Aspectos Gerais De Macroeconomia
Aula 1
Agregados Macroeconômicos
Agregados Macroeconômicos
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante! A partir agora vamos estudar um conjunto essencial de conceitos dentro da macroeconomia que formam a base do entendimento econômico. Os principais agregados macroeconômicos, como Produto Interno Bruto (PIB), inflação e desemprego, são indicadores-chave para avaliar o desempenho econômico de uma nação. Compreender a oferta agregada e a demanda agregada é fundamental para analisar como a economia funciona em larga escala, afetando os preços e a produção de bens e serviços. Além disso, vamos explorar a interligação entre consumo, investimento, poupança e taxas de juros, que são fatores-chave que influenciam a atividade econômica.
Para contextualizar o conteúdo, imagine que você é um consultor econômico contratado por um governo que está enfrentando altas taxas de desemprego e inflação crescente. Sua tarefa é apresentar recomendações para melhorar a situação econômica do país. Como você abordaria a análise dos principais agregados macroeconômicos para entender a causa raiz desses problemas? Além disso, como você relacionaria os conceitos de oferta agregada e demanda agregada para formular suas recomendações? E, por último, como a relação entre consumo, investimento, poupança e taxas de juros afetaria sua estratégia?
A compreensão desse conteúdo macroeconômico e de suas interconexões é um passo importante na sua jornada para se tornar um profissional preparado para enfrentar desafios econômicos do mundo real. Lembre-se de que a economia é uma ciência dinâmica, e os princípios que aprenderemos aqui, têm aplicação prática em políticas governamentais, planejamento empresarial e em nossas próprias escolhas financeiras.
Vamos Começar!
Caro estudante, nesta aula, vamos explorar os tópicos essenciais que o capacitarão a compreender o funcionamento da economia em escala nacional e global. Nesse contexto, será apresentado os principais agregados macroeconômicos, que permitirá familiarizar-se com os principais indicadores que os economistas utilizam para avaliar a saúde econômica de uma nação.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2023), a macroeconomia se concentra na análise da economia em sua totalidade, examinando como são determinados e como se comportam os principais indicadores econômicos, como a renda, o produto nacional, o nível geral de preços, a situação de emprego e desemprego, a quantidade de dinheiro em circulação e as taxas de juros, além do balanço de pagamentos e da taxa de câmbio. Logo, a macroeconomia se concentra no estudo de agregados macroeconômicos, que são medidas econômicas que se aplicam à economia como um todo, em contraste com a microeconomia, que analisa o comportamento de agentes econômicos individuais, como consumidores e empresas (Vasconcellos, 2015).
Dentro dos agregados macroeconômicos, existem diversas variáveis-chave que os economistas estudam para entender o funcionamento da economia. Algumas das principais variáveis macroeconômicas incluem:
- Desemprego: a taxa de desemprego representa a porcentagem da força de trabalho que está desempregada e em busca de emprego ativamente. É um indicador importante da saúde do mercado de trabalho.
- Inflação: a inflação mede o aumento geral dos preços dos bens e serviços em uma economia ao longo do tempo. Uma inflação excessiva pode prejudicar o poder de compra da moeda.
- Taxa de Juros: a taxa de juros, definida pelos bancos centrais, influencia o custo do crédito e afeta o investimento e o consumo.
- Balança Comercial: a balança comercial reflete a diferença entre as exportações e as importações de bens e serviços de um país. Ela tem um papel importante na determinação da saúde financeira de uma nação.
- Déficit Orçamentário: refere-se à diferença entre as receitas e os gastos do governo. Um déficit pode levar a um aumento na dívida pública.
- Taxa de Câmbio: a taxa de câmbio determina o valor relativo de uma moeda em relação a outras moedas estrangeiras e afeta o comércio internacional e os fluxos de capital entre países.
Vasconcellos e Garcia (2023) definem quatro objetivos principais da macroeconomia: adequado nível de emprego, estabilidade de preços, distribuição de renda socialmente justa e crescimento econômico. Vasconcellos e Garcia (2023, p. 67), explicitam ainda que:
Teoria macroeconômica, propriamente dita, preocupa-se mais com aspectos de curto prazo. Especificamente, trata de questões como o desemprego, que aparece sempre que a economia está trabalhando abaixo de seu máximo de produção, e da estabilização do nível geral de preços. Em outras palavras, a análise de curto prazo avalia fundamentalmente questões conjunturais, como desemprego e inflação.
Assim, a análise macroeconômica tem como foco a compreensão da geração e distribuição de bens e renda decorrentes da atividade econômica, ocorrendo de maneira contínua entre os principais agentes da economia: famílias, empresas, governo e setor externo.
Conforme Vasconcellos e Garcia (2023), a avaliação do desempenho econômico de uma nação pode ser feita por meio de três perspectivas distintas: examinando a produção e venda de bens e serviços finais na economia, o que envolve a abordagem do produto e a abordagem da despesa, e considerando a renda gerada durante o processo produtivo, que se encaixa na abordagem da renda. Essa renda consiste, principalmente, na compensação fornecida aos fatores de produção, como salários, juros, aluguéis e lucros. Enquanto a análise das abordagens do produto e da despesa se concentra no mercado de bens e serviços, a análise da abordagem da renda se direciona para o mercado dos próprios fatores de produção.
Siga em Frente...
Para fins dos nossos estudos, vamos trabalhar com a abordagem da despesa. Dessa forma, precisamos definir os conceitos de Oferta Agregada e Demanda agregada, conforme Mankiw (2017) da seguinte forma:
- Oferta Agregada (OA): é a quantidade total de bens e serviços que todas as empresas de um país estão dispostas a produzir a diferentes níveis de preços. É influenciada por fatores como custos de produção, tecnologia, oferta de trabalho e expectativas das empresas.
- Demanda Agregada (DA): é a quantidade de bens e serviços que as famílias, as empresas, o governo e clientes estrangeiros desejam comprar a cada nível de preços. É influenciada por fatores como renda disponível, taxas de juros, políticas governamentais e expectativas dos consumidores.
A relação entre a oferta agregada e a demanda agregada é o que estabelece o nível de produção e os preços na economia. O equilíbrio acontecer quando a demanda agregada se iguala à oferta agregada, e isso determina o Produto Interno Bruto (PIB) e o nível de preços na economia. Essa dinâmica pode ser representada de acordo com a Figura 1:
A curva OA é positivamente inclinada porque as empresas estão dispostas a ofertar mais produto a preços mais elevados enquanto a curva DA é negativamente inclinada porque os preços mais elevados reduzem o valor da oferta monetária, que reduz a demanda por produto (Dornbusch; Fischer; Startz, 2013).
Vasconcellos e Garcia (2023), destacam que o nível de oferta agregada se refere à quantidade de produtos que a economia pode produzir, considerando os recursos e a tecnologia disponíveis. Por outro lado, o nível de demanda agregada representa a demanda global por bens de consumo, investimentos, bens adquiridos pelo governo e exportações líquidas. Para entender os fatores que influenciam a demanda por bens, é importante analisar a decomposição do Produto Interno Bruto (PIB). Ao definir que Y representa a demanda total por bens, podemos inferir que:
(1)
Em que: “Y” representa a demanda total por bens; “C” é o consumo, que representa o gasto das famílias; “I” é o investimento, que inclui o gasto das empresas em capital fixo; “G” são os gastos do governo; “X” representa as exportações; e “IM” representa as importações.
Essa equação identidade ilustra como a demanda por bens e consequentemente o PIB de uma economia é determinado pela soma do consumo das famílias, investimento das empresas, gastos do governo e o saldo entre exportações e importações (Blanchard, 2017). Alterações em qualquer uma dessas variáveis afetarão o nível geral de produção e renda na economia.
Com base nessas definições, surge a questão fundamental: qual é a relação entre a demanda total de bens, o consumo, o investimento, a poupança e as taxas de juros? Para compreender essa dinâmica de equilíbrio, é necessário aprofundar a compreensão da equação (1) por meio de um modelo econômico simplificado.
Segundo Dornbusch, Fischer e Startz (2013), o modelo econômico simplificado não inclui o governo nem o comércio internacional. Portanto, para explicar essa relação vamos simplificar a equação (1) para:
(2)
Em que o valor da produção, é determinado pelo consumo (C) e os investimento (I).
O consumo que representa o gasto das famílias em bens e serviços é influenciado por:
- Renda disponível do consumidor, ou seja, salário líquido dos impostos.
- Propensão marginal a consumir, ou seja, o aumento do consumo por aumento unitário da renda.
