Aspectos da Psicomotricidade

Aula 1

Introdução à Psicomotricidade

Introdução à psicomotricidade

Olá, estudante,

Nesta videoaula, você aprenderá sobre o processo histórico desde o surgimento da psicomotricidade no mundo até sua chegada ao Brasil. Além disso, você compreenderá o que é psicomotricidade e a sua integração física, mental e emocional. Por fim, você conhecerá as áreas de atuação em psicomotricidade.

Esta aula é muito importante para a sua formação profissional, pois trará os fundamentos básicos da psicomotricidade e as possíveis áreas de atuação.

Prepare-se para construir o seu conhecimento sobre a psicomotricidade. Vamos lá!

Ponto de Partida

A psicomotricidade está relacionada aos aspectos cognitivos e motores do ser humano, o que pode influenciar diretamente em sua aprendizagem. Compreender os processos históricos da psicomotricidade no mundo e no Brasil e conhecer os conceitos fundamentais faz toda a diferença quando buscamos o desenvolvimento do ser humano de forma integral. Diante disso, nesta aula você se aprofundará no surgimento da psicomotricidade e compreenderá o que é psicomotricidade e os aspectos envolvidos nela. Além disso, você conhecerá as possíveis áreas de atuação da psicomotricidade.

Para atingirmos o objetivo desta aula, seguimos com uma situação hipotética que irá lhe ajudar na compreensão. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la a manter as aulas. A diretora aceita o bate-papo, e você e os professores se reúnem para decidir como ele será. Você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. Para preparar o bate-papo, você decide utilizar três perguntas norteadoras: como se deu o surgimento da psicomotricidade no Brasil e no mundo? O que é psicomotricidade? Quais as áreas de atuação da psicomotricidade?

Responder a essas perguntas é o primeiro passo para compreender o tema da psicomotricidade e conseguir aprofundar seu conhecimento.   

Vamos Começar!

A psicomotricidade é uma área de estudo e de atuação que envolve diversos aspectos do ser humano. Para compreender mais a fundo, vamos iniciar nosso aprendizado abordando o processo histórico da psicomotricidade no mundo e no Brasil.

Epistemologia e evolução histórica no mundo e no Brasil

A história da psicomotricidade começou em 1870, quando os médicos neurologistas Fritsch e Hitzig estudavam o córtex cerebral e sentiram a necessidade de nomear uma zona pouco esclarecida. Eles observavam que, nesta zona, havia uma atividade misteriosa que consistia na junção entre a imagem mental e o movimento, e, a partir daí, a palavra psicomotricidade foi adicionada em seus discursos (Gusi, 2020).

Assim, a neurofisiologia identificou aspectos de alterações patológicas e disfunções que surgiam em um determinado paciente, no qual não se conseguia identificar nenhum aspecto patológico em região central que possuísse relação direta, ou mesmo indireta, com os sinais e sintomas apresentados. Isso gerou um grande questionamento, e o conceito de psicomotricidade auxiliou na explicação de alterações e disfunções patológicas no desenvolvimento da aprendizagem motora e controle motor sem lesões em regiões motoras centrais.

Ainda que o termo psicomotricidade tenha sido empregado, este ainda não constituía, de fato, uma ciência completa. Em 1907, Edouard Dupré começou a perceber que nem sempre as incapacidades motoras estavam relacionadas a um atraso mental. Mas foi em 1925 que Henri Wallon apresentou uma relação existente entre o movimento e a afetividade, as sensações, a emoção, os costumes e o meio em que a criança está inserida. Pouco tempo depois, em 1935, Edouard Guilmain apresentou a reeducação psicomotora com modelos de exercícios para suprir as demandas mal reguladas na infância (Gusi, 2020).

Em 1947, Julian de Ajuriaguerra trouxe à tona um grande marco para a psicomotricidade ao afirmar que os transtornos psicomotores podem oscilar entre o neurológico e o psiquiátrico, o que fez com que muitos psicomotricistas da área buscassem em estudos da psicanálise as respostas às atuações das vivências emocionais (Gusi, 2020).

Na Europa, entre 1960 e 1970, as pesquisas buscavam estudar as relações entre a pessoa como um todo, desde as suas sensações corporais até a sua interação com o meio, fazendo com que as práticas psicomotoras ganhassem novos formatos, levando ao fortalecimento de uma postura mais relacional à prática. Entre esse período, em Portugal, os psicanalistas João dos Santos e Margarida Mendo preconizaram a psicomotricidade realizando os primeiros testes motores no Centro de Saúde Mental de Lisboa (Gusi, 2020).

No Brasil, a chegada da psicomotricidade é datada a partir de 1950. No ano de 1955, na cidade de Porto Alegre, a profissional de psicologia Dra. Rosat, diretora do centro de Educação do Estado, concluiu a criação do serviço de Educação Especial, em que a atenção dada às crianças especiais possuía um forte aspecto psicomotor, levando em consideração os fatores cognitivos, emocionais e afetivos, formadores de caráter, relacionando-os ao desenvolvimento motor, acreditando em uma via de mão dupla, em que um auxilia o outro.

Em 1968, no estado de Minas Gerais, a psicologia deu força ao estudo da psicomotricidade criando o instituto de psicopedagogia, em que o grande diferencial era a visão da psicomotricidade incluída no diagnóstico psicomotor da criança. Nesse mesmo ano, um grande nome surgiu na área da psicomotricidade, Simone Ramain, propondo o método Ramain, sendo a primeira proposta conhecida de formação integral em psicomotricidade no Brasil. Também no ano de 1968, os profissionais da fonoaudiologia incluíram na formação profissional os aspectos psicomotores. A partir desse ano, muitos foram os profissionais que buscaram formação específica e especializações em psicomotricidade fora do Brasil. Em 19 de abril de 1980, a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade foi fundada e, em 1982, aconteceu o 1º Congresso Brasileiro de Psicomotricidade.  

Conceitos fundamentais em psicomotricidade

Psicomotricidade é composta pela palavra “psico”, referente as áreas cognitiva e emocional, e pela palavra “motricidade”, referente aos aspectos motores e físicos. Assim, a junção dessas duas palavras significa o mecanismo do corpo e suas ações se tornarem veículos pelo qual a pessoa se move, se relaciona e sente. O conceito de psicomotricidade pode ser entendido como uma ferramenta que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Assim, podemos dizer que a psicomotricidade integra as interações cognitivas, emocionais, simbólicas e físicas na capacidade do indivíduo de ser e agir em um contexto social (Denche-Zamorano et al., 2022).

Com isso, devido essa integração entre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais, a psicomotricidade integra diferentes áreas, tais como: comunicação e expressão, equilíbrio, percepção, coordenação, respiração, esquema corporal, imagem corporal, lateralidade e organização espaço-temporal.

A psicomotricidade tem como objetivo integrar a percepção ao movimento, melhorando e normalizando o comportamento geral do indivíduo. As atividades que envolvem a psicomotricidade são indicadas para todas as pessoas com inteligência normal, com ou sem problemas psicomotores; pessoas com deficiência e pessoas com distúrbios de voz, de fala, de linguagem e aprendizagens isoladas ou associadas. Além disso, a psicomotricidade pode ajudar na coerência da linguagem gestual da criança, com as linguagens oral e escrita, o que tem grande importância no período pré-escolar, auxiliando no processo de alfabetização.

