças entre esses métodos, observe o Quadro 1.
Método de medição | Vantagens | Limitações |
Matricial | Versátil; cobre toda a cena; bom para iluminação uniforme | Menos preciso em ambientes de alto contraste |
Ponderada ao centro | Dá mais peso à área central; útil para assuntos no centro | Limitado ao centro da imagem; menos eficaz em outras áreas |
Pontual | Altamente preciso; foca áreas específicas da cena | Requer cuidado na seleção do ponto de medição; menos versátil |
Quadro 1 | Quadro comparativo. Fonte: elaborado pela autora.
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Escolha do método de medição de luz adequado
Não existem regras rígidas para o uso dos modos de medição de luz em fotografia, e muitos fotógrafos tendem a usar o mesmo modo em todas as situações. No entanto, a variação pode contribuir para resultados mais precisos e adequados às diferentes condições de iluminação e tipos de cena. Por exemplo, ao fotografar retratos, nos quais a prioridade é ter o rosto do modelo exposto de maneira adequada, independentemente do fundo, a medição pontual pode ser a melhor.
Por outro lado, ao capturar paisagens ou cenas com variação de luz, como na fotografia esportiva, a medição matricial pode ser mais apropriada. Esse método analisa a luz em toda a cena e calcula uma exposição equilibrada, garantindo que todos os elementos da imagem sejam capturados corretamente, com velocidades flexíveis para registrar o congelamento ou o borrão de movimentos.
Em fotografias de eventos sociais, por exemplo, nas quais o tema está frequentemente no centro do quadro, a ponderação central pode ser recomendada. Isso dá mais peso à área central da imagem, garantindo uma exposição precisa para os assuntos principais. Se o tema estiver em uma área ampla contra um fundo claro ou escuro, a medição pontual pode ser útil.
Para a fotografia macro, cujo foco está nos detalhes específicos do objeto, a medição pontual é frequentemente utilizada. Ela permite que você se concentre nas partes importantes do tema, como os olhos de um inseto, garantindo uma exposição precisa e detalhada.
Ao compreender as características e necessidades de cada cena, você pode escolher o modo de medição mais adequado para obter resultados precisos e impactantes em suas fotografias. Experimente diferentes modos em diversas situações para desenvolver sua habilidade em fotometria e alcançar resultados consistentes.
Correlação entre métodos de medição de luz e histograma
Os resultados do histograma são diretamente influenciados pelos métodos de medição de luz. Uma leitura do fotômetro que subexponha ou superexponha a imagem será refletida no histograma, destacando a importância de escolher o método de medição adequado para garantir uma exposição precisa.
Nos visores das câmeras, a qualidade da imagem muitas vezes é comprometida, parecendo ser mais luminosa ou mais escura do que realmente está sendo capturada, o que pode levar a uma interpretação incorreta da exposição. Composto de uma série de barras que representam a distribuição de luminosidade na imagem, o histograma oferece uma representação mais precisa da luminosidade da imagem, permitindo corrigir possíveis problemas de exposição, além de avaliar os tons de cinza e o tipo de luz presente na cena.
No eixo horizontal, estão os 256 tons de luminosidade, variando do preto (0) ao branco (255). Os tons mais escuros são representados no lado esquerdo; os médios, no centro; e os mais claros, no lado direito. O objetivo é obter um histograma equilibrado, mas isso pode variar dependendo do tipo de cena e do efeito desejado (Figura 8).
O histograma de sua câmera na prática
Ao analisar o histograma, você pode identificar alguns padrões e fazer ajustes conforme necessário (Figura 9). Por exemplo, quando há escoamentos do lado esquerdo, indicando tons de alta frequência ou picos, isso sugere que os pretos estão sendo cortados e os detalhes de sombras não estão sendo capturados adequadamente. Para corrigir esse caso, você pode aumentar a iluminação reduzindo a velocidade do obturador, ampliando a abertura ou aumentando o ISO da câmera. No entanto, é importante estar ciente de que essas correções podem afetar a qualidade da imagem.
Por outro lado, se os picos do histograma estiverem escoando para a borda direita, indicando uma superexposição, você pode precisar diminuir a exposição, fechar a abertura ou reduzir o ISO para evitar que os destaques fiquem desbotados (Figura 10).
Um histograma amontoado, com todos os tons agrupados em uma área e muito espaço nos dois lados, pode indicar que o contraste está baixo. Se estiver fotografando em um ambiente controlado, adicionar luz pode intensificar os realces e aumentar as sombras. Caso contrário, uma opção é tentar reenquadrar a foto para incluir elementos contrastantes ou planejar ajustes de contraste durante o pós-processamento (Figura 11).
