Introdução à Toxicologia
Aula 1
Fundamentos em Toxicologia
Fundamentos em toxicologia
Neste vídeo, vamos analisar a história da toxicologia, desde suas origens na antiguidade até seu desenvolvimento como ciência moderna. Começamos com relatos históricos do uso de venenos em diferentes culturas para caça, guerra e intrigas políticas, destacando a evolução da toxicologia com a Revolução Industrial e a crescente preocupação com a exposição a produtos químicos no ambiente de trabalho e na vida diária. Os conceitos fundamentais de toxicologia são explicados de forma clara e acessível.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Esta é a aula inicial da nossa disciplina, na qual, ao final, você deverá compreender o contexto histórico, os conceitos e a terminologia da toxicologia, além dos aspectos gerais das análises toxicológicas forenses. Vale ressaltar que existe uma carência de profissionais com bons conhecimentos e habilidades. Portanto, tenha em mente que, para ser um bom profissional, você tem que se dedicar a estudar os conceitos e os aspectos gerais de toxicologia, e saber como aplicar esses conhecimentos no seu dia a dia. Ao estudar os conceitos apresentados nesta seção, você será capaz de perceber a importância de aspectos na toxicologia forense.
Durante as aulas de filosofia e história, conhecemos Sócrates, filósofo famoso por sua abordagem dialética, conhecida como método socrático, que envolve fazer uma série de perguntas para ajudar uma pessoa ou grupo a descobrir suas crenças sobre um determinado tópico. Sócrates também era conhecido por sua crença de que a sabedoria verdadeira vem da consciência da própria ignorância. Sua máxima "Só sei que nada sei" reflete essa visão. Odiado por muitos, acabou sendo condenado e sentenciado a beber cicuta, um veneno mortal. Será que a dose do veneno teve a ver com seu falecimento? Veremos durante a seção.
Vamos Começar!
Contexto histórico
O termo toxicologia advém da junção do grego toxikon, que significa veneno das flechas, usado na caça desde a antiguidade, e logia, que significa estudo. Então, é uma ciência que estuda os efeitos adversos das substâncias químicas nos organismos vivos. Seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado à história, desde os tempos antigos até os dias atuais (Goldberger; Wilkins, 2014).
Na antiguidade, o conhecimento sobre substâncias tóxicas era limitado e frequentemente confundido com superstição e magia. Civilizações antigas, como os egípcios, gregos e romanos, já utilizavam substâncias químicas tanto para fins medicinais quanto para assassinatos e punições (Damiani et al., 2021). O papiro de Ebers, um documento egípcio datado de cerca de 1500 a.C., menciona várias plantas venenosas e seus usos. Os gregos antigos, particularmente Hipócrates (c. 460–370 a.C.), conhecido como o "pai da medicina", e Teofrasto (c. 371–287 a.C.), um botânico e filósofo, contribuíram significativamente para o conhecimento dos efeitos de diversas plantas e substâncias. Aristóteles (384–322 a.C.) e seu aluno, Teofrasto, também estudaram plantas venenosas e seus efeitos (Klaassen; Watkins III, 2012).
Durante a Idade Média, o conhecimento sobre toxicologia continuou a crescer, embora muitas vezes fosse envolto em práticas alquímicas e superstição. Paracelso (1493–1541), um médico e alquimista suíço, é uma figura central neste período. Ele é famoso por sua afirmação de que "a dose faz o veneno”, destacando que qualquer substância pode ser tóxica em quantidade suficiente. Paracelso estabeleceu uma base científica para a toxicologia, enfatizando a importância da dosagem (Klaassen; Watkins III, 2012). No Renascimento, o interesse pela ciência e a investigação empírica aumentaram, e a toxicologia começou a se desenvolver como uma disciplina científica. Os estudiosos começaram a realizar experimentos sistemáticos e documentar os efeitos de várias substâncias. Este período viu o desenvolvimento de novos métodos para a detecção de substâncias venenosas e medicinais e o avanço do conhecimento químico (Goldberger; Wilkins 2014).
O século XIX marcou um período de grande avanço na toxicologia, com o desenvolvimento da química orgânica e a identificação de muitas substâncias tóxicas. Os métodos analíticos melhoraram, permitindo a detecção e a quantificação precisa de venenos em amostras biológicas. Figuras como Mathieu Orfila (1787–1853), um dos fundadores da toxicologia moderna, contribuíram significativamente para a disciplina. Orfila escreveu um dos primeiros tratados sistemáticos sobre venenos e seus efeitos no corpo humano (Goldberger; Wilkins 2014).
No século XX, a toxicologia consolidou-se como uma ciência interdisciplinar, integrando conhecimentos de biologia, química, medicina e farmacologia. O desenvolvimento de novos fármacos e produtos químicos industriais aumentou a necessidade de estudos de toxicidade (Klaassen; Watkins III, 2012). A regulamentação de substâncias químicas também se tornou mais rigorosa, com agências como a Agência de Proteção Ambiental (EPA) nos Estados Unidos e a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) na Europa estabelecendo diretrizes para a avaliação de risco e segurança química. O século XXI trouxe avanços na toxicologia molecular e genômica, permitindo a compreensão dos mecanismos subjacentes aos efeitos tóxicos em nível celular e molecular. Técnicas modernas, como a biologia computacional e a bioinformática, estão revolucionando a forma como os toxicologistas estudam e preveem os efeitos de novas substâncias (Damiani et al., 2021).
Siga em Frente...
Aspectos gerais da toxicologia
Toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos das substâncias químicas nos organismos vivos, incluindo a natureza dos danos, os mecanismos de ação, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento das intoxicações (Martinis; Dorta; Costa, 2018). Esta disciplina integra a saúde pública na farmacologia, em medicina e em várias indústrias, como a química e a alimentícia. Alguns conceitos são fundamentais, conforme demonstrados no quadro a seguir:
Toxina
| Substância venenosa produzida por organismos vivos, como plantas, animais e microrganismos. Exemplo: toxina botulínica produzida pela bactéria Clostridium botulinum. |
Tóxico | Qualquer substância (natural ou sintética) que pode causar danos a um organismo vivo. Exemplo: chumbo, mercúrio, cianeto. |
Dose | A quantidade de uma substância à qual um organismo é exposto. Pode ser medida em termos absolutos (mg, g) ou relativos (mg/kg de peso corporal). |
Risco toxicológico | A probabilidade de ocorrência de efeitos adversos devido à exposição a uma substância tóxica, considerando a dose e a duração da exposição. |
Exposição | Contato de um organismo com uma substância tóxica. A exposição pode ser aguda (curta duração) ou crônica (longa duração). |
Efeito adverso | Qualquer alteração nociva no funcionamento ou na estrutura do organismo devido à exposição a uma substância tóxica. |
Limite de exposição | Quantidade máxima de uma substância à qual os trabalhadores podem ser expostos sem efeitos adversos significativos. |
Quadro 1 | Conceitos básicos de toxicologia. Fonte: adaptada de Martinis, Dorta e Costa (2018).
Nessa área, há uma terminologia específica, fundamental para a compreensão dos processos tóxicos: a avaliação de riscos e o desenvolvimento de medidas de segurança, como descritos no Quadro 2.
DL50 (Dose Letal 50) | A dose de uma substância que causa a morte de 50% de uma população de teste. É um parâmetro comum para medir a toxicidade aguda. |
NOAEL (No Observed Adverse Effect Level) | O nível máximo de exposição no qual não são observados efeitos adversos em uma população de teste. |
LOAEL (Lowest Observed Adverse Effect Level) | A menor dose na qual são observados efeitos adversos. |
ADI (Acceptable Daily Intake) | Quantidade de uma substância que pode ser ingerida diariamente ao longo da vida sem representar um risco significativo para a saúde. |
Biotransformação | Processos pelos quais o corpo metaboliza substâncias tóxicas, tornando-as mais solúveis em água para facilitar a excreção. |
Bioacumulação | Acúmulo de substâncias tóxicas em um organismo ao longo do tempo, muitas vezes devido à incapacidade do organismo de excretar a substância de forma eficiente. |
Xenobiótico | Compostos químicos qualitativamente ou quantitativamente estranhos ao organismo. |
Metabólito | Produto intermediário ou final do metabolismo de uma substância. Alguns metabolitos podem ser mais tóxicos que a substância original. |
Carcinogênico | Substância que pode causar câncer. |
Mutagênico | Substância que pode causar mutações no DNA. |
Teratogênico | Substância que pode causar malformações congênitas. |
Quadro 2 | Terminologia de toxicologia. Fonte: adaptada de Martinis, Dorta e Costa (2018).