O investimento que são gastos das empresas em bens de capital (como fábricas, máquinas) e outros investimentos produtivos é influenciado por:
- Taxa de juros de mercado, ou seja, custo do capital.
- Perspectivas econômicas, ou seja, expectativas quanto ao futuro.
Considerando que nesse modelo, não há governo e setor externo, a renda será gasta em consumo e outra será poupada, logo, temos que:
(3)
Sendo que S é a poupança do setor privado, portanto, a renda é gasta entre poupança e consumo (C). Assim, combinando (2) e (3), obtém-se:
(4)
Dornbusch, Fischer e Startz (2013), ressaltam que a equação (4) enfatiza o que não é gasto em bens e serviços é geralmente poupado, ou seja, é a parte da renda que não é consumida e é reservada para investimento, pagamento de dívidas ou outras finalidades de poupança. Isso reflete a identidade fundamental entre produção, renda e poupança na economia.
Agora, vamos reformular a equação identidade (4), para compreender a relação entre poupança e investimento, no qual pode-se obter:
(5)
A equação (5) destaca um conceito importante, que a poupança é igual ao investimento menos o consumo, e ao mesmo tempo, o investimento é igual à poupança. Portanto, nesse contexto de uma economia simples, a única maneira pela qual um indivíduo pode poupar é por meio do ato de investir. Isso realça a interconexão entre poupança e investimento na economia. Essa constatação pode ser expandida para o modelo de uma economia com governo e relações internacionais, no qual os agentes econômicos financiam seus investimentos por meio dos recursos dos que poupam. Logo, a poupança pode ser usada para investimento ou acumulada para gasto no futuro (Dornbusch; Fischer; Startz, 2013).
Compreendido essa relação, qual o papel dos juros nessa dinâmica?
Segundo Vasconcellos e Garcia (2023), o investimento é sensível às variações da taxa de juros, uma vez que ela representa o custo de captação de recursos. Essa relação entre juros e investimentos pode ser visualizada na Figura 2, a seguir:
De acordo com Dornbusch, Fischer e Startz (2013), a curva é negativamente inclinada para refletir o pressuposto de que uma redução na taxa de juros aumenta a rentabilidade dos investimentos e, portanto, leva a uma taxa de gasto com investimento planejado maior.
Portanto, a relação entre consumo e investimento está diretamente relacionada aos juros, já que as taxas de juros influenciam a decisão das empresas e indivíduos de investir ou poupar. Taxas de juros mais baixas podem incentivar o investimento, enquanto taxas mais altas tendem a encorajar a poupança. Portanto, um equilíbrio adequado entre consumo, investimento, poupança e taxas de juros desempenha um papel vital na estabilidade e no crescimento econômico de uma nação.
Vamos Exercitar?
Agora que já estudamos os agregados macroeconômicos, e a relação entre consumo, investimento, poupança e juros podemos relacioná-los à situação-problema que apresentamos no início da aula. Você é um consultor econômico trabalhando com o governo de um país que enfrenta uma economia enfraquecida, com declínio no investimento, aumento nas taxas de juros, redução do consumo das famílias e diminuição da demanda agregada. Agora, o governo busca suas recomendações para estimular o crescimento econômico. Você pode apresentar o seguinte passo a passo:
- Compreendendo os agregados macroeconômicos: primeiramente, você pode usar os Agregados Macroeconômicos, como o PIB, a inflação e o desemprego, para obter uma visão completa da situação econômica atual do país. Isso permitirá que você identifique áreas problemáticas e áreas com potencial para crescimento.
- Oferta agregada e demanda agregada: para uma solução abrangente, analise a oferta agregada e a demanda agregada. Se a economia estiver operando abaixo de seu potencial de produção, políticas de estímulo econômico, como o aumento dos gastos públicos ou a flexibilização da política monetária, podem ser aplicadas. Além disso, medidas para melhorar a eficiência produtiva e a competitividade também podem ser consideradas.
- Relação entre consumo, investimento, poupança e juros: para estimular o crescimento econômico, considere a relação entre consumo, investimento, poupança e juros. Se o consumo está baixo, você pode sugerir medidas para aumentar a confiança do consumidor, como reduzir impostos sobre bens de consumo ou implementar programas de incentivo ao consumo. Para impulsionar o investimento, é possível propor a redução das taxas de juros ou a criação de incentivos fiscais para investimentos em infraestrutura.
Nesta aula, exploramos os conceitos essenciais dos agregados macroeconômicos, oferta agregada, demanda agregada e a relação entre consumo, investimento, poupança e juros. Entender esses elementos é fundamental para analisar e resolver desafios econômicos do mundo real.
À medida que você avança em seus estudos de economia, lembrem-se de que as soluções econômicas raramente são simples e diretas. São necessárias abordagens integradas e uma compreensão aprofundada dos princípios macroeconômicos para enfrentar os desafios econômicos da atualidade.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo 20 Demanda agregada e Oferta agregada do livro: Princípios de macroeconomia. Nesse capítulo você vai aprender a usar a demanda agregada e oferta agregada para analisar os efeitos de curto prazo de vários eventos e políticas.
MANKIW, N G. Princípios de macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522116256/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Leia o artigo Consumo ou poupança: o que pode influenciar a escolha entre estas duas opções? - O que leva um indivíduo escolher entre mais consumo e/ou mais poupança, amplie seus conhecimentos sobre essa perspectiva teórica por meio desta leitura. Disponível em: https://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/158_716.pdf. Acesso em: 2 nov. 2023.
Leia o capítulo 5 Oferta agregada e Demanda agregada do livro: Macroeconomia. Nesse capítulo você vai aprender a determinação da curva da oferta agregada no curto e longo prazo e as variações na demanda agregada resultantes de mudanças nas políticas fiscal e monetária, bem como de decisões individuais sobre consumo e investimento.
DORNBUSCH, R.; FISCHER, S.; STARTZ, R. Macroeconomia. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551853/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Referências Bibliográficas
BLANCHARD, O. Macroeconomia. 7. ed. São Paulo: Pearson, 2017.
DORNBUSCH, R.; FISCHER, S.; STARTZ, R. Macroeconomia. 11. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2013.
MANKIW, N G. Princípios de macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2017.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELLOS, M. A. S. de GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
Aula 2
Economia Externa
Economia Externa
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula, vamos aprofundar nossa jornada pelo mundo da macroeconomia, concentrando-nos em três conceitos-chave: a taxa de câmbio, a estrutura do balanço de pagamentos e os blocos econômicos. Estes tópicos desempenham um papel fundamental na compreensão das relações econômicas internacionais e têm grande importância na tomada de decisões de políticas públicas e nas estratégias de negócios globais.
Para contextualizar esse conteúdo, imagine que você é proprietário de uma empresa de importação e exportação que transaciona com vários parceiros comerciais em todo o mundo. Recentemente, devido a mudanças nas taxas de câmbio, as margens de lucro da sua empresa foram afetadas negativamente, tornando as operações mais desafiadoras. Como você pode lidar com essa situação e manter a empresa competitiva?
Para responder a essa pergunta, alguns aspectos devem ser considerados, tais como:
- Como as mudanças na taxa de câmbio podem afetar os custos de importação e os preços de exportação?
- Como o conhecimento da estrutura do balanço de pagamentos pode ajudar a avaliar os riscos e oportunidades das transações internacionais?
- De que forma os blocos econômicos influenciam as políticas comerciais e econômicas e afetam a sua empresa?
Portanto, obter respostas para essas questões poderá ajudar você a adaptar sua empresa às mudanças econômicas globais, proteger suas margens de lucro e permanecer competitivo no cenário internacional.
Vamos Começar!
Sabemos que as nações contam com moedas próprias, como o Real no Brasil, o Dólar nos Estados Unidos, o Peso Argentino na Argentina, o Iene no Japão e o Euro em muitos países europeus. É sabido que essas nações conduzem atividades de comércio envolvendo mercadorias, serviços e diversas formas de ativos entre si. No entanto, para que isso ocorra, é essencial que os países estabeleçam parâmetros para determinar o valor relativo de suas moedas nacionais. Esse parâmetro de valor direto entre duas moedas nacionais é conhecido como taxa de câmbio.
A taxa de câmbio, portanto, consiste no preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira ou também, como o preço da moeda (divisa) estrangeira de uma unidade da moeda nacional (Borges, 2008). Por exemplo, a cotação cambial do dia 14 de fevereiro de 2020, foi de US$ 1,00 = R$ 4,29 (é preciso R$ 4,29 para comprar US$ 1,00 (um dólar) e € 1,00 = R$ 4,65 (é preciso R$ 4,65 para comprar € 1,00 (um euro).