Siga em Frente...

Áreas de atuação da psicomotricidade

A psicomotricidade é uma ciência de abordagem multidisciplinar. Você pode analisar que, ao segregar as informações, diferentes profissões podecontribuir de modo diferente para a evolução psicomotora, porém, nenhuma pode contribuir de modo integral, uma vez que cada uma possui a visão com um enfoque diferenciado, sendo que apenas conjuntamente o ser humano pode ser tratado de modo psicomotor com totalidade.

Dentro da evolução motora, você pode perceber que profissionais como o pedagogo e o professor podem ser os primeiros a identificar as alterações na evolução psicomotora, e assim alertar os familiares e outros profissionais, como o de Educação Física, o psicopedagogo, o fisioterapeuta e o fonoaudiólogo. Estes, podem identificar alterações a partir de um ponto de vista diferenciado e propor tratamentos, terapias e reabilitações para o paciente.

Com o enfoque voltado aos aspectos cognitivos, podemos citar o psicólogo e o psiquiatra, que podem influenciar diretamente tanto no diagnóstico quanto no tratamento, de um modo diferenciado dos profissionais antes aqui citados. Você pode perceber que o ideal é que o paciente visite todos esses profissionais para ser avaliado de modo global, contemplando assim as suas reais necessidades.

Como área de atuação da psicomotricidade, temos três diferentes abordagens: a terapia psicomotora, a educação psicomotora e a reeducação psicomotora. A terapia psicomotora é destinada às pessoas com desenvolvimento típico ou atípico que apresentam dificuldades de comunicação, expressão corporal e vivência simbólica. O atendimento é individualizado em clínicas, hospital psiquiátrico, grupos de ajuda psicopedagógica e centro médico pedagógico. Já a educação psicomotora é uma técnica que utiliza de exercícios e brincadeiras apropriados para a idade voltados ao desenvolvimento global da criança, focando nas potencialidades de cada uma, sendo necessário alcançar três metas: aquisição de domínio corporal (definindo a lateralidade, a orientação espaço-temporal, desenvolvimento da coordenação motora, o equilíbrio e a flexibilidade); controle da inibição voluntária (melhorando o nível de abstração e concentração); e desenvolvimento socioafetivo (reforçando as atitudes de lealdade, companheirismo e solidariedade). Essas atividades podem ser realizadas em espaços próprios para o desenvolvimento psicomotor ou em escolas. Assim, caso a criança apresente dificuldades que estejam afetando negativamente sua vida, uma reeducação psicomotora é indicada.

Ao envolver os aspectos cognitivos, afetivos, emocionais, sociais e simbólicos que influenciam as ações do ser humano, a psicomotricidade se torna uma área de atuação entre várias disciplinas e profissões, em que o indivíduo deve ser olhado de maneira global e completa.  

Vamos Exercitar?

Voltando a nossa situação do início da aula, você trabalha em uma escola, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e retirar da grade da Educação Infantil. Você e os outros professores não concordam e propõem um bate-papo com a diretora para convencê-la a mudar de ideia, o que ela aceita prontamente. Você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade e vai embasar a sua narrativa em três perguntas norteadoras: como se deu o surgimento da psicomotricidade no Brasil e no mundo? O que é psicomotricidade? Quais as áreas de atuação da psicomotricidade?

A psicomotricidade surgiu por volta de 1870 quando neurologistas buscavam explicar uma atividade misteriosa que consistia na junção entre a imagem mental e o movimento; assim, surgiu a palavra psicomotricidade. Na Europa, a partir de 1907 alguns pesquisadores perceberam uma relação existente entre o movimento e a afetividade, as sensações, a emoção, os costumes e o meio em que a criança está inserida, e que alguns aspectos da psicomotricidade não estavam relacionados com o mau funcionamento do sistema nervoso. Assim, várias pesquisas foram desenvolvidas até chegar ao Brasil e, em 1982, foi fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade.

Psicomotricidade é uma ferramenta que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. As possíveis atuações são nas escolas, clínicas e hospitais, buscando adentrar três áreas: a terapia psicomotora; a educação psicomotora e a reeducação psicomotora.

Saiba Mais

Quer aprofundar ainda mais seus conhecimentos?

O Capítulo 2 do livro Transtorno psicomotor e aprendizagem, de Rachel de Carvalho Ferreira, disponível na sua biblioteca digital, contém muita informação interessante. Além disso, o livro Psicomotricidade relacional: conhecendo o método e a prática do psicomotricista, de Elisângela Gonçalvez Branco Gusi, disponível em sua biblioteca virtual, tem um ótimo aprofundamento no processo histórico da psicomotricidade no Brasil e no mundo. 

 

 

Referências Bibliográficas

DENCHE-ZAMORANO, A. et al. Bibliometric analysis of psychomotricity research trends: the current role of childhood. Children, v. 9, n. 12, 2022. 

FERREIRA, R. F. A importância do conhecimento em psicomotricidade para educadores em suas diversas áreas de atuação. Tópicos especiais em ciências da saúde: teoria, métodos e práticas, v. 4, p. 365-383, 2018.

GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional: conhecendo o método e a prática do psicomotricista. Curitiba: Contentus, 2020.

PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações, 2018.

Aula 2

O Desenvolvimento Psicomotor

O desenvolvimento psicomotor

Olá, estudante,

Nesta videoaula, você verá como acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida, aprofundando em seus fundamentos, compreendendo as fases e a ação profissional multidisciplinar.

Esta etapa da disciplina é importante para a sua formação, pois traz conhecimentos acerca da criança e do seu desenvolvimento. E, ao compreender as fases desse desenvolvimento, você poderá elaborar e adequar suas intervenções. Além do mais, compreender a multidisciplinaridade da psicomotricidade faz com que você entenda que o trabalho é mediado por diversos profissionais, sempre em busca da evolução do ser humano como um todo.

Prepare-se para se aprofundar mais nos aspectos referentes ao desenvolvimento psicomotor.

Ponto de Partida

Chegou o momento de você se aprofundar nos fundamentos e fases do desenvolvimento psicomotor. Você já viu que a psicomotricidade envolve os aspectos relacionados ao movimento, às emoções e à cognição. A partir disso, é importante compreender como acontece o desenvolvimento desses aspectos ao longo da vida, para, assim, podermos avaliar, identificar e intervir de maneira adequada. Para isso, nesta aula você verá os fundamentos do desenvolvimento psicomotor, as fases do desenvolvimento psicomotor e a psicomotricidade como uma atuação multidisciplinar.

Para isso, vamos a uma situação que te ajudará a compreender a aplicação deste conteúdo. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo, mas ainda não se sentiu convencida e pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um próximo bate-papo, que ela agendaria para a próxima semana. Assim, para o próximo bate-papo você achou importante falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma atuação multidisciplinar. Para preparar esse bate-papo, você seguiu três perguntas norteadoras: como acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida? As fases do desenvolvimento humano possuem características específicas? Como se dá a atuação multidisciplinar na psicomotricidade?

Ao nos aprofundarmos mais nos assuntos da psicomotricidade, vamos ficando cada vez mais próximos de uma intervenção de qualidade.    

Vamos Começar!