Não há um histograma ideal, pois a distribuição de luminosidade varia de acordo com o tipo de cena e os objetivos do fotógrafo. Fotos com predominância de tons claros terão um histograma deslocado para a direita, enquanto fotos com predominância de tons escuros terão um histograma deslocado para a esquerda. O importante é entender o histograma como uma ferramenta para guiar a exposição e alcançar o resultado desejado na fotografia.
Vamos Exercitar?
Nesta aula, exploramos os modos de medição de luz — matricial, ponderada ao centro e pontual —, compreendendo como eles influenciam a fotometria. Cada modo apresenta vantagens e limitações, tornando crucial a escolha do que seja mais adequado para cada situação fotográfica. Além disso, discutimos a interpretação do histograma para ajustes precisos nas configurações da câmera. Compreender esses conceitos é fundamental, pois detalhes na configuração da câmera, como a escolha equivocada do modo de medição, podem resultar em leituras indesejadas na fotometria, dificultando a captura de imagens satisfatórias e gerando descontentamento. Estar atento aos modos de medição é essencial para obter os melhores resultados na fotometria das imagens. O aprimoramento das habilidades fotográficas requer prática constante e experimentação com diferentes modos de medição e ajustes de câmera. Analise suas fotografias para identificar se você tem mantido o modo de leitura ou se tem alternado de acordo com seus objetivos e se proponha a fotografar novamente esses cenários utilizando os modos mais adequados.
Saiba Mais
Indicamos a leitura da seção 1.3, intitulada “Fotometria e foco”, do livro Fotografia, para aprofundar seu conhecimento sobre modos de medição na fotometria.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
Além disso, é interessante acessar o site da fabricante de sua câmera para consultar o manual e compreender os modos e as nomenclaturas específicas de seu equipamento. Se você tem interesse em fotografar paisagens, é fundamental expandir seus referenciais estéticos e técnicos.
No artigo A fotografia em preto e branco pelo sistema de zonas de Ansel Adams, você compreenderá como os conceitos estabelecidos na fotografia analógica continuam sendo amplamente utilizados na fotografia e na manipulação digital.
MARQUES, V. M.; MELLO, N. D. A fotografia em preto e branco pelo sistema de zonas de Ansel Adams. Revista Educação, Guarulhos, v. 8, n. 1, p. 64-74, 2013.
Referências Bibliográficas
CANON COLLEGE. Entendendo câmeras e lentes. 2024. Disponível em: https://www.canon.com.br/download/bloco/conteudo/item/33147/entendendocâmeraselentesv1.pdf. Acesso em: 15 mar. 2024.
DAVIS, H. O caminho do fotógrafo digital: percorrendo o caminho da pós-produção no Photoshop para uma fotografia mais criativa. Rio de Janeiro: Rocky Nook, 2015.
MARQUES, V. M.; MELLO, N. D. A fotografia em preto e branco pelo sistema de zonas de Ansel Adams. Revista Educação, Guarulhos, v. 8, n. 1, p. 64-74, 2013. Disponível em: http://revistas.ung.br/index.php/educacao/article/view/1394. Acesso em: 10 mar. 2024.
PALACIN, V. P. Fotografia: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788502175327/pageid/0. Acesso em: 3 jul. 2023.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
PRÄKEL, D. Iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582603093/pageid/2. Acesso em: 3 jul. 2023.
Aula 4
Técnicas Criativas de Exposição
Técnicas Criativas de Exposição
Olá! Nesta aula, vamos retomar os fundamentos da fotometria e técnicas de exposição na prática fotográfica. Você aprenderá a aplicar as técnicas de manipulação da exposição manualmente, explorar fotometria de longa exposição e muito mais. Esses conhecimentos são essenciais para elevar seu nível de fotografia e se destacar no mercado profissional. Prepare-se para essa jornada de aprendizado e aprimoramento!
Ponto de Partida
Olá!
Fotografar vai além de simplesmente registrar uma cena. É um ato de conexão, no qual técnica e emoção se entrelaçam para contar uma história. Henri Cartier-Bresson, renomado fotógrafo, definiu magistralmente: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”. Nessa jornada fotográfica, unimos conhecimento técnico, observação atenta e empatia com o assunto. Agora, é hora de aprimorar nosso olhar.
Vamos revisitar os conceitos de fotometria e explorar técnicas da exposição manual, como bokeh, longa exposição, panning e light painting. Com isso, poderemos criar imagens que transcendem o registro, transmitindo emoções e mensagens visualmente impactantes.
Além disso, agora que você já domina os fundamentos da fotometria, poderá explorar a manipulação da exposição, utilizando estratégias criativas para controlar os efeitos de subexposição e superexposição, o que resulta em imagens com jogos de luz e sombra.