A toxicologia é um campo abrangente que se divide em várias áreas de estudo, cada uma focada em aspectos específicos dos efeitos das substâncias químicas. As principais áreas de estudo na toxicologia incluem: a toxicologia ambiental, na qual são investigados os efeitos de poluentes no meio ambiente e nos seres vivos – é importante compreender como substâncias tóxicas impactam ecossistemas e a saúde dos seres humanos (Klaassen; Watkins III, 2012) –; a toxicologia clínica, focada no diagnóstico e tratamento de envenenamentos e intoxicações em humanos. Essa área se torna complementar para a medicina de emergência e o tratamento de casos de exposição a substâncias tóxicas (Martinis; Dorta; Costa, 2018). Há, também, a toxicologia forense, em que ocorre a aplicação de conhecimentos toxicológicos para fins legais, como a investigação de mortes e crimes, sendo uma área essencial para a justiça criminal e a determinação das causas de óbito. A toxicologia ocupacional, por sua vez, estuda os efeitos de substâncias tóxicas no ambiente de trabalho, desenvolvendo medidas de prevenção, e é vital para a saúde e segurança dos trabalhadores expostos a produtos químicos (Klaassen; Watkins III, 2012; Martinis; Dorta; Costa, 2018). Já a toxicologia alimentar avalia os riscos associados a contaminantes em alimentos e aditivos alimentares, sendo uma área que garante a segurança dos alimentos consumidos pela população.
Com esses conceitos e terminologias você terá a base da toxicologia, essencial para entender como as substâncias químicas podem afetar a saúde humana e o meio ambiente (Klaassen; Watkins III, 2012).
Outro âmbito da disciplina de toxicologia são as análises toxicológicas, importante na ciência forense e na medicina. Elas se concentram na detecção e quantificação de substâncias tóxicas em diversos materiais biológicos e não biológicos, controle de doping em esportes, monitoramento de ambientes de trabalho, investigações criminais e controle de qualidade de produtos (Watson; Wexler, 2009).
Os principais objetivos das análises toxicológicas convergem para a detecção de substâncias, a fim de identificar a presença de drogas, venenos, xenobióticos e outros compostos tóxicos no organismo, além de quantificar a concentração dessas substâncias para determinar possíveis efeitos tóxicos, e monitorar a exposição desses agentes tóxicos ao longo do tempo. O profissional da área também vai auxiliar no diagnóstico de intoxicações e overdoses, quando necessário, e contribuir para estudos dos efeitos de substâncias químicas no organismo.
De acordo com o quadro a seguir, podemos detectar presença de xenobióticos desde técnicas mais simples a também técnicas mais elaboradas em equipamentos mais sensíveis e específicos.
Ano | Tecnologias Analíticas |
< 1960 | Testes de cores e microcristais. Microscopia térmica, pontos de fusão (PF), cromatografia em papel. |
1960 | Espectrofotometria UV/Vis, espectrometria de infravermelho (IV), espectrometria de ressonância magnética nuclear (RMN). |
1970 | Cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia gasosa (CG), cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). |
1980 | Imunoensaios, cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas, eletroforese capilar. |
2000 | Cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa tandem, cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa de tempo de voo, cromatografia líquida acoplada ao detector de quimioluminescência de nitrogênio. |
2005 | Coleta de frações executadas por LC/MS-MS e subsequente reanálise por infusão baseada em chip em vários tipos de analisadores de massa. |
Quadro 3 | Tecnologias analíticas. Fonte: adaptada de Martinis, Dorta e Costa (2018).
Para determinar os metabólitos envolvidos nos envenenamentos ou nas intoxicações, toxicologistas forenses utilizam matrizes biológicas, que incluem tecidos ou fluidos biológicos coletados sob condições padronizadas. A toxicologia forense também abrange a análise de amostras não biológicas quando exigido por interesses judiciais, como análises de solo e água, conduzidas em casos de contaminação ambiental, análises de medicamentos ou xenobióticos em casos de suicídio ou adulteração de drogas, e a detecção de traços de drogas ilícitas em objetos na cena do crime (Goldberger; Wilkins, 2014). A escolha da matriz biológica nas análises forenses depende da disponibilidade da amostra e do tipo de exposição. Em casos de exposição aguda, como tentativa de suicídio ou monitoramento de dependência de drogas, as coletas de sangue, urina e saliva são frequentemente mais apropriadas para essa análise. Além disso, o ar exalado é utilizado para detectar consumo de bebidas alcóolicas em motoristas. Para avaliar a exposição crônica a agentes tóxicos, como em casos de intoxicação por químicos, cabelo e unhas são matrizes mais adequadas, pois fornecem informações sobre um período de exposição mais longo (Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Vamos Exercitar?
Caso clínico sobre Sócrates
Como abordado no início da seção, Sócrates foi condenado à morte por um tribunal ateniense sob as acusações de corromper a juventude e por impiedade. A sentença foi a ingestão de cicuta, uma planta venenosa conhecida por seus efeitos neurotóxicos. A cicuta (Conium maculatum) é uma planta altamente venenosa. Seus principais componentes tóxicos são os alcaloides, especialmente a coniina, uma neurotoxina que atua no sistema nervoso central, interferindo na transmissão neuromuscular. Após a ingestão, a pessoa apresenta fraqueza muscular e paralisia ascendente, começando nas pernas e subindo pelo corpo, com náuseas e vômitos, dor abdominal, tremores e confusão mental, chegando à insuficiência respiratória devido à paralisia dos músculos respiratórios. Ele deitou-se, conforme instruído pelo carrasco, e a paralisia progrediu, eventualmente afetando os músculos respiratórios. Sócrates morreu devido à insuficiência respiratória causada pela paralisia muscular.
Saiba Mais
Marie Curie, nascida na Polônia, foi uma cientista pioneira na pesquisa sobre radioatividade. Ela é famosa por descobrir os elementos químicos rádio e polônio, e por ser a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel, além de ser a única pessoa a ganhar Nobel em duas áreas diferentes: Física (1903) e Química (1911). Marie Curie e seu marido, Pierre Curie, conduziram extensivas pesquisas sobre a radioatividade em uma época em que os perigos da radiação não eram conhecidos. Eles manipulavam substâncias altamente radioativas sem proteção adequada, o que resultou em uma exposição contínua a altos níveis de radiação. A cientista sofreu os efeitos cumulativos da exposição à radiação ao longo dos anos. Ela apresentou vários sintomas que hoje sabemos estar associados à exposição crônica à radiação, como anemia aplástica, uma condição em que a medula óssea não produz células sanguíneas suficientes. Esta condição foi diretamente relacionada à sua longa exposição à radiação.
Referências Bibliográficas
DAMIANI, Roberto M. et al. Toxicologia. Porto Alegre: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901954. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901954/. Acesso em: 16 ago. 2024.
GOLDBERGER Bruce A.; WILKINS, Diana G. Analytical and forensic toxicology. In: KLAASSEN, Curtis D. Casarett & Doull’s toxicology: the basic science of poisons. New York: McGraw-Hill; 2014. p. 274-1357.
KLAASSEN, Curtis D.; WATKINS III, John B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull (Lange). Porto Alegre: Grupo A, 2012. E-book. ISBN 9788580551327. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551327/. Acesso em: 16 ago. 2024.
MARTINIS, Bruno Spinosa de; DORTA, Daniel J.; COSTA, José Luiz da. Toxicologia forense. São Paulo: Blucher, 2018. E-book. ISBN 9788521213680. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213680/. Acesso em: 16 ago. 2024.
WATSON, K. D.; WEXLER, P. History of toxicology. In: WEXLER, P. Information resources of toxicology. California: Academy Press; 2009. p. 11-29.
Aula 2
Cadeia de Custódia de Laboratórios Forenses e Áreas de Atuação
Cadeia de custódia de laboratórios forenses e áreas de atuação
O vídeo aborda a cadeia de custódia em laboratórios de toxicologia forense, detalhando os procedimentos rigorosos para assegurar a integridade das amostras. Explica os diferentes tipos de testes toxicológicos, como análises de sangue, urina e cabelo, utilizados para detectar substâncias químicas. Além disso, apresenta as diversas áreas de atuação da toxicologia forense, incluindo a investigação criminal, o controle antidoping, e a segurança no ambiente de trabalho. A importância da precisão e da confiabilidade dos resultados é enfatizada ao longo do vídeo.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula você deverá compreender a cadeia de custódia de laboratórios de toxicologia forense, assim como os tipos de testes toxicológicos e quais áreas de atuação da toxicologia forense. Suas principais áreas de atuação incluem a investigação de causas de morte, que determina se substâncias tóxicas contribuíram para óbitos, como em casos de overdose ou envenenamento; e as análises em casos criminais, detectando drogas e venenos em amostras biológicas para auxiliar nas investigações. Além disso, a toxicologia forense é utilizada em exames de trânsito para avaliar a presença de álcool ou drogas em motoristas, contribuindo em processos de condução sob influência. No campo esportivo, identifica substâncias proibidas em atletas para assegurar a conformidade com regras antidopagem. A área também abrange a análise de exposição ocupacional, avaliando a exposição a substâncias químicas no ambiente de trabalho, e a toxicologia ambiental, que estuda a contaminação química e seus efeitos na saúde humana. Estudar a cadeia de custódia na disciplina de toxicologia forense garante integridade, autenticidade e validade legal dos resultados obtidos em investigações, em cenas de crime, acidentes ou outras situações que envolvam substâncias químicas. Ela documenta o controle e a transferência das amostras biológicas, assegurando que estas não sejam adulteradas ou contaminadas. Isso é essencial para a credibilidade dos testes, a admissibilidade das provas em tribunal e a responsabilidade ética dos profissionais envolvidos. Veremos também que os laboratórios de toxicologia forense são responsáveis pelos testes de triagem, confirmatórios e quantitativos. Os testes de triagem são rápidos e eficientes para detectar a presença de substâncias tóxicas já as análises retrospectivas ajudam a investigar exposições passadas. A toxicologia forense atua em diversas áreas, como investigação criminal, medicina legal, doping esportivo, segurança no trânsito, segurança no trabalho e toxicologia ambiental. Vamos ao caso:
Em uma investigação de tráfico de drogas, um jovem de 24 anos, Pedro Ferreira, foi preso após uma batida policial em uma festa noturna em um clube. A prisão ocorreu depois que a polícia encontrou pequenas quantidades de cocaína na posse de Pedro. Durante a investigação, a polícia solicitou um exame toxicológico para determinar se Pedro estava sob efeito de drogas no momento da prisão, o que poderia agravar as acusações contra ele. Na noite do incidente, Pedro foi abordado pela polícia em uma festa que era alvo de investigação por atividades relacionadas ao tráfico de drogas. Durante a abordagem, Pedro foi encontrado com um pequeno pacote de cocaína no bolso. Ele alegou que não era usuário de drogas e que o pacote não lhe pertencia, mas foi preso sob acusação de posse de entorpecentes.