A psicomotricidade envolve elementos relacionados ao movimento, à cognição e às emoções, reunidos em conjunto para determinar como uma pessoa interage no mundo. Assim, a psicomotricidade não acontece de uma hora para outra; ela é fruto de um desenvolvimento que ocorre ao longo da vida, com períodos críticos na infância, na adolescência e no envelhecimento. A esse processo em busca do desempenho psicomotor, chamamos de desenvolvimento psicomotor.

Fundamentos do desenvolvimento psicomotor

O desenvolvimento psicomotor é sobre como o corpo e suas partes se desenvolvem em seu funcionamento ao longo da vida. É através dele que a criança transcende a fragilidade da primeira infância, emergindo como um ser autônomo e independente, desvinculado da assistência externa (Pereira, 2018).

Existe uma forte ligação entre as habilidades motoras e as emoções. Como alguém usa o corpo reflete seus sentimentos em relação a coisas ou pessoas. Através de atividades e terapias motoras, podemos ajudar as crianças a melhorarem suas interações sociais e emocionais, levando-as a entenderem melhor seus corpos e a aprenderem gestos apropriados para diferentes situações da vida (Pereira, 2018).

O desenvolvimento da criança acontece de forma contínua, sendo que, ao nascer, a criança possui movimentos reflexos característicos que desaparecem ou evoluem até chegar a movimentos mais refinados e precisos. Além disso, ocorre uma integração entre precisão, rapidez e força muscular, que se traduz na necessidade de a criança ter um bom desenvolvimento motor para que tenha uma boa evolução motora (Pereira, 2018).

O desenvolvimento é individualizado, ou seja, apesar de o desenvolvimento ser universal e relacionado à idade, cada criança é única, pois apresenta diferenças de personalidade, de capacidades físicas, de vivências e de ambientes familiares. Nota-se, também, que o desenvolvimento motor passa por uma série de fases e estágios relacionados ao seu processo maturacional e às vivências alcançadas por meio de experiências e práticas (Pereira, 2018).

Além disso, podemos dizer que o desenvolvimento motor ocorre sempre em um mesmo sentido, sendo céfalo-caudal e próximo-distal. Céfalo-caudal é o desenvolvimento que se inicia na cabeça e gradativamente descende ao resto do corpo até chegar aos pés. Por exemplo: um bebê primeiro tem controle da cabeça, depois do pescoço, posteriormente do tronco, para então conseguir se sentar. Assim, vem o controle das pernas, que permite primeiro engatinhar e depois andar. Ainda, o desenvolvimento pode ser próximo-distal, ou seja, primeiro controla-se o centro e depois as extremidades. Por exemplo, o bebê controla o tronco primeiro, depois braços, o que permite movimentos mais amplos, e, por fim, ocorre o controle dos dedos, para realização de habilidades motoras finas (Pereira, 2018).

Sendo assim, três conhecimentos básicos sustentam a psicomotricidade: o movimento, o intelecto e o afeto. Ou seja, a psicomotricidade é suportada por três pilares: o emocional (querer fazer), comandado pelo sistema límbico; o motor (poder fazer), comandado pelo sistema reticular, e o cognitivo (saber fazer), comandado pelo córtex cerebral. Assim, é importante que haja um equilíbrio entre esses três pilares, caso contrário, uma desestruturação na aprendizagem pode acontecer.

Siga em Frente...

Fases do desenvolvimento psicomotor

As fases do desenvolvimento psicomotor são abordadas por diferentes autores e de diferentes formas, cada um trazendo uma nomenclatura diferenciada. No entanto, a definição das fases acontece na tentativa de identificar padrões no desenvolvimento da criança. Nesta disciplina vamos adotar a classificação das fases de Jean Piaget.

Piaget possui a formação básica de biólogo e dedicou seus primeiros estudos a essa área, porém, logo se interessou por sociologia, filosofia e até mesmo por política. Em sua íntima relação com a psicomotricidade, estudou o modo como a inteligência contribui integralmente para a relação do ser humano em seu íntimo com o ambiente externo. Assim, as fases do desenvolvimento psicomotor de Piaget são:

  • Sensório-motordo nascimento até 2 anos de idade. Período em que os diferentes movimentos reflexos presentes ao nascimento e que contribuíam para distintas respostas automáticas foram substituídos, e a partir da maturação do sistema nervoso central tais respostas são conscientes e não mais autônomas. Recebe esse nome devido ao fato de os processos evolutivos estarem vinculados às sensações em relação às questões motoras, em que a exploração do mundo se relaciona com o momento e os elementos presentes no espaço ao redor da criança, sem que ela possua a percepção de permanência. A evolução do conceito de permanência segue concomitante aos conceitos de: temporalidade e causa e efeito.
  • Pré-operacionaldos 2 aos 7 anos. Seu início está relacionado ao domínio de uma nova modalidade de comunicação, a fala. As ações da criança são compreendidas por ela e analisadas, porém dominadas por um pensamento concreto, rígido e limitado. Tal pensamento limitado é traduzido por Piaget como raciocínio transdutivo, em que, muitas vezes, dois fatos que não possuem ligação acabam sendo erroneamente relacionados. Tal período é ainda marcado pelo egocentrismo, quando a descoberta do “eu” ganha uma proporção elevada, sendo que apenas após alguns anos podemos perceber que a brincadeira nas escolas, por exemplo, passa de individual para cooperativa. Outro marco dessa etapa está na confusão entre a realidade e a fantasia, percebida quando as crianças brincam com um objeto, por exemplo, sendo capazes de transformar uma caixa de papelão em uma nave espacial. O elemento identificado como principal característica por Piaget é denominado animismo, que seria a ideia que consiste em dar alma ou sentimentos a coisas e objetos inanimados.
  • Operações concretasdos 7 aos 11 anos. Nessa etapa a noção espacial e de lateralidade é propriamente definida, estando também caracterizada pela fase de operação sobre os objetos. São definidas também questões quanto ao futuro e ao passado, momento em que a questão temporal é conceituada. Em questões pedagógicas, os fatores numéricos ganham grande proporção e são percebidos integralmente quando aprendem conceitos de soma, subtração e outros fundamentos da matemática. Você pode perceber que a criança nessa etapa ainda cria brincadeiras de fantasia, porém, esse “faz de conta” possui uma diferença significativa em relação à fase anterior, quando a fantasia era confundida com a realidade. Essa fase de pensamento Piaget chamou de reversibilidade.
  • Operações formaisa partir dos 12 anos. A fase que se inicia a partir dos doze anos de idade é marcada pelo potencial adquirido de tornar as situações hipotéticas, logo, o raciocínio ganha um grande poder hipotético-dedutivo. A inteligência nessa etapa se conceitua pelo poder de solucionar problemas de forma sistemática, utilizando assimilações de alta complexidade.

Contudo, conforme vamos envelhecendo, entramos em uma fase de involução psicomotora, ou seja, fase de perdas psicomotoras devido ao envelhecimento, conhecida como retrogênese psicomotora. Assim, diversos fatores como estilo de vida saudável (alimentação e exercício físico), depressão, solidão, satisfação com a vida, vivências familiares e assim por diante podem afetar positiva ou negativamente a psicomotricidade na vida adulta e no processo de envelhecimento (Fonseca, 1998).