Também abordaremos de que forma essas técnicas podem auxiliá-lo na composição fotográfica, utilizando criativamente os modos de medição da luz. Juntos, vamos explorar os limites da fotometria e entender como capturar imagens que não apenas registram, mas também emocionam e inspiram.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Muitos fotógrafos iniciam sua jornada na fotografia como um hobby, capturando momentos cotidianos, objetos e paisagens. Nesse estágio inicial, estão familiarizando-se com o equipamento e, geralmente, ainda não dominam os recursos e as técnicas avançadas. No entanto, mesmo nesse período inicial, estão começando a desenvolver um olhar fotográfico.
À medida que avançam nas técnicas fotográficas, os fotógrafos adquirem maior controle sobre sua arte, buscando alcançar resultados específicos em suas fotografias. Entretanto, é importante lembrar que a técnica por si só não basta. A verdadeira essência da fotografia reside na capacidade de expressar ideias, emoções e mensagens por meio das imagens capturadas. É nesse ponto que surge a importância de desenvolver um estilo pessoal e uma linguagem visual distintiva.
Ernesto Tarnoczy Junior (2010, p. 143) nos lembra que a luz, ao lado da composição, é o elemento mais importante de uma foto, pois com ela “o fotógrafo gera volumes através das sombras, induz suavidade à cena, mostra realismo, capta a tensão do instante decisivo, produz transcendência e, ao fotografar contra a luz, produz silhuetas e com isso realça o mistério que envolve o momento”.
Ao explorarem o triângulo de exposição, os fotógrafos descobrem que podem criar imagens que priorizam diferentes aspectos, como velocidade, profundidade de campo e estilo visual. Por exemplo, o diafragma da câmera possibilita a criação de fotografias com uma atmosfera fantasiosa e romântica, frequentemente vista em ensaios fotográficos, com aberturas amplas que resultam em um efeito conhecido como "bokeh".
Utilizando o diafragma
Bokeh, uma palavra derivada do japonês boke (que significa borrão ou desfoque), refere-se à maneira como a lente de uma câmera renderiza pontos de luz fora de foco, resultando em um desfoque esteticamente agradável no fundo da imagem. Para criar imagens com esse efeito, é importante escolher as lentes adequadas. Lentes com baixo f-stop, que permitem uma profundidade de campo menor, entre F1.2 e F1.8, são ideais para produzir o bokeh máximo, permitindo que um único objeto seja destacado, enquanto o fundo permanece desfocado. Distâncias focais mais longas, combinadas com uma abertura ampla da lente, ajudam a aumentar o bokeh (Figura 1). Além disso, fatores como velocidade do obturador, abertura, posicionamento da câmera e foco também afetam o resultado.
Fotografia macro
Quando nos aventuramos no mundo da fotografia macro, entramos em um território completamente novo, onde o que é pequeno se torna grande, e o que é imperceptível ganha vida. A fotografia macro consiste em retratar um assunto em uma escala maior que a realidade, um close-up extremo de algo pequeno. Um inseto em uma foto full frame de 5 x 7 polegadas ou um floco de milho em uma foto de produto ampliada bem acima do tamanho real são exemplos clássicos de fotografia macro.
O diafragma é uma das principais ferramentas para controlar a profundidade de campo em qualquer fotografia, incluindo a macro. Quando fotografamos em macro, geralmente estamos muito próximos do objeto. Isso significa que a profundidade de campo é extremamente reduzida, mesmo com uma abertura menor (número F alto); a profundidade de campo pode ser estreita devido à proximidade do objeto. Assim, apenas uma parte muito pequena do objeto permanece em foco, enquanto o restante fica desfocado (Figura 2). A profundidade de campo refere-se à zona de nitidez na imagem, ou seja, à faixa de distâncias entre o objeto mais próximo e o mais distante que aparecem nítidos na fotografia.
Na fotografia macro, geralmente é preferível usar uma abertura menor (número F alto), pois isso aumenta a profundidade de campo e permite que mais partes do objeto estejam em foco. No entanto, isso também resulta em menos luz atingindo o sensor da câmera, o que pode exigir o uso de uma fonte de luz adicional ou ajustes nas configurações de exposição para compensar.
Dicas para fotografar macro
Assim como nas demais técnicas fotográficas, é necessário utilizar equipamentos adequados para fotografar macro. Mas antes de pesquisar lentes, é possível utilizar acessórios que permitam a fotografia em macro, como filtros ou anéis inversores. O planejamento é essencial para todas as especialidades fotográficas, e aqui não é diferente, pois a profundidade de campo é reduzida na fotografia macro. Além disso, limpe e prepare cuidadosamente o objeto a ser fotografado, pois os detalhes são ampliados. Atente-se para uma iluminação adequada, porque a seleção de f-stops maiores (profundidade de campo menor) implica menos passagem de luz. Prepare o cenário evitando distrações e garantindo que o foco esteja no objeto principal. Por fim, controle o movimento com velocidades de obturação adequadas para evitar desfoques causados pelo movimento da câmera.