Na delegacia, Pedro foi submetido a um exame toxicológico, e amostras de sangue e urina foram coletadas para determinar a presença de substâncias ilícitas. As amostras foram enviadas a um laboratório forense para análise, e os resultados iniciais indicaram a presença de cocaína no sistema de Pedro. Com base nesse exame, a acusação argumentou que Pedro estava sob efeito da droga no momento de sua prisão, o que fortaleceria o caso de tráfico. O protocolo estabelecido previa que as amostras de sangue e urina fossem coletadas, etiquetadas e lacradas imediatamente após a coleta. Em seguida, deveriam ser transportadas diretamente para o laboratório, com registro preciso de todos os responsáveis pelo manuseio das amostras. A cadeia de custódia deveria ser documentada rigorosamente, sem lacunas, desde a coleta até a análise final. Durante o processo judicial, a defesa de Pedro contestou a validade do exame toxicológico, alegando que houve irregularidades na cadeia de custódia. A defesa contratou um especialista independente para revisar os procedimentos de coleta e análise das amostras.
Vamos Começar!
A toxicologia forense desempenha um papel importante na investigação de crimes, acidentes e outras situações em que substâncias químicas possam estar envolvidas. A cadeia de custódia refere-se ao processo documentado de controle, transferência e análise de amostras biológicas, garantindo a integridade e autenticidade dos resultados obtidos. Compreender essa cadeia é fundamental para assegurar a integridade dos resultados, a validade legal e a responsabilidade ética e profissional (Canezin, 2023).
Garantir a integridade dos resultados é vital para a credibilidade dos testes realizados. Sem uma cadeia de custódia bem documentada, não é possível assegurar que as amostras não foram adulteradas, trocadas ou contaminadas durante o processo de coleta, transporte e análise. Isso comprometeria a precisão e a confiabilidade dos resultados, podendo levar a conclusões erradas e injustas. Em casos judiciais, a cadeia de custódia fornece a documentação necessária para que os resultados dos testes sejam aceitos como evidência confiável em tribunais. Qualquer quebra na cadeia pode comprometer a admissibilidade das provas, afetando o desfecho de um processo judicial e, em última análise, a justiça (Damiani et al., 2021).
Além disso, manter um registro rigoroso de todas as etapas do manuseio das amostras demonstra o compromisso dos profissionais com a precisão e a ética. A responsabilidade ética e profissional é essencial na prática da toxicologia forense, garantindo que todas as análises sejam realizadas de maneira justa e imparcial (Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021; Ribas, 2020). Os laboratórios de toxicologia forense realizam diversos tipos de testes, cada um com finalidades específicas, abrangendo desde a triagem inicial até análises detalhadas e precisas. Os testes de triagem são utilizados para detectar a presença de substâncias tóxicas em amostras biológicas, como sangue, urina ou cabelo, de maneira rápida e eficiente. Esses testes incluem métodos imunológicos, que são rápidos e úteis para identificar possíveis substâncias de interesse (Canezin, 2023). Dentre os tipos de testes toxicológicos, temos:
- Testes de triagem (screening): são testes preliminares usados para detectar rapidamente a presença de substâncias específicas em amostras biológicas, como urina, sangue, saliva, cabelo ou suor. Realizados por ELISA, cromatografia em camada delgada, com a finalidade de identificar a presença de substâncias-alvo. Se o resultado for positivo, geralmente é seguido por testes confirmatórios para verificar a precisão (Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021).
- Testes confirmatórios: testes mais específicos e sensíveis usados para confirmar a presença de uma substância identificada no teste de triagem. Realizado por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa, cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa. Tem a finalidade de confirmar e quantificar a presença da substância, garantindo a precisão do resultado (Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021).
- Testes quantitativos: medem a concentração específica de uma substância tóxica no corpo. Realizados com cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa, são frequentemente usados para quantificação precisa. Sua finalidade é avaliar o nível de exposição e ajudar a determinar a gravidade da intoxicação ou influência (Ribas, 2020).
Após a triagem, são realizados testes confirmatórios para identificar e quantificar com precisão as substâncias presentes. Métodos como cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa e cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa são utilizados para confirmar a presença de substâncias específicas e determinar suas concentrações. Os testes quantitativos são essenciais para determinar a concentração exata de uma substância em uma amostra (Canezin, 2023).
Esses testes são fundamentais para estabelecer a dosagem e os possíveis efeitos toxicológicos, ajudando a entender o impacto das substâncias no organismo. Além disso, análises retrospectivas são realizadas em estudos de amostras armazenadas para entender a exposição passada a substâncias químicas. Essas análises são úteis em casos de envenenamento crônico ou investigações que abrangem longos períodos (Canezin, 2023; Damiani et al., 2021).
Siga em Frente...
A toxicologia forense abrange várias áreas de atuação, refletindo a diversidade e complexidade das situações em que pode ser aplicada. Entre essas áreas, destacam-se a investigação criminal, a medicina legal, o doping esportivo, a segurança no trânsito, a segurança no trabalho e a toxicologia ambiental. Na investigação criminal, a análise de substâncias em cenas de crime, em corpos de vítimas ou suspeitos, ajuda a determinar a presença de drogas, venenos ou outros agentes químicos que possam ter contribuído para a morte ou comportamento criminoso. Esse tipo de análise é fundamental para esclarecer casos complexos e garantir a justiça (Klaassen; Watkins III, 2012).
Na medicina legal, a toxicologia forense auxilia em autópsias para determinar se substâncias tóxicas foram um fator contribuinte para a causa da morte. Essa aplicação é essencial para entender as circunstâncias de mortes suspeitas ou não naturais. O doping esportivo é outra área importante, em que a toxicologia forense detecta substâncias proibidas em atletas para garantir a integridade e a justiça em competições esportivas. A presença de substâncias dopantes pode comprometer a igualdade de condições entre os competidores e a credibilidade dos esportes (Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Na segurança no trânsito, a análise de amostras de motoristas envolvidos em acidentes verifica a presença de álcool ou outras drogas que possam ter afetado a capacidade de dirigir. Essa análise é importante para responsabilizar motoristas imprudentes e prevenir acidentes futuros. Compreender a cadeia de custódia, os tipos de testes toxicológicos e as diversas áreas de atuação é essencial para garantir a eficácia, precisão e legalidade das práticas em toxicologia forense. Esses conhecimentos fortalecem a capacidade de resolver casos complexos e promover a justiça e a segurança pública (Klasseen; Watkins III, 2012; Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Vamos Exercitar?
Em uma investigação de tráfico de drogas, um jovem de 24 anos, Pedro Ferreira, foi preso após uma batida policial em uma festa noturna em um clube. A prisão ocorreu depois que a polícia encontrou pequenas quantidades de cocaína na posse de Pedro. Durante a investigação, a polícia solicitou um exame toxicológico para determinar se Pedro estava sob efeito de drogas no momento da prisão, o que poderia agravar as acusações contra ele. Na noite do incidente, Pedro foi abordado pela polícia em uma festa que era alvo de investigação por atividades relacionadas ao tráfico de drogas. Durante a abordagem, Pedro foi encontrado com um pequeno pacote de cocaína no bolso. Ele alegou que não era usuário de drogas e que o pacote não lhe pertencia, mas foi preso sob acusação de posse de entorpecentes.
Na delegacia, Pedro foi submetido a um exame toxicológico, e amostras de sangue e urina foram coletadas para determinar a presença de substâncias ilícitas. As amostras foram enviadas a um laboratório forense para análise, e os resultados iniciais indicaram a presença de cocaína no sistema de Pedro. Com base nesse exame, a acusação argumentou que Pedro estava sob efeito da droga no momento de sua prisão, o que fortaleceria o caso de tráfico. O protocolo estabelecido previa que as amostras de sangue e urina fossem coletadas, etiquetadas e lacradas imediatamente após a coleta. Em seguida, deveriam ser transportadas diretamente para o laboratório, com registro preciso de todos os responsáveis pelo manuseio das amostras. A cadeia de custódia deveria ser documentada rigorosamente, sem lacunas, desde a coleta até a análise final. Durante o processo judicial, a defesa de Pedro contestou a validade do exame toxicológico, alegando que houve irregularidades na cadeia de custódia. A defesa contratou um especialista independente para revisar os procedimentos de coleta e análise das amostras.