Compreender sobre as fases facilita o entendimento do que a criança é capaz de fazer, o que é capaz de aprender e se tem algum atraso com relação a outras crianças da mesma idade.

A psicomotricidade como uma abordagem multidisciplinar

Ao longo da sua história no Brasil e no mundo, a psicomotricidade foi ganhando autonomia como uma ciência desvinculada de uma profissão única. Além disso, diferentes profissionais voltaram suas atenções à psicomotricidade e, assim, aderiram a terapias, diagnósticos, tratamentos e até disciplinas em cursos de formação, tanto de pós-graduação como de graduação.

Como já abordado anteriormente, a psicomotricidade é uma ciência multidisciplinar que engloba todos os profissionais envolvidos com o movimento, com as relações sociais, afetivas e emocionais e com os aspectos cognitivos. Assim, a atuação na área da psicomotricidade pode acontecer por parte dos pedagogos, professores de Educação Física, assim como professores de outras disciplinas. A atuação acontece na percepção de sinais que demonstrem algum atraso ou transtorno, no trabalho junto aos pais e na intervenção.

Além disso, a psicomotricidade pode ser trabalhada em clínicas que atendem crianças com desenvolvimento motor típico, porém com dificuldades, e crianças com desenvolvimento motor atípico, com presença de transtornos. Assim, esse trabalho pode ser feito por profissionais de Educação Física, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psicopedagogos, médicos e fonoaudiólogos. Existe a possibilidade da intervenção em hospitais e clínicas psiquiátricas também.

Pela psicomotricidade envolver os aspectos do movimento, da cognição e das emoções, que podem afetar os aspectos motores, a fala, a escrita, a vida social e a aprendizagem, seria ideal um trabalho em conjunto com os diversos profissionais em suas especialidades na identificação de sinais e no tratamento e intervenção. 

Vamos Exercitar?

Voltamos à situação-problema do início da aula.

Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física das crianças, mas os professores e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo e pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um próximo bate-papo, que ela agendaria para a próxima semana. Assim, para o próximo bate-papo você achou importante falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma atuação multidisciplinar. Para preparar esse bate-papo, você seguiu três perguntas norteadoras: como acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida? As fases do desenvolvimento humano possuem características específicas? Como se dá a atuação multidisciplinar na psicomotricidade?

O desenvolvimento psicomotor está intimamente relacionado ao desenvolvimento humano. Assim, ele acontece em uma direção céfalo-caudal e próximo-distal e está relacionado com a idade. Piaget traz o desenvolvimento em quatro fases: sensório-motora, pré-operacional, operações concretas e operações formais. A avaliação, identificação de transtornos ou anormalidades e a intervenção exigem uma atuação multidisciplinar, que envolve professores de Educação Física, pedagogos, médicos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos, cada um trabalhando na sua área em busca da resolução de um mesmo problema.

Saiba Mais

Que tal nos aprofundarmos mais no tema do desenvolvimento psicomotor?

Sugerimos a leitura dos artigos a seguir:

 

 

 

Referências Bibliográficas

CARON, J. Psicomotricidade: um recurso envolvente na psicopedagogia para a aprendizagem. REI: Revista de Educação do IDEAU, v. 5, n. 10, jan.-jun. 2010. Disponível em: https://www.bage.ideau.com.br/wp-content/files_mf/e4009326097b8ed3a056965fe86fc942208_1.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024.

FONSECA, V. da. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020 

MARTINS, H. M. et al. Educação Física escolar no desenvolvimento da psicomotricidade. Research, Society and Development, v. 10, n. 8, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/17982. Acesso em: 28 mar. 2024.

PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações, 2018.

ROSSI, F. S. Considerações sobre a psicomotricidade na educação infantil. Revista Vozes dos Vales da UFVJM, MG, n. 1, Ano 1, maio 2012. Disponível em: http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Considera%C3%A7%C3%B5es-sobre-a-Psicomotricidade-na-Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024.

Aula 3

Teorias da Psicomotricidade

Teorias da psicomotricidade

Olá, estudante,

Nesta videoaula você irá se aprofundar nas teorias da psicomotricidade. Você irá conhecer os teóricos mais influentes que estudaram o movimento a partir das emoções e da cognição. Cada um desses teóricos contribuiu ricamente para a psicomotricidade, explicando os processos envolvidos nela.

Todo esse conteúdo é muito importante para a sua formação, pois lhe trará processos históricos do surgimento das teorias e as principais características de cada teórico, facilitando a compreensão dos aspectos relacionados à psicomotricidade.

Prepare-se para aprender ainda mais sobre a psicomotricidade.

Ponto de Partida

A psicomotricidade surgiu de um processo histórico na tentativa de compreender o movimento por meio das emoções, do pensamento, do raciocínio e dos aspectos cognitivos envolvidos. Compreender sobre os teóricos que buscaram explicar a psicomotricidade nos faz entender o seu porquê e pensar na ação a partir do que motivou sua evolução.

Para explicarmos a aula de hoje, vamos à seguinte situação. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la a manter as aulas. A diretora aceita o bate-papo e você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade e seus fundamentos. O primeiro bate-papo gerou interesse na diretora, que solicitou uma nova conversa. Você decide então falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma atuação multidisciplinar. No final da segunda conversa, a diretora pergunta quem são os teóricos envolvidos com a psicomotricidade e como eles abordam a ideia de corpo, psicomotricidade e significação. Você diz que os nomes são diversos e sugere mais um bate-papo para um outro dia. Ela aceita.

E então, como você poderia levar essas informações para a diretora? 

Vamos Começar!

Desenvolvimento da psicomotricidade segundo as teorias psicogenéticas

A psicogenética é uma área de estudo que busca entender o desenvolvimento das funções da mente, em que a evolução pode explicar ou oferecer informações complementares para encontrar respostas para aspectos psicológicos gerais. Dessa maneira, a teoria psicogenética está relacionada ao conhecimento e à aprendizagem, que contribuem tanto para a psicologia quanto para a educação. Sendo assim, essas teorias colaboram para um olhar para o indivíduo como um todo e seu relacionamento com o ambiente.

A teoria da psicogenética tem como objeto de estudo o ser humano, suas leis e seu modo de pensar como produto da infância, sendo considerada uma das teorias do construtivismo pelo seu alcance na educação e conduta sobre a aprendizagem.

O surgimento da teoria psicogenética se deu pelo psicólogo experimental, filósofo e biólogo suíço Jean Piaget, que defendia que a afetividade era um subproduto do cognitivo, e depois representada por Wallon, dentre outros teóricos. 

Jean Piaget

Você certamente já ouviu falar sobre Jean Piaget, ou mesmo já leu o seu nome em algum lugar. Ele é conhecido por sua contribuição não apenas em relação à psicomotricidade, mas também no que se refere à filosofia, pedagogia, entre outros estudos. Piaget possui a formação básica de biólogo e dedicou seus primeiros estudos a essa área, porém, logo se interessou por sociologia, filosofia e até mesmo por política. Em sua íntima relação com a psicomotricidade, estudou o modo como a inteligência contribui integralmente para a relação do ser humano em seu íntimo com o ambiente externo. Foi Piaget o teórico que dividiu o desenvolvimento nas seguintes fases: sensório-motora, pré-operacional, operações concretas e operações formais. 