Controlando a velocidade
Light painting, ou pintura com luz, é uma técnica fotográfica que permite aos artistas transformar fontes de luz em movimento em imagens brilhantes e dinâmicas. Ao explorar essa técnica, você pode desenvolver ainda mais sua criatividade, experimentando com tempos de exposição mais longos e movimentos precisos para capturar efeitos visuais que parecem ser desenhados com pincel (Figura 3). Davis (2015) menciona uma analogia interessante entre o obturador da câmera e um pincel: a velocidade é comparada à tinta e você, a um pintor. Ao dominarem a velocidade do obturador e explorarem técnicas como light painting e panning, os fotógrafos podem contar histórias visuais únicas e transmitir emoções por meio das imagens.
Para entender completamente a pintura com luz, é essencial compreender o lado técnico da fotografia. Isso inclui dominar o triângulo de exposição: velocidade do obturador, abertura e ISO da câmera. A velocidade do obturador determina quanto tempo o obturador da câmera permanece aberto, influenciando a quantidade de luz que atinge o sensor. Em light painting, velocidades mais longas são frequentemente usadas para permitir que mais luz seja capturada durante a exposição, podendo variar de segundos para alguns minutos, o que é essencial para criar linhas de luz brilhantes e definidas.
Além disso, a abertura da câmera, medida pelo f-stop, desempenha um papel crucial na pintura com luz. Aberturas estreitas, com números f-stop mais altos, são preferidas para controlar a quantidade de luz que entra na câmera, permitindo que os fotógrafos alcancem os resultados desejados. Combinado com o ISO, que mede a sensibilidade da câmera à luz, é possível ajustar suas configurações para obter o equilíbrio perfeito entre exposição e qualidade de imagem.
Montar uma sessão de light painting requer mais do que apenas entender as configurações da câmera. Você deve considerar cuidadosamente o ambiente e a luz ambiente ao planejar suas fotos. A hora do dia tem um impacto direto; a “hora azul” após o pôr do sol é especialmente adequada para light painting, visto que oferece a combinação ideal de luz natural e escuridão para criar imagens dramáticas e cativantes.
Além das configurações da câmera e do ambiente, é necessário escolher um tripé estável para manter a câmera imóvel durante exposições longas. Nesse caso, é possível usar um disparador remoto do obturador (que pode ser controlado por smartphones) ou configurar os 30 segundos da câmera, além de selecionar o bulb e manter pressionado o botão até o tempo necessário de captar as luzes desejadas. As fontes de luz podem ser lanternas, velas, LEDs, drones equipados com luzes e até mesmo as estrelas (Figura 4)! Não limite sua criatividade.
Mas light painting não envolve apenas configurações da câmera e ferramentas. Trata-se de expressão criativa e um meio de contar histórias. Ao dominar o uso da velocidade do obturador e explorar técnicas como painting e panning, você romperá as limitações da fotografia tradicional, criando imagens dinâmicas e impactantes.
O panning é uma técnica fotográfica voltada ao movimento e coloca você também em movimento ao seguir um objeto com a câmera enquanto mantém o obturador aberto por um curto período. Essa técnica resulta em um objeto em foco, enquanto o fundo e outros elementos estáticos ficam borrados, transmitindo assim uma sensação de movimento e velocidade na imagem. O panning é frequentemente usado em fotografias de esportes motorizados, corridas de carros, ciclismo (Figura 5), corridas de cavalos e outras atividades velozes.
A chave para dominar a técnica de panning está na compreensão e manipulação da velocidade do obturador e da fotometria da câmera. A velocidade do obturador é um elemento essencial, pois determina por quanto tempo o obturador permanece aberto, influenciando diretamente a quantidade de luz que atinge o sensor da câmera e a nitidez da imagem. No caso do panning, é preferível uma velocidade do obturador mais rápida, enquanto o fundo é desfocado. Experimentar com diferentes velocidades do obturador é fundamental para encontrar o equilíbrio certo entre nitidez e desfoque de movimento desejado na imagem final.
Além da velocidade do obturador, é importante manter atenção na fotometria e no modo de medição, para obter uma exposição equilibrada, garantindo que tanto o objeto em movimento quanto o ambiente ao redor sejam capturados com precisão.
Para dominar a técnica de panning, aqui estão algumas dicas úteis:
- Escolha objetos em movimento rápido e previsível, como carros, ciclistas ou corredores.
- Experimente diferentes velocidades do obturador para encontrar a que melhor captura o movimento do objeto enquanto mantém uma exposição equilibrada.
- Pratique seguir o objeto em movimento enquanto mantém a câmera estável.
- Varie os ângulos e explore diferentes composições para criar dinamismo.
- Seja paciente e persistente.