Uma questão frequentemente levantada diz respeito à determinação da taxa de câmbio e como isso se desenrola na prática. A taxa de câmbio é estabelecida com base na interação entre a oferta e a procura de moedas estrangeiras, como o dólar norte-americano, por exemplo. De acordo com Vasconcellos (2011, p. 375), a oferta de moedas estrangeiras está condicionada a diversos fatores.
[...] do volume de exportações e da entrada de turistas e capitais externos (agentes que querem trocar dólares por reais). A demanda de divisas (agentes que querem trocar reais por dólares) depende do volume das importações e da saída de turistas e capitais externos (amortizações de empréstimos, remessa de lucros, pagamento de juros etc.).
Conforme pode ser observado, se houver um aumento na oferta de moedas estrangeiras, a taxa de câmbio tenderá a diminuir. De maneira semelhante, se a demanda por moedas estrangeiras aumentar e a oferta permanecer constante, a taxa de câmbio aumentará.
Ainda nessa linha de análise, uma valorização cambial, também conhecida como apreciação, implica que é necessário um montante menor de moeda nacional, como o Real, para comprar uma moeda estrangeira, como o dólar, por exemplo. Para ilustrar, se a taxa de câmbio passar de R$ 5,30 para R$ 5,00 para a aquisição do mesmo dólar, isso indica uma valorização do Real ou, de forma equivalente, uma desvalorização do dólar em relação ao Real. Nesse contexto, é comum dizer que o "dólar caiu".
Já a desvalorização (ou depreciação cambial) significa que são necessários mais moeda nacional (Real) para a comprar a mesma moeda estrangeira, por exemplo o dólar. Por exemplo, se de R$ 5,30 para adquirir um dólar, a taxa de câmbio mudar para R$ 5,70 para adquirir o mesmo dólar, houve uma desvalorização do real ou, de modo equivalente, uma valorização do dólar em relação ao real. Neste caso, diz-se que o “dólar subiu”.
Como você pôde perceber todas as operações econômicas entre nações implicam a transferência de moedas estrangeiras. Por isso a necessidade da taxa de câmbio. No entanto, para assegurar comparações coerentes e uma supervisão constante, essas transações aderem a um padrão contábil globalmente reconhecido chamado balanço de pagamentos. Como resultado, todas as interações entre os indivíduos ou as entidades residentes em um país e aqueles que não têm residência neste devem ser devidamente registradas no balanço de pagamentos. Mas, você já ouviu falar neste termo? Caso não, vamos defini-lo!
O Balanço de Pagamentos (BP) pode ser definido como o registro contábil de todas as transações de uma nação com o restante do mundo em determinado período (Vasconcellos, 2011).
Sendo assim, o (BP) contabiliza o fluxo financeiro de mercadorias (importações e exportações), os serviços (pagamentos de juros, royalties, remessas de lucros, turismos, pagamentos de fretes, etc.) e o fluxo de capitais (investimentos diretos estrangeiros, empréstimos e financiamentos, capitais especulativos, etc.) (Vasconcellos, 2011).
A estrutura das contas do (BP) são divididas em quatro grupos de contas nos quais se registram os movimentos dos valores: as Transações Correntes (1), Conta Capital (2), Conta Capital Financeiro (3) e Erros e Omissões (4). Os grupos transações correntes e capital financeiro são subdivididos em subcontas que contabilizam os diferentes tipos de transações internacionais.
Sua estrutura e grupos de contas podem ser visualizados na Tabela 1
| BALANÇO DE PAGAMENTOS |
| I - TRANSAÇÕES CORRENTES |
| 1 Balança Comercial |
| Exportações |
| Importações |
| 2 Balança de Serviços |
| Serviços de manufatura |
| Serviços de manutenção e reparo |
| Transportes |
| Viagens |
| Construção |
| Seguros |
| Serviços Financeiros |
| Serviços de propriedade intelectual |
| Telecomunicação, computação e informações |
| Aluguel de equipamentos |
| Outros serviços de negócio |
| Serviços culturais, pessoais e recreativos |
| Serviços governamentais |
| 3 Renda Primária |
| Remuneração de trabalhadores |
| Renda de Investimentos |
| Investimento direto |
| Lucros e dividendos |
| Juros |
| Investimento em carteira |
| Outros investimentos |
| Ativos de reserva |
| 4 Renda Secundária |
| Governo (Donativos) |
| Transferências pessoais |
| 5 Saldo Transações Correntes (1 + 2 +3 + 4 ) |
| II - CONTA CAPITAL |
| III - CAPITAL FINANCEIRO |
| Investimento direto no exterior |
| Participação no capital e cotas em fundos |
| Dívida intercompanhia |
| Investimento direto no país |
| Participação no capital e cotas em fundos |
| Dívida intercompanhia |
| Investimento em carteira - Ativos |
| Ações e cotas em fundos |
| Títulos de renda fixa |
| Investimento em carteira - Passivos |
| Ações e cotas em fundos |
| Títulos de renda fixa |
| Derivativos - Ativos |
| Derivativos - Passivos |
| Outros investimentos - Ativos |
| Moedas e depósitos |
| Empréstimos |
| Créditos comerciais e adiantamentos |
| Ativos de reserva |
| IV - ERROS E OMISSÕES |
| V - SALDO TOTAL DO BALANÇO DE PAGAMENTOS ( I + II + III + IV) |
Tabela 1 | Balanço de Pagamentos do Brasil. Fonte: Banco Central do Brasil (2014).
Siga em Frente...
Vamos compreender melhor cada uma desses grupos e suas respectivas contas a seguir:
Transações correntes: são contabilizadas as movimentações de bens e serviços (incluindo remuneração de capital, juros e dividendos) e pagamento e recebimento de rendas primárias e rendas secundárias entre residentes e não residentes. Compõe as Transações Correntes (TC) as contas:
- Balança comercial (BC): refere-se ao saldo de transações de mercadorias realizadas entre o país e o resto do mundo, ou seja, a diferença entre as exportações e importações.
- Balança de serviços (BS): são registrados os serviços pagos e os recebidos pelo país, por exemplo, serviços de manufatura, serviços de manutenção e reparo, transportes, viagens, seguros, serviços financeiros
- Renda primária (RP): são registrados os salários ordenados e a renda de investimentos.
- Renda secundária: contabiliza-se o envio de donativos e o recebimento de renda de brasileiros que atuam no exterior.
Conta capital: registra-se os fluxos que envolvem compra e venda de ativos não financeiro não produzidos e a transferências unilaterais de capital. De acordo com Garratt (2015, p. 175), são contabilizados:
Registra os fluxos de fundos associados à transferência de propriedade de certos ativos fixos, incluindo os direitos a recursos naturais e compras e vendas de terra associadas a embaixadas estrangeiras. Segundo, inclui a transferência de intangíveis, como patentes, direitos autorais e marcas registradas. Terceiro, registra transferências de dinheiro destinadas a investimento, incluindo perdão oficial de dívidas.
De acordo com Carvalho e Silva (2017), os ativos não financeiros não produzidos englobam transações relacionadas a recursos naturais, como terra, direitos de mineração, direitos florestais, água, direitos de pesca, espaço aéreo e espectro eletromagnético. Isso também abrange contratos, concessões e licenças reconhecidos como ativos econômicos, bem como ativos de marketing, como marcas, logotipos, nomes de domínio, entre outros. É importante ressaltar que as transferências unilaterais envolvem ações como o perdão de dívidas, subsídios governamentais, impostos sobre heranças, doações e outras formas de transferência, como destacado por Carvalho e Silva (2017).
Conta financeira: nessa conta, são registrados os fluxos de capitais entre a nação e os demais países do mundo e registra as transações relativas à formação de ativos e passivos externos. Essa conta é dividida cinco categorias:
- Investimento direto: envolve fundos investidos por estrangeiros em empresas nacionais (chamado de investimento direto interno) e fundos aplicados por residentes em empresas estrangeiras (conhecido como investimento direto externo).
- Investimento em carteira: engloba transações realizadas por não residentes envolvendo aquisição de ações, cotas em fundos e títulos de renda fixa nacionais, bem como transações efetuadas por residentes em ações, cotas em fundos e títulos de renda fixa internacionais.
- Derivativos: compreende as operações de compra e venda de derivativos realizadas por residentes e não residentes. Os derivativos são contratos cujo valor deriva de um ativo subjacente, como, por exemplo, commodities, e têm a finalidade de proteger o detentor contra grandes oscilações de preços.
- Outros investimentos: consistem em recursos financeiros provenientes de transações de curto prazo, em grande parte intermediadas por instituições financeiras. Este grupo inclui moedas e depósitos, empréstimos e créditos comerciais, bem como adiantamentos.