Os registros de transporte das amostras mostraram inconsistências nos horários e falta de assinatura de um dos responsáveis pelo transporte. Isso levantou a suspeita de que as amostras poderiam ter sido adulteradas. As amostras foram armazenadas em uma geladeira comum da delegacia antes de serem enviadas ao laboratório. Esse local era acessível a várias pessoas, e a geladeira não estava devidamente monitorada. O especialista contratado pela defesa descobriu que o lacre de uma das amostras de urina estava danificado quando chegou ao laboratório, mas o incidente não foi relatado oficialmente nos registros. Devido às falhas na cadeia de custódia, o juiz determinou que os resultados do exame toxicológico não poderiam ser considerados como prova contra Pedro. A violação do lacre e o armazenamento inadequado comprometeram a integridade das amostras. Sem o exame toxicológico, as acusações de que Pedro estava sob efeito de drogas no momento da prisão não puderam ser sustentadas. A acusação original de posse de drogas foi considerada frágil, levando ao arquivamento do caso. O incidente expôs falhas nos procedimentos da delegacia e no laboratório, levando a uma revisão dos protocolos de cadeia de custódia e treinamento adicional para os funcionários envolvidos na coleta e transporte de amostras. Este caso ilustra como falhas na cadeia de custódia podem comprometer a integridade de evidências críticas em um processo judicial, mesmo em situações sem vítimas fatais. A adulteração ou má gestão das amostras pode ocorrer em qualquer etapa do processo, desde a coleta até a análise. Garantir a integridade da cadeia de custódia é fundamental para a confiabilidade dos resultados laboratoriais, evitando erros judiciais e preservando a justiça.
Saiba Mais
Por que utilizar testes toxicológicos com amostras de cabelo? Diferentemente de sangue ou urina, que fornecem uma janela de detecção de dias a semanas, o cabelo pode armazenar vestígios de drogas e outras substâncias por meses e até anos, dependendo do comprimento do cabelo. Isso acontece porque as substâncias ingeridas são transportadas pelo sangue para os folículos capilares e incorporadas à matriz capilar à medida que o cabelo cresce. A coleta de amostras de cabelo é menos invasiva e mais fácil de realizar do que a coleta de sangue ou urina. Uma pequena mecha de cabelo é suficiente para a análise. O cabelo é menos susceptível a adulterações em comparação com a urina, o que torna esse tipo de teste mais confiável em determinadas situações, como em exames de doping ou investigações criminais. Os testes de cabelo podem detectar uma ampla gama de substâncias, incluindo drogas ilícitas, medicamentos, álcool, nicotina e metais pesados.
Temos aplicações práticas como no doping esportivo, em que são usados para detectar o uso de substâncias proibidas por atletas, fornecendo um histórico mais longo de uso em comparação com testes de urina. Em disputas de custódia, testes de cabelo podem ser usados para provar uso de drogas ou álcool por um dos pais ao longo de um período prolongado. Em investigações criminais, testes de cabelo podem ajudar a estabelecer um padrão de uso de drogas por um suspeito, fornecendo informações valiosas para a construção de um caso. Os testes toxicológicos de cabelo são uma ferramenta poderosa na toxicologia forense, proporcionando uma visão de longo prazo sobre o uso de substâncias e contribuindo para a justiça e a segurança pública.
Referências Bibliográficas
CANEZIN, Pedro Henrique. Química forense: a ciência a favor da perícia criminal. Curitiba, PR: Intersaberes, 2023.
DAMIANI, Roberto M. et al. Toxicologia. Porto Alegre: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901954. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901954/. Acesso em: 16 ago. 2024.
KLAASSEN, Curtis D.; WATKINS III, John B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull (Lange). Porto Alegre: Grupo A, 2012. E-book. ISBN 9788580551327. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551327/. Acesso em: 16 ago. 2024.
MARTINIS, Bruno Spinosa de; DORTA, Daniel J.; COSTA, José Luiz da. Toxicologia forense. São Paulo: Blucher, 2018. E-book. ISBN 9788521213680. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213680/. Acesso em: 16 ago. 2024.
OGA, Seizi; CAMARGO, Márcia Maria de Almeida; BATISTUZZO, José Antonio de Oliveira (ed.). Fundamentos de toxicologia. 5. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2021.
RIBAS, João Luiz Coelho. Toxicologia. São Paulo: Contentus, 2020.
Aula 3
Toxicocinética e Toxicodinâmica
Toxicocinética e toxicodinâmica
O vídeo explora a toxicocinética, abordando como substâncias tóxicas são absorvidas, distribuídas, transformadas e excretadas pelo organismo. Em seguida, discute a toxicodinâmica e a seletividade de ação, explicando como toxinas interagem com alvos biológicos específicos. O vídeo também analisa os mecanismos de toxicidade, destacando como substâncias causam danos celulares e orgânicos. Por fim, apresenta os fatores determinantes da intoxicação, como dose, via de exposição e características individuais, enfatizando a importância desses fatores na avaliação de riscos tóxicos.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta seção, você deverá compreender a toxicocinética, que se refere à absorção, distribuição, transformação e excreção; toxicodinâmina e seletividade de ação; e mecanismos de toxicidade e fatores determinantes da intoxicação. Ao estudar toxicocinética, você identificará o percurso das substâncias tóxicas no organismo, abrangendo quatro fases principais: absorção, distribuição, transformação (metabolismo) e excreção, sendo que os metabólitos podem ser menos ou mais tóxicos que a substância original. Já a toxicodinâmica refere-se aos efeitos biológicos e mecanismos de ação das substâncias tóxicas no organismo. A seletividade de ação implica que diferentes toxinas afetem distintos alvos biológicos, como enzimas, receptores ou membranas celulares. Essa seletividade depende da estrutura química da substância e da natureza do alvo biológico. Os mecanismos pelos quais substâncias tóxicas causam danos incluem dano celular, estresse oxidativo e interferência enzimática. Veremos que a gravidade da intoxicação depende de vários fatores, como dose e via de exposição.
Vamos ao caso:
Um paciente, João, procura consulta médica por sentir dores de cabeça frequentes, tonturas, tremores nas mãos, fraqueza muscular, e dificuldades de concentração. João conta que é agricultor, sem doenças crônicas conhecidas, não fumante, e faz consumo ocasional de álcool. Ele utiliza pesticidas, com frequentes exposições diretas durante a mistura e aplicação dos produtos, muitas vezes sem o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI). Pela profissão, você suspeitaria de algum tipo de intoxicação?
Vamos Começar!
Toxicocinética e Toxicodinâmica
A toxicocinética descreve o percurso das substâncias tóxicas no organismo, abrangendo quatro fases principais: absorção, distribuição, transformação e excreção. A absorção é o primeiro passo na toxicocinética e refere-se ao processo pelo qual uma substância química entra no corpo a partir do local de exposição, uma superfície de contato, como pele, pulmões ou trato gastrointestinal. A eficiência da absorção depende de fatores como a solubilidade da substância, a concentração no local de exposição, a área de superfície disponível e o tempo de exposição (Baselt, 2017; Canezin, 2023). As principais vias de absorção são:
- Via oral, pois, pelo trato gastrointestinal, a substância é absorvida no estômago e intestino.
- Via inalatória, pelos pulmões, local em que a substância passa das vias respiratórias para a corrente sanguínea.
- Via dérmica, através da pele, em que a substância penetra nas camadas cutâneas e pode alcançar a circulação sistêmica.
A eficiência da absorção é influenciada por fatores como a solubilidade da substância (hidrofílica ou lipofílica), o pH do local de absorção, a área de superfície disponível e a concentração da substância (Canezin, 2023; Ribas, 2020).
Após a absorção, a substância é transportada pelo corpo através da corrente sanguínea. A distribuição refere-se à dispersão da substância pelos tecidos e órgãos. A distribuição pode ser influenciada pelo fluxo sanguíneo para diferentes órgãos e tecidos, pela capacidade de ligação da substância a proteínas plasmáticas e pela permeabilidade das membranas celulares. Substâncias lipofílicas, sendo substâncias apolares e com afinidade com gorduras, tendem a se acumular em tecidos adiposos, enquanto as hidrofílicas, sendo substâncias polares e com afinidade com a água, permanecem mais no plasma e em fluidos intersticiais (Baselt, 2017).
Em relação ao o fluxo de sangue, órgãos com maior fluxo sanguíneo, como fígado, rins e cérebro, recebem a substância mais rapidamente. A ligação a proteínas plasmáticas, em que as substâncias que se ligam fortemente a proteínas no sangue, como a albumina, podem ter uma distribuição mais lenta nos tecidos. Já a permeabilidade capilar, capacidade da substância de atravessar as paredes capilares e entrar nos tecidos, está relacionada à capacidade de substâncias lipofílicas se acumularem em tecidos adiposos, enquanto as substâncias hidrofílicas se distribuem mais no plasma e nos fluidos intersticiais (Damiani et al., 2021).
