Comunicação Visual
Aula 1
Comunicação Visual na História da Arte Moderna
Comunicação visual na história da Arte Moderna
Olá, estudante! Nesta videoaula, descubra como desde o Art Decó, passando pelas Vanguardas europeias, até a Bauhaus, a estética e a expressão criativa em nosso mundo visual são influenciadas pelos movimentos artísticos. Vamos olhar para exemplos de comunicação visual atual, de modo a compreender as tendências e inovações estéticas que permeiam nossa sociedade, e como essas são influenciadas pela produção artística. Prepare-se para expandir sua criatividade! Vamos lá!
Ponto de Partida
Bem-vindos à nossa aula! Vamos tratar sobre os movimentos artísticos e sua influência na cultura visual. Durante esta sessão, iremos mergulhar nas transformações históricas que moldaram nossa percepção visual e compreensão da arte. Discutiremos a importância desses movimentos e como eles refletem e influenciam o contexto social e tecnológico em que surgem. Esse conhecimento é crucial para entendermos como a arte e o design evoluíram ao longo do tempo, e como suas manifestações continuam a nos impactar até os dias de hoje. Fique atento às seguintes questões: Como as transformações sociais influenciaram os temas e estilos artísticos? De que forma os avanços tecnológicos afetaram a produção e a disseminação da arte? Quais são as conexões entre arte, design e outros campos do conhecimento?
Vamos Começar!
Nesta jornada rumo ao entendimento da comunicação visual, vamos explorar não apenas a superfície das imagens, mas também as profundezas das ideias por trás delas. Antes de mergulharmos nos intricados movimentos artísticos que moldaram a paisagem visual ao longo dos séculos, é essencial compreender o poder e a importância da comunicação visual em nossas vidas cotidianas.
A comunicação visual permeia cada aspecto de nosso mundo, desde a publicidade que nos cerca nas ruas até as interfaces dos aplicativos que usamos diariamente. Ela transcende barreiras linguísticas e culturais, transmitindo mensagens e emoções de forma instantânea e universal. Mas, além de sua onipresença, a comunicação visual é uma poderosa ferramenta de expressão e conexão.
A comunicação visual é, resumidamente, a transmissão de mensagens, ideias e emoções através de elementos visuais, como imagens, gráficos, cores e design. A relação entre a forma como nos comunicamos visualmente hoje e os movimentos artísticos está profundamente enraizada na história da arte e da cultura visual. Os movimentos artísticos buscam experimentar novas formas de expressão para produzir um texto visual. Vamos olhar com atenção algumas características dos movimentos artísticos mais importantes a partir do século XIX. E é por esse caminho que começaremos a compreender as nuances de se comunicar visualmente nos dias de hoje.
Art nouveau, Art déco, Cubismo
Em meados do século XIX, iniciou-se, na Inglaterra, o movimento Arts and Crafts, estilo que influenciou o movimento francês Art Nouveau, sendo considerado por historiadores como uma das raízes do modernismo no design gráfico e na arquitetura. O Art Nouveau influenciou o formato de letras e marcas, dirigindo o design nas áreas de gráfico, moda, interiores (móveis) e objetos populares. Seu estilo é caraterizado por decorações incomuns bizarras e formas arredondadas e sinuosas. O Art Nouveau foi (e ainda é) importante para o designer gráfico por causa do estilo diferenciado na página impressa, nas letras, nas marcações e no desenvolvimento posterior de pôsteres modernos, como na Figura 1.
Anos depois, surgiu o movimento Art Déco. Segundo Fonseca (2006), o qual foi impulsionado pela Exposition Internationale des Artes Décoratifs et Industriels Modernes (Exposição Internacional de Arte Decorativa e Industrial), realizada em Paris, em 1925, que buscava apresentar a vida moderna, acompanhando, dessa forma, as tendências que surgiam no campo das artes visuais. No entanto, a sua estética existiu e se desenvolveu já em 1909, adotada pela arquitetura, pelas artes decorativas, pelos produtos industriais e têxteis, pelas artes plásticas, pelo cinema e pela fotografia. Esse estilo reflete diretamente novas tecnologias, mecanização e velocidade, conforme explica Fonseca (2006). Esse novo movimento abandonou as curvas de fluxo livre em favor de um design que apresenta uma “ordem geométrica", como é possível observar no design de uma porta (Figura 2).
Muito popular nas décadas de 1920 e 1930, o Art Déco consistia em uma das mais notáveis sensibilidades estéticas em artes gráficas, arquitetura e design de produto nas décadas entre as duas guerras mundiais. Os papéis centrais dessa nova abordagem sofreram forte influência das vanguardas cubistas, futuristas e construtivistas. Um dos nomes mais representativos desse movimento foi A. M. Cassandre, famoso por seu design de pôster com linhas fortemente marcadas, concentradas no componente aerodinâmico. Em um de seus cartazes mais famosos para o transatlântico L’ATLANTIQUE, ele exagera na escala de proporção entre o navio e o rebocador com a intenção de demonstrar a força e a imponência do navio (Figura 3).
Já o Cubismo se destaca como o movimento que influenciou o design gráfico e, portanto, outros campos afins no uso da colagem de letras com diferentes tipos de montagem, como se fossem elementos plásticos rompendo com as regras tradicionais de representação e sua respectiva forma, produzindo efeitos perceptíveis no mundo do desenvolvimento da comunicação visual. Artistas como Picasso e Braque trazem essa nova abordagem quando em seus estudos estão determinados a explorar novas abordagens visuais, trazendo a decomposição dos objetos para o plano bidimensional, o que significou renunciar à intenção de apresentá-los em perspectiva, ou seja, em três dimensões: altura, largura e profundidade, como ilustrado na Figura 4. Os estudos dos artistas começaram com o conceito de separar as formas e, depois, reagrupá-las, um processo que nenhum outro artista havia tentado antes; isso deu origem ao Cubismo.
Os estudos dos artistas se baseavam no conceito de desmembramento das formas para depois reagrupar, processo que nenhum outro artista ousara tentar até então, e o que os pintores Picasso e Braque fizeram foi olhar pontos diferentes de um mesmo objeto. Esse processo criativo trouxe uma nova concepção na associação visual e na transmissão de ideias através da analogia de elementos figurativos. A influência dominante desse estilo de design de interface reside nas colagens e justaposições. A combinação e/ou justaposição de imagens é em si um ato interativo, como meio de interação autor/público, e é o observador que cria seu conceito de espaço de interação a partir de diferentes estímulos de artistas e designers que usam os mesmos métodos de comunicação como forma de implementar esse princípio. Essa nova expressão de comunicar uma mensagem faz do design um elemento-chave do processo criativo, desde a combinação de imagens até a comunicação de ideias. Observe o cartaz a seguir, inspirado no Cubismo de Picasso.
O uso de caracteres carimbados (e/ou gravados) resultou em novos padrões de impressão. Observe, na Figura 6, a homenagem a Bach feita por Braque; nela, é perceptível como a inspiração cubista absorveu vários aspectos da arte comercial que influenciaram decisivamente na criação de cartazes e esboços publicitários na década de 1920.
Siga em Frente...
Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo
O movimento futurista (1909) se tornou uma expressão poderosa da visão do futuro, servindo também como ponte da Art Déco. O Futurismo, como estilo artístico, desempenhou um papel importante nas extensões da ilustração, mas, ao mesmo tempo, influenciou grupos de designers europeus.
Os intelectuais e artistas da época usaram temáticas de protestos em sua proposta, nascendo, assim, o movimento futurista, a exemplo do jornal La Demolizione, meio de comunicação de Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), escritor, poeta, ideólogo, jornalista e precursor do movimento futurista. Nos poemas pictóricos, Marinetti uniu o conteúdo verbal a imagens visuais em uma mesma manifestação, como podemos observar na Figura 7, em que, utilizando um conjunto de elementos visuais de diferentes tamanhos e colocações tipográficas no papel com o objetivo de dar-lhes uma ênfase sensorial para além do meio escrito, as letras parecem alcançar o componente de sonoro.
No início do século XX, o mundo estava em constante mudança, a qual deu origem a uma nova ideia: velocidade no desenvolvimento de navios a vapor e automóveis motorizados, além das primeiras conexões telefônicas intercontinentais.
O uso da decomposição/composição do objeto e/ou espaço, para a representação da forma, do movimento da figura como processo construtivista, o mais importante do ponto de vista da percepção visual, torna-se um pré-requisito e uma tendência funcional do design gráfico como atividade de interação com o público. Tanto nas tendências artísticas iniciadas no Cubismo quanto no Futurismo, as formas de movimento que surgiram tinham como principal busca figurar a quarta dimensão: o movimento.