Henri Wallon

Henri Paul Hyacinthe Wallon, nascido em 1879 na França, país de forte conscientização psicomotora, tendo vivido até a data de primeiro de dezembro de 1962, possuía uma forte bagagem cultural, uma vez que em sua vida atuou como médico, psicólogo, político e filósofo, vivenciando as catástrofes das grandes guerras mundiais, sendo responsável por atender muitas crianças que foram vítimas das calamidades que ocorriam na época. Wallon, junto a outros políticos da época, criou diferentes projetos sociais para favorecer o desenvolvimento psicomotor das crianças. Wallon foi um profissional da área da saúde que se preocupou em desvendar o que existe por trás de cada movimento que fazemos, não apenas se limitando ao aspecto visível e percebido pelo senso comum, mas avaliando até mesmo a relação do tônus com os aspectos mentais.

Wallon se diferencia de Piaget e de Le Boulch por não analisar o esquema corporal como uma porção apenas envolvida com os aspectos psicológicos ou com os aspectos biológicos, mas sim por compreendê-lo como uma constante evolução que atua como base sólida de sustentação da personalidade da criança. Ou seja, o esquema corporal para Wallon é o antecessor de uma personalidade íntegra. É visto e explicado pela escola Walloniana, como assim é conhecida por muitos, que a primeira via de comunicação essencial e total da criança está em suas ações motoras, uma vez que a verbalização, ou seja, a fala ainda não dominada é incapaz de conseguir exteriorizar todas as necessidades e vontades da criança, que, de modo parcialmente inconsciente, possui seus desejos, vontades e sentimentos demonstrados por suas ações motoras.

Algumas fases são percebidas por Wallon e foram nomeadas, sendo estas: fase impulsiva, tônico-emocional, sensório-motora, projetiva e personalística. Você deve se atentar, ao estudar as fases de Wallon, que elas não possuem ponto final antes de iniciarem a próxima, mas acabam se entrepondo; ou seja, antes do término de uma fase a seguinte já se iniciou.

  • Fase impulsiva — a fase impulsiva é a primeira fase, iniciada logo no nascimento, e é relacionada totalmente às “explosões” reflexas e automatizadas que refletem as sensações de satisfação ou insatisfação.
  • Fase tônica-emocional — normalmente, essa fase se inicia aos seis meses de vida e finaliza-se aos doze meses, sendo marcada pelo significado não automático das ações motoras. Nesse período, as sensações são as desencadeadoras das ações, ainda com forte maturação tônica.
  • Fase sensório-motora — período percebido aos doze meses, momento em que a criança “ganha” o mundo através da marcha, e inicia a integração entre as sensações e os atos motores. A marcha simboliza a orientação dos movimentos. Para Wallon, a capacidade de repetir movimentos nessa etapa é a percussora do movimento intencional, logo, o movimento inteligente.
  • Fase projetiva — fase entre o terceiro e quarto ano de vida, em que Wallon entende que o real domínio da linguagem é capaz de objetivar a intenção, conceituando a ação como resultado de uma análise mental das situações. Período marcado pela imitação, mostrando a ligação entre o meio externo e a percepção da criança.
  • Fase personalística — fase entre o quinto e sexto ano de vida, em que o conceito do “eu” está em plena maturação, com a identidade em crescimento. Nessa fase os movimentos representam claramente os desejos. 

Julian de Ajuriaguerra

Ajuriaguerra foi um médico de origem basca, com formação na França, que realizou muitas pesquisas na área da neurofisiologia, neuropatologia e neuropsiquiatria infantil. Foi na neuropsiquiatria infantil que contribuiu para a psicomotricidade. Ele acreditava que a evolução da criança acontecia pela consciencialização e conhecimento cada vez mais profundo do seu próprio corpo. Assim, a criança elabora todas as suas experiências vitais e organiza sua personalidade única por meio do corpo. Ou seja, a criança é seu corpo (Fonseca, 2008).

Ajuriaguerra introduziu o termo somatognosia, que significa reconhecimento (gnosia) do corpo (soma) e, a partir dele, apresentou os conceitos de imagem corporal e esquema corporal. A somatognosia é a tomada de consciência do corpo como um todo e de suas partes, que estão intimamente ligadas e inter-relacionadas conforme evolução de movimentos voluntários, ou seja, toma-se consciência do corpo a partir de experiências (Fonseca, 2008). 

Le Boulch

Também francês, Le Boulch foi o percussor do termo psicocinética ao incluir na prática pedagógica profissional os conceitos motores aplicados que podem contribuir diferencialmente para o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. A psicocinética visa a uma sequência evolutiva lógica sobre a aquisição de instrumentos de expressão entre o ser interno e o meio externo. Podemos entender psicocinética como o elo entre a educação e o movimento.

A visão de Le Boulch quanto ao desenvolvimento psicomotor possui íntima relação com o momento escolar. O pesquisador percebe que o período em que a criança frequenta a escola é primordial para sua base psicomotora, estando intimamente relacionado com até setenta e cinco por cento do desenvolvimento total. 

Lev Vygotsky

Vygotsky era formado em direito, literatura, história, filosofia, psicologia e medicina. Sua vida não foi muito longa — faleceu com 39 anos, depois de 14 anos combatendo a tuberculose. Vygotsky estudou as funções psíquicas superiores humanas, como o controle do comportamento, a memorização ativa, atenção voluntária, o raciocínio dedutivo, dentre outros temas. Ele buscou estudar as mudanças qualitativas do comportamento humano observadas no desenvolvimento ao longo da vida e a sua relação com o ambiente social (Fonseca, 2008).

Segundo Vygotsky, a cultura é parte da natureza humana de cada indivíduo, remetendo à ideia de que a origem das funções psíquicas são socioculturais e surgem a partir de funções psicológicas básicas de origem biológica. Assim, Vygotsky acreditava que os principais objetivos da psicomotricidade seriam a consciência do próprio corpo, organização do esquema corporal, organização espaço-temporal, domínio do equilíbrio e eficácia das coordenações globais. Todos esses elementos em conjunto na geração de uma melhor adaptação do indivíduo ao mundo e auxiliando na sua aprendizagem de habilidades (Peres; Cruz, 2014). 

Arnold Gesell

Gesell adota uma perspectiva de desenvolvimento maturacional, em que a história biológica e evolucionária dos seres humanos determinava suas sequências ordenadas e invariáveis de desenvolvimento, sendo que cada estágio do desenvolvimento era correspondente a um estágio na evolução. Gesell acreditava que a maturação era determinada por fatores genéticos (internos) e não fatores ambientais (externos) (Haywood; Getchell, 2010).

Siga em Frente...

O corpo, a relação psicomotora e a significação

A psicomotricidade se dá pelos processos motores, cognitivos e emocionais que acontecem simultaneamente na expressão do movimento. Assim, o movimento realizado tem seu significado a partir das possibilidades motoras de execução, dos pensamentos e raciocínios e dos aspectos emocionais, como a afetividade.

Todo esse processo ocorre pelo estímulo que é recebido e ativação dos órgãos dos sentidos (sensação) e da atribuição e interpretação desses estímulos (percepção), chegando à cognição. Assim, a cognição tem como responsabilidade organizar como pensamos e construímos o pensamento. Esses pensamentos são ligados ao comportamento motor por meio das células nervosas, realizando processos biológicos e gerando a contração muscular, para que a ação seja realizada.