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Técnicas avançadas de exposição manual
Na exposição manual, existem várias técnicas avançadas que os fotógrafos podem utilizar para ter um controle ainda maior sobre a exposição da imagem. Algumas dessas técnicas são: exposição por zonas (Zone System), exposição compensada, exposição longa (como vimos em light painting), exposição múltipla, exposição para HDR, entre outras menos praticadas.
O Sistema de Exposição por Zonas foi desenvolvido por Ansel Adams, pioneiro da fotografia de paisagens, juntamente com Fred Archer, na década de 1940. A técnica surgiu dos desafios enfrentados por Adams ao tentar capturar detalhes tanto nas áreas mais escuras quanto nas mais claras de suas cenas de paisagem. Ele percebeu que a exposição padrão da câmera frequentemente resultava em áreas superexpostas ou subexpostas, levando à perda de detalhes importantes.
Para superar essas limitações técnicas, Adams (Figura 6) desenvolveu um sistema de medição e exposição que divide a faixa tonal de uma cena em 11 zonas, indo do preto absoluto ao branco absoluto, com vários tons de cinza intermediários. Cada zona representa um nível específico de luminosidade, e o fotógrafo pode ajustar a exposição da imagem para posicionar os elementos mais importantes da cena nessas zonas, garantindo assim o máximo de detalhes tanto nas áreas de sombra quanto nos destaques (Marques, 2013, p. 69).
Para aplicar os princípios dessa técnica na fotografia digital, é necessário utilizar um fotômetro para medir a luminosidade das diferentes partes da cena e, com base nesses dados, ajustar manualmente as configurações da câmera, como abertura, velocidade do obturador e sensibilidade ISO, para obter a exposição desejada. É essencial compreender profundamente os princípios da exposição fotográfica e o funcionamento da câmera.
Um exemplo prático da aplicação do Zone System seria a fotografia de um cenário de paisagem com um amplo intervalo dinâmico, como uma montanha contra o céu. Nesse caso, é necessário utilizar um fotômetro para medir a luminosidade tanto na área da montanha quanto no céu e ajustar as configurações da câmera para garantir que ambos os elementos estejam adequadamente expostos, evitando assim a perda de detalhes nas sombras da montanha ou nas áreas superexpostas do céu. Muitas vezes essas leituras são muito diferentes, e pode ser necessário utilizar filtros graduados neutros para equilibrar a exposição entre o céu e a terra ou até mesmo manipular digitalmente na pós-produção.
Subexposição e superexposição: uma estratégia criativa
As fotografias subexpostas têm um potencial incrível para expressar emoções e criar atmosferas únicas (Figura 7). Explorando contrastes e realçando as sombras, elas transmitem uma sensação de mistério e drama, especialmente em paisagens, retratos ou cenas urbanas.
Essas imagens têm o poder de evocar uma variedade de emoções, como melancolia e solidão, permitindo uma conexão emocional profunda com o espectador. Por exemplo, uma simples cadeira vazia diante de uma janela pode despertar sentimentos de introspecção e solidão, colocando o observador na mesma perspectiva do fotógrafo.
A técnica da subexposição realça o contraste entre luz e sombra, criando uma sensação de profundidade e textura na cena, destacando detalhes importantes e adicionando interesse visual à imagem. Além disso, a subexposição pode ser usada para criar silhuetas: o objeto principal é destacado contra um fundo luminoso, resultando em uma imagem simples e gráfica, mas cheia de impacto visual. Algumas fotografias subexpostas podem se assemelhar a pinturas, com o uso dramático de luz e sombra inspirado em artistas barrocos. Essa abordagem estilística confere profundidade e complexidade à imagem.
As fotografias superexpostas também oferecem uma ampla gama de possibilidades criativas, para explorar o jogo de luz e enfatizar as áreas claras, criando uma atmosfera etérea e sonhadora nas imagens.
Ao utilizar essa técnica, é possível transmitir uma sensação de leveza e luminosidade, evocando sentimentos de paz e serenidade. Por exemplo, fotografias de campos banhados pelo sol ou retratos com uma luz suave podem capturar uma sensação de calma e tranquilidade, proporcionando uma experiência visualmente agradável ao espectador (Figura 8).
A superexposição também pode ser usada para criar um efeito de “branco estourado”, onde as áreas mais claras da imagem ficam completamente saturadas, resultando em um visual único e impactante. Essa técnica mostra-se especialmente eficaz em retratos ou em fotografias de arquitetura, adicionando um toque de modernidade e sofisticação à composição.
Assim como as fotografias subexpostas, as superexpostas também podem se assemelhar a pinturas, com o uso criativo da luz para alcançar uma estética visualmente interessante. Elas podem transmitir uma sensação de leveza e harmonia, transformando cada imagem em uma obra de arte única e inspiradora.
Vamos Exercitar?