O Dadaísmo, para além de um movimento artístico, também se caracterizou por ser um “estado de espírito” individual e coletivo. Esse estilo negou e desafiou a estrutura da representação racional, reduzindo drasticamente os conceitos tradicionais. Associado ao movimento anarquista, o Dadaísmo direcionou os designers gráficos a se expandirem das restrições retilíneas (ideia inicialmente cubista) e utilizarem a “letra” como experiência visual através do valor do humor e do chocante, minimizando, dessa forma, o sentimento de apatia do observador perante algo.
O Dadaísmo surgiu simultaneamente em Zurique e nos Estados Unidos. Foi um movimento de teor artístico provocativo e irônico, e seu objeto de crítica era através da arte. Para a sociedade, o termo “função” se refere à forma como o objeto permite seu uso, enquanto “fruição” faz referência à contemplação do objeto. Ou seja, quando nos referirmos ao uso, relacionamos o valor da “peça” à sua função para a qual foi concebida e, se nos atentarmos apenas para o momento da fruição, estaremos, na verdade, avaliando apenas o seu elemento estético. Esse conteúdo artístico no Dadaísmo era projetado em diferentes suportes, desde as artes plásticas até a pintura, a fotografia, a poesia e o teatro. Um exemplo dessa quebra de função de objeto é a obra de Marcel Duchamp (1887-1968), renomado pintor e escultor francês, bem como um ícone das vanguardas artísticas europeias do início do século XX. Ele foi um dos precursores da arte conceitual, do Dadaísmo, do Surrealismo, do Expressionismo abstrato e o inventor dos ready-made. O termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp para designar um tipo de objeto por ele inventado que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios estéticos e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias), que podemos observar logo a seguir, na Figura 8.
Concentrando-se, principalmente, na década de 1920, os surrealistas contribuíram para uma nova abordagem de imagens e conteúdos visuais apoiada nas conjeturas de Sigmund Freud (1856-1939), neurologista e psicanalista conhecido como o “pai da psicanálise”, por conta da sua extensa contribuição para o surgimento desse campo clínico que tem enfoque na psique humana. Ao longo de sua carreira, Freud teorizou ideias a respeito da interpretação dos sonhos e do papel deles em retratar desejos que são reprimidos na mente humana ou memórias recentes que estão bloqueadas no inconsciente. A respeito do inconsciente, disse que a mente humana funciona como um iceberg, em que parte dos pensamentos é perceptível, e a outra parte, não.
A obra Interpretação dos Sonhos (1900), de Freud, deu origem a uma nova expressão da arte baseada na subjetividade e no inconsciente do artista, adotando como tema o simbolismo, as justaposições imprevisíveis do inconsciente, como acontece nos sonhos. Nas obras do artista Réne Magritte (1898-1967), é bastante perceptível o quanto suas pinturas apresentam elementos do cotidiano (Figura 9), os quais, juntos, não fazem sentido como em um sonho, tornando-se provocador, espirituoso e que desafia as percepções dos observadores, pois não está condicionado à realidade.
Dessa forma, os surrealistas contribuíram para as artes gráficas ao explorar novas técnicas visuais e um estilo de abstração que influenciou a comunicação visual e a ilustração, sobretudo por revelar uma nova dimensão da realidade possível quando se renuncia à lógica racional e a substitui por uma associação arbitrária de imagens do mundo real.
A Figura 10 traz um cartaz surrealista feito pelo artista Tetsuo Miyahara, em que ficam bastante evidentes as razões pelas quais os designers de cartazes utilizaram o Surrealismo. E são três razões muito simples (BARNICOAT, 1972):
- Uso de elementos familiares e aceitáveis pelo público moderno. O cartaz da Figura 10 é composto por elementos familiares a quase todas as pessoas: chapéu, cigarro, um perfil de mulher, nuvens e um corvo.
- A utilização do elemento-surpresa. No caso, o elemento-surpresa, se prestarmos muita atenção ao olho do perfil da mulher, é o corvo. Algumas pessoas não verão o corvo na imagem.
- A possibilidade de apresentar uma única ideia de modos diferentes, sem muitas explicações. O artista representa a ideia, e como explicar essa ou outra ideia? Do sonho? Do inconsciente?
Design Revolucionário Russo e Bauhaus
O movimento artístico conhecido como Construtivismo se baseia na simplicidade formal e no uso frequente da geometria em projetos revolucionários que foram incorporados ao construtivismo de diferentes correntes, utilizando palavras e imagens em experiência simultânea na comunicação de uma ideia. Iniciou-se na Rússia, em 1913, durando até 1934, com forte influência nas artes plásticas, na arquitetura e no design.
Observe a imagem feita por Dmitry Moor, em 1920 (Figura 11). A imagem de um soldado do Exército Vermelho, com fumaça escura subindo das chaminés de fábrica no fundo, questionando o trabalhador russo sobre a sua contribuição para a defesa da Revolução de Outubro, tornou-se peça icônica da propaganda soviética.
A busca pela extrema simplicidade na pintura e o uso de formas geométricas básicas tiveram forte influência sobre os designers construtivistas russos, resolvendo problemas de comunicação e descartando os aspectos mais relevantes da estética em favor da utilidade geral.
Já o movimento artístico De Stijl ajudou a firmar o estilo do design do século XX, sobretudo no contexto modernista-racionalista. O movimento ocorreu na Holanda (entre 1917 e 1928), pois, não tendo sido abalada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ela se tornou um local propício para o desenvolvimento tecnológico das artes visuais e da arquitetura. Seu nome é derivado da revista com mesmo nome, De Stijl, que pode ser traduzido como “O estilo”. Em termos de valor, este grupo distinguiu-se pela rigorosa precisão na divisão espacial, por vezes dividida por linhas pretas, pela tensão e pelo equilíbrio alcançados pela assimetria (assimetria é a ausência da simetria ou o seu inverso), bem como pelo uso arrojado e criativo de formas básicas, cores básicas e simplicidade formal.
Muitas ideias, como o neoplasticismo – que é uma doutrina que busca a síntese gráfica reduzindo elementos para as formas básicas e cores primárias, aspirando a ser um tipo de arte que transcende a realidade externa através de uma linguagem plástica objetiva –, foram apresentadas na revista De Stijl. A necessidade de ressaltar o aspecto artificial da arte (criação humana) fez com que o artista holandês Piet Mondrian (1872-1944), um dos mais importantes membros do movimento, usasse em suas pinturas apenas as cores primárias (vermelho, amarelo e azul) em seu estado máximo de saturação, assim como cores neutras (branco, cinza e preto), como vemos em sua obra Composição em vermelho, preto, azul, amarelo e cinza (1920), apresentada na Figura 12.
A Escola Bauhaus também se destaca nesse contexto histórico do Modernismo, pois ela não foi apenas um movimento, mas um centro de estudos dotado de valores que arriscavam testar novas invenções artísticas, ideias acumuladas até então nas duas primeiras décadas do século XX. Foi uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda que funcionou entre 1919 e 1933, na Alemanha, e foi considerada uma das maiores e mais importantes representantes do que se chama de Modernismo em design e arquitetura, sendo considerada a primeira escola de design do mundo.
A Bauhaus desenvolveu um design, incorporando “novos materiais”, como concreto armado, vidro e aço, e evitando embelezamentos. Esteticamente expresso na produção de objetos industriais. À medida que a sociedade evoluía e tecnologicamente avançava, objetos simples e funcionais começaram a ser criados para servir à sociedade de massa. Em sua raiz, está a necessidade de reorganizar a indústria alemã no período pós-guerra, quando o governo germânico e os industriais perceberam que uma reforma no design de objetos era vital para a competitividade da economia. Um exemplo da influência dessa funcionalidade está no design da cadeira de pedestal de Eero Saarinen (Figura 13), desenhada em 1957, na qual as formas curvilíneas começavam a ameaçar o predomínio do estilo.
Conclusão
Os movimentos artísticos não apenas refletem a comunicação visual como conceito, mas também influenciam significativamente a maneira como nos comunicamos visualmente hoje. Ao observarmos o desenvolvimento histórico da arte e da cultura visual, percebemos como esses movimentos moldaram não apenas o campo artístico, mas também a forma como entendemos e utilizamos a comunicação visual em nosso cotidiano.
Desde o movimento Art Nouveau até o Bauhaus, os artistas e designers exploraram novas formas de expressão e experimentaram técnicas inovadoras que desafiaram as normas estabelecidas. Por exemplo, o Art Nouveau introduziu formas orgânicas e curvilíneas, influenciando não apenas o design gráfico, mas também a arquitetura e as artes decorativas. Já o movimento Art Déco trouxe uma estética mais geométrica e ordenada, refletindo a modernidade e as novas tecnologias da época.