Dessa maneira, o desenvolvimento psicomotor ocorre por meio de processos de aprendizagem, em que os elementos motores são desenvolvidos e auxiliam nos movimentos e na realização de habilidades motoras. A forma como o indivíduo entende seu corpo (imagem e esquema corporal) pertence aos aspectos cognitivos que irão influenciar a atuação dos outros elementos motores e, consequentemente, a realização de habilidades motoras. Do mesmo modo, a forma como esse corpo se organiza no espaço, se equilibra e se coordena, influencia nos movimentos e na forma como o indivíduo se vê.

Assim, os significados dados ao corpo, ao objeto, ao ambiente e às emoções vão interferir na forma como esse corpo se movimenta no espaço e a sua relação com os elementos psicomotores.   

Vamos Exercitar?

Voltando à situação do início da aula, você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. A diretora aceita o bate-papo e você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade e seus fundamentos. O primeiro bate-papo gerou interesse na diretora, que solicitou uma nova conversa. Você decide então falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma atuação multidisciplinar. No final da segunda conversa, a diretora pergunta quem são os teóricos envolvidos com a psicomotricidade e como eles abordam a ideia de corpo, psicomotricidade e significação. Você diz que os nomes são diversos e sugere mais um bate-papo para um outro dia. Ela aceita.

Primeiro você explica sobre a psicogenética, que foi um termo abordado por Jean Piaget, que tem como objeto de estudo o ser humano, suas leis e seu modo de pensar como produto da infância, sendo considerada uma das teorias do construtivismo pelo seu alcance na educação e conduta sobre a aprendizagem. Outros teóricos também contribuíram para a psicomotricidade, como: Henry Wallon, Le Boulch, Ajuriaguerre, Vygotsky e Gesell. Assim, o significado a partir do movimento acontece por meio da estreita relação do corpo e da mente.  

Saiba Mais

Quer se aprofundar mais nas teorias psicomotoras e psicogenéticas? Leia os Capítulos 1, 2, 3 e 11 do livro Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem, de Vitor da Fonseca, disponível na sua biblioteca digital. 

 

 

Referências Bibliográficas

FONSECA, V. da. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.

HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2010.

PERES. T. S.; CRUZ, M. A. de O. Psicomotricidade no processo de alfabetização da criança. Perspectivas em psicologia, v. 18, n. 2, p. 136-152, 2014.  

Aula 4

Elementos Psicomotores

Elementos psicomotores

Olá, estudante,

Nesta videoaula você irá se aprofundar nos conhecimentos sobre os elementos psicomotores. Você irá compreender a definição de: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade, organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora e suas influências no desenvolvimento e na aprendizagem psicomotora.

Esta aula é de grande importância na sua formação profissional, pois você conseguirá identificar os elementos psicomotores e pensar nas possíveis formas de intervenção para diferentes problemas ou transtornos.

Prepare-se para colocar todo o seu conhecimento em prática!

Ponto de Partida

Vamos nesta aula conhecer quais elementos são fundamentais para o desenvolvimento psicomotor. Passamos por fases no nosso desenvolvimento, e essas fases, quando bem desenvolvidas, nos preparam para as fases seguintes, tornando-as mais fáceis e assimiláveis. Dentro dessas fases, temos alguns elementos importantes que devem ser observados e trabalhados para que consigamos realizar as habilidades motoras no futuro.

Para compreender os elementos psicomotores, vamos a nossa situação da aula. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo, mais ainda não se sentiu convencida e pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um segundo bate-papo, no qual você abordou o desenvolvimento psicomotor, suas fases e a atuação multidisciplinar. Dando continuidade à temática, a diretora solicitou um terceiro bate-papo em que você abordou as teorias psicomotoras. E, como em todos os bate-papos você mencionou os elementos psicomotores, a diretora ficou curiosa para saber mais e pediu o último bate-papo para fechar o assunto. Assim, para nortear esse bate-papo, você focou em responder às seguintes questões: quais são os elementos psicomotores? Como eles contribuem para o desenvolvimento psicomotor e para a aprendizagem?

Já sabe elencar os elementos psicomotores? Continue aqui que você vai compreender além deles.

Vamos Começar!

A aprendizagem de movimentos está ancorada no desenvolvimento dos elementos psicomotores. Esses elementos são: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade, organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora. Assim, todos esses elementos desenvolvidos colaboram em conjunto para a estrutura de formação do indivíduo no que diz respeito ao seu reconhecimento corporal, temporal e espacial e simétrico. Esses elementos são desenvolvidos a partir do nascimento e evoluem com a idade, auxiliando no processo de aprendizagem de movimentos. Nesta aula, você vai compreender cada um desses elementos psicomotores e a sua contribuição para o desenvolvimento psicomotor e a aprendizagem motora.

Esquema corporal

O esquema corporal é um elemento básico do desenvolvimento psicomotor da representação consciente do próprio corpo. Sua formação começa no nascimento e finaliza aos 12 anos. Assim, a personalidade da criança se forma a partir da consciência de si, de seu corpo, de seu ser, das possibilidades de agir e de se transformar. Por meio do esquema corporal, a criança desenvolve a capacidade de correr sem se chocar em móveis, reconhecer as partes do seu corpo, sendo capaz de nomear e sinalizar e escolher trajetos que melhor se adaptam ao tamanho de seu corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

Segundo Pereira (2017), o desenvolvimento do esquema corporal ocorre em três etapas:

  1. Corpo vivido – até os três anos de idade: fase de identificação das partes do corpo a partir das vivências e experiências.
  2. Corpo percebido ou descoberto – de três a sete anos: quando ocorre a organização do esquema corporal, que acontece por meio da “função de interiorização”.
  3. Corpo representado – de 7 a 12 anos: fase em que ocorre a estruturação do esquema corporal, em que a criança o amplia e organiza, devido à noção do todo e das partes do corpo, do conhecimento das posições e do controle e domínio corporal.

O esquema corporal mal desenvolvido acarreta sérios problemas na orientação temporal e espacial, no equilíbrio e na postura (Pereira, 2018).

Imagem corporal

A imagem corporal é a imagem mental do corpo a partir das vivências do indivíduo. A imagem corporal envolve a expressão da história psicomotora, envolvendo as áreas motora, afetiva e cognitiva, cujo desenvolvimento de estruturação e reestruturação acontece por meio da inter-relação das áreas fisiológicas, sociológicas e libidinais. Podemos dizer que a imagem corporal é a representação visual que a pessoa tem do seu próprio corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

Contudo, para diferenciar esquema corporal de imagem corporal, podemos entender que o esquema corporal é o mesmo para todos os indivíduos, por exemplo, saber onde fica a cabeça, as mãos, os pés e seus formatos e localizações. Já a imagem corporal é a imagem que cada indivíduo tem de seu próprio corpo relacionado a sua história, ou seja, se ele se sente muito magro, muito alto, com olhos bonitos e assim por diante (Gusi, 2020).

Siga em Frente...

Equilíbrio

O equilíbrio tem como significado o controle da estabilidade postural, com a ação do sistema vestibular, que integra as informações proprioceptivas, visuais, cinestésicas e tônicas recebidas pelo cerebelo (Fonseca, 2008). Assim, o equilíbrio pode ser estático ou dinâmico.