- Ativos de reserva: exemplificam-se por meio das reservas de ouro e ativos mantidos em moeda estrangeira.
Erros e omissões: são lançados nesse grupo, as transações que não foram computadas no (BP), mas que podem provocar variações nas reservas internacionais.
O resultado do Balanço de Pagamentos é determinado pela agregação das contas de transações correntes, conta de capital, conta financeira e erros e omissões. O desfecho final pode ser classificado como um superávit ou um déficit no Balanço de Pagamentos. O saldo que se origina a partir deste resultado pode ser interpretado como o acréscimo ou decréscimo nas reservas internacionais, que são administradas pelo Banco Central.
Segundo Carvalho e Silva (2017), com o advento da globalização, a dinâmica do comércio internacional se tornou mais acirrada, e os mercados assumiram uma dimensão global, o que, em grande parte, beneficiou as nações desenvolvidas. Muitos países, em busca de fortalecer suas economias e promover seu progresso, optaram por se unir para explorar novos mercados e ampliar sua presença e influência no cenário comercial global.
Os blocos econômicos podem ser compreendidos como alianças entre nações que buscam estabelecer acordos comerciais para promover a integração econômica e social. Esses acordos são moldados por interesses mútuos, uma vez que as facilidades comerciais podem ser vantajosas para todos os envolvidos e propiciar um crescimento e desenvolvimento econômico conjunto (Carvalho e Silva, 2017). Ainda segundo os autores, no processo de criação e evolução dos blocos econômicos, são definidos quatro estágios ou tipos de acordos, sendo eles:
- Área de Livre Comércio: acordos de redução de tarifas e facilitação de comércio entre países-membros.
- União Aduaneira: introdução de regras comerciais para países membros, tais como impostos e taxas simplificadas e unificadas e também regras de comercialização com países não membros.
- Mercado Comum: as pessoas, os insumos ou as matérias-primas, e o capital financeiro, passam a ter livre circulação entre as fronteiras dos países membros.
- União Econômica: unificação das leis, da moeda, das políticas econômicas e da diplomacia internacional entre os países membros. Ex: União Europeia.
A diminuição das tarifas de importação no comércio entre países membros, seja em acordos bilaterais ou multilaterais, traz benefícios para nações que possuem defasagens tecnológicas em suas estruturas produtivas. Isso ocorre porque essas nações podem importar bens de capital, como máquinas e equipamentos, com o objetivo de modernizar suas indústrias. Esse processo impulsiona a competitividade da indústria doméstica, promove o progresso tecnológico, estimula a inovação, aumenta a produtividade e, consequentemente, gera mais empregos e renda.
No entanto, entre as desvantagens, é possível mencionar a falência ou a saída do mercado de empresas que não conseguem competir eficazmente no cenário internacional, bem como o risco de nações com capacidade produtiva limitada. Além disso, grandes indústrias podem optar por transferir suas operações para países com mão de obra mais barata. A redução na produção resulta em um aumento do desemprego e, consequentemente, na diminuição da renda no país.
Vamos Exercitar?
Agora que já estudamos sobre a taxa de câmbio, a estrutura do balanço de pagamentos e os blocos econômicos, podemos relacioná-los à situação problema que apresentamos no início da aula. Partimos da hipótese de que você é dono uma empresa de importação e exportação e enfrenta desafios devido a mudanças nas taxas de câmbio. As margens de lucro foram afetadas negativamente, tornando as operações mais desafiadoras.
Como lidar com essa situação?
Em relação à taxa de câmbio, a desvalorização cambial, torna as exportações mais atrativas, logo que o empresário local recebe mais reais pelo mesmo dólar e ao mesmo tempo, o comprador estrangeiro consegue comprar mais mercadorias em reais. Portanto, a mercadoria nacional fica mais competitiva no cenário externo. Já com a valorização cambial, os produtos nacionais ficam mais caros em dólar, e o importador estrangeiro vai precisar desembolsar mais dólares para a aquisição das mercadorias. No entanto, ele pode optar por comprar em outros países (se houver produto similar). Ocorre então, uma perda de competitividade das mercadorias nacionais e redução das exportações. Logo, a empresa pode explorar diferentes estratégias de precificação e diversificação de mercados para ajudar a mitigar riscos cambiais.
A análise da estrutura do balanço de pagamentos é fundamental. Isso ajudará a avaliar a saúde econômica do país e a identificar riscos relacionados a transações internacionais. Por exemplo, um grande déficit em conta corrente pode indicar vulnerabilidades econômicas, afetando a confiança na moeda e, por consequência, a taxa de câmbio.
Em relação aos blocos econômicos, se a empresa lida com parceiros comerciais em regiões em que existem blocos econômicos, é importante entender como essas alianças afetam as políticas comerciais. Isso pode influenciar as tarifas, as quotas de importação e as barreiras comerciais que impactam diretamente as operações. Dessa maneira, a empresa pode explorar oportunidades em acordos comerciais preferenciais dentro desses blocos, o que pode reduzir tarifas, facilitar o comércio e melhorar a competitividade da empresa. Além disso, você pode monitorar de perto as negociações comerciais em andamento que possam afetar suas operações.
Nesta aula, exploramos os conceitos de taxa de câmbio, a estrutura do balanço de pagamentos e blocos econômicos. Esses tópicos desempenham um papel importante nas relações econômicas globais e influenciam diretamente as operações de empresas que atuam no mercado internacional.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo 8 Balanço de pagamentos do livro Economia internacional. O propósito deste capítulo é apresentar ao leitor os conhecimentos básicos necessários para compreender a dinâmica e a importância do balanço de pagamentos.
PAIVA, D. L. de et al. Economia Internacional. 3. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547215149/. Acesso em: 2 nov. 2023.
A questão cambial ainda levanta muitas discussões, pois existem muitos que defendem uma intervenção do governo para determinar uma taxa “favorável”. Para mais informações sobre esse assunto, leia o artigo Aspectos da evolução do câmbio no Brasil: 1990-2011.
BRUM, A. L.; ZILIO, M. Aspectos da evolução do câmbio no Brasil: 1990-2011. Revista Perspectiva, Erechim, v. 37, n. 138, jun. 2013, p. 69-80. Disponível em: https://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/138_348.pdf. Acesso em: 2 nov. 2023.
Leia o capítulo 7 Transações correntes: abordagem macroeconômica do livro Economia internacional. Neste capítulo, os principais agregados da contabilização do balanço de pagamentos serão contrapostos a algumas identidades das contas nacionais com o objetivo de explicitar os significados dos desequilíbrios do balanço de pagamentos do ponto de vista macroeconômico.
SILVA, C. R. L. da; CARVALHO, M. A. de. Economia internacional. 5. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547213763/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Referências Bibliográficas
BORGES, J. T. Câmbio. Curitiba: Ibpex, 2008.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Estatísticas do Setor Externo – Adoção da 6ª Edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento (BPM6). Disponível em: https://www.bcb.gov.br/ftp/infecon/nm1bpm6p.pdf. Acesso em: 2 nov. 2023.
CARVALHO, M. A. de; SILVA, C. R. L. da. Economia internacional. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
GARRATT, D. Macroeconomia - Série express. São Paulo: Saraiva, 2015.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
Aula 3
Liberalismo Econômico X Keynesianismo
Liberalismo Econômico x Keynesianismo
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante! Nesta aula, vamos estudar a evolução do pensamento econômico, do liberalismo clássico à teoria keynesiana e ao neoliberalismo. Compreender essas diferentes perspectivas é essencial para analisar as políticas econômicas e entender os debates que moldaram a história da economia.
Para contextualizar o nosso estudo, suponha que você trabalhe no departamento econômico de um governo e sua equipe está enfrentando um dilema. A economia do país está enfrentando uma recessão severa e altas taxas de desemprego, e medidas podem ser tomadas. Em discussões com a equipe do governo, foram levantas as seguintes questões:
- Como as teorias liberais, com seu foco na liberdade de mercado e na "mão invisível," podem ser aplicadas para superar a recessão e criar empregos?
- Por outro lado, como as ideias keynesianas, com seu apoio à intervenção governamental, podem ser usadas para estimular a demanda agregada e acelerar a recuperação econômica?
- Em que medida o neoliberalismo, com sua ênfase na desregulamentação, influencia as políticas econômicas do seu governo e pode oferecer soluções para os problemas atuais?
O entendimento dessas teorias econômicas é essencial para analisar e moldar as políticas econômicas em governos, empresas e organizações internacionais.