O Cubismo, por sua vez, revolucionou a forma como percebemos o espaço e o movimento, influenciando diretamente o design gráfico e outras formas de comunicação visual. Ao decompor e reorganizar formas e elementos visuais, os artistas cubistas abriram caminho para uma abordagem mais abstrata e expressiva, que continua a influenciar o design contemporâneo.
Além disso, movimentos como o Futurismo, o Dadaísmo e o Surrealismo exploraram novas técnicas visuais e um estilo de abstração que influenciou profundamente a comunicação visual e a ilustração. O Futurismo, por exemplo, capturou a velocidade e a dinâmica da vida moderna, enquanto o Surrealismo mergulhou nas profundezas do inconsciente, criando imagens surrealistas que desafiavam as percepções tradicionais da realidade.
Vamos Exercitar?
Durante essa aula, exploramos como os movimentos artísticos históricos influenciaram a comunicação visual contemporânea. A problematização inicial nos levou a refletir sobre como a forma como nos comunicamos visualmente hoje está relacionada com esses movimentos de vanguarda. Ao longo da aula, analisamos exemplos concretos de como o Art Nouveau, Art Déco, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo, Design Revolucionário Russo e Bauhaus impactaram a estética e a prática da comunicação visual.
Para resolver essa questão, destacamos como os conceitos e as técnicas introduzidas por esses movimentos ainda ressoam em nossos designs, publicidade e interfaces digitais. Encorajamos você a explorar mais essas influências em seus próprios trabalhos, buscando inspiração nas abordagens inovadoras e experimentais dos artistas pioneiros. Além disso, faça uma reflexão sobre como podem ser incorporados elementos desses movimentos em suas práticas profissionais, adaptando-os às demandas contemporâneas e às necessidades do público atual. Afinal, as lições aprendidas com a história da Arte e da comunicação visual são fundamentais para impulsionar a criatividade e a inovação em nossos projetos futuros.
Saiba Mais
Para expandir seus conhecimentos sobre arte e comunicação visual, assista ao filme Magritte: Noite e Dia (2009), dirigido por Henri de Gerlache. Esse filme oferece uma visão da vida e obra do renomado artista surrealista René Magritte, mergulhando em sua mente criativa e explorando sua influência duradoura na arte contemporânea.
Outra sugestão é a leitura do artigo "Chico Xavier em várias cores: uma análise do uso da Art Déco na capa da Superinteressante", escrito por Hanna Bárbara Noronha de Sousa Lima. Esta análise oferece uma compreensão sobre o uso da estética Art Déco na mídia contemporânea, destacando como os elementos visuais podem ser empregados para transmitir mensagens e criar impacto visual.
Referências Bibliográficas
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WARNCKE, C. Pablo Picasso 1881-1973. Los Angeles: Taschen America Llc, 2007.
Aula 2
Relações entre Imagem e Texto na Comunicação Visual
Relações entre Imagem e Texto na Comunicação Visual
Olá, estudante! Nesta aula, mergulharemos no universo da criação de campanhas visuais impactantes. Você sabe o que é a Teoria da Gestalt? Ela pode revolucionar suas estratégias de comunicação e ajudá-lo a conquistar seu espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Não perca essa oportunidade de aprimorar suas habilidades! Pronto para transformar conceitos em resultados? Vamos lá!
Ponto de Partida
Bem-vindo à nossa aula sobre a importância do uso estratégico de palavras e imagens na comunicação visual. Vamos explorar como esses elementos desempenham um papel fundamental no mercado de vendas de produtos e serviços, e como podem impactar positivamente o sucesso de uma marca. A problematização que nos guiará nessa aula é: como podemos utilizar palavras e imagens de forma estratégica para aumentar a visibilidade e o sucesso de um produto ou serviço no mercado? Aproveite essa oportunidade para aprender e descobrir como aplicar esses conceitos no seu cotidiano profissional. Lembre-se de que entender a importância da comunicação visual pode ser a chave para diferenciar uma marca e alcançar os objetivos de negócio.
Vamos Começar!
Nessa aula, abordaremos como o emprego de termos e representações gráficas na elaboração de comunicações visuais constitui uma das principais táticas para gerar efeito no âmbito comercial de bens e serviços. A seleção adequada de termos e representações gráficas deve ser pautada pela mensagem a ser transmitida e pelo público-alvo a ser alcançado. Esse conteúdo evidencia a eficácia de uma linguagem visual clara e de fácil compreensão, ou seja, que seja prontamente identificável e entendível pelo público-alvo. Ademais, a escolha criteriosa das tonalidades e do design é também crucial para conceber uma comunicação visual singular e distintiva. São estratégias simples que geram impacto no mercado quando se empregam termos e representações gráficas de forma criativa, ampliando a visibilidade e o êxito de uma marca, produto ou serviço no mercado.
Palavra e imagem
Atualmente, a sociedade se apresenta imersa em elementos visuais. Seja no dia a dia ou no ambiente de trabalho, quase tudo ao nosso redor é rodeado por elementos visuais. A contemporaneidade é vista como a “era da informação visual”, e, perante esse grande fluxo de informações, estruturar visualmente as informações torna mais simples e claro o entendimento da mensagem.
A Teoria da Gestalt, que surgiu no campo da psicologia alemã na década de 1920, teve como seus fundadores os alemães Max Wertheimer (1880-1943) e Kurt Koffka (1886-1941), que a definiram com o aforisma "o todo é maior que a soma de suas partes". Analise a Figura 1: o que é possível identificar? Dois perfis? Um cálice? Para compreender as partes, é preciso, primeiro, que se compreenda o significado do todo. As formas, juntas, compreendem o todo. Isso determina a forma como o indivíduo percebe a informação visual que o cerca através da lei da proximidade, da semelhança, da boa continuação e do destino comum.
De acordo com O’Connor (2013, p. 87):
A lei da Proximidade consiste em sugerir que formas, objetos ou elementos de design localizados nas proximidades tendem a ser percebidos como um grupo. A lei da Similaridade revela que tendem a se agrupar formas, objetos ou elementos de design que compartilhem algum nível de semelhança em termos de cor, tom, textura, forma, orientação ou tamanho. No que refere-se à lei da Boa Continuação, as formas, objetos ou elementos de design que sugerem linhas ou curvas são percebidos como elementos visuais distintos, mas percentualmente são agrupados de maneira que se crie um novo elemento visual. Por último, a lei de Destino Comum propõe que grupos de formas ou elementos de design que partilham uma orientação semelhante, movimento ou configuração, tendem a ser percebidos como um grupo.
Texto e elementos visuais formam diferentes imagens; juntos, são elementos fundamentais na comunicação visual. Eles são capazes de transmitir uma mensagem de forma clara e eficiente (Figura 2). A palavra, em forma de texto, é capaz de expressar ideias, conceitos e informações precisas. Ela pode ser usada para fornecer detalhes específicos, instruções ou para transmitir uma mensagem emocional. A escolha das palavras corretas e sua disposição no design da comunicação visual é essencial para garantir que a mensagem seja transmitida de forma clara e eficiente. A imagem, por outro lado, é capaz de evocar emoções, sensações e ideias através de elementos visuais, como cores, formas e texturas. Ela pode ser usada para transmitir uma mensagem de forma instantânea e impactante, sem a necessidade de muito texto ou explicação.
Na comunicação visual, a imagem pode ser usada para chamar a atenção, criar uma atmosfera, reforçar uma ideia ou representar um conceito abstrato. Quando palavra e imagem são combinadas, pode-se criar uma comunicação visual que seja poderosa e eficaz. Ao escolher as palavras e imagens corretas, é possível gerar um design que transmita uma mensagem coerente e que seja capaz de comunicar com eficiência a ideia desejada.
Portanto, elementos tipográficos e configurações visuais são diretrizes, ferramentas ou técnicas básicas para o desenvolvimento de cartazes, leiautes, embalagens, banners ou qualquer outro meio de mensagem que utilize elementos gráficos impressos ou digitais. É, portanto, incessantemente moldado e atualizado para definir uma forma clara e concisa para atender aos objetivos de comunicação desejados.
Análise e compreensão do produto e do problema
Atualmente, características como disponibilidade e preços baixos não são mais diferenciais suficientes para a maioria dos produtos e marcas. Não é mais aceitável que determinados produtos sejam de qualidade questionável ou estejam esgotados no mercado para o consumidor. Um dos pontos fundamentais para o sucesso de um produto é entender como funciona o design de comunicação visual para o varejo e quais as vantagens que isso traz de impacto na fidelização com o consumidor.