Nesta aula, exploramos desafios relacionados à manipulação da exposição fotográfica, buscando criar imagens que transcendam o mero registro e transmitam emoções impactantes. Um dos principais desafios foi o controle da exposição em situações de alto contraste, onde há áreas muito claras e muito escuras na mesma cena. Para resolver esse problema, revisamos conceitos de fotometria e técnicas avançadas da exposição manual, como o sistema de exposição por zonas de Ansel Adams.
Além disso, discutimos o uso criativo do diafragma para explorar técnicas como bokeh e fotografia macro, bem como o uso do obturador para dinamizar imagens com panning e light painting. Essas técnicas permitem manipular a exposição criativamente, bem como controlar os efeitos de subexposição e superexposição e criar jogos de luz e sombra que enriquecem visualmente a imagem.
Para além das técnicas abordadas, é importante desenvolver um olhar fotográfico sensível, observando atentamente a composição da cena e buscando capturar momentos que transmitam emoções genuínas. Experimentar e praticar regularmente essas técnicas também é essencial para aprimorar as habilidades fotográficas e desenvolver um estilo pessoal.
Agora é a sua vez! Você pode explorar cada uma dessas técnicas para aplicar todos os princípios da fotometria, compondo imagens inusitadas tanto para seu repertório quanto para compor seu portfólio ou desenvolver trabalhos mais criativos. Experimentar diferentes abordagens e estar aberto à experimentação é fundamental para identificar o que você mais gosta de fotografar e o que gera maior dificuldade. Isso permite que haja uma preparação para todos os cenários possíveis, seja com boas condições de iluminação ou não.
Além disso, é importante buscar inspiração em outras fontes, como fotógrafos renomados, obras de arte e até mesmo o ambiente ao seu redor. Observar o trabalho de outros profissionais pode ajudá-lo a expandir sua visão e desenvolver seu estilo único. Não tenha medo de sair da zona de conforto e experimentar novas ideias, pois é assim que você cresce como profissional da fotografia.
Saiba Mais
Indicamos a leitura do capítulo 4 do livro Fotografia: teoria e prática, intitulado “Olhar fotográfico: enquadramento, composição e angulação”, para aprofundar seus conhecimentos sobre o olhar fotográfico e aplicar as técnicas de fotometria em cada situação fotográfica apresentada pelo autor.
PALACIN, V. P. Fotografia: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2012.
Além disso, é interessante navegar pelo blog da Adobe e encontrar textos que auxiliam no desenvolvimento de fotografias mais criativas, como o artigo Não tenha pressa com a fotografia de longa exposição.
ULIVIERI, N.; LONG, A. Não tenha pressa com a fotografia de longa exposição. Adobe, 2024.
Se você gosta de séries, recomendamos Tales by Light, disponível em plataformas de streaming. Produzida pela National Geographic e pela Canon, mostra o processo criativo de fotógrafos renomados, revelando os desafios e obstáculos encontrados no mundo da fotografia, bem como as técnicas e estratégias empregadas para superá-los. Cada episódio apresenta um fotógrafo diferente, proporcionando novas perspectivas e inspirações para aprimorar sua arte fotográfica.
Referências Bibliográficas
DAVIS, H. O caminho do fotógrafo digital: percorrendo o caminho da pós-produção no Photoshop para uma fotografia mais criativa. Rio de Janeiro: Rocky Nook, 2015.
FREEMAN, M. O olho do fotógrafo: composição e design para fotos digitais. Porto Alegre: Bookman, 2007.
LONG, B. et al. Confira as cinco melhores dicas de fotografia macro. Adobe, 2024. Disponível em: https://www.adobe.com/br/creativecloud/photography/discover/macro-photography.html. Acesso em: 16 mar. 2024.
MARQUES, V. M.; MELLO, N. D. A fotografia em preto e branco pelo sistema de zonas de Ansel Adams. Revista Educação, Guarulhos, v. 8, n. 1, p. 64-74, 2013. Disponível em: http://revistas.ung.br/index.php/educacao/article/view/1394. Acesso em: 10 mar. 2024.
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Encerramento da Unidade
Fundamentos da Fotometria
Videoaula de Encerramento
Olá! Nesta aula, você vai explorar a fotografia de forma mais autoral, assumindo o papel de protagonista em suas imagens. Reflita sobre as questões de Vilém Flusser para entender os limites de seu equipamento e suas decisões. Enfrente desafios reais dos fotógrafos, aplicando os pilares da fotografia. Compreender a singularidade de cada ambiente e sua relação com a luz é essencial. Assista à videoaula e domine o jogo da exposição.
Ponto de Chegada
Olá!