Prepare-se para uma aula que irá desafiar seu pensamento e fornecer conceitos valiosos sobre como as ideias econômicas moldam a sociedade. Vamos começar!
Vamos Começar!
A economia, ao longo de sua história, passou por um processo de evolução como ciência, acompanhando as transformações econômicas e sociais que marcaram os diferentes períodos da história. Neste texto, abordaremos os pressupostos da teoria liberal, representada pelos economistas clássicos, os pressupostos da teoria keynesiana, desenvolvida por John Maynard Keynes, bem como o surgimento do neoliberalismo no tempo recente.
Os economistas clássicos do século XVIII e XIX, como Adam Smith (1723-1790), John Stuart Mill (1806-1873), David Ricardo (1772-1823) e Jean-Baptiste Say (1767-1832), desempenharam papéis fundamentais no desenvolvimento da teoria econômica.
Adam Smith foi um dos mais influentes filósofos e economistas escoceses do século XVIII, nascido em 1723 e falecido em 1790. Sua obra mais famosa, A Riqueza das Nações (1776), é frequentemente considerada a pedra angular da economia moderna e marcou o início da escola de pensamento econômico conhecida como o liberalismo clássico.
Segundo Vasconcellos e Garcia (2023), Adam Smith na sua perspectiva harmoniosa do mundo real, acreditava que a livre concorrência, sem qualquer intervenção externa, conduziria a sociedade a um crescimento econômico, como se fosse orientada por uma "mão invisível". Adam Smith defendia a ideia de que, à medida que todos os agentes buscam maximizar seus lucros, acabam, de maneira indireta, promovendo o bem-estar de toda a comunidade. É como se essa "mão invisível" direcionasse todas as decisões econômicas, eliminando a necessidade de intervenção do estado, refletindo os princípios do liberalismo econômico (Vasconcellos e Garcia, 2023).
De acordo com Brue e Grant (2016), outra contribuição importante de Smith é o conceito de divisão do trabalho. Ele observou que a especialização e a divisão das tarefas em uma economia levam a um aumento significativo na produtividade. Isso, por sua vez, aumenta a riqueza da nação e melhora o padrão de vida das pessoas. Essa dinâmica pode ser visualizada na Figura 1, a seguir:
Conforme pode-se analisar na Figura 1, Adam Smith conclui que quanto mais especializada uma economia, maior a produtividade e consequentemente maior a produção. Com mais produtos disponíveis a um preço competitivo, mais negócios seriam gerados na economia. À medida que os trabalhadores se tornam mais eficientes em suas tarefas especializadas e a demanda por seus serviços cresce, seus salários tendem a subir, refletindo o valor que eles trazem para a produção e a economia como um todo. Com maiores salários, as pessoas tendem a consumir mais, e esse ciclo leva ao aumento da riqueza de uma nação.
Adam Smith também defendia a noção de que o governo deveria ter um papel limitado na economia, principalmente focando em garantir a segurança, a aplicação da lei e a proteção dos direitos de propriedade (Brue e Grant, 2016). Ele via o livre comércio como benéfico para o crescimento econômico, e acredita que as restrições comerciais e as tarifas eram prejudiciais à prosperidade.
David Ricardo foi uma figura proeminente do período clássico, avançou a partir das premissas de Adam Smith e desenvolveu modelos econômicos com um notável potencial analítico. Ele refinou a teoria de que todos os custos podem ser reduzidos aos custos do trabalho e demonstrou como a acumulação de capital, aliada ao crescimento populacional, resulta em um aumento na renda da terra (Vasconcellos e Garcia, 2023).
David Ricardo também se concentrou em analisar o comércio internacional, explorando as razões que levam as nações a optar por realizar transações comerciais entre si, avaliando se isso é vantajoso e quais produtos são adequados para serem comercializados. Ele fez uma contribuição significativa à teoria do comércio internacional, introduzindo o conceito de "teoria das vantagens comparativas" (Brue e Grant, 2016).
John Stuart Mill resumiu e avançou o pensamento econômico clássico, incorporando elementos institucionais e oferecendo uma análise mais detalhada do funcionamento da economia de mercado. Por sua vez, Jean-Baptiste Say expandiu as ideias de Adam Smith, e elaborou a chamada lei de Say: “a oferta cria sua própria procura”, ou seja, o aumento da produção transformar-se-ia em renda dos trabalhadores e empresários, que seria gasta na compra de outras mercadorias e serviços (Vasconcellos e Garcia, 2023).
Muito bem, compreendido os pressupostos básicos dos economistas clássicos, vamos estudar a teoria Keynesiana!
Siga em Frente...
De acordo com Brue e Grant (2016), a teoria Keynesiana, também conhecida como Keynesianismo, é uma abordagem econômica desenvolvida por John Maynard Keynes durante a primeira metade do século XX, por meio de sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, em 1936. Essa obra surgiu em resposta ao contexto econômico da época, principalmente em decorrência da Grande Depressão de 1929. Mas, o que de fato foi essa crise? A Grande Depressão foi uma crise econômica global que teve início em 1929, causando uma recessão prolongada e alto desemprego. Na época, a teoria econômica predominante era o pensamento clássico, que defendia a ideia de que os mercados eram autossuficientes e que as economias se autorregulavam.
A crise de 1929 trouxe efeitos catastróficos para os Estados Unidos. O desemprego saltou de 4%, antes da crise, para 23,6% da população depois da quebra da Bolsa de Valores (Infoplease, 2020). A Figura 2 mostra um momento triste daquela época: uma enorme fila de desempregados e sem-teto diante de um restaurante que promete “sopa, café e rosquinhas grátis para os desempregados”.
Keynes observou que as políticas econômicas baseadas nas ideias clássicas estavam falhando em combater a Grande Depressão. Ele argumentou que as forças de mercado por si só não eram capazes de resolver as recessões de maneira eficaz e que as intervenções governamentais eram necessárias (Vasconcellos, 2015).
De acordo com a perspectiva keynesiana, um dos principais determinantes do nível de emprego é o nível de produção nacional em uma economia, o qual, por sua vez, é influenciado pela demanda agregada ou efetiva. Em outras palavras, a teoria keynesiana inverte o sentido da Lei de Say, que postula que a oferta gera automaticamente sua própria demanda, destacando a importância da demanda agregada por bens e serviços na determinação do nível de emprego.
Segundo Keynes, em uma economia em recessão, não há mecanismos de ajuste automáticos, o que torna necessária a intervenção do Estado mediante políticas de gastos públicos. Esse enfoque teórico representa o abandono da crença no laissez-faire como regulador dos fluxos reais e monetários na economia, e é denominado princípio da demanda efetiva. Para superar a Grande Depressão, Keynes propôs:
- Política fiscal: a intervenção do governo por meio do aumento dos gastos públicos durante períodos de recessão para estimular a demanda agregada. Isso incluía a realização de obras públicas, programas de emprego e outros investimentos.
- Política monetária: recomenda a redução das taxas de juros pelo banco central para incentivar o investimento e o consumo.
As ideias de Keynes foram implementadas na economia americana por meio do New Deal o qual pode ser traduzido como um novo pacto (no sentido de um compromisso do governo, das empresas e dos consumidores para retomarem o crescimento econômico) (Medeiros, 2020). Dez anos após a implantação do New Deal, os EUA se aproximaram dos patamares econômicos em que se encontravam em 1929 (Van Deursen, 2018).
Com o sucesso da implementação das ideias Keynesianas no plano de recuperação econômico americano, suas ideias se expandiram por todo o mundo, e de acordo com Brue e Grant (2016), os principais postulados da teoria foram:
- Incerteza e expectativas: enfatiza a importância das expectativas dos agentes econômicos, argumentando que as decisões de investimento e poupança são fortemente influenciadas pelas incertezas sobre o futuro.
- Rigidez de preços e salários: preços e salários não se ajustavam instantaneamente às mudanças na oferta e demanda, o que poderia levar a desequilíbrios de mercado a longo prazo.
- Desemprego involuntário: o desemprego poderia ser involuntário, ou seja, as pessoas estavam dispostas a trabalhar, mas não conseguiam encontrar empregos devido à falta de demanda.
- Demanda efetiva: o nível de emprego e a produção na economia eram determinados principalmente pela demanda agregada (a soma dos gastos de consumo, investimento, governo e exportações líquidas).
- Intervenção governamental: necessidade de intervenção governamental na economia durante períodos de recessão. Recomenda que o governo adotasse políticas fiscais e monetárias expansionistas para fomentar a produção e o emprego.