A embalagem, o rótulo e o leiaute de um produto são muito mais do que simplesmente o que envolve ou difere o produto dos demais. Eles são, ao mesmo tempo, uma entidade física, estática e finita que está na prateleira esperando por nós. Entretanto, o aspecto perceptual de uma marca ou produto existe no espaço psicológico – em nosso subconsciente, onde é dinâmico e maleável.
Para que isso seja alcançado, é necessário entender a relação entre imagem, produto e consumo para diferentes mercados consumidores. A imagem que um produto transmite é um dos principais fatores que influenciam a decisão de compra dos consumidores. A comunicação visual é uma ferramenta poderosa para transmitir essa imagem e influenciar o comportamento do consumidor.
É importante entender as necessidades, os desejos e as expectativas dos consumidores em relação ao produto e identificar as tendências e os padrões de consumo desse mercado. A partir desse conhecimento, pode-se desenvolver embalagens, campanhas e rótulos que atendam às demandas do mercado e que sejam atrativos para o público-alvo. A escolha da imagem e da comunicação visual é fundamental para transmitir a mensagem e os valores do produto, e criar uma identidade visual forte e coerente com a mensagem e os valores de uma marca.
O uso da palavra e da imagem em embalagens de produtos é muito importante para atrair e informar o consumidor. A embalagem é a primeira impressão que o consumidor tem do produto e, por isso, deve ser bem pensada e elaborada.
Por exemplo, na Figura 3, referente a alimentos orgânicos, a imagem de produtos naturais e saudáveis é um fator decisivo na escolha do consumidor. A comunicação visual deve transmitir essa imagem, utilizando cores e elementos que remetam à natureza e ao bem-estar, além de informações claras sobre a origem e a qualidade dos produtos.
A imagem na embalagem é responsável por chamar a atenção do consumidor e apresentar a ideia do produto. Ela pode ser usada para ilustrar o produto, destacar suas características, mostrar seus benefícios, transmitir uma sensação ou criar uma identidade visual que se conecte com o público-alvo. A imagem também pode ser utilizada para trazer informações importantes, como a forma de uso, a composição ou os ingredientes do produto.
Já no mercado de tecnologia (Figura 4), a imagem de produtos modernos e inovadores é um fator importante para a decisão de compra do consumidor. A comunicação visual deve transmitir essa imagem, utilizando cores e elementos que remetam à tecnologia e à inovação, além de informações claras sobre as funcionalidades e a qualidade dos produtos.
Para desenvolver produtos diversos, é necessário entender a relação entre imagem, produto e consumo para diferentes mercados consumidores, e utilizar a comunicação visual de forma estratégica para transmitir a mensagem e os valores do produto. A imagem e a comunicação visual são fatores decisivos para influenciar o comportamento do consumidor e criar uma identidade visual forte e coerente com a mensagem e os valores da marca.
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Relação do produto com objetivos de venda e do mercado
Novas tendências relacionadas ao mercado da comunicação visual de produtos demonstram que as pessoas estão saturadas de muita informação, publicitária ou não, em seu cotidiano, assim como banalização dos meios de comunicação, como outdoors, comerciais de televisão e revistas. Além disso, a maioria dos anúncios se apresenta ineficaz e cria poluição visual.
Os métodos tradicionais, muitas vezes, já não dão os resultados esperados. Chamar a atenção nesse meio é um papel desafiador que requer percepção e inovação. As mudanças no mundo da comunicação e da mercadologia estão se acelerando, e todos os anos há novas mídias e novas abordagens. Nesse contexto, múltiplas mensagens são construídas e difundidas, levando as pessoas a filtrarem e selecionarem o que desejam ver com base em seus interesses e suas necessidades. Um exemplo é a internet e seus adds (propagandas ou anúncios que aparecem no alto nos cantos da página) (Figura 5) ou lojas virtuais (Figura 6).
Para Perez e Byron (2002), a tarefa da comunicação visual inclui criar boas imagens para identificar potenciais clientes, construir e fortalecer relacionamentos (por exemplo, por meio de fidelização) e atraí-los para a compra. A comunicação visual e suas ferramentas ajudam a diferenciar, posicionar e destacar o produto, o que estimula o consumidor a fazer uma escolha sobre determinado produto, serviço ou marca no momento da compra.
Porém, o crescimento do número de marcas e produtos traz ao consumidor que se vê cercado por milhares de mensagens visuais que lutam para alcançá-lo. Esse fato tem levado a comunicação de marketing a buscar alternativas para dialogar com os consumidores, ora de forma mais sutil, ora de forma mais criativa e alternativa. Seja realizando intervenções na própria cidade, como pintar a faixa de pedestres (Figura 7), seja trazendo objetos pequenos em grandes dimensões, para que o observador fique espantado, como o caso dos smartphones em calçadas (Figura 8) ou das imagens plotadas que são colocadas estrategicamente em locais que fazem com que o consumidor possa sentir emoções ao olhá-las (Figura 9). Perceba que as campanhas visuais são cada vez mais criativas para chamar a atenção do consumidor, mesmo o mais exigente, com o objetivo de conquistar a simpatia dele.
O desenvolvimento de mensagens visuais eficientes para produtos de comunicação diversos, como displays, outdoors, hotsites de lançamentos de produtos e campanhas em redes sociais, requer uma abordagem estratégica e criativa. Seguem algumas etapas que podem ajudar na criação de mensagens visuais impactantes:
- Conheça seu público-alvo: antes de começar a criar uma mensagem visual, é importante entender o público-alvo para o qual a mensagem será direcionada, assim como o produto da mensagem. Conhecer as preferências, as necessidades e os hábitos desse público ajuda a definir a linguagem, os elementos visuais e a abordagem que serão utilizados.
- Defina a mensagem visual: o objetivo da mensagem visual deve ser claro, e ela definida desde o início do processo criativo, sendo simples, objetiva e fácil de ser compreendida pelo público-alvo.
- Utilize elementos visuais impactantes: a escolha dos elementos visuais deve ser feita com cuidado, levando em consideração a mensagem que se deseja transmitir. Cores, formas, imagens e tipografias diferenciadas podem ser utilizadas para chamar a atenção do público e criar um impacto visual positivo.
Desenvolver mensagens visuais de produtos, ou campanhas que se utilizem da comunicação visual em diversas frentes requer planejamento, criatividade e estratégia para que o objetivo principal seja alcançado: comunicar-se visualmente.
Vamos Exercitar?
Nessa aula, exploramos a importância do uso estratégico de palavras e imagens na comunicação visual, especialmente no mercado de vendas de produtos e serviços. Ao confrontarmos a problematização sobre como utilizar esses elementos de forma estratégica para aumentar a visibilidade e o sucesso de um produto ou serviço, identificamos várias abordagens eficazes.
Para alcançar o sucesso no uso estratégico de palavras e imagens na comunicação visual, é crucial que os profissionais estejam constantemente atentos às mudanças no mercado e às tendências de design. Adaptabilidade e criatividade são essenciais para manter a relevância e a eficácia das estratégias de comunicação visual ao longo do tempo, sempre lembrando de conhecer o público-alvo e fazer uma comunicação clara.
Encorajamos você a aplicar esses conceitos em sua prática. Lembre-se de considerar sempre o público-alvo, utilizar os princípios da Teoria da Gestalt e buscar constantemente aprimorar suas habilidades de design e comunicação. Que tal tentar criar uma peça publicitária para um colega?
Saiba Mais
Para os entusiastas de branding e comunicação visual, o filme AIR: A história por trás do logo (2023), dirigido por Ben Affleck, é uma obra imperdível que revela os bastidores da construção de uma das marcas mais icônicas e valiosas do mundo: a Nike. Desde sua fundação até os momentos decisivos que moldaram sua identidade, o filme oferece uma visão sobre a importância do branding e da comunicação visual no sucesso de uma empresa.
Além disso, o artigo "A imagem como ferramenta da comunicação contemporânea", de Lucas Pereira Matos, Monithelle da Silva Cardoso e Flávia Martins dos Santos, publicado em 2014, é uma leitura fundamental para entender a relevância da imagem na comunicação moderna.
Referências Bibliográficas
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UOL. Disponível em: https://www.uol.com.br. Acesso em: 9 abr. 2023.
Aula 3
Tipografias Formais
Tipografias formais
Olá, estudante! Nesta aula, embarcaremos em uma jornada pelo mundo da linguagem visual e da tipografia. Você terá a oportunidade de explorar os elementos fundamentais que compõem a linguagem visual, desde os conceitos básicos até a aplicação prática na comunicação escrita. Prepare-se para expandir seus horizontes e aprimorar suas habilidades de comunicação visual e aprenda a escolher as melhores tipografias para o seu projeto!