Para desenvolver a competência desta Unidade, que é compreender os fundamentos de fotometria e seus usos em diferentes contextos, é importante iniciar sua jornada com os três pilares da fotografia, conhecidos como o triângulo de exposição. Entender o papel de cada configuração em suas decisões capacita você a escrever a mensagem que deseja comunicar por meio da fotografia. Ler os diversos cenários que se apresentam diante de nossos olhos e nossas lentes faz parte desse processo de escrita da luz. Por meio dos fotômetros, externos ou embutidos, é feita a leitura de luz refletida e luz incidente.
É fato que nem toda fotografia parece estar iluminada adequadamente, mesmo conferindo os fotômetros e configurando os ajustes de diafragma, velocidade do obturador e ISO. É importante observar o modo de medição dessas luzes, conforme os objetivos da fotografia. Se uma paisagem requer uma medição matricial, um retrato com efeito de silhueta pode exigir uma medição mais pontual. Conhecer e identificar essas singularidades lhe permite estar capacitado para fotografar em qualquer cenário, além de desenvolver suas habilidades criativas.
Desde que você começou a fotografar, já deve ter ouvido alguns elogios, como “parabéns pela foto, sua máquina é muito boa”, e ficou sem respostas. Alguns fotógrafos se apoiam muito em seus equipamentos, mas a fotografia não depende disso, e sim do profissional. Você está desenvolvendo suas competências e preparado para decidir como serão suas fotografias, não sua máquina.
Em seu livro A filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia (1985), Vilém Flusser, filósofo tcheco que se naturalizou brasileiro, discute as relações entre humanos e aparelhos, partindo da hipótese de que a invenção das imagens técnicas inaugurou um novo modo de ser, assim como a invenção da escrita inaugurou a História. A reprodução de imagens, antes realizada por artistas por meio de retratos ou paisagens pintados, hoje está ao alcance de todos, na palma da mão, seja no momento da fotografia em si ou da exposição dela nas redes sociais. Esse ato de tornar a fotografia acessível não significa que ela seja entendida por todos, não apenas pela técnica, mas também pelo pensar fotográfico, pela capacidade de se comunicar pelas imagens.
Segundo Flusser (1985, p. 44), “o fotógrafo domina o aparelho, mas pela ignorância dos processos no interior da caixa, é por ele dominado”. Em outras palavras, podemos dizer que, a partir dessa relação, os profissionais da fotografia devem ter um domínio da entrada (input) e da saída (output). Mas o que isso significa? É necessário, antes de operar a máquina fotográfica, dominar os saberes fotográficos para planejar a mensagem que você deseja comunicar, para então entender o cenário, ler a fotometria e configurar todos os recursos de captura da imagem, sem deixar que a câmera decida por você.
Com a disponibilidade de várias inteligências artificiais e tecnologias que facilitam o cotidiano, é quase imperceptível distinguir em quais momentos temos controle de nossas ações e quando os processos são automatizados. Essa discussão proposta por Flusser é um importante exercício para você identificar até que ponto está utilizando essas tecnologias para auxiliar seu fluxo de trabalho ou deixando a tecnologia tomar decisões. Alinhar conhecimento, técnica e olhar fotográfico o capacita para todas as situações e o torna protagonista de suas mensagens.
“Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, célebre frase do cineasta brasileiro Glauber Rocha, é motivadora para os estudantes de cinema e de fotografia que buscam desafios, como realmente compreender os fundamentos de fotometria e seus usos em diferentes contextos fotográficos. Para colocar essas ideias em prática, vamos olhar para toda a teoria como algo que é natural para os fotógrafos, que é o ato de fotografar.
Acompanhando as tendências, você quer compor cenários através dos olhos do cineasta Wes Anderson e criar fotografias com referência ao filme O Grande Hotel Budapeste (2014), priorizando a centralização dos objetos, cores pastéis, sem grandes contrastes. O dia está muito claro, e essa estética do filme não tem granulação de ISO; então, após avaliar o cenário e a fotometria, você começa os ajustes pelo triângulo de exposição, definindo o ISO 200, que é o menor de sua câmera (Figura 1).
Porém, o sol está se pondo e perdeu a maior parte da iluminação natural disponível. Como registrar movimentos não é sua prioridade, o ajuste das configurações é realizado para aproveitar o restante dessa iluminação suave e dourada do fim de tarde, conhecida como golden hour. O foco é a cadeira vazia em meio àquela paisagem com um pôr do sol dourado e rosado. Você ajusta o modo de medição matricial para obter a estética do filme, bem equilibrada, sem grandes contrastes. A fotometria está indicando subexposição, passando do -3 na escala. Então você reduz o tempo de exposição ajustando a velocidade do obturador para 1/60; essa velocidade é mais baixa, mas não causará borrões, algo mais possível a partir de 1/30. Sua lente grande angular tem abertura máxima de F4.0; essa limitação não é um problema e já permite a entrada de uma boa quantidade de luz. Olhando para o fotômetro interno da câmera, ainda são necessários mais uns pontos de luz, então você decide aumentar a sensibilização do ISO para 800.