De acordo com Medeiros (2020), na década de 1970, o mundo testemunhou uma inversão de papéis, embora menos acentuada: uma grave crise em várias nações que seguia políticas keynesianas não pôde ser superada pelos métodos tradicionais. Como resultado, os anos 1980 foram caracterizados pela substituição da linha de pensamento econômico predominante (do keynesianismo para o neoliberalismo econômico).
Os princípios fundamentais do neoliberalismo podem ser resumidos no Consenso de Washington, um conjunto de dez diretrizes desenvolvidas por economistas de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Essas diretrizes foram estabelecidas em novembro de 1989 e serviram como um guia para os países que buscavam financiamento junto ao FMI para lidar com seus déficits fiscais (Silveira, 2019 apud Medeiros, 2020). Segundo o autor as diretrizes são:
- Disciplina fiscal.
- Redução dos gastos públicos.
- Reforma fiscal e tributária.
- Abertura comercial e econômica.
- Taxa de câmbio de mercado competitivo.
- Liberalização do comércio exterior.
- Eliminação das restrições ao investimento estrangeiro direto.
- Privatização, com a venda das empresas estatais.
Portanto, para finalizar esse conteúdo, cabe destacar que a evolução da economia como ciência testemunhou uma mudança significativa nas perspectivas sobre o papel do Estado na economia, com a teoria liberal dos economistas clássicos e a teoria keynesiana representando dois extremos desse espectro. A teoria neoliberal aparece ao final do século XX como o ressurgimento das ideias clássicas. É importante ressaltar que, na prática, muitas economias adotam uma abordagem mista, combinando elementos do liberalismo econômico com intervenções estatais quando necessário. A chave está em encontrar um equilíbrio que permita alcançar os objetivos econômicos e sociais de forma eficiente e sustentável.
Vamos Exercitar?
Você trabalha no departamento econômico de um governo que enfrenta uma recessão severa e altas taxas de desemprego. Como lidar com essa situação, aplicando as teorias clássicas, keynesianas e neoliberais?
Os princípios liberais da escola clássica enfatizam a liberdade de mercado, a propriedade privada e a não intervenção governamental. Nesse contexto, você pode considerar a redução da intervenção do governo na economia, diminuição de impostos e regulamentações para estimular a atividade empresarial. Isso pode criar um ambiente propício para o crescimento econômico e a criação de empregos. No entanto, é importante avaliar como essas políticas podem afetar a desigualdade e a estabilidade social.
A teoria keynesiana sugere que o governo desempenhe um papel ativo na regulação econômica. Para lidar com a recessão, você pode considerar o aumento dos gastos públicos em infraestrutura, programas de emprego e assistência social. Isso estimularia a demanda agregada e poderia reduzir o desemprego. No entanto, é importante monitorar o impacto no endividamento público e na inflação.
A perspectiva neoliberal pode enfatizar a importância da desregulamentação e da promoção de um ambiente de mercado livre. No entanto, em um cenário de recessão severa, pode ser importante encontrar um equilíbrio entre a desregulamentação e a manutenção de políticas sociais que ajudem a aliviar o impacto da crise sobre a população mais vulnerável. O neoliberalismo enfatiza a desregulamentação e a redução da intervenção governamental na economia. Isso pode levar a políticas de austeridade fiscal e à redução dos gastos públicos. Em uma situação de recessão, a abordagem neoliberal pode ser controversa, pois busca cortar despesas em um momento em que muitos argumentam que o governo deveria gastar para estimular a economia.
É importante que você reflita sobre as complexidades de aplicar essas teorias em contextos reais. Muitas vezes, uma abordagem híbrida que combina elementos dessas teorias pode ser a mais eficaz.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo 5 A escola clássica: Adam Smith do livro: História do pensamento econômico. Neste capítulo, é analisado seu primeiro livro, The theory of moral sentiments, para explorar a relação entre seu pensamento sobre a filosofia moral e sobre a economia política. Por fim, é examinado com detalhes seu monumental A riqueza das nações, destacando suas opiniões sobre (1) o laissez-faire e a harmonia dos interesses, (2) a divisão do trabalho e (3) as leis econômicas de uma economia competitiva.
BRUE, S. L.; GRANT, R. R. História do pensamento econômico. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2016. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126224/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Leia o capítulo 21 A escola keynesiana – John Maynard Keynes do livro: História do pensamento econômico. Neste capítulo, os autores fornecem uma visão geral sobre a escola keynesiana e discutem as principais ideias de Keynes, tais como a ênfase macroeconômica, orientação pela demanda, intervenção estatal e instabilidade econômica.
BRUE, S. L.; GRANT, R. R. História do pensamento econômico. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2016. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126224/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Leia o capítulo 11 A escola Neoclássica do livro: História do pensamento econômico. Neste capítulo, os autores apresentam os princípios básicos da escola neoclássica, bem como os principais pensadores que contribuíram para o surgimento dessa escola econômica.
OLIVEIRA, R. de; GENNARI, A. M. História do pensamento econômico. 2 ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571440166/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Referências Bibliográficas
BRUE, S. L.; GRANT, R. R. História do pensamento econômico. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2016.
INFOPLEASE. United States Unemployment Rate. 2020. Disponível em https://www.infoplease.com/business-finance/labor-and-employment/united-states-unemployment-rate. Acesso em: 30 out. 2023.
MEDEIROS, F. B. S. Economia para negócios. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
VAN DEURSEN, F. Quebra da Bolsa em 1929: tragédia em Wall Street. Aventuras na História, 24 out. 2018. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/acervo/quebra-bolsa-1929-tragedia-wall-street-454593.phtml. Acesso em: 30 out. 2023.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELLOS, M. A. S. de; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
Aula 4
Governo e Mercado
Governo e Mercado
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante! Vamos iniciar a nossa aula sobre as principais funções do governo na economia e os principais mercados econômicos, bem como as políticas econômicas que moldam o cenário econômico. Este conteúdo é de extrema importância, pois fornece as bases para entender como as ações governamentais e os mercados afetam a economia de um país e, por conseguinte, as organizações e os indivíduos que operam nele.
Vamos começar com um cenário hipotético que ilustrará a interação entre o governo e uma empresa que realiza obras públicas. Imagine uma empresa que, historicamente, atuou em um ambiente em que as políticas governamentais eram menos intervencionistas. No entanto, um novo governo mais intervencionista assume o poder, expressando sua intenção de exercer as funções do governo na economia de forma mais marcante.
Este novo governo está planejando atuar mais no mercado de bens e serviços, bem como no mercado de trabalho, utilizando políticas fiscais e monetárias para alcançar seus objetivos. As questões que surgem são:
- Como essa mudança na abordagem do governo pode impactar os negócios da empresa que realiza obras públicas?
- Quais são as implicações das ações governamentais na alocação de recursos (função alocativa), na distribuição de renda (função distributiva) e na estabilização da economia (função estabilizadora)?
- Como a empresa pode se adaptar e tomar decisões assertivas considerando esse novo contexto?
Durante nossa aula, exploraremos cada um desses pontos em detalhes, discutindo as principais funções do governo na economia, os principais mercados econômicos, bem como as políticas macroeconômicas.
Vamos Começar!
Nesta aula, exploraremos conceitos fundamentais no campo da economia que são essenciais para entender como o governo exerce influência sobre a atividade econômica de um país e, por consequência, sobre o setor produtivo e as empresas. Os três pilares centrais deste estudo são: as principais funções do governo na economia, os principais mercados econômicos e o efeito das políticas econômicas sobre o setor produtivo.
Segundo Vasconcellos e Garcia (2023), por meio da interação das forças de oferta e demanda, a análise macroeconômica fundamenta-se no estudo do equilíbrio de cinco mercados, conforme Figura 1:
Conforme pode ser visualizado na Figura 1, os mercados macroeconômicos são: bens e serviços, trabalho, monetário, de títulos e de divisas. A seguir, apresentaremos as características básicas de cada mercado.
No mercado de bens e serviços são estabelecidos tanto o nível de preços quanto o nível de produção do país, e o equilíbrio é atingido quando a oferta (representando a intenção de produção de todas as empresas do país) se equipara à demanda agregada (representando a intenção de compra de bens e serviços de todos os agentes econômicos) (Vasconcellos e Garcia, 2023). Nesse mercado, as variáveis determinantes são: Produto Interno Bruto (PIB), inflação e os agregados macroeconômicos (consumo, poupança, gastos governamentais, investimentos, exportações e importações).
O mercado de trabalho apresenta a interação entre oferta e demanda por trabalho. As empresas demandam trabalhadores para produzirem bens e serviços (trabalho), enquanto os trabalhadores oferecem sua mão de obra. O equilíbrio ocorre quando a oferta e a demanda de trabalho se igualam, sendo o nível de emprego e o valor dos salários as variáveis determinadas nesse mercado (Medeiros, 2020).