Ponto de Partida
Atente para as letras que escrevem essa frase: será que tem um motivo para elas serem desse jeito? Você já deve ter reparado em vários tipos diferentes de letras, escritas e fontes. Nessa aula, nossa atenção vai ser direcionada para as tipografias. Como as diferentes maneiras de se desenhar uma letra vão interferir em como comunicamos um texto? A importância desse tema vai muito além da mera estética visual; ele influencia diretamente na legibilidade, na transmissão de mensagens e até mesmo na percepção emocional que um texto pode evocar.
Essa aula vai ser importante para qualquer projeto que envolva comunicação visual. Qual fonte escolher? Essa resposta vamos descobrir juntos!
Vamos Começar!
Nessa aula, apresentaremos os elementos básicos da linguagem visual como o suporte para o desenvolvimento de ferramentas que podem ser utilizadas na comunicação, fazendo uso de imagens, tipos ou, mesmo, de ambos. Elemento essencial e enriquecedor da comunicação, a tipografia está presente no cotidiano do ser humano desde sua base, com a possibilidade de gravar e divulgar textos através de livros e jornais. Independentemente da sua proposta de comunicação, é fundamental que você conheça e se utilize dos elementos visuais e das formas tipográficas como meios de expressão e mensagem, seja através de suporte físico ou digital. A atualidade nos trouxe um cenário de rapidez, no qual as representações escritas e visuais da linguagem e do pensamento humano precisam de fluência, clareza e fácil compreensão. Entendemos que esses conhecimentos colaborarão em projetos visuais, tipográficos ou mistos. Boa aula!
A linguagem visual
Temos a necessidade de compartilhar diferentes conhecimentos entre nós, e fazemos isso por meio da comunicação, a qual, desde o início dos tempos, foi essencial para a sobrevivência como ferramenta de integração, informação e desenvolvimento humano. O principal meio de comunicação do ser humano é a linguagem, por meio da qual transmitimos ideias e sentimentos.
Utilizamos sistemas simbólicos como suporte para a troca de experiências; o ser humano organiza sinais, formas, luzes, cores, gestos, objetos, sons, cheiros, olhares e expressões para repassar uma mensagem. Essa ordenação acontece através dos vários sistemas de linguagem que utilizamos para codificar, armazenar e decodificar informações.
Existe uma ampla gama de símbolos que conceituam e constituem os sistemas sociais e históricos de representação do mundo e comunicação social. É comum nos comunicarmos através da linguagem verbal como principal fonte de informação, talvez por ser uma forma convencional e formal de troca de conhecimento. Porém, somos capazes de produzir, agir e interagir de diversas formas uns com os outros, por isso as linguagens não verbais de representação do mundo também têm um lugar em nosso cotidiano e não podem ser consideradas secundárias; elas merecem ser conhecidas, discutidas e estudadas. Existem muitas formas para que a comunicação ocorra, como podemos ver na Figura 1.
Atualmente, as imagens estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano. As linguagens verbal e não verbal interagem para chegar ao observador: a imagem atinge muitas pessoas e vai além das palavras. Dada a sua importância para nós, é necessário tentar entender como e por meio de quais regras ou conceitos elas são formadas. Compreender a linguagem visual nos permite entrar em contato com os fundamentos usados para desenvolver uma imagem como elemento de comunicação, para que, assim, possamos entender melhor sua estrutura e como ela se apresenta diante da nossa visão.
As linguagens contam com conjuntos de caracteres organizados para facilitar a troca de informações. Dondis (2003) apresenta uma sintaxe da linguagem visual com a ideia de expansão da capacidade óptica, que amplia a compreensão e produção de uma mensagem visual. Ela propõe um alfabetismo que envolve entender a forma como uma imagem é vista e compartilhada pelo seu observador. A composição visual de uma obra consiste em uma lista básica de elementos. Ela é projetada, rabiscada, desenhada, esculpida, gesticulada, e esses elementos formam a realidade fundamental do que vemos e fazemos. Para a autora, partimos sempre dos elementos básicos da linguagem visual para compor qualquer imagem. São eles: ponto, linha, forma, cor e textura, como é possível identificar a seguir:
Elementos da linguagem visual:
- Ponto: é o elemento mais simples da linguagem visual. Normalmente, quando imaginamos um ponto, imaginamos um pequeno círculo. No entanto, o ponto pode ter outras formas, como um quadrado ou uma mancha. Uma linha é desenhada quando um ponto se conecta a outro ponto, que se conecta a outro ponto, e assim por diante.
- Linha: uma linha ou traço pode ser definido como o traço deixado por um ponto ao se mover no espaço, ou como uma série de pontos muito próximos uns dos outros, formando, assim, uma linha grossa, fina, colorida, contínua, dura, fraca e intermitente.
- Textura: as superfícies dos objetos se apresentam diante de nós diferentes e podemos perceber ao tocá-las. As rochas são ásperas, os troncos são ásperos, o algodão é macio e liso. Para saber se um tecido, por exemplo, é liso ou áspero, não precisamos mexer nele; basta olhar. Essa apresentação da superfície do objeto é chamada de textura.
- Cor: há muitas cores ao nosso redor. No estudo das cores, o primeiro passo é aprender que existem cores primárias e secundárias. As cores primárias são cores puras que não se fundem. Elas dão origem a todas as outras cores.
- Forma: quando desenhamos uma linha fechada na superfície, separamos o espaço do resto do papel, e isso é uma forma. Existem formas simples, como círculos, triângulos e quadrados, e formas mais complexas. Se observarmos uma figura simples, podemos facilmente memorizá-la e até mesmo reproduzi-la, como na obra ao lado, da artista Tarsila do Amaral.
Os elementos visuais constituem a matéria-prima para os diferentes níveis de produção da imagem visual, a partir dos quais se planejam e expressam variadas manifestações visuais: esboços, pinturas, esculturas, arquitetura etc. Os elementos visuais são manipulados com técnicas específicas, apresentando elementos associados ao caráter do que se projeta e ao objetivo da mensagem a ser comunicada.
Siga em Frente...
Serifas e simplicidade
A tipografia é um campo científico que estuda o efeito estético formal e a funcionalidade das fontes (compostas por letras, caracteres e/ou símbolos), conforme afirma Jury (2006). A representação gráfica das letras afeta o leitor, e o uso delas pelo designer deve estar de acordo com sua estrutura técnica específica, incluindo família, largura, altura, pontuação, linhas e espaçamento. A natureza comunicativa do gênero vai além da capacitância de ler mensagens. Ela guia e facilita a leitura. Veja o exemplo de duas famílias tipográficas na Figura 2.
Não existe um padrão que descreva com precisão o que pode constituir estruturalmente caracteres alfabéticos, números e pontuação. Na sua formação, serão levados em conta determinados critérios, como peso, por exemplo, e ainda terão outras variantes. Observe, na Figura 3, que, na mesma palavra “coffee” (café), você pode considerar também estabelecer regras na atribuição de letras: o espaço entre os caracteres, que expressam uma textura mais leve e uma textura mais densa do texto quando estão mais próximos; o itálico, que pode ser desenhado individualmente com uma fonte ou mesmo com o recurso opcional, mas com efeito de velocidade ou de aproximação da caligrafia; o negrito (ou bold) também pode ser específico para digitar ou para um efeito opcional e pode ser usado para dar ênfase visual.
Ribeiro (1998) afirma que a tecnologia tem desempenhado um papel importante nas mudanças ocorridas na linguagem tipográfica, proporcionando independência e oportunidade de experimentação. No entanto, as regras e convenções não alteraram; o que está acontecendo é a constante evolução da linguagem falada e sua adaptação visual. Desde Gutenberg (c.1396-1468), que foi um inventor alemão e o primeiro a usar a prensa e os tipos móveis de metal (Figura 4), a classificação das fontes tipográficas era feita pelo nome da obra impressa ou pelo sobrenome do impressor. Com a evolução da produção gráfica e a Revolução Industrial (1760), tornou-se quase impossível catalogar tipos, devido à grande variedade de fontes.
Ainda de acordo com Ribeiro (1998), no início do século XX, em 1921, o artista gráfico francês Francis Thibaudeau (1860-1925) classificou os tipos em quatro famílias básicas. Ele se concentrou em exames minuciosos da serifa, largura, altura e cor que levaram a uma construção quase infinita de tipos. São eles: 1. Bastão, 2. Elzevir, 3. Egipciana e 4. Didot, categorizados por Thibaudeau (Figura 5).