A transformação, ou metabolismo, é o processo pelo qual o corpo modifica a substância química, geralmente no fígado, para facilitar sua excreção. As reações metabólicas podem ser divididas em duas fases: fase I, oxidação, redução e hidrólise, processos que introduzem ou expõem grupos funcionais na molécula da substância; e fase II (conjugação), que aumenta a solubilidade em água da substância e a prepara para excreção. Essas transformações aumentam a polaridade da substância, facilitando sua excreção pelos rins ou pela bile (Damiani et al., 2021; Martinis; Dorta; Costa, 2018). São elas:
- Glicuronidação: envolve a adição de ácido glicurônico à molécula, catalisada pelas enzimas UDP-glicuroniltransferases (UGTs).
- Sulfatação: envolve a transferência de um grupo sulfato (SO₄²⁻) à molécula, facilitada por enzimas sulfotransferases (SULTs).
- Conjugação com glutationa: nesta reação, tripeptídeo composto por glutamato, cisteína e glicina, é conjugado ao xenobiótico, catalisada pela enzima glutationa S-transferase (GST).
- Acetilação: um grupo acetil (CH₃CO) é transferido para a molécula, catalisada pelas N-acetiltransferases (NATs).
- Metilação: envolve a transferência de um grupo metil (CH₃) à molécula, catalisada por metiltransferases.
- Conjugação com aminoácidos: envolve a conjugação do xenobiótico com aminoácidos, como glicina, taurina ou glutamina.
A excreção é o processo de eliminação da substância do corpo. Os principais órgãos excretores são os rins, que removem substâncias pela urina – a substância é filtrada do sangue e liberada na urina. O fígado excreta compostos pela bile, posteriormente eliminada nas fezes. Outras vias incluem:
- A respiração, através dos pulmões, onde substâncias voláteis são exaladas.
- Através da pele e das glândulas sudoríparas, pelas quais substâncias podem ser excretadas pelo suor.
- Secreção pelas glândulas mamárias (Martinis; Dorta; Costa, 2018).
No esquema a seguir um esquema, vemos os processos envolvidos na toxicocinética.
A toxicodinâmica refere-se aos efeitos biológicos e mecanismos de ação das substâncias tóxicas no organismo. Inclui a interação de toxinas com alvos moleculares específicos, como enzimas, receptores e ácidos nucleicos, resultando em alterações bioquímicas e fisiológicas que podem levar a danos celulares e teciduais (Ribas, 2020).
A interação com alvos moleculares dá-se pelos receptores, nos quais muitas substâncias tóxicas agem ligando-se a receptores específicos na superfície ou no interior das células, alterando a sinalização celular e a função fisiológica. Por exemplo, pesticidas organofosforados inibem a enzima acetilcolinesterase, levando à acumulação de acetilcolina e à disfunção neuromuscular. Além disso, algumas toxinas podem inibir ou ativar enzimas específicas, perturbando processos metabólicos críticos. O cianeto, por exemplo, inibe a citocromo C oxidase na cadeia de transporte de elétrons, bloqueando a produção de ATP. Certas substâncias interagem diretamente com o DNA, causando mutações, quebras de fita e outros danos genéticos. Carcinógenos como o benzo[a]pireno formam mutações nas fitas de DNA, que podem levar ao câncer (Martinis; Dorta; Costa, 2018; Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021; Ribas, 2020).
Como respostas bioquímicas e fisiológicas, temos o estresse oxidativo, em que as substâncias tóxicas geram espécies reativas de oxigênio, que causam danos oxidativos a lipídios, proteínas e ácidos nucleicos. Este estresse oxidativo pode resultar em inflamação, apoptose (morte celular programada) ou necrose (morte celular não programada). As toxinas podem induzir respostas inflamatórias, recrutando células imunológicas e liberando mediadores inflamatórios que podem causar danos teciduais e disfunção orgânica. Além disso, podem causar danos diretos às membranas celulares, organelas e estruturas intracelulares, levando a alterações na permeabilidade celular, perda de integridade estrutural e morte celular (Canezin, 2023; Damiani et al., 2021).
A seletividade de ação refere-se à capacidade de uma substância tóxica de afetar certos órgãos ou sistemas biológicos de maneira preferencial. Essa seletividade é determinada por afinidade por alvos moleculares específicos, podendo ter alta afinidade por receptores ou enzimas que são predominantes em certos tecidos. Por exemplo, a tetrodotoxina tem alta afinidade pelos canais de sódio nas células nervosas, resultando em neurotoxicidade específica. A acumulação em órgãos específicos pode levar a efeitos tóxicos mais pronunciados nesses locais (Damiani et al., 2021; Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Diferentes tecidos têm diferentes capacidades de metabolizar e excretar substâncias tóxicas. O fígado, por exemplo, tem alta atividade enzimática para desintoxicação, enquanto o cérebro é protegido pela barreira hematoencefálica, uma estrutura altamente seletiva que protege o cérebro contra substâncias potencialmente nocivas presentes na corrente sanguínea, ao mesmo tempo que permite a entrada de nutrientes essenciais, mas pode ser vulnerável a toxinas que conseguem atravessá-la. Certos tecidos podem ser intrinsecamente mais sensíveis a determinadas substâncias tóxicas devido à sua função biológica e ao ambiente celular. As células da medula óssea, por exemplo, são altamente sensíveis a agentes alquilantes devido à sua alta taxa de divisão celular (Canezin, 2023).
Siga em Frente...
Intoxicação
Os mecanismos de toxicidade envolvem várias vias pelas quais as substâncias químicas podem causar danos ao organismo. O dano celular direto, como o próprio nome sugere, pode causar danos diretos às membranas celulares, organelas ou macromoléculas essenciais, como DNA e proteínas. Algumas toxinas inibem ou ativam enzimas específicas, perturbando processos metabólicos críticos. Substâncias tóxicas podem induzir respostas inflamatórias, levando a danos teciduais e disfunção orgânica (Baselt, 2017; Canezin, 2023).
A intoxicação é o estado resultante da exposição a uma substância tóxica, seja por ingestão, inalação, absorção pela pele ou uso de injetáveis, que provoca efeitos prejudiciais ao organismo. A intoxicação pode ser causada por diversos agentes, incluindo medicamentos, produtos químicos, alimentos contaminados, drogas e substâncias tóxicas. Os sintomas variam amplamente dependendo da substância envolvida, da quantidade absorvida e da sensibilidade individual, podendo incluir náuseas, vômitos, tonturas, dificuldade respiratória, convulsões e, em casos graves, pode levar à morte, sendo influenciada por diversos fatores como a quantidade da substância à qual o organismo é exposto é um determinante crucial da toxicidade (Baselt, 2017; Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021; Ribas., 2020).
Existe uma relação direta entre a dose e a resposta do organismo. Pequenas doses podem ser inofensivas ou causar efeitos leves, enquanto doses maiores podem levar a intoxicações severas ou fatais. A via pela qual a substância entra no corpo (oral, inalatória, dérmica etc.) pode afetar a absorção e a toxicidade. Exposições podem resultar em diferentes padrões de toxicidade. Idade, sexo, estado de saúde, genética e fatores nutricionais podem influenciar a susceptibilidade a substâncias tóxicas. A presença de outras substâncias químicas pode aumentar ou diminuir a toxicidade através de interações sinérgicas ou antagonistas, devido a propriedades das substâncias, e à toxicidade inerente da substância, ou seja, sua capacidade de causar danos biológicos. Substâncias lipossolúveis podem se acumular nos tecidos adiposos, enquanto as hidrossolúveis são mais facilmente excretadas (Damiani et al., 2021; Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021).
A maneira como a substância é metabolizada pode influenciar sua toxicidade. Alguns compostos são transformados em metabólitos ainda mais tóxicos. Condições ambientais podem afetar a absorção e a estabilidade das substâncias tóxicas. Por exemplo, altas temperaturas podem aumentar a volatilidade de certas substâncias, aumentando a inalação. Diferenças genéticas entre indivíduos podem influenciar a resposta a substâncias tóxicas. Certos polimorfismos genéticos podem aumentar ou diminuir a susceptibilidade à intoxicação (Damiani et al., 2021; Martinis; Dorta; Costa, 2018; Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021).
Vamos Exercitar?
Caso Clínico
Anteriormente vimos seu João, agricultor, sem doenças crônicas conhecidas, não fumante, consumidor ocasional de álcool. Utiliza pesticidas organofosforados há mais de 20 anos, com frequentes exposições diretas durante a mistura e aplicação dos produtos, muitas vezes sem o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI).
Os sintomas apresentados por ele foram dores de cabeça frequentes, tonturas, tremores nas mãos, fraqueza muscular, dificuldades de concentração, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia intermitente, tosse crônica, falta de ar, sensação de aperto no peito, irritação na pele e erupções cutâneas.
Quanto ao exame clínico, seus sinais vitais apresentaram leve alteração na pressão arterial 130/85 mmHg, frequência cardíaca 80 bpm, temperatura 36.8 °C, frequência respiratória 18 rpm, presença de tremores finos nas mãos, reflexos hiperativos, e leve dificuldade na coordenação motora. Apresentou sibilos dispersos nos pulmões, ausculta pulmonar com crepitações finas, além de dermatite de contato nas mãos e antebraços.
Quanto aos exames laboratorial e diagnóstica, o hemograma apresentou leucócitos normais, sem anemia ou plaquetopenia. Teste de função hepática e renal apresentaram normalidade. Níveis de colinesterase plasmática estavam significativamente reduzidos, indicando inibição enzimática típica da exposição a organofosforados. Nos exames de Imagem, a tomografia computadorizada do tórax sem anormalidades significativas.