Considerando que todas as transações na economia são realizadas com o uso de moeda, é válido admitir a presença do mercado monetário. Segundo Vasconcellos (2015), nesse mercado, há uma demanda por moeda, que se baseia na necessidade de transações dos agentes econômicos, ou seja, na busca por liquidez. A oferta de moeda, por sua vez, é determinada pelas autoridades monetárias e pela atuação dos bancos comerciais. A interação entre a demanda por moeda e a oferta de moeda vai determinar a taxa de juros do país, o que impacta a produção, os preços e os investimentos externos no país (Vasconcellos, 2015).
O mercado de títulos está ligado ao mercado monetário, e corresponde pela interação entre agentes econômicos superavitários e deficitários. Os agentes superavitários são aqueles que possuem uma reserva financeira e que podem emprestar aos agentes que estão endividados ou que precisam de recursos para investir. No entanto, essa dinâmica acontece por exemplo, quando os superavitários aplicam recursos em produtos financeiros oferecidos pelas instituições financeiras, tais como Certificado de Depósito Bancário ou Letras de Crédito Imobiliário, que por vez emprestam tais recursos aos agentes deficitários.
Por fim, o mercado de divisas (moedas estrangeiras) resulta das transações de cada país com o resto do mundo. A variável determinada nesse mercado é a taxa de câmbio, que sobe ou desce de acordo com a demanda e a oferta de divisas no mercado (Medeiros, 2020).
A presença e a intervenção do governo nesses cinco mercados podem variar, dependendo da orientação político-econômica (mais liberal ou menos liberal) das autoridades que tomam essas decisões (Medeiros, 2020). No entanto, por que o governo se envolve nessas áreas? Essa intervenção decorre da necessidade de corrigir imperfeições que surgem de forma natural nos mercados, a fim de corrigir distorções, promover distribuição de renda e investir em infraestrutura essencial (Giambiagi et al., 20 21).
Siga em Frente...
De acordo com Vasconcellos (2015), ao analisar tal intervenção, é possível identificar três funções primordiais desempenhadas pelo governo na economia, conforme a Figura 2:
A função alocativa do governo se concentra na alocação eficiente dos recursos na economia, principalmente em bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. Esses bens e serviços são chamados de bens públicos, no qual são bens de consumo coletivo, que têm como principal característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo (Vasconcellos, 2015). Um exemplo disso é a provisão de bens públicos, como infraestrutura, defesa nacional e serviços de segurança, que são bens que o setor privado muitas vezes não pode ou não tem incentivos para fornecer de forma adequada.
A função distributiva se concentra na redistribuição de renda e riqueza na sociedade para reduzir a desigualdade. O governo intervém na economia por meio de políticas fiscais e programas sociais para garantir que os benefícios econômicos sejam distribuídos de maneira mais equitativa. Isso pode incluir a tributação progressiva, programas de assistência social e políticas de salário mínimo.
A função estabilizadora do governo está ligada à intervenção estatal na economia, visando modificar os padrões de preços e emprego, uma vez que o pleno emprego e a estabilidade de preços não são alcançados automaticamente (Vasconcellos e Garcia, 2023). Essa intervenção é feita por meio de instrumentos de política fiscal, monetária, cambial, comercial e de rendas.
Essas funções econômicas do governo desempenham um papel fundamental na orientação e na gestão macroeconômica. Segundo Medeiros (2020), a questão essencial é como o governo pode fazer com que a sociedade alcance uma melhor qualidade de vida. Para isso, segundo Vasconcellos e Garcia (2023), espera-se que o governo atue naqueles que são os objetivos principais em termos econômicos, conforme Figura 3:
No que tange a meta produtiva, o objetivo é o crescimento da atividade produtiva e do emprego. Na meta distributiva, o foco é melhorar a distribuição de renda da população. Já na meta inflacionária, busca-se medidas para manter a inflação sob controle. Por fim, a meta econômica visa o crescimento econômico sustentado.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2023), para atingir essas metas, o governo executará as políticas macroeconômicas (ou seja, ações com objetivos macroeconômicos), que são classificadas em quatro tipos, conforme Figura 4:
A política fiscal envolve as decisões do governo relacionadas às receitas e aos gastos públicos. O governo utiliza a política fiscal para influenciar a demanda agregada na economia. Isso é feito ajustando a carga tributária, os gastos públicos e o orçamento geral.
A política monetária é conduzida pelo banco central de um país e diz respeito ao controle da oferta de moeda e da taxa de juros. O objetivo é influenciar as condições financeiras na economia.
A política cambial envolve as ações do governo para gerenciar a taxa de câmbio de sua moeda em relação a outras moedas estrangeiras. Os governos podem optar por uma taxa de câmbio fixa, onde a moeda é mantida a uma taxa específica em relação a outra, ou uma taxa de câmbio flutuante, no qual o valor da moeda é determinado pelo mercado.
A política de rendas é uma estratégia econômica que visa atenuar a disparidade de renda e promover maior equidade social. Ela se concentra em criar um ambiente onde as pessoas de diferentes níveis de renda tenham oportunidades justas e onde a desigualdade seja reduzida.
A combinação e a coordenação dessas políticas podem ser complexas e exigir uma análise cuidadosa da situação econômica de um país. Além disso, o sucesso dessas políticas depende de uma implementação eficaz e de adaptações à medida que as circunstâncias econômicas evoluem.
Vamos Exercitar?
Ao relacionar a problematização proposta com os conteúdos abordados em nossa aula, podemos identificar caminhos para entender como as ações de um governo mais intervencionista podem impactar os negócios da empresa que realiza obras públicas.
Primeiramente, as funções do governo na economia desempenham um papel crucial nesse cenário. A função alocativa refere-se à alocação eficiente de recursos, garantindo que a empresa tenha acesso a recursos necessários para seus projetos. Nesse contexto, o governo pode influenciar a alocação de contratos públicos e investimentos em infraestrutura. A função distributiva refere-se à redistribuição de renda, e políticas de maior intervenção podem afetar a forma como os recursos são distribuídos na sociedade, impactando a capacidade da empresa de encontrar mão de obra qualificada. Por fim, a função estabilizadora busca manter a estabilidade econômica, o que pode influenciar a previsibilidade do ambiente de negócios para a empresa.
Além disso, os principais mercados econômicos, como o de bens e serviços e o mercado de trabalho, serão diretamente afetados pelas políticas governamentais. A empresa que realiza obras públicas deve considerar como o governo pode influenciar a demanda por seus serviços, bem como as regulamentações trabalhistas que podem ser alteradas.
No que diz respeito às políticas econômicas, a empresa deve estar ciente de como as políticas fiscais, monetárias e de renda podem ser utilizadas pelo governo para atingir seus objetivos. A empresa pode adaptar suas estratégias financeiras, gerenciais e de pessoal de acordo com as expectativas das políticas governamentais.
É fundamental que a empresa esteja preparada para a possibilidade de mudanças significativas no ambiente de negócios e seja flexível o suficiente para ajustar suas operações e estratégias em resposta a essas mudanças. Os gestores devem acompanhar de perto as políticas governamentais e a evolução do mercado, buscando oportunidades e mitigando riscos.
Em conclusão, nosso estudo destacou a importância de compreender as funções do governo na economia e como elas se refletem nos principais mercados e nas políticas econômicas. Esse conhecimento é essencial para que empresas e profissionais tomem decisões em um ambiente econômico em constante evolução.
Saiba Mais
Vamos conhecer um pouco mais sobre o que aprendemos? É importante que você tenha outras fontes de pesquisa para ser capaz de pensar de forma crítica o conteúdo abordado nesta aula.
Leia o capítulo 8 Introdução à macroeconomia do livro: Fundamentos de economia. Nesse capítulo você conhecerá a estrutura da análise macroeconômica, os instrumentos e os objetivos da política macroeconômica de maneira objetiva e didática.
VASCONCELLOS, M. A. S. de; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571441415/. Acesso em: 18 out. 2023.
Leia o capítulo 10 “Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços do livro: Fundamentos de economia. Nesse capítulo você conhecerá o lado real da economia, o processo de determinação da produção nacional e o comportamento dos agregados macroeconômicos no mercado de bens e serviços.
VASCONCELLOS, M. A. S. de; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. São Paulo: Editora Saraiva, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571441415/. Acesso em: 18 out. 2023.
Leia o capítulo 11 O lado monetário da economia do livro: Economia: micro e macro. Nesse capítulo você conhecerá o lado monetário da economia, os conceitos de oferta e demanda por moeda, o equilíbrio do lado monetário e como a política monetária afeta o nível de renda e os preços.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. São Paulo: Grupo GEN, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/. Acesso em: 2 nov. 2023.