A imagem está como você deseja, mas no histograma as informações estão todas na faixa dos tons claros, visto que a maior parte da cena contempla o céu iluminado, mas de fato não há uma superexposição. Esse cenário foi realmente desafiador: pela falta de luz, alguns detalhes da vegetação quase ficaram subexpostos, mas com os ajustes você consegue equilibrar toda a cena (Figura 2).
O visor da câmera pode mesmo enganar, fazendo parecer que tudo está muito cinza, mas o histograma é um grande aliado para indicar se a exposição está adequada aos seus objetivos, desde que você compreenda a situação de iluminação da área fotometrada.
Compreender cada etapa dos fundamentos da fotografia o capacita a dominar os equipamentos e processos de fotometria de acordo com a necessidade de aplicação de cada cenário e situação fotográfica.
É Hora de Praticar!
Imagine o cenário em que você está em uma praia reservada, numa tarde ensolarada, para fazer fotografias de paisagem e se depara com uma celebridade em seu lazer com a família. Além de pensar tecnicamente em quais composições, medições de luz e fotometrar adequadamente o cenário para congelar o movimento dos barcos que passam no rio ou os pássaros mergulhando no mar, você precisa pensar em incluir ou ignorar a celebridade que está pescando, fazendo parte dessa paisagem.
Nesse momento, você decide assegurar a privacidade dela e da família, seguindo seu plano: é dia de fotografar paisagens. Você quer registrar exatamente o momento em que um pássaro pousa no mar enquanto pesca. Tudo está muito claro, você sente dificuldades em medir as luzes e verificar como estão ficando as fotos pelo visor da câmera.
Reflita
Em um retrato de antes e depois, considerando o “antes” como suas fotografias sem o desenvolvimento dos saberes apresentados nesta Unidade, e o “depois” com os novos conhecimentos adquiridos, qual retrato você escolheria para compartilhar em suas redes sociais?
Você costuma utilizar o histograma durante suas sessões fotográficas? Se sim, com que frequência e em que tipo de situações você considera mais útil consultar o histograma?
Há alguma técnica ou prática que você utiliza como uma assinatura criativa para suas fotografias? Quais são seus métodos preferidos para assegurar uma exposição adequada em diferentes situações de iluminação?
Resolução do estudo de caso
Então, você se lembra de verificar o histograma para entender se está equilibrado, sem contrastes ou se os brancos estão estourando. Você identifica que a faixa de areia está superexposta e percebe que a câmera está no modo pontual de medição fixado no mar azul-escuro, então altera a configuração para o modo matricial, a fim de fazer uma medição de todo o cenário.
Nesse contexto, há a praia com um pouco de vegetação e pedras, o céu ensolarado e os pássaros que pousam sobre o mar calmo. É necessário ser rápido para capturar o instante em que os pássaros tocam a superfície da água, então sua prioridade é a velocidade do obturador, e você seleciona 1/1250 para garantir esse resultado. Para que esses elementos mantenham o máximo de nitidez, você aumenta a profundidade de campo configurando a abertura em F22, mas percebe que o fotômetro está indicando subexposição.
Ao reavaliar seus objetivos, considera diminuir a profundidade de campo, aumentando a abertura em F11 para ter mais luz refletida passando pela lente. Você opta por não zerar o fotômetro, então define a sensibilidade do ISO em 320 para não haver ruídos, deixando um ponto a mais de luz e pronto! Você consegue registrar o momento exato em que aquele pássaro mergulha no mar para pescar.
É importante perceber que ter objetivos claros e planejamento e compreender as funcionalidades do fotômetro e os modos de medição são fatores essenciais para realizar os ajustes necessários e registrar imagens impactantes. Na teoria parece muita coisa para lembrar; porém, com a prática em diversas situações, é possível desenvolver sua capacidade de dominar os equipamentos e processos de fotometria de acordo com a necessidade de aplicação de cada cenário e situação fotográfica.
Dê o play!
Assimile
Recorra ao infográfico do triângulo de exposição sempre que necessário (Figura 3). Ele resume as principais configurações sobre os fundamentos da fotometria e oferece dicas úteis para aplicar em suas fotografias. Pratique e experimente constantemente para aprimorar suas habilidades em fotometria e alcançar resultados cada vez mais profissionais.
Referências
FLUSSER, V. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Relume Dumará, 2002.
IMDb. O Grande Hotel Budapeste. 2014. Disponível em: https://www.imdb.com/title/tt2278388/. Acesso em: 13 mar. 2024.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
PETERS, D. Hamburger-fotospots. 2024. Disponível em: https://www.hamburger-fotospots.de/kostenloser-download-foto-cheatcard-fuer-fotografen.html. Acesso em: 8 mar. 2024.
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