É comum, entre muitas famílias tipográficas, a distinção entre “com serifas” e “sem serifas”, como podemos visualizar na Figura 6. As sem serifa são mais fáceis de ver e são usadas para dar suporte às comunicações de rápida leitura, como letreiros de lojas. As com serifas têm uma composição mais complexa e com mais acabamentos na sua anatomia, e são utilizadas em suportes comunicativos com muito texto (livros, jornais e revistas, por exemplo), para permitir uma leitura mais fluida e mais reconhecível à visão ou ao olho humano.
A tipografia é um elemento enriquecedor da comunicação e, desde a sua criação, tem sido uma forma de as pessoas partilharem pensamentos e ideias. Ela organiza o texto visualmente, definindo forma, cor e tamanho, e criando uma estrutura visual coerente ao observador.
Tipografia: a voz da comunicação escrita
Considerando que a tipografia é pensada para comunicar, ela é a voz da comunicação escrita. Nesse sentido, uma das primeiras coisas a se levar em conta na hora de escolher uma família de fontes para uma mensagem é saber qual voz é a mais adequada para transmitir a informação.
A tipografia pode manipular a maneira como o leitor reage a determinada palavra, dependendo da fonte em que ela aparece. Desse ponto de vista, é possível afirmar que a tipografia cumpre finalidades comunicativas, afinal, sua aplicação envolve a transmissão/troca de algum tipo de informação. Para se comunicar de forma eficaz usando símbolos datilografados, Niemeyer (2006) relaciona uma questão importante pertinente ao uso de fontes: o uso efetivo dessa ferramenta ao atendimento dos requisitos de legibilidade e leiturabilidade.
A legibilidade se refere ao reconhecimento dos sinais gráficos e à facilidade com que se distinguem os caracteres (Figura 7), determinando não só a velocidade de leitura como também o esforço mental necessário para a identificação exata das letras e a compreensão do texto. “Quando as formas de diferentes letras de um mesmo desenho de tipo podem ser discriminadas com rapidez, diz-se que esse tipo é altamente legível.” (NIEMEYER, 2006, p. 82).
Há uma diferença entre a clareza dos caracteres e a clareza do texto impresso. A primeira significa especificar cada caractere como um tipo único, que é feito pelo usuário sem problemas. A segunda se refere à facilidade de identificar conjuntos de caracteres corretamente como palavras. Como resultado, o leitor entende a frase significativamente.
A leiturabilidade, por sua vez, é entendida como a qualidade que permite reconhecer o conteúdo da informação quando esta é representada por caracteres alfanuméricos em grupos significativos (palavras, frases ou textos). Assim, a leiturabilidade depende menos da configuração específica do próprio caractere e mais do espaçamento entre caracteres e grupos de caracteres, da combinação em frases ou não, aponta Niemeyer (2006). Assim, é importante observar que um tipo de letra pode ser legível, mas não ter boa leiturabilidade, e pode ser legível e ter muita leiturabilidade. Do contrário, a baixa legibilidade inevitavelmente levará a uma baixa leiturabilidade.
Se o projeto desenvolvido para a leitura requer atenção, números, pontuação e sinais são necessários. Além disso, é imprescindível a opção de uma tipografia que permita uma leitura agradável em textos longos. Quando esse é o objetivo almejado, a tipografia escolhida deve permitir boa legibilidade, mas, acima de tudo, um alto índice de leiturabilidade. Por exemplo, em mídias como jornais, livros e revistas, o aspecto visual não deve ser tão prioritário, e sim a leitura, que é o primeiro e mais importante fator. Observe, nas imagens do Quadro 1, a diferença de legibilidade e leiturabilidade do texto conforme o tipo utilizado.
Cochocib Script | Bernard MT Condensed | Calibri |
Quadro 1 | Exemplo de texto com legibilidade e leiturabilidade. Fonte: elaborado pelo autor.
Quando o projeto é para ser visto, ou melhor, o apelo visual é o que precisa causar impacto, ele exige uma tipografia legível, porém a preocupação com a legibilidade é menor. As peças publicitárias, geralmente, seguem esse objetivo, portanto pôsteres, capas, logotipos, embalagens e anúncios exigem tipos mais decorativos do que legíveis, para atender apropriadamente aos objetivos de uma comunicação mais persuasiva. A escolha do tipo depende do seu projeto e seu público-alvo.
Vamos Exercitar?
No ponto de partida, questionamos a influência das diferentes maneiras de desenhar uma letra na comunicação textual, destacando a importância da tipografia além da estética visual, que influencia também na legibilidade, transmissão de mensagens e percepção emocional do texto. Durante a aula, exploramos como a escolha cuidadosa da fonte pode impactar diretamente na eficácia da comunicação visual. Discutimos os elementos fundamentais da tipografia, como serifas, simplicidade, legibilidade e leiturabilidade. Ao compreendermos esses conceitos, estamos aptos a fazer escolhas conscientes na seleção de fontes para nossos projetos, considerando o contexto, o público-alvo e o objetivo da comunicação. Além disso, aprendemos a adaptar as tipografias de acordo com as necessidades específicas de cada projeto, garantindo uma comunicação clara e impactante. Convidamos você a experimentar seus tipos preferidos de tipografia e, quem sabe, criar sua própria fonte.
Saiba Mais
Após explorarmos os fundamentos da tipografia, você está convidado a se aprofundar ainda mais no mundo das letras e fontes. Assista ao documentário Helvetica, dirigido por Gary Hustwit, que mergulha na história da fonte mais famosa do mundo e nos convida a refletir sobre seu impacto na cultura visual contemporânea.
Além disso, você também pode fazer a leitura do artigo "A arte sutil da tipografia", escrito por Matilde Eugênia Schnitman, que oferece perspectivas sobre os diferentes tipos de tipografia e seus usos ao longo da história, enriquecendo ainda mais nossa compreensão sobre esse tema fascinante. Prepare-se para ampliar seus horizontes e aprimorar seus conhecimentos!
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Aula 4
Fotografia e Ilustração
Fotografia e Ilustração
Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá acesso a técnicas diferenciadas essenciais para o desenvolvimento de projetos de comunicação visual. Explore o uso versátil da fotografia, desde a expressão artística até sua aplicação prática na complementação de textos. Descubra também os materiais e técnicas para criar ilustrações cativantes e entenda como o humor pode ser uma ferramenta poderosa em diversas formas de comunicação. Esses conhecimentos são fundamentais para sua prática profissional, preparando-o para criar conteúdos impactantes. Não perca!
Ponto de Partida
Nesta aula, adentramos no universo da fotografia e a ilustração, explorando como ambas desempenham papéis fundamentais na transmissão de mensagens, estabelecendo conexões emocionais e comunicativas com o público-alvo. Durante nossa jornada, questionaremos: como a fotografia e a ilustração moldam a percepção do espectador? Qual é o impacto emocional e psicológico de cada uma dessas formas de arte na comunicação visual? Como podemos utilizar essas técnicas de maneira eficaz para transmitir mensagens claras e impactantes? Aprender sobre essas técnicas não é apenas adquirir conhecimento teórico, mas, sim, cultivar uma sensibilidade artística e uma capacidade de comunicação que lhe serão valiosas. Então, sorria para a câmera e vamos nessa!
Vamos Começar!
Nessa aula, vamos entender que o uso da fotografia, da ilustração e do humor na comunicação visual é bastante comum, e cada uma dessas técnicas possui características e aplicações distintas. A fotografia é uma forma de comunicação visual que utiliza imagens reais para transmitir uma mensagem ou ideia. A ilustração, por outro lado, é uma técnica que utiliza imagens criadas por um artista para transmitir uma mensagem ou ideia. Ela permite uma grande flexibilidade em termos de estilo, técnica e abordagem, o que possibilita a criação de imagens únicas e personalizadas. Já o humor utiliza a comédia e o entretenimento para chamar a atenção do público e transmitir uma mensagem de forma leve e descontraída. O uso combinado dessas técnicas pode ser uma excelente forma de criar uma comunicação visual mais impactante e efetiva.
Imagem fotográfica e efeitos fotográficos
A linguagem visual como meio de expressão é cada vez mais importante na sociedade contemporânea. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e a modernização acelerada dos processos imagéticos, o acervo de informações visuais presentes no cotidiano da sociedade está se tornando cada vez mais rico e, muitas vezes, a sociedade mal consegue acompanhar tais avanços. A fotografia pode ser encarada como uma forma de linguagem visual, pois “é uma manifestação imagética e, portanto, capaz de gerar múltiplas leituras; consequentemente, múltiplos sentidos [...]” (CAMARGO; COSTA, 2008, p. 83).