Com base nos sintomas clínicos, histórico de exposição e resultados laboratoriais, o diagnóstico de intoxicação crônica por organofosforados foi confirmado. A redução dos níveis de colinesterase plasmática é um indicador chave da exposição e efeito tóxico dos organofosforados. Intervenção imediata foi indicada ao paciente devido à exposição contínua aos organofosforados, e administração de atropina e pralidoxima em caso de sintomas graves de inibição colinérgica. As indicações foram:
- Tratamento sintomático e medidas preventivas, como educação sobre o uso correto de EPI durante a manipulação de pesticidas.
- Monitoramento regular dos níveis de colinesterase em trabalhadores expostos.
- Implementação de períodos de descanso e rotatividade de funções para reduzir a exposição crônica.
- Acompanhamento com consultas regulares com um toxicologista ocupacional.
- Avaliações neurológicas periódicas para monitorar progressão ou melhora dos sintomas.
- Suporte psicológico para lidar com os efeitos emocionais da intoxicação crônica.
Saiba Mais
Os organofosforados são uma classe de compostos químicos que contêm fósforo, frequentemente usados como pesticidas, inseticidas, e agentes nervosos. Esses compostos funcionam inibindo a enzima acetilcolinesterase, que é essencial para a transmissão dos impulsos nervosos. A inibição dessa enzima resulta na acumulação de acetilcolina, levando a uma estimulação excessiva de nervos, músculos e glândulas. Muitos organofosforados foram originalmente desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial como agentes de guerra química. Exemplos incluem o sarin e o VX, que são altamente tóxicos, e usados como armas químicas. Após a guerra, os organofosforados foram adaptados para uso na agricultura devido à sua eficácia como inseticidas. Alguns exemplos comuns incluem o malation e o paration. A exposição a organofosforados pode causar sintomas como dores de cabeça, náuseas, tonturas, dificuldade para respirar, e em casos graves, convulsões e morte. A exposição crônica pode levar a problemas neurológicos a longo prazo. O tratamento de intoxicação por organofosforados geralmente inclui a administração de atropina, que bloqueia os efeitos da acetilcolina, e pralidoxima, que pode reativar a enzima acetilcolinesterase. Embora sejam eficazes no controle de pragas, os organofosforados podem ter impactos negativos no meio ambiente, incluindo a contaminação de água e solo, e efeitos adversos em espécies não alvo, como abelhas e outros polinizadores.
Referências Bibliográficas
BASELT, Randall C. Disposition of Toxic Drugs and Chemicals in Man. [S. l.]: Biomedical Publications, 2017.
CANEZIN, Pedro Henrique. Química forense: a ciência a favor da perícia criminal. Curitiba, PR: Intersaberes, 2023.
DAMIANI, Roberto M. et al. Toxicologia. Porto Alegre: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901954. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901954/. Acesso em: 16 ago. 2024.
MARTINIS, Bruno Spinosa de; DORTA, Daniel J.; COSTA, José Luiz da. Toxicologia forense. São Paulo: Blucher, 2018. E-book. ISBN 9788521213680. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213680/. Acesso em: 16 ago. 2024.
OGA, Seizi; CAMARGO, Márcia Maria de Almeida; BATISTUZZO, José Antonio de Oliveira (ed.). Fundamentos de toxicologia. 5. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2021.
RIBAS, João Luiz Coelho. Toxicologia. São Paulo: Contentus, 2020.
Aula 4
Avaliação do Risco e da Toxicologia
Avaliação do risco e da toxicologia
O vídeo aborda a relação dose-resposta e a avaliação das doses letais 50% (DL50), identificando e caracterizando perigos e o manejo de riscos. Discute toxicologia aguda, subcrônica e crônica, enfatizando como diferentes exposições afetam organismos ao longo do tempo. A toxicologia aguda refere-se aos efeitos imediatos após uma única exposição, enquanto a subcrônica e crônica envolvem efeitos de exposições repetidas a médio e longo prazo. O vídeo destaca a importância de compreender essas avaliações para garantir a segurança e a saúde pública, além de informar sobre a regulação de substâncias tóxicas.
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta seção, você vai compreender a relação dose-resposta e a avaliação das doses letais 50%, a identificação e a caracterização do perigo e o manejo de riscos, a toxicologia aguda, subcrônica e crônica. O tema de relação dose-resposta é um conceito fundamental em toxicologia que descreve a resposta biológica a diferentes concentrações de uma substância química. Esse relacionamento é geralmente representado por uma curva dose-resposta. A curva permite identificar a dose mínima necessária para produzir um efeito, a dose na qual o efeito é máximo e outras características importantes, como a dose efetiva mediana. A identificação do perigo envolve determinar se uma substância tem o potencial de causar efeitos adversos à saúde. O manejo de riscos envolve a aplicação de estratégias para minimizar a exposição a substâncias perigosas e, portanto, reduzir a probabilidade de efeitos adversos à saúde. Além disso, veremos a diferença entre a toxicologia aguda, subcrônica e crônica, cuja compreensão detalhada é importante para a avaliação de risco toxicológico e a implementação de medidas eficazes de proteção à saúde humana e ao meio ambiente. Você acredita que uma intoxicação aguda pode se tornar em uma intoxicação crônica? Veremos adiante um paciente que trabalha na fábrica de lâmpadas fluorescentes há 10 anos, onde é regularmente exposto a pequenas quantidades de vapor de mercúrio. Recentemente, houve um acidente na fábrica que resultou na liberação de uma grande quantidade de vapor de mercúrio, expondo-o e seus colegas a níveis elevados da substância.
Vamos Começar!
Relação Dose-Resposta
A relação dose-resposta é um conceito fundamental na toxicologia e na farmacologia, utilizado para entender como diferentes níveis de exposição a uma substância podem afetar um organismo. Este conceito é essencial para avaliar a segurança e a eficácia de medicamentos, assim como para compreender os riscos associados a substâncias tóxicas (Baselt, 2017).
A relação dose-resposta descreve a mudança na intensidade ou frequência de um efeito biológico, que chamamos de resposta, em função da quantidade de uma substância administrada, sendo a dose, respectivamente. Em termos simples, a dose é a quantidade da substância administrada. A resposta é o efeito observado no organismo, que pode ser um efeito terapêutico, ou tóxico. Essa relação pode ser linear, quando o aumento da dose leva a um aumento proporcional na resposta, ou não linear, quando a resposta pode aumentar de forma mais acentuada ou estabilizar a partir de certo ponto, chamado efeito platô. A análise da relação dose-resposta é fundamental na farmacologia e toxicologia, pois ajuda a determinar a dose mínima eficaz e a dose máxima segura de uma substância. Esta relação é geralmente representada por uma curva dose-resposta, que permite visualizar como o efeito varia com a dose tóxicas (Cosbey; Elliot; Paterson, 2017).
Nessa curva temos a fase inicial, em que pequenas doses podem não produzir efeito significativo. Na fase linear, temos o aumento da dose, na qual os efeitos tornam-se mais pronunciados de forma proporcional. A fase de platô, ocorre porque, a partir de certo ponto, aumentos adicionais na dose não resultam em efeitos significativamente maiores, indicando uma saturação no sistema biológico (Baselt, 2017; Cosbey; Elliot; Paterson, 2017).
Veja no gráfico representativo a seguir como seria a relação de dose resposta.
A avaliação da dose letal 50% (DL50), ou dose letal mediana, é a quantidade de uma substância necessária para causar a morte de 50% de uma população de teste. Este valor é um indicador crítico de toxicidade aguda e é amplamente utilizado na toxicologia para comparar a toxicidade de diferentes substâncias tóxicas (Ribas, 2020).
A DL50 ajuda na avaliação dos riscos de exposição a substâncias químicas, e é usada por agências reguladoras para definir limites seguros de exposição. Durante o desenvolvimento farmacêutico, a DL50 auxilia na determinação de doses seguras para testes clínicos e no ajuste de dosagens terapêuticas. Além disso, facilita a comparação da toxicidade entre diferentes compostos, ajudando na seleção de substâncias menos nocivas (Canezin, 2023; Cosbey; Elliot; Paterson, 2017).
Para determinação da DL50 temos alguns métodos.
- Testes in vivo: tradicionalmente, a DL50 é determinada em testes com animais, em que grupos de animais são expostos a diferentes doses da substância, e o número de mortes é registrado.
- Métodos alternativos: incluem modelos matemáticos e computacionais que podem prever a DL50 com base em dados conhecidos sobre a substância e seus efeitos biológicos.
Com a crescente preocupação com o bem-estar animal, métodos alternativos como ensaios in vitro e técnicas de bioinformática estão sendo desenvolvidos para reduzir a dependência de testes em animais (Elliott; Stephen; Paterson, 2018; Ericson, 2015).