O equilíbrio estático é a manutenção da postura em diferentes posições, por exemplo: ficar em pé, sentado, ajoelhado. Ele é mais abstrato, exige mais concentração e quando está sob controle facilita a aprendizagem. Já o equilíbrio dinâmico é o sair e voltar para o eixo corporal, como, por exemplo, deslocar-se caminhando, inclinar o corpo à frente e voltar. Ele depende de como o esquema corporal se estrutura e da integração do sistema neuropsicomotor. 

Lateralidade

A lateralidade é a opção de utilização do lado corporal de maior precisão, força e destreza. É a noção do lado que prefere para realizar movimentos (direita ou esquerda), por exemplo: escrever com a mão direita, chutar com o pé esquerdo. A lateralidade pode envolver o corpo todo ou partes dele, como a visão, audição, membros superiores e inferiores. Conforme a criança vai crescendo, ela vai definindo a sua preferência lateral pela agilidade e força. Além disso, a lateralidade pode ser influenciada por hábitos sociais, por meio de estímulos de um dos lados do corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018). 

A lateralidade pode se manifestar de três formas:

  • Homogênea: quando a pessoa tem preferência de utilização dos olhos, ouvidos, braços e pernas de um mesmo lado do corpo.
  • Cruzada: quando a pessoa apresenta preferência de utilização que não se concentra somente de um lado do corpo, por exemplo: ela chuta com o pé direito e escreve com a mão esquerda.
  • Ambidestra: quando a pessoa apresenta a preferência de utilização dos dois lados e os dois apresentam a mesma destreza.

O desenvolvimento da lateralidade é muito importante, pois influencia na percepção que a pessoa tem do seu esquema corporal e na simetria de seu corpo. Além disso, contribui para determinar a estruturação espacial, ou seja, sua percepção do eixo de seu corpo e do ambiente em relação a esse eixo. Assim, a criança que não desenvolveu a lateralidade apresenta problemas de estruturação espacial e não consegue distinguir seu lado preferido (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

Organização espaço-temporal

A orientação espaço-temporal é a consciência que tomamos da situação dos objetos e das pessoas entre si. Compreende a noção de direção, da organização diante de tudo que nos cerca e de distâncias. Como o espaço e tempo são indissociáveis, não é possível compreendê-los sozinhos, sendo assim, utilizamos o termo: organização espaço-temporal. Dessa maneira, a organização espaço-temporal tem sua importância no processo de adaptação do indivíduo no ambiente, já que todo corpo ocupa um espaço em um dado momento (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

A orientação espacial diz respeito a como nos vemos e vemos as coisas a nossa volta, tomando nós mesmos como referência. Em um primeiro momento, a criança se orienta no espaço de forma inconsciente e gradativa até conseguir dominar seus movimentos e reconhecer um sentido do espaço. A organização espacial tem como objetivo desenvolver a capacidade de orientação no espaço, associar ideias, analisar e sintetizar, formar conceitos básicos em relação à distância, dimensão, forma, posição e altura e desenvolver a percepção, ritmo e raciocínio. Assim, trabalhar a orientação espacial permite que a pessoa se conscientize de suas ações de maneira mais completa (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

Já a orientação temporal é a capacidade de nos situarmos no tempo, na ordem de sucessão dos acontecimentos (antes, durante e depois), entender quanto dura um intervalo (pouco tempo, muito tempo, períodos curtos e longos), os períodos que se renovam de forma cíclica (dias da semana, meses do ano, estações do ano) e a irreversibilidade do tempo (noção de envelhecimento das pessoas, plantas, animais) (Gusi, 2020; Pereira, 2018). 

Ritmo

O ritmo abrange a ideia de ordem, de duração, de sucessão e de alternância. Primeiro percebemos o ritmo interno, depois o externo e, por fim, vem a percepção e reprodução das estruturas rítmicas. O ritmo está presente na maneira como andamos, falamos e como realizamos os gestos das atividades diárias. Além disso, o ritmo está presente na dança, na música e nas coreografias. Assim, podemos dizer que cada pessoa tem o seu ritmo, o qual se inicia com os ritmos naturais internos, como o ritmo do batimento cardíaco, por exemplo. Por isso, o ritmo é um fenômeno individual e espontâneo (Pereira, 2018). 

Tônus

O tônus é uma atividade postural que permite uma fixação dos músculos em determinadas articulações, o que garante as atitudes, as posturas, as mímicas, as emoções que são resultados de todas as ações motoras humanas. Contudo, essa garantia acontece pois o tônus muscular está associado à unidade funcional do cérebro, às funções de alerta e de vigilância e às condições genéticas. Assim, o tônus muscular é uma tensão fisiológica dos músculos que garantem o equilíbrio estático e dinâmico, a coordenação motora e o controle postural, sendo ele a base das atividades práticas. 

Motricidade

A motricidade é compreendida como as sensações conscientes do ser humano em movimento com intencionalidade e significado que ocorrem no tempo e no espaço e que envolvem a percepção, memória, emoção, afetividade, projeção e raciocínio. Além disso, a motricidade pode ser vista de diferentes formas, como gestos, falas, cênicas e assim por diante (Kolyniak Filho, 2010). De acordo com a musculatura envolvida, a motricidade pode ser classificada em ampla ou fina. A motricidade ampla envolve grandes grupos musculares na sua execução, por exemplo: correr, nadar, pedalar, jogar futebol, rebater ou segurar uma bola e assim por diante. Já a motricidade fina envolve pequenos grupos musculares na sua execução, como, por exemplo: escrever, desenhar, pintar uma tela, tricotar, apertar o botão do controle do vídeo game.

O desenvolvimento da motricidade acontece de forma progressiva, dos grandes músculos para os pequenos músculos e do simples para o complexo, sendo dependente dos processos maturacionais da criança. Além disso, motricidade se desenvolve a partir do desenvolvimento dos outros elementos psicomotores, como: lateralidade, organização espaço-temporal, esquema corporal, coordenação motora e equilíbrio. 

Coordenação motora

É a associação entre o corpo e a motricidade, em que se aumenta de forma gradativa a precisão e a harmonização da postura e da locomoção, bem como todas as atividades motoras. A coordenação motora pode ser: estática, ampla ou fina (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

A coordenação motora estática é aquela realizada em repouso, o que envolve o equilíbrio entre ações de músculos antagonistas, em que se estabelece um tônus e se permite a conservação voluntária das atitudes. A coordenação motora ampla ocorre em atividades de movimentação e experimentação em que o indivíduo busca o equilíbrio e grandes grupos musculares estão envolvidos. Como exemplos, temos: andar, correr, saltar, arremessar, nadar, andar de bicicleta, dentre outros. Já a coordenação motora fina é aquela que envolve a habilidade e a destreza manual, pois mobiliza pequenos grupos musculares. Em muitas tarefas, a coordenação motora vem acompanhada da coordenação visomotora, que diz respeito à coordenação da visão e do objetivo da tarefa, envolvendo o controle dos olhos e da musculatura que realiza o movimento. Por exemplo, na motricidade fina, podemos citar a escrita, em que a pessoa movimenta os dedos e acompanha com os olhos. Num exemplo de motricidade ampla, o jogador de basquete coordena os braços para o arremesso e acompanha com o olhar para cesta (Gusi, 2020; Pereira, 2018).