Tudo o que o olho humano vê é composto de formas básicas, que são elementos visuais. Uma obra visual consiste em fragmentos de elementos visuais interativos, como pontos, linhas, formas, direções, tons, cores, texturas, tamanhos, escalas e movimentos, para formar um todo equilibrado.
A escolha dos elementos a serem utilizados e de como manipulá-los, tendo em conta o efeito pretendido, é propriedade do artista fotógrafo. As opções de composição que darão valor conceitual à fotografia são infinitas e dependem dos princípios de composição, que podem ser: simples, agressivos, fluidos, realistas, surreais, provendo aos artistas amplas oportunidades para resolução de problemas e criatividade.
Um estilo fotográfico envolve o uso de diferentes técnicas de composição, bem como a iluminação correta, a distância focal, a temporização e o efeito das lentes. O estilo é sempre pessoal, mas se encaixa em algum outro grupo. A fotografia contemporânea trabalha com um estilo simples, incluindo o estilo de assimetria na colocação de elementos no quadro, como um estilo de caos controlado (Figura 1), uma falsa desorganização, entre muitos outros estilos. Mas o estilo mais aceito pelos observadores e ainda mais pelos fotógrafos profissionais é o estilo clássico e equilibrado. “A composição clássica é o estilo que usa convenções amplamente aceitas de enquadramento, posicionamento, equilíbrio, divisão e assim por diante, e ela provou ser notavelmente resiliente ao longo de décadas de fotografia.” (FREEMAN, 2012, p. 78).
A imagem fotográfica é um meio poderoso de comunicação visual, capaz de transmitir mensagens, emoções e ideias com grande impacto. A fotografia é utilizada em diversos contextos, desde a publicidade até a arte, passando pelo jornalismo, pela documentação, entre outros, como as fotos de Sebastião Salgado (1944-), fotógrafo brasileiro considerado um dos maiores talentos da fotografia mundial pelo teor social de seu trabalho que, além de transmitir emoções, retrata cenas de guerra, fome e desigualdade social. Os efeitos fotográficos podem ser descritos como técnicas aplicadas à imagem fotográfica para alterar sua aparência, criar um estilo específico ou transmitir uma mensagem específica.
Esses efeitos podem ser aplicados tanto durante o processo de captura da imagem quanto na pós-produção, utilizando softwares de edição de imagem.
Alguns exemplos de efeitos fotográficos comuns incluem:
- alterações na exposição: ajustes na luminosidade, contraste e saturação da imagem para criar um clima específico.
- filtros: filtros de cor ou textura podem ser aplicados para criar uma atmosfera diferente ou uma aparência vintage.
- desfoque: pode ser utilizado para destacar determinados elementos da imagem ou criar uma sensação de movimento.
- recorte e enquadramento: a escolha do ângulo de captura e do enquadramento pode ter um impacto significativo na mensagem transmitida pela imagem.
A imagem fotográfica e os efeitos fotográficos são ferramentas importantes na comunicação visual, capazes de transmitir ideias e emoções com grande impacto. A escolha dos efeitos utilizados deve levar em consideração o contexto e o objetivo da comunicação visual.
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Ilustração como produto de comunicação
A ilustração é um processo criativo em que o ilustrador faz do uso de imagens a sua comunicação. Normalmente, acreditamos que a ilustração precisa estar vinculada a um texto, o que não é necessariamente verdade: o sentido de uma ilustração deve complementar o texto, e vice-versa, não existindo hierarquia entre ambos. A ilustração deve propiciar ao observador a possibilidade de uma interpretação diferenciada do texto (Figura 2), através de signos e sentidos, sem nunca perder o objetivo principal, que é a comunicação de uma ideia.
É possível dizer que a ilustração é uma arte visual que pode ser utilizada como produto de comunicação em diversos contextos, desde a publicidade até a educação, passando pela literatura, pelo design gráfico e outros contextos. A ilustração tem como objetivo principal comunicar uma ideia ou uma mensagem visualmente, utilizando técnicas de desenho, pintura, colagem, entre outras.
A possibilidade de criar uma ilustração, seja ela para um projeto gráfico de revista, um livro, um cartaz ou uma campanha publicitária, deve considerar que sua essência fundamental está na capacidade de se comunicar. A função do ilustrador é, através de suas linhas e cores, dar forma visual à mensagem que quer transmitir.
Na publicidade, a ilustração pode ser utilizada para criar anúncios ou campanhas publicitárias, transmitindo uma mensagem de forma visualmente impactante e memorável. Ou, ainda, na literatura, na qual a ilustração pode ser utilizada para complementar a narrativa, ajudando a criar uma atmosfera ou ilustrar um personagem ou uma cena específica. Observe a Figura 3, que traz a capa de uma versão comemorativa do livro Harry Potter e a pedra filosofal, na Tailândia, feita pelo ilustrador tailandês Arch Apolar .
No design gráfico, a ilustração pode ser utilizada para criar logotipos, embalagens, cartazes, entre outros materiais de comunicação visual (Figura 4). A ilustração pode ser também utilizada em jogos e animações, criando personagens e ambientes únicos.
A escolha do estilo e das técnicas utilizadas na ilustração deve levar em consideração o público-alvo, o contexto da comunicação e o objetivo da mensagem a ser transmitida. A ilustração pode ser tanto abstrata quanto figurativa, utilizando técnicas como aquarela, lápis de cor, grafite, colagem, entre outras. Veja os exemplos de técnicas no Quadro 1:
Aquarela | Tinta acrílica | Guache | Lápis de cor |
Quadro 1| Algumas técnicas utilizadas na ilustração. Fonte: elaborado pelo autor.
A ilustração é um produto de comunicação visual versátil e impactante, capaz de transmitir ideias e emoções de forma criativa e memorável. A escolha da técnica e do estilo adequados é fundamental para garantir a efetividade da comunicação visual.
Humor na comunicação
O humor é um estado emocional do ser humano que está relacionado a fatores externos e endógenos de cada indivíduo. Cada um de nós reage de maneira diferente a cada estímulo que recebemos. Em geral, a presença desse recurso é cada vez mais percebida na comunicação visual e na publicidade. Mas para que o uso do humorismo seja bem-sucedido, é importante estar atento às suas diversas manifestações e efeitos no ser humano. Quase ninguém ficará inerte diante de um anúncio humorístico. Descobriu-se que, além de ser divertido nas artes em geral, como teatro, cinema e literatura, o humorismo também é útil nas campanhas publicitárias e em anúncios, induzindo as pessoas a comprarem produtos anunciados com essa característica.
O objetivo do humorismo não deve se concentrar em fazer o consumidor rir ou morrer de tanto rir, mas, de alguma forma, fazer o consumidor pensar na mensagem transmitida sobre o produto, para que haja uma interação do observador/consumidor com a mensagem. Isso torna mais fácil para a pessoa memorizar o produto.
O humor mostra diferentes ângulos do mesmo objeto ou situação. Sua função é dar à realidade um significado diferente. “A intenção do humorismo é sempre tirar a seriedade e o drama da realidade e imprimir lúdico e atitude crítica.” (CASTRO, 2003, p. 132). Ele recorre às ferramentas da linguagem para exagerar a verdade. Consequentemente, pode-se dizer que a estratégia é honesta com o consumidor, na forma como interage com ele.
Segundo Castro (2003, p. 133),
“através dos artifícios e das artimanhas de linguagem, o movimento do humor consiste em descer ao fundo das coisas para revelá-las de maneira não convencional. O humor hiperboliza, acentua, exagera, mas não inventa ou cria a partir do nada: seu fundamento é a realidade, a vida de todos nós. É nessa direção que pode, muitas vezes, converter-se em um caminho para se chegar à verdade. Nesse caso, não é a verdade que é engraçada e, sim, a maneira como o humor faz chegar a ela.”
O uso do humor na comunicação visual é uma técnica muito efetiva para chamar a atenção do público e transmitir uma mensagem de forma leve e descontraída. O humor pode ser utilizado em variados contextos, como na educação, no design gráfico, na ilustração, entre outros. O humor na comunicação visual pode ser utilizado de diversas formas, desde a criação de personagens engraçados até a utilização de trocadilhos e piadas visuais. O objetivo é criar uma conexão emocional com o público, fazendo com que ele se sinta mais receptivo à mensagem que está sendo transmitida. Observe a Figura 5, a qual mostra uma campanha, realizada por uma rede de hortifruti, relacionando legumes e frutas a nomes de séries ou filmes de grande repercussão na mídia.
Na publicidade, o humor pode ser utilizado para criar anúncios memoráveis e chamativos, que se destacam em meio a um mar de mensagens publicitárias. Veja um exemplo na Figura 6, de campanha publicitária de O Boticário.