O uso de animais em testes de toxicidade, incluindo a determinação da DL50, levanta importantes questões éticas. A pressão para desenvolver métodos alternativos e a evolução das tecnologias de modelagem computacional e biologia celular estão transformando a abordagem tradicional da toxicologia. Para isso, temos alguns normativas quanto ao uso dos animais, como redução, refinamento e substituição – o princípio que guia a pesquisa toxicológica moderna para reduzir o número de animais usados, refinar os métodos para causar menos sofrimento, e substituir os testes em animais por alternativas sempre que possível. O desenvolvimento de organoides e simulações computacionais avançadas oferece novas maneiras de avaliar a toxicidade sem o uso de animais (Damiani et al., 2021; Elliott; Stephen; Paterson, 2018).
Siga em Frente...
Diferença entre toxicologia aguda, subcrônica e crônica
Durante as seções, verificamos que toxicologia é a ciência que estuda os efeitos adversos de substâncias químicas sobre os organismos vivos. Essa disciplina é importante para entender como diferentes doses e tipos de exposição a substâncias químicas podem impactar a saúde humana e o meio ambiente. O estudo da toxicologia é fundamental para o desenvolvimento de medicamentos, produtos químicos industriais e agrotóxicos, além de ser essencial para a regulamentação de substâncias potencialmente perigosas (Martinis; Dorta; Costa, 2018; Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021; Ribas, 2020).
Diante disso, a toxicologia aguda refere-se ao estudo dos efeitos adversos que ocorrem imediatamente ou em um curto período após a exposição a uma substância química. Esses efeitos geralmente se manifestam em um período de 24 a 96 horas. A exposição aguda pode ocorrer por ingestão, inalação, contato dérmico ou injeção. Os sintomas podem variar de leves, como irritação e náusea, a graves, incluindo convulsões, à morte. Exemplos comuns de toxicidade aguda são intoxicação por pesticidas, overdose de medicamentos e exposição a gases tóxicos em acidentes industriais (Oga; Camargo; Batistuzzo, 2021).
A toxicologia subcrônica estuda os efeitos adversos resultantes de exposições repetidas ou contínuas a uma substância química por um período intermediário, geralmente entre um mês e três meses. A exposição subcrônica frequentemente ocorre em ambientes de trabalho em que há contato regular com produtos químicos. Os efeitos podem incluir alterações em órgãos internos, disfunções metabólicas e outros problemas de saúde que não se manifestam imediatamente. Podemos observar exemplos comuns de toxicidade subcrônica em uma exposição ocupacional a solventes industriais, ou uso prolongado a alguns medicamentos (Ericson, 2015; Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Já a toxicologia crônica envolve o estudo dos efeitos adversos que se desenvolvem após exposições prolongadas e contínuas a baixas doses de uma substância química, geralmente por um período superior a três meses. A exposição crônica é comum em ambientes nos quais há presença contínua de substâncias tóxicas. Os efeitos podem ser cumulativos e incluem doenças crônicas, como fibrose pulmonar, que pode ser causada por inalação de gases tóxicos, como cloro ou amônia, em um evento agudo. A inflamação intensa pode levar à cicatrização e espessamento dos tecidos pulmonares, resultando em fibrose e dificuldade respiratória crônica. A insuficiência renal crônica, que ocorre quando uma exposição aguda a toxinas nefrotóxicas ou doses elevadas de fármacos nefrotóxicos, no caso de aminoglicosídeos, pode causar danos renais graves. Mesmo após a recuperação de uma lesão aguda, os rins podem não retornar ao estado normal, levando à insuficiência renal crônica, câncer e danos aos sistemas nervoso e reprodutivo. Na toxicologia crônica, a exposição prolongada ao amianto pode ser um exemplo comum, assim como a exposição a metais pesados como chumbo e mercúrio (Baselt, 2017; Elliott; Stephen; Paterson, 2018).
Intoxicação por metais pesados, como a exposição prolongada ao chumbo, geralmente por contato com tintas antigas, poeira, água contaminada ou resíduos industriais, pode resultar em danos neurológicos, especialmente em crianças, anemia e problemas renais. A exposição crônica ao mercúrio, como o que ocorre com o consumo regular de peixes contaminados, pode causar danos ao sistema nervoso central e periférico, problemas renais e transtornos cognitivos. A exposição crônica ao cádmio, presente em baterias e fumaça de cigarro, pode levar a danos renais, osteoporose e doenças pulmonares. A exposição prolongada ao amianto, um mineral usado no passado em materiais de construção, pode causar doenças pulmonares crônicas, como asbestose, um tipo de fibrose pulmonar e câncer, especialmente mesotelioma, e câncer de pleura (Elliott; Stephen; Paterson, 2018).
As diferenças entre toxicidade aguda, subcrônica e crônica dão-se, principalmente, por meio dos efeitos e o tempo em que os sintomas são apresentados. Na aguda, os efeitos são imediatos, a intensidade é alta, e o prazo, curto. Na subcrônica, os efeitos são de médio prazo, com exposição contínua, e intensidade moderada. Na crônica, os efeitos são de longo prazo, com baixa intensidade, e exposição prolongada. Cada tipo de toxicidade tem implicações diferentes para a saúde humana, exigindo abordagens distintas para diagnóstico, tratamento e prevenção (Martinis; Dorta; Costa, 2018).
Vamos Exercitar?
Intoxicação crônica
Anteriormente vimos uma possível intoxicação aguda tornar-se crônica. Vejamos a seguir como foi o caso. Paciente masculino, 55 anos, trabalhador em uma fábrica de lâmpadas fluorescentes, apresenta boa saúde geral, sem histórico significativo de doenças. Não faz uso regular de medicamentos. Trabalha na fábrica de lâmpadas fluorescentes há 10 anos, onde é regularmente exposto a pequenas quantidades de vapor de mercúrio. Recentemente, houve um acidente na fábrica que resultou na liberação de uma grande quantidade de vapor de mercúrio, expondo João e seus colegas a níveis elevados da substância. Logo após o acidente, ele começou a apresentar sintomas como tremores nas mãos, dor de cabeça intensa, fadiga extrema, náuseas e vômitos, irritabilidade e mudanças de humor.
Ele foi levado ao pronto-socorro, onde foi diagnosticado com intoxicação aguda por mercúrio, e foi tratado com terapia de quelantes para ajudar a remover o mercúrio do corpo, recebendo suporte sintomático. Apesar do tratamento inicial, ele continuou a trabalhar na fábrica, onde ainda havia pequenas, mas contínuas, exposições ao mercúrio. Com o passar do tempo, ele começou a apresentar novos sintomas, indicando uma evolução para uma intoxicação crônica, como problemas cognitivos, como dificuldade de concentração e perda de memória, neuropatia periférica, manifestada como dormência e formigamento nas extremidades, danos renais, com proteinúria detectada em exames de urina, irritação e inflamação nas gengivas, conhecido também por gengivite mercurial, e tremores contínuos que pioraram progressivamente.
Diante desses sintomas novos e persistentes, João foi encaminhado a um especialista em toxicologia, que confirmou a presença de altos níveis de mercúrio no organismo. O diagnóstico de intoxicação crônica por mercúrio foi feito com base nos sintomas clínicos, histórico ocupacional e resultados laboratoriais. O tratamento incluiu seu afastamento imediato e permanente do ambiente de trabalho contaminado, terapia de quelantes repetida para tentar reduzir os níveis de mercúrio no corpo, tratamento dos sintomas específicos, incluindo medicamentos para neuropatia e acompanhamento neurológico, suporte nutricional e terapias complementares para ajudar na recuperação geral. Este caso ilustra como uma exposição aguda significativa a uma substância tóxica, seguida de exposições menores, mas contínuas, pode levar à evolução de uma intoxicação aguda para uma condição crônica. A prevenção de tais casos é fundamental e inclui o monitoramento ambiental rigoroso, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a implementação de medidas de segurança adequadas no local de trabalho.
Saiba Mais
Uma intoxicação aguda pode, em algumas circunstâncias, evoluir para uma condição crônica, especialmente se a exposição à substância tóxica continuar ou se o corpo não conseguir eliminar completamente a substância. Se a pessoa continua a ser exposta à substância tóxica, a intoxicação aguda pode se transformar em uma condição crônica devido à acumulação da substância no corpo. Algumas substâncias, como metais pesados (chumbo, mercúrio), podem permanecer no corpo por longos períodos e causar danos contínuos, levando a uma intoxicação crônica. Mesmo após uma única exposição aguda, a substância pode causar danos permanentes a órgãos ou sistemas do corpo, resultando em sintomas ou condições crônicas. Em alguns casos, a exposição aguda pode desencadear uma resposta imunológica que continua a causar problemas mesmo após a substância ter sido eliminada do corpo.
Referências Bibliográficas
BASELT, Randall C. Disposition of Toxic Drugs and Chemicals in Man. [S. l.]: Biomedical Publications, 2017.
CANEZIN, Pedro Henrique. Química forense: a ciência a favor da perícia criminal. Curitiba, PR: Intersaberes, 2023.
COSBEY, Simon; ELLIOTT, Simon; PATERSON, Sue. The United Kingdom and Ireland Association of Forensic Toxicologists; establishing best practice for professional training & development in forensic toxicology. Science & Justice: Journal of the Forensic Science Society, v. 57, n. 1, p. 63–71, 2017.
DAMIANI, Roberto M. et al. Toxicologia. Porto Alegre: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901954. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901954/. Acesso em: 16 ago. 2024.