Referências Bibliográficas
GIAMBIAGI, F. et al. Economia brasileira contemporânea (1945-2015). 3. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2021.
MEDEIROS, F. B. S. Economia para negócios. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
Encerramento da Unidade
Aspectos Gerais De Macroeconomia
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é conhecer os principais agregados macroeconômicos, entender as relações entre governo e mercado, e familiarizar-se com as principais teorias econômicas, capacitando o estudante a compreender o funcionamento da economia em escala nacional e global, você deve começar por assimilar os conceitos fundamentais que são essenciais para a compreensão da economia em sua totalidade.
A compreensão dos conceitos de demanda agregada e oferta agregada permite que você entenda como a economia de um país funciona em termos de produção, gastos e preços. Esses conceitos são a base para entender as flutuações econômicas em uma escala nacional.
Em seguida, é fundamental conhecer as escolas econômicas clássica, keynesiana e neoclássica. Cada uma dessas escolas oferece uma perspectiva única sobre como a economia opera e como as políticas econômicas podem influenciar o crescimento e a estabilidade econômica. Isso capacita você a avaliar diferentes abordagens para os desafios econômicos e entender as teorias subjacentes.
Analisar o balanço de pagamentos e a taxa de câmbio é outra habilidade importante para compreender as relações econômicas globais. Isso permite que você entenda como os países interagem no comércio internacional e como as taxas de câmbio afetam as exportações e importações, bem como a estabilidade da moeda.
Ao explorar as funções do governo (alocativa, distributiva, estabilizadora), você adquire insights sobre o papel do governo na economia. Isso é fundamental para entender como as políticas governamentais podem influenciar a distribuição de recursos e a estabilidade econômica.
Familiarizar-se com os tipos de mercado econômicos (bens e serviços, de trabalho, monetário, de divisas) é importante para compreender como diferentes mercados funcionam e interagem. Isso permite que você perceba como as forças do mercado influenciam os preços, a produção e o emprego.
Por fim, o conhecimento das políticas econômicas, como as políticas fiscais e monetárias, é vital para entender como o governo busca influenciar a economia em termos de gastos públicos e controle da oferta de moeda.
Ao assimilar esses conteúdos, você desenvolverá a competência desta unidade, capacitando-se para analisar e avaliar o funcionamento da economia em escala nacional e global. Isso fornecerá uma base sólida para sua compreensão dos desafios econômicos e como as políticas podem afetar o mundo econômico em que vivemos.
É Hora de Praticar!
Você, como consultor de uma renomada empresa de consultoria macroeconômica, foi recentemente contratado para elaborar um relatório de análise econômica para uma grande empresa nacional. Esta empresa atua no mercado nacional, oferecendo seus produtos e serviços, mas também é uma exportadora significativa. Sua tarefa é fornecer uma análise abrangente da conjuntura macroeconômica atual para que a empresa possa tomar decisões informadas para os próximos anos.
A conjuntura econômica atual é marcada por vários fatores que precisam ser considerados em sua análise:
Mudanças no governo: nos últimos meses, houve uma mudança no governo, com a eleição de um novo presidente e uma nova equipe econômica. Essa transição política tem o potencial de afetar significativamente as políticas fiscais e monetárias do país, bem como as regulamentações relacionadas ao comércio internacional.
Desafios econômicos globais: a economia global enfrenta desafios, como a volatilidade das taxas de câmbio, as tensões comerciais entre grandes nações e a incerteza relacionada à pandemia de COVID-19. Tais eventos podem impactar as exportações da empresa e sua exposição a riscos cambiais.
Política monetária e fiscal: as políticas monetárias e fiscais adotadas pelo governo têm um papel importante na determinação das taxas de juros, níveis de investimento e inflação. É fundamental avaliar como essas políticas afetam a estabilidade econômica.
Demanda agregada e oferta agregada: para compreender o funcionamento da economia nacional e global, é essencial considerar os conceitos de demanda agregada e oferta agregada. Como as mudanças nessas variáveis podem impactar a produção e os preços da empresa?
Escolas econômicas clássica, keynesiana e neoclássica: cada uma dessas escolas econômicas oferece perspectivas distintas sobre como a economia opera e como as políticas econômicas devem ser formuladas. Como essas teorias podem ser aplicadas para orientar as estratégias da empresa?
Balanço de pagamentos e taxa de câmbio: dada a natureza exportadora da empresa, a análise do balanço de pagamentos e das taxas de câmbio é essencial para entender como as transações internacionais afetam suas operações.
Funções do governo e tipos de mercados: as funções do governo (alocativa, distributiva, estabilizadora) e os tipos de mercados econômicos (bens e serviços, de trabalho, monetário, de divisas) desempenham um papel crucial na economia da empresa. Como as políticas governamentais e as condições de mercado podem influenciar seus negócios?
Neste estudo de caso, você, como consultor, deve abordar todas essas questões e fornecer uma análise detalhada da conjuntura macroeconômica, identificando os riscos e as oportunidades que a empresa enfrenta. Sua tarefa é ajudar a empresa a tomar decisões estratégicas informadas que a ajudem a prosperar tanto no mercado nacional quanto no internacional.
Reflita
Como as mudanças na oferta agregada e demanda agregada podem influenciar os níveis de produção, emprego e preços em uma economia?
Em relação ao balanço de pagamentos e à taxa de câmbio, como as flutuações cambiais afetam as exportações e importações e o saldo da balança comercial de um país?
Como as escolas econômicas clássica, keynesiana e neoclássica diferem em suas abordagens para lidar com os desafios econômicos?
Resolução do estudo de caso
A sua tarefa é entregar um relatório de análise de conjuntura econômica para o seu cliente. Sendo assim, você pode seguir o seguinte roteiro para elaborar o relatório:
- Introdução:
- Apresente brevemente a empresa e seu contexto.
- Mencione o objetivo do relatório de análise macroeconômica e a importância de considerar a conjuntura econômica atual.
- Mudanças no governo:
- Analise as mudanças recentes no governo e seu impacto esperado nas políticas fiscais, monetárias e comerciais.
- Avalie como essas mudanças podem afetar a empresa e suas operações.
- Desafios econômicos globais:
- Discuta os desafios econômicos globais, como as tensões comerciais e a volatilidade cambial.
- Identifique como esses fatores podem influenciar as exportações da empresa e a gestão de riscos cambiais.
- Política monetária e fiscal:
- Analise a política monetária e fiscal atual e seu impacto nas taxas de juros, investimentos e inflação.
- Sugira possíveis estratégias de adaptação à luz das políticas econômicas em vigor.
- Demanda agregada e oferta agregada:
- Explique como as mudanças na demanda e na oferta agregada podem influenciar a produção e os preços da empresa.
- Sugira ações para otimizar a capacidade de produção e atender à demanda.
- Escolas econômicas:
- Apresente as perspectivas das escolas econômicas clássica, keynesiana e neoclássica.
- Avalie em qual teorias econômicas o novo governo parece mais alinhando e como isso pode afetar os negócios.
- Balanço de pagamentos e taxa de câmbio:
- Analise o balanço de pagamentos e as implicações das taxas de câmbio nas transações internacionais da empresa.
- Recomende estratégias de gestão de risco cambial.
- Funções do governo e tipos de mercados:
- Avalie como as funções do governo e as condições de mercado afetam a empresa.
- Sugira como a empresa pode interagir com o governo e adaptar-se às condições de mercado.
- Conclusão:
- Resuma as principais conclusões do relatório.
- Destaque as recomendações estratégicas para a empresa com base na análise macroeconômica.
- Recomendações finais:
- Ofereça recomendações específicas para a empresa agir de acordo com as conclusões do relatório.
- Incentive a empresa a monitorar de perto a conjuntura macroeconômica em curso.
- Referências:
- Liste todas as fontes e os dados utilizados na análise macroeconômica.
Esta proposta de resolução deve ajudar a estruturar o relatório de análise macroeconômica, fornecendo uma visão abrangente da conjuntura econômica e direcionando a empresa para tomar decisões assertivas. Certifique-se de detalhar cada seção com informações relevantes e fundamentadas.
Dê o play!
Assimile
Referências
BLANCHARD, O. Macroeconomia. 7. ed. São Paulo: Pearson, 2017.
DORNBUSCH, R.; FISCHER, S.; STARTZ, R. Macroeconomia. 11. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2013.
MANKIW, N G. Princípios de macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2017.
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
VASCONCELLOS, M. A. S. de.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.