Como mencionado anteriormente, a aprendizagem motora depende do desenvolvimento desses elementos psicomotores; uma vez desenvolvidos de forma precária ou não desenvolvidos, a aprendizagem motora será afetada.

Vamos Exercitar?

Vamos voltar a nossa situação do início da aula. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física. Os professores não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um segundo bate-papo, no qual você abordou o desenvolvimento psicomotor, suas fases e a atuação multidisciplinar. Dando continuidade à temática, a diretora solicitou um terceiro bate-papo, em que você abordou as teorias psicomotoras. E, como em todos os bate-papos você mencionou os elementos psicomotores, a diretora ficou curiosa para saber mais e pediu o último bate-papo para fechar o assunto. Assim, para nortear esse bate-papo, você focou em responder às seguintes questões: quais são os elementos psicomotores? Como eles contribuem para o desenvolvimento psicomotor e para a aprendizagem?

Os elementos psicomotores são: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade, organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora. Quando esses elementos estão bem desenvolvidos, a aprendizagem motora flui com mais facilidade e o aluno aprende melhor. Cada elemento desse está interrelacionado com os outros, e eles são dependentes entre si. Esses elementos precisam ser desenvolvidos na infância e, caso não sejam, o indivíduo pode apresentar dificuldades motoras, sociais, afetivas e emocionais.

Saiba Mais

Para saber mais sobre os elementos psicomotores, acesse o artigo a seguir e faça a leitura: A importância dos jogos e brincadeiras como elemento psicomotor no processo ensino e aprendizagem, de Silva e Silva (2021). 

 

 

Referências Bibliográficas

FONSECA, V. da. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.

FONSECA, V. da. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.

KOLYNIAK FILHO, C. Motricidade e aprendizagem: algumas implicações para a educação escolar. Construção psicopedagógica, v. 18; n. 17; p.53-66, 2010.

PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações, 2018.

SILVA, R. S.; SILVA, F. J. A da. A importância dos jogos e brincadeiras como elemento psicomotor no processo de ensino e aprendizagem. Revista Ilustração. Cruz Alta, v. 2, n. 3, p. 25-35, set./dez. 2021. Disponível em: https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/98/73. Acesso em: 31 mar. 2024.

Encerramento da Unidade

Aspectos da Psicomotricidade

Videoaula de Encerramento

Olá, estudante,

Nesta unidade você vai aprender sobre os aspectos básicos da psicomotricidade. Primeiro você entenderá os conceitos e fundamentos da psicomotricidade, depois compreenderá como acontece o desenvolvimento psicomotor. A partir disso, serão apresentados os teóricos que estavam envolvidos com a psicomotricidade, e você compreenderá quais influências tiveram na área. Por fim, você saberá quais são os elementos psicomotores e as suas características.

Esse conteúdo permitirá que você compreenda os aspectos em que a psicomotricidade está envolvida para que seja possível a sua aplicação na prática.

Aproveite essa oportunidade de aprender sobre a psicomotricidade.

Ponto de Chegada

Estudante, esta unidade tem como competências compreender os principais conceitos da psicomotricidade, aprofundando nas suas possibilidades de atuação e entendendo como acontece o desenvolvimento psicomotor. Além disso, espera-se que você conheça os principais teóricos que influenciaram a psicomotricidade e, a partir disso, aprofunde-se nos elementos psicomotores e suas características.

Dessa maneira, para que você atingisse esses objetivos, você estudou o processo histórico da psicomotricidade, desde o seu surgimento até sua chegada ao Brasil. A partir disso, você compreendeu que a psicomotricidade envolve os aspectos do movimento relacionados aos elementos emocionais e cognitivos. Assim, você pôde ser capaz de entender quais as possibilidades de atuação com a psicomotricidade. Por meio dos aspectos básicos, seu conhecimento evoluiu para o entendimento do desenvolvimento psicomotor, suas fases e a psicomotricidade como uma abordagem multidisciplinar. Assim, você não pôde deixar de aprender quais foram os teóricos que influenciaram e contribuíram para a psicomotricidade, conhecendo as teorias psicogenéticas, maturacionais e construtivistas. Aprender sobre Piaget, Wallon, Le Boulch, Vygotski, Ajuriaguerra e Gesell fez toda a diferença no seu entendimento sobre a psicomotricidade. Por fim, o aprofundamento sobre os elementos psicomotores, como imagem corporal, esquema corporal, orientação espaço-temporal, equilíbrio, coordenação, etc., e o entendimento das suas influências no desenvolvimento psicomotor foram importantes para que você pudesse intervir na prática.   

Reflita

  • O que é psicomotricidade?
  • Como acontece o desenvolvimento psicomotor?
  • Quais são os elementos psicomotores e suas características? 

É Hora de Praticar!

Você se inscreveu em uma palestra sobre psicomotricidade avançada. O palestrante irá abordar como é o brincar na psicomotricidade, as alterações psicomotoras, a avaliação na psicomotricidade e os transtornos psicomotores. Como faz um tempo que você não estuda sobre os aspectos básicos da psicomotricidade, você decide retomar esse tema para poder aproveitar melhor a palestra.

Reflita

Diante do cenário apresentado, você vai atrás das seguintes respostas:

  • Quais os conceitos fundamentais da psicomotricidade?
  • Como acontece o desenvolvimento psicomotor?
  • Quem foram os principais teóricos envolvidos na psicomotricidade?
  • Quais são os elementos psicomotores e quais suas contribuições para o desenvolvimento psicomotor?

Resolução do estudo de caso

Você estudou que psicomotricidade é uma ferramenta que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Dessa maneira, o desenvolvimento psicomotor ocorre a partir do desenvolvimento do ser humano, em que podemos dizer que é céfalo-caudal e próximo-distal. Ele pode acontecer em fases, que, de acordo com Piaget, podem ser divididas em: fase sensório-motora, fase pré-operacional, fase de operações concretas e fase de operações formais. Além de Piaget, outros teóricos contribuíram para a psicomotricidade, como Wallon, Le Boulch, Ajuriaguerra, Vygotsky e Gesell, cada um com as suas ideias e teorias. Esses teóricos defendem que alguns elementos são importantes para o desenvolvimento psicomotor e que, quando um ou mais não são bem desenvolvidos, surgem dificuldades na realização de movimentos. Esses elementos são: imagem corporal, esquema corporal, coordenação motora, equilíbrio, orientação espaço-temporal, lateralidade, ritmo, tônus muscular e motricidade fina e ampla.    

Dê o play!

Assimile

Confira a seguir uma síntese do conteúdo desta unidade.

Aspectos da psicomotricidade  Motores Sistema neuromuscular  Emocionais Alegria, tristeza, afetividade, motivação  Cognitivos Pensamento, raciocínio, memória, atenção  Sociais Relacionamentos familiares, entre amigos e colegas e com o professor

A psicomotricidade é uma área de estudo que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Assim, podemos dizer que a psicomotricidade integra as interações cognitivas, emocionais, simbólicas e físicas na capacidade do indivíduo de ser e agir em um contexto social. 

 

Referências

FONSECA, V. da. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.

PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações, 2018.