ELLIOTT, Simon P.; STEPHEN, Duncan W. S.; PATERSON, Sue. The United Kingdom and Ireland association of forensic toxicologists forensic toxicology laboratory guidelines. Science & Justice: Journal of the Forensic Science Society, v. 58, n. 5, p. 335–345, 2018.
ERICSON, Clifton A. Hazard Analysis Techniques for System Safety. [S. l.]: John Wiley & Sons, 2015.
MARTINIS, Bruno Spinosa de; DORTA, Daniel J.; COSTA, José Luiz da. Toxicologia forense. São Paulo: Blucher, 2018. E-book. ISBN 9788521213680. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213680/. Acesso em: 16 ago. 2024.
MINHO, Alessandro P.; GASPAR, Emanuelle B.; DOMINGUES, Robert. Guia prático para determinação de curva dose-resposta e concentração letal em bioensaios com extratos vegetais. Comunicado 93 Técnico. Bagé: Embrapa Pecuária Sul, 2016.
OGA, Seizi; CAMARGO, Márcia Maria de Almeida; BATISTUZZO, José Antonio de Oliveira (ed.). Fundamentos de toxicologia. 5. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2021.
RIBAS, João Luiz Coelho. Toxicologia. São Paulo: Contentus, 2020.
Encerramento da Unidade
Introdução à Toxicologia
Videoaula de Encerramento
Este vídeo explorará a toxicologia desde seu contexto histórico até conceitos essenciais, como toxicocinética e toxicodinâmica. Abordará aspectos gerais de análises toxicológicas forenses, cadeia de custódia em laboratórios, e diferentes tipos de testes. Além disso, vai discutir áreas de atuação na toxicologia forense, mecanismos de toxicidade, fatores determinantes da intoxicação, e a relação dose-resposta. Também serão abordadas as toxicologias aguda, subcrônica e crônica, assim como o manejo de riscos e avaliação de doses letais.
Ponto de Chegada
Toxicologia e suas áreas
Olá, estudante!
Durante as aulas da unidade da disciplina de toxicologia forense, vimos que ela é uma ciência multidisciplinar com raízes históricas profundas, tendo evoluído ao longo dos séculos desde o estudo de substâncias tóxicas até sua aplicação moderna em investigações forenses e no manejo de riscos à saúde. Poluentes atmosféricos, pesticidas, metais pesados e resíduos industriais são exemplos de substâncias que podem impactar negativamente a saúde humana e o meio ambiente. A toxicologia ambiental investiga como a exposição crônica a baixos níveis desses contaminantes afeta a saúde pública. Em ambientes industriais, a exposição a solventes, metais pesados e poeiras tóxicas é monitorada para identificar riscos ocupacionais e estabelecer normas de segurança adequadas. Já a toxicologia clínica lida com casos de envenenamento agudo, decorrentes de medicamentos, alimentos contaminados ou exposição a substâncias tóxicas, além de tratar overdoses medicamentosas e reações adversas de medicamentos, como hepatotoxicidade causada pelo uso prolongado de paracetamol. A toxicologia farmacológica visa determinar doses seguras e evitar efeitos colaterais graves. Compreender o contexto histórico da toxicologia é essencial para entender a evolução de conceitos e terminologias, como toxicocinética e toxicodinâmica, que envolvem absorção, distribuição, transformação e excreção de substâncias no corpo. A relação dose-resposta descreve o vínculo entre a quantidade de uma substância (dose) administrada ou à qual se está exposto, e o efeito resultante (resposta) observado. Os parâmetros críticos dessa relação incluem a dose mínima necessária para produzir um efeito adverso e a dose máxima tolerada sem provocar toxicidade. Outro indicador importante é a dose letal para 50% de uma população testada (DL50), que reflete a toxicidade aguda da substância. Da mesma forma, limites de exposição, estabelecidos por órgãos reguladores, definem as concentrações máximas permitidas de substâncias químicas em ambientes ocupacionais ou ambientais. A toxicologia forense, por sua vez, incluiu aspectos fundamentais como a cadeia de custódia em laboratórios e os diferentes tipos de testes toxicológicos, aplicados para determinar a presença de substâncias tóxicas em amostras biológicas. Aprendemos que a área forense exige rigor técnico, desde a coleta de amostras até a interpretação dos resultados, abrangendo mecanismos de toxicidade e fatores que influenciam a intoxicação, como a relação dose-resposta e a avaliação de doses letais. Também estudamos a toxicologia e suas classificações quanto aos efeitos das substâncias em aguda, subcrônica e crônica, e tratamos da identificação e caracterização de perigos, fundamentais para o manejo de riscos toxicológicos.
É Hora de Praticar!
Intoxicação por dietilenoglicol
Em 2006, o Brasil apresentou um caso de intoxicação em massa, causado pela ingestão de dietilenoglicol (DEG) presente em um lote de bebidas contaminadas, especialmente cervejas. A substância tóxica, usada na indústria química, foi incorretamente adicionada no processo de produção de uma marca de cerveja, resultando em diversas mortes e intoxicações graves.
Este caso demandou um extenso trabalho de toxicologia forense para identificar a presença de DEG nos corpos das vítimas. Amostras biológicas, como sangue e urina, foram coletadas das pessoas intoxicadas, além de análises das garrafas de cerveja contaminada. Os testes toxicológicos forenses detectaram concentrações letais de DEG, auxiliando na investigação e responsabilização da empresa.
A pesquisa sobre a absorção, distribuição, transformação e excreção do DEG foi essencial para compreender como o composto foi processado pelo corpo humano. Estudos demonstraram que o DEG, após ser ingerido, foi rapidamente absorvido, principalmente pelo trato gastrointestinal, e distribuído para órgãos vitais como rins e fígado, causando falência renal e hepática, e o metabolismo ineficaz do DEG foi um fator-chave para sua toxicidade.
Durante o tratamento das vítimas, a toxicologia clínica foi aplicada para monitorar os sinais e sintomas da intoxicação e propor estratégias de tratamento. A análise dos sintomas como náusea, vômito, dor abdominal e insuficiência renal permitiu um diagnóstico precoce, embora muitos pacientes tenham evoluído para falência múltipla de órgãos devido à dose elevada ingerida.
A relação dose-resposta foi fundamental para entender como diferentes doses de DEG afetaram os indivíduos. Em pequenas doses, o DEG pode ser tolerado pelo corpo, mas a ingestão de altas concentrações, como as encontradas na cerveja contaminada, resultou em um efeito tóxico agudo, com uma letalidade elevada. Estudos sobre a dose letal para 50% dos indivíduos do DEG foram usados para avaliar a gravidade da exposição.
O caso de intoxicação por DEG correlacionou diversas áreas de pesquisa da toxicologia. A toxicologia forense foi fundamental na identificação da substância, enquanto conceitos de toxicocinética e toxicodinâmica elucidaram os mecanismos de toxicidade no corpo humano. A toxicologia clínica auxiliou no diagnóstico e manejo das vítimas, e a relação dose-resposta permitiu avaliar os níveis de letalidade do composto. Este evento destacou a importância do controle de qualidade em produtos de consumo e o impacto que uma contaminação por substâncias tóxicas pode trazer à população.
O que causou o caso de intoxicação em massa no Brasil em 2006 e quais áreas da toxicologia foram envolvidas na investigação e tratamento das vítimas?
Reflita
- Multidisciplinaridade e Evolução: a toxicologia forense evoluiu desde o estudo de substâncias tóxicas, abrangendo investigações modernas e o manejo de riscos à saúde.
- Impactos na Saúde e Meio Ambiente: poluentes atmosféricos, pesticidas e metais pesados exibem efeitos adversos crônicos, solicitando investigações em toxicologia ambiental e monitoramento ocupacional.
- Dose-Resposta e Segurança: compreender a relação dose-resposta é crucial para estabelecer doses seguras e limites de exposição, prevenindo toxicidades agudas e crônicas em ambientes clínicos e industriais.
Resolução do estudo de caso
O caso de intoxicação em massa no Brasil em 2006 foi causado pela ingestão de dietilenoglicol (DEG) presente em um lote de bebidas contaminadas, especialmente cervejas. A substância tóxica foi incorretamente adicionada no processo de produção de uma marca de cerveja, resultando em diversas mortes e intoxicações graves.
Diversas áreas da toxicologia foram envolvidas na investigação e tratamento das vítimas, incluindo:
- Toxicologia forense: Identificação da presença de DEG nos corpos das vítimas.
- Toxicocinética e Toxicodinâmica: Estudos sobre a absorção, distribuição, transformação e excreção do DEG, e os mecanismos de toxicidade no corpo humano.
- Toxicologia clínica: Monitoramento dos sinais e sintomas da intoxicação e estratégias de tratamento.
- Relação dose-resposta: Avaliação dos níveis de letalidade do composto.
Dê o play!
Assimile
Referências
CANEZIN, Pedro Henrique. Química forense: a ciência a favor da perícia criminal. Curitiba, PR: Intersaberes, 2023.
DAMIANI, Roberto M. et al. Toxicologia. Porto Alegre: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901954. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901954/. Acesso em: 16 ago. 2024.
MARTINIS, Bruno Spinosa de; DORTA, Daniel J.; COSTA, José Luiz da. Toxicologia forense. São Paulo: Blucher, 2018. E-book. ISBN 9788521213680. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213680/. Acesso em: 16 ago. 2024.