No entanto, é importante você lembrar que o uso do humor na comunicação visual deve ser adequado ao contexto e ao público-alvo. O humor inadequado ou ofensivo pode ter o efeito contrário, afastando o público e prejudicando a mensagem que está sendo transmitida. Por isso, considerar cuidadosamente o tom e o estilo de humor a ser utilizado, além das características do público e do contexto da comunicação.
Vamos Exercitar?
Ao ingressarmos no universo da fotografia e da ilustração, confrontamos as seguintes indagações: Como moldam a percepção do espectador essas formas de arte? Qual é o impacto emocional e psicológico que ambas exercem na comunicação visual? E, por fim, como podemos eficazmente utilizar essas técnicas para transmitir mensagens claras e impactantes? Durante nossa exploração, destacamos que a fotografia, ao utilizar imagens reais, captura momentos autênticos e transmite uma autenticidade que ressoa emocionalmente com o público. Por outro lado, a ilustração, sendo uma criação artística, oferece flexibilidade e personalização, permitindo abordagens únicas e criativas. Para moldar a percepção do espectador, é crucial considerar o estilo e os elementos visuais envolvidos em ambas as técnicas, além de compreender o contexto e o público-alvo.
Para utilizar essas técnicas de maneira eficaz, sugere-se praticar a experimentação e aplicação prática. Que tal explorar diferentes estilos fotográficos e experimentar efeitos e técnicas ilustrativas variadas? Esperamos que você sorria para a câmera e abrace não apenas os conhecimentos teóricos adquiridos, mas também a jornada contínua de estudo e aprimoramento dessas técnicas.
Saiba Mais
Assista ao documentário O Sal da Terra (2014) para entender a jornada do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. A produção retrata a expedição do projeto "Genesis", revelando regiões e civilizações pouco exploradas. Indicado ao Oscar de melhor documentário em 2015, o filme oferece uma visão única do poder da fotografia na comunicação visual.
E leia o artigo "Ilustrações na Mídia Impressa Contemporânea: Hibridações Estéticas e Imagens Complexas", de Laan Mendes de Barros e Márcia Rodrigues da Costa. Aprofunde seus conhecimentos sobre ilustração na comunicação visual através desse artigo, que aborda hibridações estéticas e imagens complexas na mídia impressa contemporânea.
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Encerramento da Unidade
Comunicação Visual
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta aula, você aprenderá a aplicar os principais fundamentos da comunicação visual, explorando sua relação com os movimentos artísticos mais influentes ao longo da história. Compreender como esses movimentos moldaram a linguagem visual é essencial para desenvolver uma prática profissional sólida e criativa. Prepare-se para mergulhar nessa jornada de aprendizado e descoberta! Não deixe de assistir!
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é analisar conceitualmente o impacto da comunicação visual, você pôde, primeiramente, conhecer os conceitos fundamentais relacionados a cada um dos movimentos artísticos que moldaram a comunicação visual contemporânea. Aprofundar-se na compreensão da forma como esses movimentos influenciaram a comunicação visual ao longo da história é importante para nossa tarefa.
Ao analisar a comunicação visual, é necessário examinar elementos fundamentais como imagem, cor, palavra e texto, compreendendo como cada um desempenha um papel na transmissão eficaz de mensagens visuais. A identificação da relação entre esses elementos e a sua aplicabilidade prática em projetos contemporâneos é parte integrante do desenvolvimento desta competência.
A análise conceitual não se limita à mera observação dos movimentos artísticos, mas envolve a reflexão sobre como esses elementos se entrelaçam e influenciam a comunicação visual. Essa compreensão mais profunda dos fundamentos da comunicação visual permitirá que você aplique de maneira mais assertiva esses conhecimentos em seus próprios projetos.
É Hora de Praticar!
No cenário atual, as marcas precisam se comunicar com consumidores ávidos por novidades e com amplo acesso a informações que, em muitos casos, preocupam seus concorrentes. O consumidor não é mais apenas um comprador, mas também um receptor ao se comunicar com as marcas. Esse fato tem praticamente forçado as marcas a serem cada vez mais abertas às opiniões e percepções de quem consome seus produtos e serviços. A comunicação deixou de ser uma via de mão única para se tornar uma via de mão dupla: uma marca que ouve e entende seu consumidor pode aprender muito sobre si mesma e, por sua vez, se reinventar para ocupar um lugar de destaque no mercado.
Diante disso, muitas marcas têm procurado ajuda em agências de comunicação visual, na busca de construir uma nova identidade visual. Há muito tempo a importância da identidade corporativa de uma empresa é reconhecida: em 1977, Costa defendia que a imagem corporativa é um elemento importante para a eficácia das empresas porque, se bem desenvolvida, pode potencializar as demais atividades desta. Chaves (1988) chama a atenção para o fato de que a imagem institucional de uma empresa é "leitura pública", ou seja, interpretações feitas por grupos, setores e/ou sociedades. Além disso, uma imagem institucional positiva é considerada essencial para a percepção corporativa (Colnago, 2011).
O objeto neste estudo de caso é que você, atuante em uma agência de comunicação visual, fortaleça uma marca de sorvete chamada No Palito (nome fictício):
Os proprietários instalaram a sorveteria em uma praça de alimentação que fica localizada em um grande shopping center, acreditando que apenas a localização e o número de pessoas fariam com que sua marca se tornasse conhecida no mercado, o que não ocorreu. Restaurantes, sorveterias e docerias que estão em praças de alimentação de shoppings centers precisam se destacar da concorrência. Não basta um bom produto, um bom atendimento e um preço competitivo: é preciso criar valor para a marca, bem como destacá-la em um ambiente visualmente poluído. Além disso, é importante encontrar novas estratégias de design visual e atender às necessidades do consumidor. Conhecer tendências em seu comportamento e percepção visual é uma questão de sobrevivência no mercado.
Dessa forma, os proprietários da marca No Palito procuraram você para elaborar uma estratégia visual que transmita os conceitos de sabor natural de cada sorvete. Eles querem mostrar que a marca traz um sorvete feito com a própria fruta, totalmente natural e sem conservantes.
De que maneira você construiria uma nova identidade visual para a marca No Palito, conquistando o consumidor em um ambiente tão poluído visualmente como a praça de alimentação de um shopping center?
Reflita
Agora, considere as seguintes questões para refletir sobre os conteúdos da unidade:
- Como os movimentos artísticos abordados nessa unidade impactaram diretamente a evolução da comunicação visual ao longo do tempo?
- De que forma a análise conceitual dos elementos fundamentais, como imagem, cor, palavra e texto, contribui para a eficácia na transmissão de mensagens visuais?
- Em que medida a compreensão profunda dos fundamentos da comunicação visual pode influenciar e aprimorar a aplicação prática desses conceitos em projetos contemporâneos?
Resolução do estudo de caso
Após visitar e observar por alguns dias a sorveteria No Palito, foi utilizado o conceito "atmosfera da loja”, criado por Kotler (1973, p. 50) para descrever as qualidades sensoriais de um ponto de venda, que, muitas vezes, são projetadas para obter respostas velozes e responsivas do consumidor específico. Percebeu-se que o ambiente da loja pode determinar o modelo de consumo, e isso pode ser mais importante na decisão de compra do próprio produto. A disposição visual pode, assim, destacar-se como um elemento estratégico que lhe permite se diferenciar e se posicionar, bem como reforçar a percepção dos seus produtos e a experiência global de compra do cliente em relação à marca. A marca da sorveteria tinha toda sua fachada em uma paleta de tons ocres entre o claro e o escuro, ficando quase que imperceptível diante das cores primárias e chamativas dos fast-foods.
Além de mudar a imagem visual da marca, era necessária uma mudança no ambiente da sorveteria. Sendo assim, o slogan da sorveteria se modificou: No Palito trouxe como referência para sua marca:
O fundo das imagens seria em uma paleta em tons de azul, do escuro para o claro, começando do alto. E no lado oposto, ou no fundo da loja, o oposto seria em degradê, como se fosse o céu. Assim, as imagens seriam realçadas e trariam ao consumidor uma ideia de frescor, fruta, pomar, verão, calor. Memórias são importantes para o consumo de produtos.
Nas laterais da sorveteria, haveria imagens plotadas de frutas cítricas, como laranja, limão etc.
Ou, criando uma unidade, pode-se repetir a mesma imagem do slogan no fim do balcão.
Para transmitir conceitos que reforçam o sabor do slogan, as imagens foram refinadas. A paleta de cores foi reinventada para suavizar a impressão de tristeza e falta de sabor, e aumentar a percepção de que, apesar de ser sorvete, é mais saudável e saboroso porque é de fruta de verdade.
Dê o play!
Assimile
Referências
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